Novos Caminhos, Velhos Trilhos

outubro 19, 2016

ACIMA E NÃO “ACUMA”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:40 pm

O Trocadilho no tema é para quem é pai de menina… Vc certamente já viu o desenho animado que tem essa idéia. Contudo a questão aqui é outra, e antiga.

O crente está sujeito à alguma lei? Desde os primórdios do cristianismo há um tensão na vida eclesiástica entre o que se convencionou chamar de antinomismo (vida sem lei) e legalismo (vida só na lei). Alguns tendem a compreender que a vida com Jesus confere tanta liberdade que se pode fazer o que quiser. Por outro lado há aqueles que acham que optar por Jesus é escolher um novo código legal, o que no sertão potiguar se chamaria de “lei dos crentes”. O próprio uso do slogan “proibida a entrada de pessoas perfeitas” ao mesmo tempo que aponta para a realidade de quem compõem a Igreja, representa um convite à frouxidão moral…

O fato é que quem se acomoda à margem da Lei ou debaixo dela, está abaixo do querer de Jesus (Mt.5:17-20). Isso porque a meta sempre será elevada, caso desejemos agradar a Jesus. Jesus nos convida não à superioridade, mas a um padrão elevado, ACIMA. Quando Cristo afirma que nossa justiça (nossos atos devem ser justos) deve exceder a de escribas e fariseus, Ele quis dizer:

  • Que Ele (Jesus) não aboliu/destruiu as ordens morais de Deus. Por um lado Ele cumpriu tudo o que foi dito a seu respeito; por outro lado Jesus não se contentou com a interpretação farisaica da Lei, a qual extraiu, coou, a Palavra de Deus, transformando-a em religião. Entre a tradição farisaica presente e lida na Mishná e o texto bíblico (massorético), Jesus fica com a Palavra. Faz mais: Ele a reinterpreta, mostrando nos exemplos seguintes que a única forma de exceder o padrão farisaico é reconhecer que, por mais que tentemos, jamais conseguiremos a perfeição aqui. Por isso que enquanto a almejamos, precisamos da Graça.
  • Que o comportamento moral e uma vida cheia da Graça não são paradoxais. Pelo contrário! São sinais do mesmo fluxo; são vias de testemunho (contexto anterior). Uma vida cheia de Graça não é uma via libertina, pois este sabe quão caro foi o preço da sua liberdade (Gl.5:1,4,13). Uma vida de Graça excede… procura ir além dos fariseus. Este transbordar aqui pode ser visto quando abrimos mão, por exemplo, do uso do nosso direito garantido em Lei para que esse exemplo de abnegação sirva como testemunho para nossos devedores… isso é Graça que excede, que transborda e que nos faz viver ACIMA, um padrão elevado que difere em muito do que hoje existe com o nome de evangelho.

Num tempo em que políticos andam se banhando em postos de combustíveis e que muitos se assustam com os desvios e a corrupção, a única saída que nos cabe não é estar além desses réprobos homem, nem tampouco, segundo a idéia de Jesus, estar nivelado ao probo Sérgio Moro. Nosso convite é para exceder esse padrão, para ir além, para transbordar em Graça, sendo canais limpos para o fluir da pura água/Graça divina. Jesus nos quer ACIMA.

