Novos Caminhos, Velhos Trilhos

dezembro 11, 2017

O que está acontecendo com a CBB?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:45 am

O que está acontecendo com a liderança da Convenção Batista Brasileira (CBB)? Esta pergunta não vem sem propósito: já faz alguns anos que a pauta da CBB, que por muitas vezes foi marcada por questões maiores, se apequenou de vez. A última foi a campanha lançada estimulando os membros das Igrejas Batistas a irem para suas igrejas vestindo azul, no caso de homens, e rosa, no caso das mulheres. O objetivo, segundo o atual presidente da CBB, seria o de “fortalecer as nossas famílias através da cosmovisão cristã e promover os princípios bíblicos não disseminando ações preconceituosas e discriminatórias, mas reafirmando os valores divinos com o propósito de transformar pessoas por meio do Evangelho” (site da CBB). No bojo desta campanha ainda está a noção de que:

  1. “Os argumentos ideológicos de gênero, não se sustentam e nem encontram respaldo apresentados nas narrativas bíblicas;”
  2. “Entendemos que o Evangelho e seus princípios são superiores à cultura e que esta deve ser compreendida à luz da essência da Bíblia” (site da CBB)

Já de antemão se percebe a contradição da proposição: ora, se é feita uma campanha que busca reafirmar uma crença, um valor, postura que é legítima para qualquer grupo social, necessário é reconhecer que automaticamente se reforça uma barreira cultural, pois tal atitude se torna discriminatória e reforça os preconceitos. Não há como se insurgir contra uma “concepção cultural” sem que se reforce linhas preconceituosas.

Não é só isso. A cultura, negada em alguns momentos na declaração do presidente da CBB, é reforçada em outros. Usa-se cores culturais para marcar o protesto. Chama-se de “argumento ideológico de gênero” àquilo contra qual se combate, sendo que diversos pesquisadores rechaçam a terminologia “ideologia de gênero”, o que demonstraria, ou um preconceito, ou então um desconhecimento da causa contra qual se procura combater. Em ambos os casos, a melhor posição seria o silêncio.

Perceba uma coisa: sou contra a escola dar direcionamento à sexualidade das crianças. Quem faz isso é a família. Contudo, sou a favor que a escola esclareça as diferenças e promova a convivência. A escola não deve ser local de massacre ideológico, nem para um lado, nem para o outro. Minha filha, hoje com oito anos, precisa aprender a conviver com o diferente e não só com os iguais, uma vez que o mundo é plural, embora alguns preferissem que ele fosse “singular”.

Essa campanha é eivada de equívocos. A começar pelo desconhecimento do “inimigo” que se propõe a combater. Parece que a liderança da CBB se recusa, ao elencar um inimigo de muros intransponíveis, de atender à recomendação divina de dar sete voltas ao redor dele (Josué 6).

Em segundo lugar esquece-se do seu papel e quem a compõe. A CBB é composta de Igrejas Batistas. Os filiados são as Igrejas. Quem recomenda participação nas Assembleias da CBB como mensageiro, é a Igreja. Ao promover uma campanha que busca vestir o membro a Convenção ultrapassa a barreira que ela mesma se propôs ao se constituir. O convite deve ser às Igrejas e não aos batistas.

Em terceiro lugar, ela cria uma série de dificuldades. Para muitos o ser batista é acatar no todo qualquer palavra da CBB. Há muita confusão sobre a relação da Convenção com as Igrejas, que não é de SUBORDINAÇÃO, mas sim de COOPERAÇÃO. Além disso há muita “medição” da “batistice” dos outros através de instrumentos menores como o uso de determinada cor na vestimenta do domingo. Ser batista é trabalhar num ambiente plural. Aliás onde há univocidade, desconfio que a “alma batista” desencarnou. Isso porque o governo democrático, apregoado por congregacionalistas como nós, nos impele a essa respeitosa convivência. Fico preocupado quando vejo colegas que aderiram a tal campanha indagar ou mesmo convidar os demais que não o fizeram a deixarem a CBB. Ora, a CBB se tornou uma ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana)? Somos obrigados a cumprir as decisões da “cúria batista”?

Tenho que mencionar ainda que a discordância com a campanha não quer necessariamente dizer que as pessoas sejam simpáticas à postura que se tenta combater.  Nesse sentido, a discórdia aqui envolve vários tons e não só as duas cores da atual gestão da CBB: a) há o tom da discórdia da agenda, pois há coisas mais importantes sobre as quais a CBB precisava se posicionar, mobilizar e protagonizar (reforma da previdência é um exemplo); b) a contaminação do “santo” dia da bíblia com outro aspecto que parece estranho a ele; c) a preocupação do empobrecimento da visão do texto bíblico, sim, porque esse tipo de campanha não o valoriza/resguarda, mas o diminui; d) a preocupação pastoral, com pessoas que lutam com aspectos da sua humanidade, tanto no tocante à sua aceitação, quanto no tocante à aceitação comunitária; e) a falta de empenho na busca de soluções para problemas intestinais da CBB, com consequente adesão às pautas que funcionam como cortina de fumaça; f) perda do espaço dialogal com a sociedade; g) perda da dimensão da Graça na pastoral por conta daquilo que Tillich corretamente chamou de moralismos, entre tantos outros fatores. Em suma, a discordância não implica em assunção existencial de uma pauta. Pode simplesmente indicar uma ação/preocupação pastoral.

Confesso que seria mais fácil atender a campanha da CBB. Das dez camisas que tenho, 6 são azuis e somente 1 rosa. E dei sorte dela não estar lavando… Eu a vesti em discordância com a CBB, com essa agenda diminuta, com esse paradoxal apequenamento que demonstra uma liderança tão inteligente (sim, meus queridos, tanto o presidente como o 1o vice-presidente da CBB são inteligentíssimos; daí a paradoxalidade). Eu a vesti em favor daqueles que sofrem com sua condição sexual rotulada culturalmente como não normal. Eu a vesti contra o preconceito, que também está em mim, e contra o qual luto a cada dia. Eu a vesti em favor do diálogo. Não se salga uma sociedade botando sal colorido (azul e rosa) no saleiro. Se salga no contato com pessoas que são e pensam diferente de nós. E isso só se consegue com a construção de pontes (como bem disse meu amigo Marcelo Madeira) e não erguendo muros.

