Novos Caminhos, Velhos Trilhos

setembro 20, 2018

CARTA PASTORAL À NAÇÃO BRASILEIRA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:00 pm

[https://goo.gl/gCgBj2 – este é o link caso queira assinar e divulgar.]

(publicada em https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=cartapastoral2018)

 

Nós – pastores e pastoras, e líderes evangélicos das mais diferentes tradições cristãs – vimos à nação brasileira, neste conturbado contexto eleitoral, marcado por polarizações, extremismos e violência, afirmar:
1 Nosso compromisso com o Evangelho do Cristo, personificado na figura de Jesus de Nazaré, que, suportando todo tipo de contradição, injustiça, humilhação e violência, legou-nos o caminho do amor, da paz e da convivência; e promoveu a dignidade humana. Sim, em Cristo, não há direita, nem esquerda, nem homem, nem mulher, nem estrangeiro, nem rico, nem pobre. Também não há distinção de classe, de cor, de nacionalidade ou de condição física, pois, nele, todos somos iguais (Fp 2.1,5-11; Jo 4; Mt 19.14; Is 53.4-7; Rm 10.12; Gl 3.23-29; Cl 3.11; Fp 2.5-8);
2 Nosso renovado compromisso de orar não só pelo futuro mas, sobretudo, pelo presente do país, incluindo seus governantes, neste momento em que o povo brasileiro é convidado a fazer suas escolhas, de tal modo que elas sejam exercidas em paz e pela paz (1Tm 2.2; Rm 13.1-7; Pv 28.9; Mt 7.7-8; Rm 8.26-27; Ef 6.18; 1Ts 5.17; 1Tm 2.1-2; Tg 5.16);
3 Nosso convite para que todos os brasileiros e brasileiras exerçam sua cidadania, escolhendo seus candidatos pelo alinhamento deles com os valores do Reino de Deus, evidenciados na defesa dos mais pobres e dos menos favorecidos, na crítica a toda forma de injustiça e violência, na denúncia das desigualdades econômicas e sociais, no acolhimento aos vulneráveis, na tolerância com o diferente, no cuidado com os encarcerados, na responsabilidade com a criação de Deus, e na promoção de ações de justiça e de paz (Dt 16.19; Sl 82.2-5; Pv 29.2; 31.,9; Is 10.1-2; Jr 22.15-17; Am 8.3-7; Gn 2.15; Rm 8.18-25; Mt 5.6; 25.34-35; Lc 6.27-31; Tg 1.27; 2.6-7);
4 Nossa indignação contra toda pretensão de haver um governo exercido em nome de Deus, bem como contra toda aspiração autoritária e antidemocrática. Afirmamos nossa firme convicção de que o nome de Deus não pode ser usado em vão, ainda mais para fins políticos. Por isso, recomendamos, enfaticamente, que se desconfie de qualquer tentativa de manipulação do nome de Deus (Ex 20.7);
5 Nosso repúdio a toda e qualquer forma de instrumentalização da religião e dos espaços sagrados para promoção de candidatos e partidarismos. Cremos num Deus grande o suficiente para não se deixar usar por formas anticristãs de pensamento e de ação;
6 Nossa denúncia da instrumentalização da piedade e da posição pastoral com objetivo de exercer uma condução do voto. Reafirmamos a liberdade que o cidadão tem de optar por seus candidatos, sem se sentir levado por sentimentos de medo e culpa, frequentemente promovidos por profissionais da religião visando a manipulação política de fiéis (Mt 7.15-20; Rm 16.17-18; 2 Pe 2.1-3; Jo 10.10a);
7 Nossa denúncia de toda e qualquer forma de corrupção, desde aquelas que lesam os cofres públicos às demais travestidas ora de opressão social, ora de conluios e conveniências com a injustiça, com a impunidade e com os poderes estabelecidos (Dt 25.13-16; Pv 11.1; 20.10; 31.9; Is 10.1-2; Jr 22.15-17; Mq 6.11; 7.2-3; Lc 3.12-13);
8 Nossa certeza de que o Reino não está circunscrito à Igreja e de que não pode ser capitaneado por ninguém, seja qual for o cargo que exerça ou credencial que possua (Lc 17.20-21; At 10.34-35);
9 Nossa inconformidade com o clima violento que tomou conta do país, o qual foi, também, muito alimentado por lideranças religiosas que, ao invés de pacificarem o povo e abrandarem os discursos, inflamam ainda mais o contexto polarizado em que vivemos (Mt 5.9; 11.29; Lc 6.27-31; Rm 12.19-21; Cl 3.12);