Pr.Sergio Dusilek

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outubro 9, 2016

DIAS DESAFIADORES

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:11 pm
Dias desafiadores
Você está vivendo dias desafiadores? Já viveu dias assim? Você acorda de um jeito, com boas expectativas sobre o dia e quando percebe, os atropelos que a vida dá passam por cima de voce. De uma forma ou de outra, ou nós vivemos, ou viveremos dias desafiadores. A crise nada mais é que um prolongamento desses dias… ao invés de viver um dia desafiador, passamos a viver vários dias assim.
Para Jairo (Mc.5:22) o momento em que sua filha ficou muito doente foi seu dia mais desafiador. Isso porque o movimento dele, assim como o nosso, revelam nosso dia desafiador. Ele, líder religioso, que estava acostumado a receber as pessoas e a encontrar respostas para seus dilemas de vida, agora corria para chegar até Jesus. Seu movimento, de busca e não mera expectação, foi indicativo do crucial momento que vivia. Sua “foto”, aos pés de Jesus, mostra a finalidade dos dias desafiadores: eles nos recolocam aos pés de Jesus.
Os dias desafiadores nos remetem a outra importante lição: em quem nos apoiamos. Quem está do nosso lado quando recebemos as notícias mais difíceis? As novas mais pesadas e indigestas? No caminhar de Jairo e Jesus, logo após a cura da melhor hemorrágica, a notícia trágica chega até Jairo: os arautos do CAOS anunciam a morte de sua filha. Ao invés dele desmontar ali, ele ouve de Jesus: “Não temas: crê somente”. Ah! Se para cada notícia ruim que recebemos estivéssemos sempre com Jesus ao nosso lado!!! Nosso coração descansa, desfruta de paz, quando ouvimos Deus nos dizer “não tenha medo”. Seus dias tem sido desafiadores? Pare de ouvir os arautos do CAOS, e ouça Jesus!
Nos dias desafiadores, os nossos caminhos se tornam os caminhos de Deus. Mais do que irmos para O CAMINHO, Deus adentra pela trajetória de nossa vida, ainda que seja para ir para uma casa envolta em pranto e desespero. É o Deus da misericórdia e da Graça. O Deus que não considera nossa desobediência como desculpa para não se envolver conosco. O Deus que faz parte de nossa vida, que nos convida para o Seu Caminho, mas que também não se furta a se manifestar nos nossos caminhos e trajetórias de vida.
Por fim, nos dias desafiadores somos convidados a crer. Jesus, ao chegar na casa de Jairo, perguntou porque todos choravam se a menina dormia… as evidências eram da morte daquela princesa de 12 anos. Contudo a fé…ah! a fé! Ela não se resigna às evidências… ela nos convida a ir além da razão (Kierkgaard). Fé é confiar na Palavra de Deus, mesmo contra as evidências. Fé é descansar, porque confia  no caráter de Quem promete, nas Palavras de Deus. Pela fé saímos do ambiente da zombaria e da incredulidade e adentramos no quarto da fé. E lá vemos Jesus tratar aquela menina como uma princesa: ele pega na mão dela e manda ela se levantar. Na mesma hora ela ressurge, se levanta e começa a brincar. Afinal, os milagres de Deus nos remetem para a normalidade da vida…
Em dias desafiadores ou tocamos em Jesus com o pouco de força que nos sobrou (mulher hemorrágica), ou Ele nos toca (filha de Jairo). Mas em ambos os casos é dEle que vem o poder, a cura e a certeza de dias melhores.
Mais Deus e menos desespero nos dias desafiadores!
Com Carinho,
Pr.Sergio Dusilek

outubro 7, 2016

ENTRE DESTROÇOS E DESTROÇADOS (Ez.37:1-6,14)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 7:14 pm

Na vida passamos por momentos bem difíceis. Por vezes um furacão vem sobre nós justamente no período em que ainda estamos tentando nos refazer do grande terremoto que sofremos. Sim, a vida não é só feita de um doce velejar dos Schurmann, mas também de enfrentamento e superação de cataclismas.

O problema é que ao enfrentar os cataclismas da vida, somos revirados e destroçados. Não raras vezes carregamos os destroços conosco por anos a fio. Eles apodrecem, mas seguem como testemunhas silenciosas do nosso infortúnio. Incomodam, mas quem vai retirá-los? Como fazê-lo? Sem falar que uma parte de nós de maneira mórbida gosta de manter esses reflexos do caos por perto… numa espécie de corroboração narrativa, de vestígio da história (como nos lembra Marc Bloch).

Contudo, pode haver recomeço para quem habita no meio dos destroços? Pode haver recomeço para alguém que se percebe preso à experiência do destroçamento pela qual passou lá atrás? Sim, porque para alguns o corpo seguiu, mas a alma… ah! Esta segue presa a esse passado devastador.

Se perguntarmos aos amigos pode ser que a resposta transite entre o sim e o não. Alguns terapeutas podem arriscar uma ajuda para a convivência. Porém, se sua consulta fosse feita ao Profeta Ezequiel, possivelmente ele iniciaria a conversa por essa visão do capítulo 37, que para muitos representa o coração do Velho Testamento.

Ezequiel teve a visão da derrota do povo de Deus, cerca de 3 anos após a destruição de Jerusalém (584 a.C foi a época da visão) por Nabucodonozor. Mas não era só uma visão. Foi a mão do Senhor que chegou sobre Ele (v.1). A mão do Senhor aponta para um Deus que não quer somente mostrar as coisas, mas que quer fazer, transformar uma realidade destruída pelo pecado.

Imagino como foi difícil para o profeta entrar na visão de Deus, andar pelo meio do vale de ossos secos, local de batalha, de derrota, de reprovação do povo, mas também de falta de vida, de extrema dor. Pisar e esfarelar aquilo que representou um dia o povo de Deus era muito ruim para um profeta tão sensível à Deus, mas também ao seu povo. Sua visão descortinava o que tinha acontecido: foi o pecado a causa de todo aquele sofrimento. Foi o pecado que secara os ossos (pecado é pior que osteoporose – (Salmo 32:3), e que tirou a estrutura espiritual e de vida do povo. Sim porque os ossos estão relacionados à estrutura que nos foi dada ou que construímos.