Por fim, cabe dizer que o que se espera de uma liderança é que ela não encampe toda e qualquer campanha que surja. É preciso saber dizer não. Nós estamos como na época da Ditadura Militar, no seu último período, o do governo do General Figueiredo. Época em que o Brasil tinha inúmeros problemas (voltamos aos anos 80) e período em que os Batistas apoiavam integralmente um modelo ditatorial por conta de um vazio pronunciamento contra à chamada “imoralidade sexual”. É interessante… toda vez que o país mergulha num caos, num abismo sem fim (quer maior prova disso do que o aumento do gás de cozinha em 70% num período de 6 meses?!! E estamos em deflação??), tempo de grande desafio para as lideranças (sem dúvida), elas se apequenam sobre temas de moralidade sexual. Tantas coisas para serem denunciadas, que afetam, que destroem as famílias, pela fome, pela falta de saúde, mas a única coisa que se vê é a dimensão sexual… Será que a perplexidade cegou a atual liderança?

Promova campanhas para fortalecer, para salvar as famílias. Faça pronunciamentos contra a insensatez desse governo que diabolicamente espolia, dia após dia, os pobres deste país (Ezequiel 16:49). Promova uma nova ida às ruas, contra o governo corrupto do PMDB; ou só a esquerda que não pode ser corrompida? Promova campanhas que defendam seus ideais, mas comecem pela justiça e pela misericórdia (Mateus 23:23), antes de falarem sobre as demais coisas. Promova a identidade batista, seu governo congregacional e autônomo afastando esse ideal imperialista (totalmente estranho ao espírito batista) de abrir filiais da igreja matriz. Denunciem a assunção da temática neopentecostal nos cultos e púlpitos batistas, o que tem contribuído para o aumento dos desigrejados.

Termino dizendo que estou preocupado com esta sombra, com esta mortalha que está sendo colocada sobre o Brasil, sobre o Rio e sobre a denominação Batista. A impressão que tenho é que estamos andando a galope rumo a um passado que não é nosso, ao caminho da Inquisição. E ao chegar lá descobriremos, como batistas, que nos tornamos outra coisa. Algo muito distante do divino propósito para o qual creio que Deus permitiu que fôssemos criados. A denominação que ajudou a difundir a liberdade de consciência, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão; o grupo que melhor encampou a liberdade, fruto da Graça cristã, está se tornando cada vez mais pejorativamente severo, parecendo o Calvinismo da época do Iluminismo que ironicamente foi denunciado por Voltaire em suas Cartas Inglesas.

A única esperança que tenho, é que as vozes dissonantes deste movimento monolítico, legalista que aí está, se façam ouvir nas Assembleias da CBB. É nesse sentido que penso em retornar ao convívio desse ambiente. É o que sugiro a você também. A chance de uma mudança é quase nula. Mesmo assim cabe a nós fazer ecoar a voz do Espírito, ainda que seja para juízo de um grupo tão especial como é o Batista.

Em oração,

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

(http://www.convencaobatista.com.br/siteNovo/pagina.php?NOT_ID=78)

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novembro 26, 2017

APROXIMAÇÕES E DISTENSÕES ENTRE AS PRISÕES DE PAULO (At.28:1-10) e SÉRGIO CABRAL

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:35 pm
Doeu ao ler? Pois é… ainda mais depois dessa semana em que vimos um presidio nababescamente organizado por uma quadrilha… só que do colarinho branco. Quem não ficou pasmo em saber que os melhores pratos, camarão (?!!!), queijos e vinhos (rolava fondue???) estavam lá a disposição daquela turma que espoliou o Estado do Rio. De repente o presídio virou SPA… colchões das olimpíadas, “sala de cinema” (caso em que duas igrejas foram envolvidas), entre outros.
Mas o que isso tem a ver com Paulo, o apóstolo?
Certa vez, num naufrágio anunciado (nem todos os barcos afundam por falta de aviso – Atos 27), perto da Ilha de Malta, Paulo que era transportado como prisioneiro para Roma, assim como outras pessoas, entre tripulantes, passageiros e prisioneiros, foram “cuspidos” pelo mar na praia. Perceba que aquela praia não era a deles, mas eles foram levados para lá. Assim acontece conosco: os nossos insucessos nos levam para outras praias que não são as nossas. Porém, nesse movimento, a vida continua.  Enquanto Cabral e outros lutaram pela praia chamada Palácio da Guanabara, Paulo foi levado contra-vontade para aquele lugar. Era um preso sofrendo o frio, enquanto Cabral, ao que parece, experimenta o calor de Benfica. Aproximação e distensão primeira.
Paulo e Cabral possuem em comum o tema da corrupção (I Cor.15). Só que Paulo era um agente para remover a corrupção do mundo. Ao pregar o Evangelho, ele anunciava com esperança a certeza do fim da corrupção. Já Cabral… sua vida política, ao que tudo indica, se resume em ser agente da corrupção. Sua tratativa é para espalhar a corrupção em tudo que toca. Se com Paulo em Malta a serpente veio inocular seu veneno sobre ele, no Rio, Cabral foi a serpente que inoculou esse veneno em toda estrutura estatal. Aproximação e distensão segunda.
Paulo e Cabral receberam honras das autoridades. Só que o primeiro como fruto da gratidão pela benéfica e servil intervenção na vida das pessoas daquela comunidade, a qual muito bem acolheu os náufragos daquele navio (a Bíblia não diz que “Wilson” estava ali…rsrs!). Já Cabral, suas honras e privilégios são oriundos dos acordos prévios, do temor por sanções que existe em pessoas que lidam com esse tipo de gente. O povo nativo acolheu Cabral em 1500 e repetiu a história na década de 90 e nos anos 2000… uma ingenuidade indígena, a mesma que existia em Malta. Ingenuidade que permitiu ao povo de lá ser abençoado, receber a visitação de Deus pela vida e ministério de Paulo; ingenuidade historicamente repetida que nos tornou, nós que habitamos nessa terra, em alvo de espoliação de caravelas portuguesas. E esta foi a terceira aproximação e distensão.
Uma vez preso em Malta e retomando a viagem para Roma, Paulo foi abastecido pelas autoridades. Ofertaram víveres, roupas, lanches para a viagem. Houve gratidão de Malta pela passagem (acidental???!!!) de Paulo. Seu impacto foi sentido até mesmo entre as autoridades. Já Cabral… uma vez preso, foi abastecido por conivência das autoridades. A gratidão faz com que as coisas sejam feitas sob a luz; a conivência, pelos caminhos da escuridão. Paulo não exigiu, recebeu; Cabral manipulou para que tivesse o que queria, assim como fez como político. Com esta quarta distensão e aproximação termino as comparações.
Veja: o caminho do servo do Senhor, preso injustamente por conta da Justiça de Deus, torna tudo significativo, celebrativo. Tudo é espaço, ocasião para seguir ministrando a vontade do Senhor, para cumprir seu querer até mesmo em praias estranhas. Já os que merecem sua condenação e não choram seu pecado… seguem “quadrilhando”, envolvendo gente santa e boa de dentro da cadeia. Até em Malta, Deus manifestará sua provisão, sua Graça abençoadora.
Com Carinho,
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