10 Nossa defesa do Estado laico, da liberdade de consciência e de expressão, do direito à vida, à maturidade individual e à integridade, e do pleno direito de exercermos a liberdade religiosa (Jo 8.31-32,36; 2Co 3.17; Gl 5.1.13; Rm 6.22; Cl 1.13);
11 Nosso renovado compromisso de semear perdão onde houver ofensa, amor onde houver ódio, esperança onde houver desespero, luz onde houver trevas, verdade onde houver mentira e união onde houver discórdia, manifestos no respeito e na contínua intercessão a Deus pelo processo democrático brasileiro (Mt 5.9; 18.21-22; Lc 6.27-31; Jo 13.3-5; Rm 12.19-21; Gl 5.13);
12 Nossa união em defesa da vida digna, em sua plenitude, para todas as pessoas, cujo exemplo e potencial maior está em Jesus de Nazaré; e do amor, da paz e da justiça estabelecidos por ele como valores para sua efetivação (Mt 11.29; Jo 10.10; 13.3-5,15; Rm 12.1-2; Fp 2.5-8).
“A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus,
e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.” (2 Co 13.13)
Brasil, setembro de 2018.
Assinam:
• Luiz Longuini Neto. Pastor da Igreja Presbiteriana do Rio Comprido (IPB).
• Rev. Cid Pereira Caldas. Pastor da IP Botafogo – Rio de Janeiro. Presidente do Presbitério Rio de Janeiro da IPB. Vice-Presidente do Sínodo do Rio de Janeiro da IPB. Secretário do Conselho de Curadores do Instituto Presbiteriano Mackenzie. 1º Secretário do Conselho Deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie.
• Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek. Doutorando em Ciências da Religião. UFJF/MG. Pastor Batista. Igreja Batista Marapendi. Rio de Janeiro-RJ
• Magali do Nascimento Cunha. Leiga metodista. Jornalista e doutora em Ciências da Comunicação. É colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas.
• Clemir Fernandes. Doutor em sociologia. ISER. Rio de Janeiro.
• Ricardo Lengruber. Doutor em Teologia. Igreja Metodista. Rio de Janeiro.
• Sandro Xavier. Doutor. Linguista, teólogo e pastor. Presbiteriano. Brasília – DF
• Rev. Carlos Alberto Rodrigues Alves. Pastor, Juiz de Paz, Professor Universitário. Pastor Anglicano. Igreja Anglicana em Curitiba. Curitiba
• Carlos Caldas. Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Pastor presbiteriano e professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Minas. PUC Minas. Belo Horizonte
• Rev. Marcos Inhauser. MDiv. DMin. Pastor. Igreja da Irmandade. Campinas
• Prof. Ricardo Quadros Gouvêa. Dr. Professor e pastor. Reformed Church in America. Canadá
• Carlos Alberto Cacau de Brito. Membro da Igreja Batista do Recreio, RJ. Advogado.
• Adelino José Barros da Silva. Graduado em Teologia e Psicologia Clínica, Pós-graduado em Psicologia Humanista
• Prof. Adenilson Salmo da Silva. Bacharel em Teologia. Calvary Church. Tanabi, SP
• Rev. Agnaldo dos Santos Mota. Bacharel em Teologia e Mestre em Ciências da Religião. Pastor. Igreja Presbiteriana do Brasil. Pirituba, SP
• Rev. Agnaldo Pereira Gomes. Presidente. AIPRAL – Alianças de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina. Votorantim, SP
• Rev. Alexandre de Jesus dos Prazeres. Bacharel em Teologia e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco; doutorando em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe. Pastor.
• Pr. Alonso Gonçalves. Doutorando Ciências da Religião (UMESP). Pastor. Igreja Batista Central. Pariquera-Açu, SP
• Pr. Altamiro Felix Macedo. Mestre Teologia. Vice-Presidente. Igreja Batista de Boa Esperança. Rio Bonito, RJ
• Andrea Lima Carneiro. Teologa e ativista da ONG Catolicas pelo direito de decidir. Educadora, acessora do CEBI-ce, teologa ativis da ONG CDD-católicas pelo direito de decidir. ONG CDD e CEBI-ce. Ceará
• Prof. Antonio Carlos Silva Ribeiro. Doutor em Teologia. Professor Universitário. IFT/TO. ARAGUAÍNA- TO