Como a renovação, a reconstrução chega a nossas vidas?

  • Pela Palavra do Senhor (v.4)

Podem ossos ouvir? A figura bíblica mostra que por vezes somente quando alguém está destroçado é que se volta para Deus, que se dispõe a ouvir a Palavra de Deus. A visão de Ezequiel foi de um povo destruído na sua vida, e esse destroçamento foi causado pelo pecado. Pecado seca a vida, esfarela nosso ser.

Nosso conserto está no concerto/aliança. E ela se estabelece pela Palavra do Senhor. É quando em meio aos nossos destroços, no meio de nosso destroçamento, ouvimos a Palavra do Senhor. Não foi isso que aconteceu com Lázaro (João 11)?

Não há recomeço sem Palavra de Deus. Pode haver tentativa, o que normalmente representa uma nova construção, um novo investimento, só que sob escombros.

  • Pelo Espirito de Deus (v.5,14)

Não é só o fôlego da vida que aponta para a alma/anima. Não se trata só do espírito humano. O contexto do texto fala um recomeço do povo do Senhor a partir da ação do Espírito de Deus.

A questão que se levanta é: o povo de Deus pode perder o Espírito? Não desde Atos 2, naquilo que ficou conhecido, no Pentecostes como a democratização do Espírito, agora derramado sobre todos os que crêem. Contudo há uma linguagem bíblica que denuncia se não a perda, a extinção. Veja, em Pentecostes o Espírito veio como línguas de fogo; em Tessalônica o Espírito estava sendo apagado (I Ts.5). A desobediência, o pecado de um modo geral, resfriam a ação do Espírito, a ponto daquilo que era para ser altamente dinâmico, se tornar esquecido. Em suma, não se perde (Ef.1:13-14), mas vive-se como se o Espírito não estivesse mais ali.

A vida está no Espírito. Vem dEle e é nEle que nos movemos e existimos. Ao receber o Espírito, a vida de Deus passa a ser a nossa.

  •  Pela restauração da sensibilidade (v.6)

Os recomeços de Deus e com Deus não são um convite à insensibilidade. Antes, eles representam uma restauração da sensibilidade. Nervos, carne e pele são novamente revestidos e colocados sobre aqueles buracos deixados pela vida. Contudo os novos nervos, carne e pele já não transmitem mais a dor do destroçamento, e sim o frescor da comunhão com Deus.

A falta de sensibilidade pode ser inclusive um indicador de que você está destroçado (ou abraçado aos destroços), mas ainda não percebeu, assim como muitos do povo de Deus naquele tempo.

Sensibilidade é a última etapa. Sensibilidade é sinal da presença da Palavra. Sensibilidade é indicativo da vida no Espírito. Insensível é quem foi reduzido a osso seco. Não há coisa pior do que o povo de Deus que não se torna sensível e aberto para os clamores e desafios do mundo, bem como para ouvir a Palavra e viver no Espírito. Povo que não responde aos apelos é povo que está se tornando insensível.

Quero finalizar com a pergunta de Deus para um ressabiado, contudo esperançoso profeta. “Poderão reviver esses ossos secos?” Será que poderá haver recomeço em meio aos destroços?

“Senhor Deus, tu o sabes.” (v.3b)

[Pr.Sérgio Dusilek – sdusilek@gmail.com]

outubro 3, 2016

Princípios não se negociam

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:03 am

Nesse tempo de eleição, de escolha dos mandatários dos cargos públicos, o poder, aquele que fica tão distante de nós durante 3 anos, reaparece numa proximidade inquietante. É a turma querendo voto; é a turma pedindo novamente nosso voto. Fato é que o poder deixa os palácios e as secretarias, as salas de reuniões e ganha as ruas… infelizmente para depois se trancafiar de novo por mais 3 anos…

Para alguns a proximidade com o poder é um sonho. Algo como que um meio de atingir alguns objetivos, de obter algumas facilidades. Mas para outros essa experiência é incômoda e pode vir a ser dolorosa. Foi assim com Nabote (I Reis 21). Por um acidente geográfico sua casa, sua vinha estava do lado do palácio do rei Acabe em Jizreel. Se muitos desejavam essa proximidade, para alguém de princípios como Nabote isso não só era indiferente como extremamente incômodo. Ainda mais quando seu vizinho além de poderoso, tipifica a abertura que alguém pode dar ao mal. Pois é dessa experiência que quero tirar algumas lições para sua reflexão:

  1. Princípios não se negociam porque trazem a alegria (v.1).

O texto fala que Nabote tinha uma vinha. Perceba: a vinha não estava no centro do poder, mas ao lado dele, separado dele. E vinha é símbolo de uma alegria que pelo jeito, era bem vistosa na vida e na casa de Nabote. A tal ponto que despertou a cobiça de um rei.