novembro 23, 2017

Longe da Cruz

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:31 pm

Já tive época que achava que dos quase 3500 participantes do meu facebook, uns 400 seriam meus amigos. Não eram. A vida se encarregou de mostrar que daquela leva, uns 20, 30 (talvez) realmente o foram e são. Isso porque o que o facebook e eu temos uma classificação diferente para o caro termo amigos… Amizade me lembra Jesus; no facebook lembra uma fotinho de gente conhecida (ou não!??).

Me acomodei aos amigos que provaram assim ser, bem como a outros que Deus trouxe para perto. Celebro esses menos de 50, mas sabendo que a ferro e fogo, devem ser uns 10… Agradeço a Deus por cada amigo, desde os “perfilizados”, aos demais que embora possuam identidade não se deixaram enquadrar num “perfil”.

Hoje fiz um comentário a partir de um post de um amigo/conhecido, não sei dizer bem, a quem muito quero bem. Minha pergunta, que ao leitor incauto poderia parecer óbvia, era mais sutil, uma vez que gostaria de verificar se a percepção que tive do texto escrito por um conhecido pastor presbiteriano, estava correta. Lá pelas tantas, sucedeu o seguinte diálogo (vou chamar o altercante de pacato):

[PACATO: Caracas ainda tem gente que tem dúvidas sobre o texto acima. Ta vivendo onde? Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Rio de Janeiro.

 PACATO:  Ta explicado
 PACATO:  não ,to brincando, entendo que pessoas que não são evangélicas têm dificuldade em entender as coisas de Deus, e todos tem meu respeito.
 Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Depois vc me explica, por favor, como se conjuga “respeito” com o “tá explicado” acima…
 PACATO: com pedido de desculpas sinceras, pensei que o Sr. fosse evangelico. Perdão mesmo.
Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Não entendi… Se eu for evangélico mereço desrespeito?]
Por que trago e acentuo esse diálogo aqui? Para simplesmente realçar que essa massa evangélica, que faz o CENSO andar na casa dos dois dígitos, está no mínimo adoecida. As pessoas, como o “Pacato” acima, se identificam como evangélicas, com uma denominação (no caso Batista), mas a sua abordagem pouca identidade tem com o modo exemplar de ser de Jesus, a quem temos por CRISTO.
Como bem diz Clemir Fernandes (não me refiro especificamente ao caso acima, mas a inúmeros outros por aí), se anteriormente precisávamos (segundo os mais conservadores) pregar o Evangelho para os cristãos (por ser a maioria da população católica), agora precisamos pregar o “Evangelho para os evangélicos”.  Sobra intolerância; falta amor; transborda “verdade”, mas cada vez mais carecemos de “sentido”; temos cada vez mais gente (os templos vão sendo ampliados) e cada vez menos comunhão…
O fato é que me parece que os evangélicos estão descuidando de duas marcas caras ao cristianismo: o cuidado com o outro e o cuidado com o estudo. Há um processo de animalização e de certa demência em curso. Uma preguiça intelectual aliada a uma disposição midiática é facilmente percebida em uma simples incursão nas redes sociais.  Não sei onde vamos parar; só sei que é distante da Cruz.
Preocupado,
Pr.Sergio Dusilek
sdusilek@gmail.com