• Dr. Arlécio Franco Costa Júnior. Master Business in Administration. Advogado. Convenção Batista Mineira. Belo Horizonte
• Rev. Armando Jose Rodrigues Ribeiro. Teólogo e Filósofo. Rio de Janeiro
• Rev. Balnires França dos Santos. Teólogo. Pastor. Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. Rio de Janeiro
• Rev. Christian David Soares Bitencourt. Mestre em Ciências da Religião. Pastor. Igreja Presbiteriana do Brasil. Três Corações, MG
• Pr. Chrystiano Gomes Ferraz. Bacharel em Teologia. Capelão. Recreio Christian School. Recreio – Rio de Janeiro
• Claudio Luis Mendes. Bacharel em Teologia, Letras e Odontologia. Membro. Primeira Igreja Batista de Copacabana. Rio de Janeiro
• Prof. Dalton José Alves. Doutor em Educação. Professor do Ensino Superior – Pedagogia. UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro
• Daniel Rangel. Filosofia e Teologia. Reitor da Paróquia Todos os Santos. DARJ-IEAB. Niterói
• Profª. Deisoneide Bonfa da Silva. Pedagoga pós graduada em educação Infantil. Diretora Escolar. Escola Pública Municipal. Contagem / MG
• Dennis A Smith. Representante Regional, Sudamérica. PC(USA).
• Dilson Júlio. Teólogo. Professor. São Paulo
• Pr. Edinaldo Barcelos dos Reis. Teólogo. Ministro do Evangelho. Igreja Batista da Fronteira – CBB. Macaé – RJ
• Ass. Social. Edison de Sousa. Teólogo e Assistente Social. Assistente Social. Estrada. Brasilia
• Edson Fernando de Almeida. Teologo. Professor. UFJF. Juiz de Fora
• Pb. Eduardo Abrunhosa. Historiador, Teologo, Mestre em Arquitetura e urbanismo Professor. Universidade Presbiteriana Mackenzie. São Paulo
• Pr. Eduardo Calil Ohana. Bacharel em Direito e Teologia. Igreja Batista Acolher. Niterói-RJ
• Dra. Eliane Figueiredo Souza Falcão. Bacharel em Direito. Advogada.
• Flavio Conrado. Antropólogo. Editor e ativista de Direitos Humanos. Plataforma Intersecções. Brasília
• Presb. Gilnei Marcel Hey Kiel. Teólogo, Pedagogo. presbítero. iPB. Curitiba PR
• Prof. Jessé Teotonio. Músico. Diretor. Escola municipal de música de Ourinhos. Ourinhos SP
• Postulante Prof Dr. Julio Eduardo dos Santos Ribeiro Reis Simões. Bacharel e Mestre em Teologia, Doutor e Pós Doutorando em Diálogo Interreligioso. Ministro Pastoral. Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Juiz de Fora
• Prof. Leandro Seawright. Doutor em História com pós-doutorado em História, ambos pela Universidade de São Paulo. Professor Universitário. Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados-MS
• Rev. Luiz Carlos Ramos. Mestre e Doutor em Ciências da Relogião, Teologo e Pastor Metodista. Pastor Metodista. Igreja Metodista. Pirassunuga, SP.
• Pr. Lyndon de Araujo Santos. Historiador. Professor DEHIS/UFMA. Igreja Evangélica Congregacional. São Luís, Maranhão
• Rev. Manoel Augusto Sales Figueira. Presbítero da Igreja Episcopal Carismática do Brasil – Reitor da Paróquia da Reconciliação em Vitória da Conquista -BA
• Marcelo da Silva Carneiro. Teólogo Metodista. Doutor em ciências da religião. Professor. Fatipi. São Paulo
• Rev. Marcos Alves da Silva. Doutor em Direito Civil pela UERJ, Mestre em Direito das Relações Sociais pela UFPR, graduado em Direito pela UFPR, graduado em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Independente de São Paulo. Pastor Auxiliar. Igreja Presbiteriana Parque Iguaçu (IPB). Curitiba – PR
• Moisés Abdon Coppe. Teólogo. Professor. Faculdade Metodista Granbery. Juiz de Fora
• Rev. Nicanor Lopes. Doutor em Ciencias da Religiao. Professor Teologia Pastoral. Faculdade de Teologia Metodista. São Bernardo do Campo
• Paulo Roberto Rodrigues. Professor, Teologia e filosofia. Padre na Paróquia Bom Pastor. Arquidiocese de Campinas. Campinas
• Rogério Cipriani. Mestre em medicina. Igreja Batista Marapendi. Rio de Janeiro
• Pr. Rubens Leandro Soares. Bacharel em Teologia e Gestor em RH. Pastor Presidente. Igreja Batista Nova Aliança – JF. Juiz de Fora