Essa verdade bíblica é chocante, principalmente no contexto em que vemos políticos usufruindo de uma vida nababesca. Para muitos a alegria está nas fotos de jantares regados a bebidas caríssimas, em locais com preços proibitivos, nos quais nossos mandatários costumam se deixar enquadrar. Contudo, segundo Nabote, a alegria de uma casa está não nas suas festas, mas na vivência dos seus princípios. Há alegria, não embalada, numa vida pautada em princípios.

2. Princípios não se negociam nem se deixam contaminar

Princípio não se deixa contaminar porque ele é resultado de uma longa observação e semeadura, de um longo processo educacional fomentado pelo exemplo. É aquilo que não vemos, mas que nos sustenta e que explica boa parte do nosso comportamento em diferentes situações.

A proximidade de Nabote com o poder não resultou na perda de sua identidade, dos seus valores, dos seus princípios. Enquanto Acabe havia se perdido no exercício do poder, Nabote permanecia isento da corrupção que parece dele emanar. Possivelmente o que mais incomodou Acabe aponto dele ter perdido o humor e a fome foi a declaração de Nabote de que não venderia, não desfaria da herança dos pais a qual havia guardado e preservado com tanto carinho. Enquanto a herança dos pais de Acabe (os reis de Israel que o precederam, tomando por exemplo Davi) havia sido facilmente diluído pelo rei, especialmente após sua espúria união com Jezabel, Nabote perseverava grato a Deus e aos seus pais por tudo aquilo que ele recebera. Guarde bem uma coisa: NÃO SE DESFAZ DAQUILO QUE RECEBEMOS. A herança dos pais não é para ser dada, nem tampouco vendida.

Acabe costumava projetar nos outros sua frustração. Ao invés de encará-la e digeri-la, ele se vitimizava e culpava os outros. Foi assim quando chamou Elias de “perturbador de Israel” (I Reis 18); foi assim também com Nabote.

Não negocie aquilo que você recebeu. Não deixe seus princípios serem contaminados.

3. Princípios que não se negociam são aqueles pelos quais se vale a pena viver e morrer.

O que acontece com Nabote? O texto bíblico diz que Jezabel arma uma cilada para ele. Convoca asseclas (v.8-9;13); inventa e combina uma mentira/versão (v.10); estabelece uma  hipocrisia ritual, convocando um jejum que não era resultado de humilhação diante de Deus, de busca por Ele, mas sim de pretensa legitimação da mentira e da perversidade (nada muito diferente do que acontece por aí); compra o favor da liderança (anciãos), cujos nobres nada tinham de nobreza; e depois apedreja Nabote até a morte. Após, convida Acabe para tomar posse da herança de Nabote.

Jezabel/Acabe tipificam uma liderança que exige uma obediência cega. Gente que por estar no poder acha que não tem limites a serem respeitados. Exigem cumprimento das ordens mais absurdas, buscando uma fidelização doentia. Gente assim não lidera por princípios; o faz por medo e pelo terror. Nesse sentido, é gente que ou não tem Deus ou que não o mostra em suas atitudes e liderança.

Aqui duas coisas precisam ser destacadas. A primeira delas é que não se mata princípios. No máximo você pode desencarná-los, na medida em que continuam a existir, inclusive pela memória de quem tanto os exemplificou com a vida. No entanto, por serem imateriais, eles não se deixam contaminar, envelhecer, ou mesmo morrer. Jezabel achava que a morte de Nabote era a morte daquilo que ele encarnava. Se enganou totalmente.

A segunda é que você não pode usurpar os princípios dos outros. Princípios são absorvidos em processos conscientes e inconscientes, mas não são incorporados, introjetados pela violência, ou pelo uso da força. Nesse sentido é que reaparece o profeta Elias, pois Deus defende a memória daqueles que vivem por princípios.

E aí vem as profecias que são cumpridas na unção de Jeú, um perfeito psicopata, como rei. Se governantes tentam extirpar os princípios da terra (Sl.11:3), Deus se manifesta pela sua perpetuação.  O fim de gente sem princípios santos é com os cães.

Termino convidando(a) a viver por princípios. Pare de ser sacolejado de um lado para o outro com os oferecimentos externos, com as tentativas de contaminar aquilo que deve ser guardado de modo puro. Pare de viver sendo guiado pelas circunstâncias. Crie raízes espirituais: viva por princípios.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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