outubro 30, 2017

GLÓRIA SOMENTE À DEUS.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:24 pm
“Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu, para glória de Deus.” (Rm.15:7)
Essa é uma das cinco afirmações basilares da Reforma Protestante. Uma das menos lembradas, faladas, mas ela compõe esse pentágono de teses principais pelas quais eclodiu o movimento reformador. Num momento em que a Igreja se apresentava como a Glória de Deus, como uma máscara gloriosa da Presença de Deus na Terra, coisa que podia ser visto na suntuosidade e vultuosidade de suas construções e projetos de catedrais, como a Basílica de São Pedro; numa época em que os emissários “de Deus” tinham o interesse em brilharem (o termo glória é isso, fulgor, brilho intenso) mais do que Aquele que os iluminava, mais do que o próprio Senhor, você pode imaginar o impacto que esta afirmação teve. E eu emendo: continua tendo!
Mas por que ela é necessária nos nossos dias?
Bom, a Glória de Deus continua sendo obliterada pelos ministérios desenvolvidos em nome dEle. Templos suntuosos que não abrigam a Glória de Deus mas o ego dos pastores presidentes. Ministérios que não apontam para Jesus porque são narcisísticos demais para se voltarem para qualquer outro lugar que não seja o próprio umbigo. Sim, nós precisamos revisitar o propósito da vida: a glorificação a Deus!
Contudo, a Glória de Deus não está perdida somente entre os líderes religiosos. Ela encontra esse paradoxal “eco de sua mudez” na vida de muita gente boa. Gente como você, que vai aos cultos, faz o bem, entrega seus dízimos e ofertas. Aí você se pergunta: “quando faço isso?”. Veja alguns exemplos:
1) quando você passa numa prova ou termina um curso e chama não só a alegria da vitória, da conquista, para você como também o propósito da conquista. É quando você a promoção para você; quando você a conclusão do curso para você; quando você o aumento dos recursos só para você. Que engano!!! Tudo isso é para a Glória de Deus e se atingimos alguma coisa é pela força e benção de Deus, que aliadas a nossa dedicação produzem os sonhados resultados;
2) quando você celebra os relacionamentos que são construídos através da especial e singular pessoa que você é e que Deus formou, essa celebração deve ser para a Glória de Deus. Jamais uma pessoa deve ser convertida numa coisa, num objeto para nosso uso. A dignidade da vida humana está sobre as demais formas de apreensão e compreensão da vida, inclusive as chamadas religiosas! Celebre a Deus a vida de quem lhe cerca e de quem voce quer bem. Celebre para Glória de Deus;
3) quando nossa agenda pessoal suplanta a agenda divina, deixamos de viver para a Glória de Deus. Um pequeno e objetivo exemplo disso é a freqüência/ausência dos cultos. Ora, se tudo o mais substitui nosso momento de devoção, de encontro com o Senhor; se perdemos esse momento em que a Palavra é aberta e somos confrontados sobre nossos rumos em contraponto à Glória de Deus, será que realmente nossa vida é para a Glória de Deus? Se nessa pequenina mostra objetiva isso acontece, imagina o que não deve passar despercebido na nossa interioridade…
Como bem disse Lutero: “Soli Deo Gloria”
Deus abençoe cada um de vocês.
Pr.Sergio Dusilek

outubro 25, 2017

Congresso dos Piratas

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:30 pm

Conta-se que os grandes piratas que o mundo conheceu resolveram se reunir. O objetivo era mensurar, pelo levantamento da quantidade de Tesouros pilhados, quem era o maior pirata do mundo. Grandes nomes da pirataria compareceram: Barba Ruiva e Barba Negra, Perna-de-pau;   Capitão Gancho; ente outros.

Muita festa, muita confusão. Rebeldes que atuavam em causa própria, foi somente com muito custo que conseguiram colocar um ordenamento. Contudo, em seguida uma questão de ordem intransponível se levantou: como iriam confirmar o tamanho das riquezas de cada um se elas eram frutos de roubo, permaneciam escondidas e tendo os novos proprietários a fama de mentirosos? Dissolvida a assembleia, cada um se pôs ao seu navio.

Só que uma surpresa os aguardava do lado de fora da baía: inúmeros navios da força tarefa da esquadra Pública das Federações os aguardavam. Teve início uma violenta batalha naval. Vários piratas menores foram abatidos para alegria dos mais famosos. “Menos um concorrente” deliravam eles. Até que começaram a ver que só restaram suas embarcações. Aí, embora torcessem pelo naufrágio alheio, entenderam que somente sairiam dali juntos, mediante a formação de um esquadra pirata. Assim fizeram e todos se livraram mutuamente.

Isso lhe parece inverossímil? Pois é assim que me sinto ao olhar para Brasília nessa 4a feira dia 25/10. Terminado esse conto, quero dizer que os grandes piratas, os quais estão em Brasília, já perceberam que no “seu congresso” ou formam uma esquadra e se salvam, ou serão abatidos um a um, como aconteceu com os piratas menos famosos. Assim, num dia o PMDB salva Aécio, no outro o PSDB salva Temer, e por aí vai. Agora, uma coisa é certa: vamos continuar não sabendo quem é o maior dos piratas… tá tudo escondido, ou melhor: quase tudo; às vezes um suíno dá mole e entrega para a Esquadra Publica Federal 51 milhões.

Já que não vamos fazer panelaço, nem tampouco quebrar os símbolos  dos 3 Poderes em Brasília, sugiro a você a falar com quem está a sua volta para que na sua próximas eleições não votemos, nem ajudemos a eleger piratas.

Pr.Sergio Dusilek

Ps- numa rápida consulta ao wikipedia vi alguns sobrenomes de piratas que não estão longe da história do Brasil contemporâneo. Conquanto piratas fosse um termo de aplicação abrangente, denominando tanto o ladrao de cargas quanto os oficiais de marinhas rivais cuja missão era pilhar os navios carregados de tesouros de outros países, não deixa de ser sugestivo encontrar sobrenomes como Abravanel, Fleury e Cavendish na história bucaneira.

 

 