• Prof. Samuel Pereira de Souza. Apoio na integra sem nada a acrescentar ou subtrair. Mangaratiba, RJ
• Serguem Jessui Machado da Silva. Especialista em Desenvolvimento. Ativista Cristão. Representante Nacional. Tearfund Brasil. Belo Horizonte, MG
• Stella Maris Sales. Bacharel Teologia. Ciências da Religião. Prof. Aposentada. Ceará
• Prof. Uipirangi Câmara. Doutor em Ciências da Religião. Professor Ensino Superior. Batista. Curitiba
• Rev. Valdir Xavier de França. Doutor. Pastor Presbiteriano. PC(USA).
• Rev. Valter Moura. Mestre em Sociologia. Pastor. Igreja Presbiteriana do Brasil. Brasilia
• Dra. Vera Lucia Soares Chvatal. Bacharel em Teologia, Psicóloga Clínica.
• Winston Oliver Lages. Mestre em Teologia. Pastor e Teólogo em Retiro Sabático. Comunidade Viva em Manaus. Manaus AM
• Rev. Wislanildo Franco. Teólogo. Pastor. Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. Bonsucesso, Rio de Janeiro
• Pedro Fernando Sahium. Professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG); ex Prefeito de Anápolis; presbítero em disponibilidade da IPB. Doutor em ciências da religião pela PUC – Goiás. • Manoel Messias Peixinho. Doutor em Direito. Batista. Professor da PUC-Rio. • Rev. Geziel Antonio dos Santos. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Assessor na Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos da Prefeitura de Campinas, SP.
• Antonio Carlos de Melo Magalhães. Professor da Universidade Estadual da Paraíba. Docente do Mestrado e Doutorado em Literatura e Interculturalidade
• Gustavo Soldati Reis, pastor Batista, professor adjunto da Universidade do Estado do Pará – UEPA.
• Rev. Euripedes da Conceição. Pastor Presbiteriano. Doutor em Teologia. Professor da FAECAD. Capelão da AELB
• Rev. Marcelo Eliziário Vidal. Pastor Auxiliar na IP Américas – Rio de Janeiro
• Alessandra Oliveira de Proença | Editora responsável pela Edições Terceira Via.
• Jabis Ipolito. Pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Americana, SP. (IPB)
• Ailton Gonçalves Filho. Pastor titular da Igreja Presbiteriana de Americana (SP). IPB. Secretário de Ação Social da Prefeitura de Americana SP.
• Nelson Lellis. Teólogo e professor
• Saulo Marcos de Almeida, pastor presbiteriano.
• Rev. Diego Brito Stallone de Lima. Pastor Auxiliar na IP Botafogo -Rio de Janeiro
• Rev. Evaldo Beranger. Pastor da IP Luz do Mundo -Rio de Janeiro. Prof. do Seminário Teológico Rev. Ashbel Green Simonton. Mestre em Teologia
• Uipirangi Câmara. Professor. Doutor em Ciências da Religião. Professor Ensino Superior. Batista. Curitiba
• Leonardo Gonçalves de Alvarenga. Doutor em Ciência da Religião. Pesquisador. Macaé
• Gustavo Soldati Reis. Servidor Público. Doutor em Ciências da Religião. Docente. Universidade do Estado do Pará (UEPA). Belém
• Alexandre Carlos Gonçalves. Alexandre Carlos Gonçalves. Mestrando em Teologia. Educador Social. Consultor do Claves Brasil. Pastor da Igreja da Irmandade. . Igreja da Irmandade. Claves Brasil. Campinas, SP
• Samuel Borges. Pastor. Igreja Evangélica Menonita. Campinas – SP
• Nelson Gervoni. Pastor Anabatista. Pedago, psicanalista e doutorando em Ciências da Educação. . Professor universitário e na rede pública estadual, SP. Igreja da Irmandade. Campinas, SP
• Suely Zanetti Inhauser. Reverenda e Terapeuta Familiar. Mestre em Artes da Teologia e Pôs graduada em Resolução de Conflitos. Pastora . Igreja da Irmandade. Campinas
• Giovanni Alecrim, Pastor, Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP
• Isaque de Góes Costa- Pastor da Igreja Presbiteriana Unida de Brasília- IPUBSB.
• André Tadeu de Oliveira, pastor, Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Presbitério do Distrito Federal.
• Ana Luiza Longuini. Educadora. Cristã.
• Rev. Leandro Antunes Campos, presidente da Igreja Anglicana de Santos.