outubro 23, 2017

QUANDO DEUS MUDA A NOSSA AGENDA (Atos 16:6-13)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:51 am
Frequentemente meus planos semanais de ação ministerial são alterados, radicalmente mudados. Chega até parecer falta de organização… mas somente depois dos dias, da semana é que entendo o porquê de Deus ter mudado a agenda. Sim meus queridos e queridas! Nem toda mudança de agenda se dá pelo acaso, pelos atropelos do cotidiano, pelos cálculos de tempo mal feitos (a fila do banco que demora mais, o trânsito que demora mais que o previsto)… E enquanto ficamos reclamando da perda da reunião, do tempo perdido, deixamos de ter a visão do que Deus está nos mostrando. Ele é o maior interessado em nossa agenda.
Veja o texto assinalado. Paulo tinha um plano de caminhar para a Ásia, porém Deus o queria na região do EURO… E ao tentar estabelecer seu plano inicial, sua santa agenda de levar o Evangelho a locais longínquos, o apóstolo foi impedido por duas vezes (At.16:5-7). Era Deus mudando sua agenda… O que posteriormente ele assim compreendeu e que está exalado no texto como “impedidos pelo Espírito Santo”.
Deus muda a nossa agenda porque a obra do Senhor é feita segundo a vontade dEle e não a nossa. Nossos ideais podem ser puros, mas é Deus quem os refina ainda mais dizendo onde, quando e como Ele quer que cumpramos a Sua Vontade. Nesse exato momento Deus pode estar alterando a sua agenda, sem que você ao menos se dê conta.
Quando Deus muda a nossa agenda, em algum momento Ele deixa claro que foi Ele quem fez isso. Nem toda mudança de planos é divina, embora muitas mudanças sejam planos dEle. Contudo, nas mudanças operadas por Ele em algum momento veremos (teremos uma visão (v.9)) do porquê Ele promoveu tal alteração.
Quando Deus muda nossos planos Ele o faz por um Plano Maior: nos usar para salvar vidas. A mudança serviu para salvar Lídia, sua casa, e até um carcereiro com propensões suicidas. Certamente Paulo e Silas não tinham planos de ir para a prisão… mas Deus tinha. O testemunho tinha que alcançar os presos e os livres que circulavam pela prisão.
Quando Deus muda nossa agenda nem sempre as coisas ficarão mais fáceis. Para Paulo a mudança trouxe muita dor (v.22-23) e injustiça. Lembro-me da frase de John Perkins (contemporâneo de Marthing Luther King Jr.) na luta pelos direitos humanos e pela igualdade social no Sul da América. Ao ser espancado na cela  por policiais após protestar contra a prisão arbitrária de um jovem negro, Perkins disse: “Fazer a vontade de Deus traz muita dor, mas também muita paz”. Por vezes a mudança da agenda que Deus faz nos trará alguma dor… nem sempre a porta aberta por Ele é a que nos conduz a um caminho florido…às vezes é para pisar sobre as brasas…
Quando Deus muda a nossa agenda uma alegria nos espera. E aqui falo da comunidade de Filipos, Igreja marcada pela alegria, pelo desprendimento, pelo serviço, pela cooperação com o Evangelho. Igreja que se tornou um porto seguro para Paulo. Se queimarmos os pés fazendo a vontade de Deus, saiba que uma alegria enorme nos espera mais adiante.
E aí, será que Deus vai mudar a sua agenda nessa semana? Quando seus planos forem alterados, ao invés de reclamar, procure ter a visão de Deus, do que Ele quer lhe mostrar, ou do que Ele quer que você faça. Ao ver, celebre! É um privilégio ser convidado por Deus para ser usado por Ele.
Deus abençoe cada um de vocês.
Pr.Sergio Dusilek
sdusilek@gmail.com

outubro 6, 2017

Ah! Esses professores…

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:14 pm

Ah! Esses professores…
A tragédia é espessa, dura, porém sempre deixa uma fresta pela qual a luz é irradiada. A própria narrativa bíblica testifica essa realidade (At.12:7).
Tal experiência não foi diferente na tragédia de Janaúba. Ver essa barbárie acentuada pela falta de uma ideologia que cegasse aquele atormentado vigia; enxergar as crianças transportadas em estado grave com cobertores térmicos; saber da morte de algumas delas… isso tudo é doído demais. Dói saber; dói ouvir; dói ver.
Mas no meio dessa tragédia, algumas luzes traspassaram as paredes calcinadas. Destaco aqui a atuação das professoras daquela creche e dentre elas, a que faleceu por proteger suas crianças. Professor que é professor exerce essa nobre função por vocação. Enfrenta um dia-a-dia tumultuado, é mau-remunerado, por vezes incompreendido, insultado; contudo, de bom grado, exerce a vocação de modo dedicado; se realiza em cada passo dado, pelas suas crianças as quais toma por emprestado. Professor é trabalho a ser exaltado, reverenciado, estimulado; Professor deveria ser reconhecido e sempre homenageado.
Se crianças se salvaram foi porque uma luz brilhou naquela sala da creche: a luz da docência, que sempre será a luz da decência.
Faltou extintor; faltou equilíbrio, faltou polícia e até bombeiros (num primeiro momento), mas não faltou professor.
Foi com os professores que Jesus, o Salvador, se identificou: era chamado carinhosamente de MESTRE. Foi através de uma professora que a salvação chegou, se não para todas aquelas crianças, para a maioria delas.
Ah! Esses professores que nos fazem tão bem, que salvam nossa vida da ignorância, que nos ajudam a conhecer e compreender a realidade, que nos apresentam a ciência, que nos inspiram com o seu saber e que nos salvam tantas vezes com suas vidas, com seus conselhos… o que seria de nós sem eles? Esses professores que, uma vez na política partidária, se destacam por uma conduta, coerência e argumentação precisa, não é mesmo #ChristovamBuarque#ChicoAlencar#RandolfeRodrigues#AlessandroMolon, entre outros?
Por um mundo com mais professores legítimos, vocacionados para a docência, minha esperança e gratidão pelos que tive e tenho.
Pr. Sérgio Dusilek

IGREJA BATISTA MARAPENDI – DEPOIS DOS 5

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:16 am
Em Março passado nossa igreja completou 5 anos e com isso um pequeno ciclo, o da consolidação, se fechou. Sim, as organizações (como bem lembra o Prof.Ichak Adizes) possuem seus ciclos, suas etapas de desenvolvimento. Assim é com a Igreja também.
Com o encerramento de um ciclo vem (ou pelo menos deveria vir) a reflexão. E nós não nos furtamos a ela. De fato, reconhecemos diante de Deus que não conseguimos adquirir uma propriedade, nem tampouco crescer como gostaríamos, conquanto reconheçamos que nenhum destes aspectos fizeram parte de nossas primeiras e mais importantes preocupações. Também não temos a Escola Bíblica que sonhamos, nem tampouco os grupos pequenos que almejamos. Realmente conquanto uma Igreja se faça também com números, pobres são aquelas comunidades que só olham para eles!
Se há coisas que ficamos a desejar, há muitas pelas quais celebramos. Nesses 5 anos (caminhando para o sexto) nossa igreja:
a) celebrou a vida através da apresentação e consagração, pelos próprios pais, de diversas crianças;
b) celebrou a nova vida oferecida por Cristo através dos batismos aqui realizados;
c) manteve e ampliou sua visão missionária, no sustento de obreiros que estão, hoje, na Ásia, Europa, Sul do Brasil, entre outros. São cinco anos de sustento ininterruptos da obra missionária;
d) abraçou uma congregação numa comunidade abandonada por uma igreja mãe e que, se Deus quiser, será organizada em Igreja agora em 2018;
e) participou ativamente no sustento e formação de novos obreiros, tendo já entregue ao Senhor e à denominação batista, um pastor e em breve (2018) mais 3;
f) se não conseguimos ter a melhor solução para os diversos problemas enfrentados pelos nossos membros e amigos que congregam conosco, pelo menos pudemos oferecer, como Igreja, nossa presença, nosso acompanhamento, nossa contínua intercessão por aqueles que lutam, bem como nosso braço estendido para aqueles que foram, em algum momento, prostrados pela vida;
g) celebramos o fato de que a igreja não é de nenhum pastor, mas de Jesus. Embora a colocação pareça óbvia, num tempo de lideranças cada vez mais personalistas, marcadas pelo narcisismo e pelo culto ao ego pastoral, a Igreja Batista Marapendi segue na contramão, com uma proposta de colegiado pleno, com rotatividade da presidência, o que por si só, valoriza o coletivo em detrimento do individual;
h) nesses 5 anos, todos os nossos números foram trabalhados com “chocante” transparência. Não há salários supostos, escondidos; eles são mostrados à Igreja nos seus centavos, assim como os demais gastos e investimentos que fazemos como Igreja e que são contemplados pelo Orçamento aprovado em Assembléia;
i) nesses 5 anos não tivemos nenhum abandono da liderança da Igreja. Nenhum grupo saiu da igreja. Seguimos caminhando em amor, construindo pontes sobre as nossas diferenças;
j) melhoramos em muito nosso acolhimento àqueles que chegam ao nosso meio. E celebramos cada vida que se aconchega conosco. Na IB Marapendi nós celebramos as amizades, não só os contatos superficiais;
k) celebramos o envolvimento da igreja com a ação social. Quando ainda congregação passamos dois meses subindo aos sábados com donativos para a região serrana do Rio, ofertando também nosso apoio, nosso ombro e o compartilhamento da Palavra para aquelas pessoas atemorizadas pela tragédia. Desde muito atuamos entre a comunidade carente do terreirão, com iniciativas que vão desde o reforço alimentar ao reforço escolar. Pessoas queridas como Marinauva, Marília, Alexandre, Roberto Braga entre tantos outros tem capitaneado os esforços da Igreja em favor dos desfavorecidos;
l) por fim, nessa lista que não se esgota em si mesma, reconhecemos que temos um púlpito que está longe de ser “lugar comum”. Púlpito este que convida os membros da igreja a adentrarem na realidade e não a fugirem dela. Nas diversas séries de mensagens pregadas ao longo destes 5 anos, sempre buscou-se fugir das respostas e abordagens simplórias, fruto de uma teologia rasa.
Depois dos 5, uma seleção (12)  de motivos para celebrar. Não somos perfeitos, não somos iguais às demais comunidades de fé, mas sem dúvida, Deus nos chamou para sermos o que somos, como somos. À Ele nosso louvor e gratidão pelo privilégio de servi-Lo, o que fazemos de coração (Col.3:23).
Pr. Sérgio Dusilek
http://www.igrejamarapendi.org.br

setembro 29, 2017

AS FLORES DA RESISTÊNCIA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:35 pm
As Flores da Resistência

 

Ontem, ao me dirigir para a Juiz de Fora (MG) me deparei com uma cena inusitada. Nas poucas vezes que desvio minha atenção da direção para olhar para o lado, vi algo diferente. Não falo do barranco todo queimado, com uma fuligem preta cobrindo a terra e dando àquele lugar uma nova coloração. Falo de uma pequena árvore, única naquela localidade, com seu tronco queimado mas com uma copa linda, repleta de flores amarelas vibrantes.
O que aprendo quando vejo uma imagem desta?
1) Que no meio de uma terra seca na qual os recursos vão se exaurindo, é comum nos depararmos com queimadas, com uma fumaça que embaça a nossa visão, com um cheiro que nos sufoca e intoxica, e com uma fuligem que suja e descaracteriza tudo que está à sua volta. Sim, as queimadas transtornam o ambiente primeiro. Assim também acontece quando queimamos ou somos queimados. Nossa visão se torna embaçada, falta-nos oxigênio (no nosso próprio “campo” de atuação) e uma fuligem cobre tudo a nossa volta, transtornando o nosso entorno;
2) Que essas queimadas são provocadas de modo indireto ou direto, consciente ou não. Podem ser acidentais ou propositais. Podem vir da própria natureza (em alguns casos) ou pela interferência humana (na grande maioria deles). É um jeito pobre e podre de limpar o terreno. Por ser assim ele faz a terra e tudo que está nela e à sua volta, sofrer. Não há como não sofrer com as queimadas.
3) Mas veja: há esperança. Mesmo que tudo à sua volta tenha sido queimado, mesmo que sua estrutura de vida (seu caule) tenha sofrido com as chamas, é possível ainda florir!! E quão mais belas são as copas, as flores e as cores no meio de uma paisagem desoladora! E quão mais significativa é a presença de uma resistente beleza a nos inspirar a prosseguir!
Por vezes na vida tentam matar nossos sonhos e alguns nos jogam na cova. Mas perceba: a História como um todo, assim como a nossa história, não está nas mãos dos “piromaníacos” que nos cercam. Ela está nas mãos de Deus. Ele é o nosso supremo narrador. E na narração de nossa vida, as queimadas aparecem como momentos de ruptura, de revisão e de recomeço, sabendo que o sonho que Deus tem para nós jamais morre. Não foi assim com José do Egito? Enquanto a vida se encarregava de queimá-lo, de aprofundar a sua cova, o seu buraco, Deus o preparava para um escandaloso e esplendoroso recomeço. Enquanto as queimadas parecem ter o efeito de nos consumir, de nos fazer sumir, Deus nos faz reaparecer, reassumir o que ficou para trás.
Sim, aqueles que acidental ou propositalmente nos tentam destruir, nos queimando, esquecem que o dono das estações é Deus. E Ele nos fará florir, lindas, vibrantes e coloridas copas de flores, em meio às queimadas da vida. Ele nos fará dar flores da resistência, da persistência e do anúncio que Nele sempre há renovação, recomeço e esperança. Louvado seja Deus porque as fornalhas queimam tudo, desde soldados campeões ao ferro das correntes, mas não podem deixar sobre nós nem o “cheiro da fumaça” (Daniel 3). Floresça.
Pr.Sérgio Dusilek

setembro 17, 2017

OS BATISTAS E O SANTANDER

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:34 am

Sou contra o Santander. Embora nunca tenha tido qualquer tipo de conta nesse banco, duas pessoas da minha família têm/tiveram e as reclamações são inúmeras. Na nossa família há até uma jocosa brincadeira que faz alusão ao logo do Santander: parece o desenho de fezes com o cheirinho subindo… Daí mais uma constatação: se já na entrada o mau cheiro é dado pela logo, como esperar algo de diferente na relação com a instituição?

Mas veja: não sou contra o Santander por conta do seu patrocínio a diferentes iniciativas culturais e esportivas. Não sou contra um banco porque ele apoia um tipo de exposição artística. Jamais faria de uma exposição de arte um cavalo de batalha. Isso porque a exposição se restringe, por definição, a um lugar, a uma galeria, a um “vernissage”. Ou seja: vê, vai e volta quem quer. Segundo porque, sabedor do conteúdo da mostra, do artista ou artistas que expoem ali, posso então escolher visitar tal exposição ou simplesmente desconsiderá-la. Posso também visitá-la e não gostar do que vi, do “belo” ali retratado, e simplesmente não recomendá-la a ninguém. Agora daí fazer boicote…

E aqui entro com o tema dos Batistas que estão entre os que elegeram e ajudaram a incensar uma exposição de 10a categoria (pelo que me parece) à primeira grandeza da mostra das artes nesse país. Ao produzir documentos, como o da Ordem dos Pastores Batistas do Brasil, onde ou o conhecimento da arte literária era desconhecido, ou simplesmente foi desprezado, os Batistas cometem dois erros crassos: interferem na liberdade individual e no gosto estético de cada indivíduo; promovem aquilo que eles procuram condenar. Sim, muita gente que nem sabia da exposição dentro da “cerca” batista agora tomou conhecimento da mesma…

É  histórica a dificuldade que os Batistas têm de lidar com a arte. Representantes da Reforma Radical e integrantes do movimento iconoclasta, os Batistas sempre manifestaram sua dificuldade com a representação artística em tela ou escultura. Acostumaram a aceitar somente a literária e a representação musical.  Seu medo daquilo que eles pensam ser idolatria fizeram com que fossem desconsideradas obras de arte. Esta é uma das razões porque os batistas preferem visitar a palestina (atrás dos vestígios de Jesus) e não a Capela Sistina ou mesmo o Louvre em Paris (que por sinal são bem mais interessantes).

Sabedores desta dificuldade, os Batistas deveríamos ter redobrado cuidado ao pensar em produzir qualquer tipo de documento que vá na direção de criticar uma obra de arte, uma exposição e um Banco pelo seu ato mecênico. Deveria ter cuidado também em lembrar que não poucos membros de igrejas batistas trabalham no Santander. Imagine se este banco resolve retaliar agora, e manda embora aqueles que são membros de igreja batistas? Ah! Não me fale de ação judicial para reparar isso. O banco olha no facebook de quem ele quer e, em nome de uma reengenharia, enxuga o quadro…

Os Batistas precisam aprender com Kant, na sua Crítica da Faculdade do Juízo:

O juízo chama-se estético também precisamente porque o seu fundamento de determinação não é nenhum conceito, e sim o sentimento (do sentido interno) daquela unanimidade no jogo das faculdades do ânimo, na medida em que ela pode ser somente sentida. (p.170).
Em uma palavra, a ideia estética é uma representação da faculdade da imaginação associada a um conceito dado, a qual se liga a uma tal multiplicidade de representações parciais no uso livre das mesmas, que não se pode encontrar para ela nenhuma expressão que denote um conceito determinado, a qual, portanto, permite pensar de um conceito muita coisa inexprimível, cujo sentimento vivifica as faculdades de conhecimento, e à linguagem, enquanto simples letra, insufla espírito. Portanto, as faculdades do ânimo, cuja reunião (em certas relações) constitui o gênio, são as da imaginação e do entendimento.” (Id., p.174)
(…) o gênio consiste na feliz disposição, que nenhuma ciência pode ensinar e nenhum estudo pode exercitar, de encontrar ideias para um conceito dado e, por outro lado, de encontrar para elas a expressão pela qual a disposição subjetiva do ânimo daí resultante, enquanto acompanhamento de um conceito, pode ser comunicada a outros. (Id., p.175).
“Se depois destas análises lançamos um olhar retrospectivo sobre a explicação dada acima acerca do que se denomina gênio, encontramos: primeiro, que ele é um talento para a arte, não para a ciência, a qual tem de ser precedida por regras claramente conhecidas que têm de determinar o seu procedimento; segundo, que como talento artístico ele pressupõe um conceito determinado do produto como fim, por conseguinte entendimento, mas também uma representação (se bem que indeterminada) da matéria, isto é, da intuição, para a apresentação deste conceito, por conseguinte uma relação da faculdade da imaginação ao entendimento; terceiro, que ele se mostra não tanto na realização do fim proposto na exibição de um conceito determinado, quanto muito mais na exposição ou expressão de ideias estéticas, que contêm uma rica matéria para aquele fim, por conseguinte ele representa a faculdade da imaginação em sua liberdade de toda a instrução das regras e no entanto como conforme a fins para a exibição do conceito dado; quarto, que a subjetiva conformidade a fins espontânea e não intencional, na concordância livre da faculdade da imaginação com a legalidade do entendimento, pressupõe uma tal proporção e disposição destas faculdades como nenhuma observância de regras, seja a ciência ou da imitação mecânica, pode efetuar, mas simplesmente a natureza do sujeito pode produzir.” (Id., p.175-176).
“De acordo com estes pressupostos, o gênio é a originalidade do dom natural de um sujeito no uso livre de suas faculdades de conhecimento. Deste modo, o produto de um gênio (de acordo com o que nele é atribuível ao gênio e não ao possível aprendizado ou à escola) é um exemplo não para a imitação (pois neste caso o que aí é gênio e constitui o espírito da obra perder-se-ia), mas para sucessão por um outro gênio, que por este meio é despertado para o sentimento de sua própria originalidade, exercitando na arte uma tal liberdade de coerção de regras, que a própria arte obtém por este meio uma nova regra, pela qual o talento mostra-se como exemplar. Mas, visto que o gênio é um favorito da natureza, que somente se pode presenciar como aparição rara, assim o seu exemplo produz para outros bons cérebros uma escola, isto é, um ensinamento metódico segundo regras, na medida em que se tenha podido extrai-lo daqueles produtos do espírito e de sua peculiaridade; e nesta medida a arte bela é para essas uma imitação para a qual a natureza deu através de um gênio a regra.

Sendo os Batistas defensores da liberdade, deveriam também ter aprendido a respeitar nesses 400 anos de História, o gosto e a escolha de cada um. Afinal o juízo estético provém do sentimento e é interpretado por ele. Além do mais, caso todos cheguem à mesma conclusão de que a referida exposição possui uma expressão artística de mau gosto, pelo entender kantiano, não deveríamos temê-la, porque ela não seria fruto de um “gênio” e como tal, não produziria escola. Isto equivale a dizer que tal arte, tal exposição, morreria por si só. Por que então esse tipo de embate?

Agrava-se a questão ao perceber que não há uma disposição em termos de manifesto contra a abusiva e extorsiva taxa de juros cobradas pelos bancos (inclusive o Santander), tanto no seu cheque especial, quanto no rotativo do cartão de crédito. Enquanto há famílias inteiras sendo saqueadas de modo institucional, inclusive membros de igrejas batistas que além da crise da empregabilidade ainda precisam se equilibrar diante de juros extorsivos, os Batistas, especialmente seus pastores, se preocupam com questões de moralidade sexual. Ao invés de reiteradamente se pronunciarem contra a corrupção (ao que tudo indica a do Temer, que num certo sentido era também a do governo anterior, é muito pior daquele que foi impeachmado), elegem questões menores (sim senhor!) para poder “fazer coro” com vozes mais conservadoras. Perdem a oportunidade de dialogar por simplesmente respeitar a liberdade do outro, ainda que ela implique em contemplar “sentimentos” de mau gosto. Veja:

“Portanto, tanto a ideia do Império como a das Cruzadas não podiam ter força mobilizadora. Seu papel era o dos mitos revolucionários que conservamos por tradição em discursos sem consequência, em manobras diplomáticas, ou para obter o apoio da opinião internacional. Essa moral unitária não serve um ideal; é simples cortina que oculta ações egoístas, úteis para conquistar opiniões em favor de nossa causa. Maquiavel percebeu bem como pode ser útil um discurso moral fundamentado na tradição mas não efetivamente operativo, pela influência que exerce sobre o imaginário, contribuindo para assegurar o poder. O objetivo é fazer os outros acreditarem na nossa causa. Se falta força, o príncipe recorre à astúcia; as ideias de império, cruzada, defesa da cristandade, religião são cortinas do estrategista político realista, com efeito sobre os ignorantes, manipulados em seu benefício.”
(DUBOIS, Claude-Gilbert. O IMAGINÁRIO DA RENASCENÇA. Brasília: Editora UNB, 1995, p. 177-8).

 

O que Dubois afirma é que por trás de moralismos está a manipulação que procura simplesmente a manutenção do poder. Não há, necessariamente, nenhuma essência espiritual. Sobre o uso do lugar comum, do “imaginário” o próprio Maquiavel via como instrumento de preservação, de permanência do poder.

Isso aconteceu na Ditadura Militar. Época em que mesmo com censura, a pornochanchada mais cresceu, não eram raras os pronunciamentos contra a imoralidade sexual. Esse paradoxo produzido pelos generais ganhou especial contorno numa declaração de apoio ao governo feita pelos batistas em sua Assembléia de 1980, em Goiânia. Numa época em que ainda havia tortura e prisões arbitrárias, os batistas hipotecaram todo o apoio moral e espiritual ao então Presidente Figueiredo, sem fazer uma menção sequer à violência contra o semelhante (DUSILEK, Sérgio Ricardo Gonçalves; SILVA, Clemir Fernandes; CASTRO, Alexandre de Carvalho. A Igreja de Farda: Batistas e a Ditadura Civil-Militar. ESTUDOS TEOLÓGICOS, São Leopoldo (RS), v. 57, n. 1,  p. 205-206,  jan./jun. 2017). Ou seja, pode-se torturar, matar, mas não pode ter pornografia… Ora, se vamos como batistas ser os censores maiores da sociedade, não seria de se esperar que a condenação fosse à tudo que há de errado? Por que só falar da questão sexual? É repressão, incapacidade de lidar com o assunto ou, como disse Dubois, um interesse por manipulação?

O que fica disso tudo? A anacrônica incapacidade batista de dialogar com a sociedade, de aceitar as provocações e desafios que o mundo oferece para, pelo menos, produzir uma reflexão profunda e séria sobre os temas que estão aí, pululando à nossa volta. Ao fazer como o avestruz, esquecem que um grande naco do próprio corpo fica indefeso, à mostra. Ao promoverem uma volta ao seu nascedouro, rejeitam a sua própria tradição e a evolução desta. Do grupo da liberdade e igualdade, um nível mais elevado de organização religiosa, segundo Ernst Throeltsch, os batistas se apequenam se assemelhando a grupos censores. E pior, o fazem por motivos menores (moralidade sexual), esquecendo-se da precípua tarefa de exorcizar os demônios que estão na estrutura sócio-política-econômica deste país, e que muitas vezes se personalizam em seus agentes.

Esperando dias melhores…

Pr. Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

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