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setembro 7, 2018

MAIS UM ATENTADO À DEMOCRACIA.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:17 am
Há algum tempo atrás me manifestei sobre o vil assassinato de Marielle (e de Anderson). Estava estupefato não só com o ocorrido mas com o símbolo de tal acontecimento. Afinal, matar uma vereadora, uma política, é um atentado à Democracia. Não foi por outro motivo que igual indignação tomou conta de mim com o atentado sofrido pelo candidato Bolsonaro. Não preciso ser eleitor dele para me indignar com o que ocorreu. Parece que no nosso país, ainda não se entendeu que político, na Democracia, se mata na urna, através do VOTO!.Sim, quando uma nação resolve não eleger um candidato ela o mata politicamente… E que é possível discordar, ter leituras diferentes e não perder o respeito.
É anti-civilizatório fazer uso de instrumentos coercitivos para se conseguir algum objetivo. No atual estágio ocidental, não deveria mais existir o termo assassinato. Contudo ele está aí, lembrando que nos falta consciência de DIREITOS HUMANOS, consciência de que a vida vale mais do que qualquer coisa e principalmente do que a opinião ou gosto político, e também nos fazendo recordar que o coração do ser humano continua sendo o mesmo… sofremos, como humanidade, da pertença e do mal de Caim (I João 3:10-12).
Interessante é que nem Davi, num período de disputa monárquica em sua própria terra, assentiu com o assassinato de seu oponente (Isbosete – II Sm.4:10-12). Já ali ele manifestava a compreensão de que o poder não podia, nem devia ser usurpado de um irmão seu (porque do mesmo povo). Sim, mesmo Davi não sendo e nem tendo consciência democrática,  entendia que a passagem do poder deveria se dar por meios naturais, ou melhor, sobrenaturais, uma vez que tal transição (e não ruptura) deveria ser feita pela divina condução.
Não gosto de nenhuma vibração, sarcasmo ou escárnio com quem sofreu um atentado. Não gosto de ilações precipitadas atribuindo a partidos contrários a autoria do crime. Aliás, os líderes políticos, os candidatos, deveriam tomar cuidado (todos eles) para não fomentar a insanidade, uma vez que é impossível controlar seus correlegionários… Em suma: deixemos que a Polícia Federal apure se há mais alguém (que não seja o divino, alegado pelo criminoso) por detrás desse lamentável fato histórico. Igualmente não acho que as postulações do candidato alvejado sejam justificativas para uma lei da colheita. Não foram para um sanguinário e antiquado Davi, por que razão deveriam ser para nós, pós-modernos ocidentais? Nós precisamos de uma independência da morte e não para a morte. E essa independência é mais imperiosa do que suas correlatas política e econômica.
É tudo muito estranho e absurdo. O fato, o frenesi pós fato, tudo muito esquisito e doentio. Por isso que nesse 7 de setembro oro pelo Brasil. Oro também para Deus ampare a família de Bolsonaro e para que o Senhor o restabeleça. Se ele tiver que perder ou morrer, que seja pelo jogo democrático (tal qual disse anteriormente), isto é: na urna, no VOTO. Nada além ou fora dela deveriam ter cabimento e a

setembro 2, 2018

LO-DEBAR – O LUGAR DOS DESALENTADOS.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 6:39 pm
Se há algo que dilacera o coração divino é a injustiça social. Sodoma e Gomorra não foram subvertidas por conta de sua pecaminosidade sexual, e sim por causa da sua pecaminosidade social (Ez.16:49). Por isso que ao ouvir sobre o gigantesco número de desempregados (quase 14 milhões) e mais ainda sobre os DESALENTADOS (mais de 5 milhões) fiquei em choque. Desalentado é aquele que não tem alento, que não tem ânimo porque não tem esperança de que nada mais vá mudar. É gente que de tanto ouvir não, já nem lembra quando foi o último sim. Gente cujas pernas funcionam, mas cuja alma está paralisada.
Há um personagem bíblico (pelo menos um), que residiu na cidade dos desalentados chamada LO-DEBAR (que significa lugar nenhum, lugar algum – II Samuel 9:4). O nome dele é Mefibosete (filho da vergonha, semeador da vergonha – também chamado em I Cronicas 8:34 como Meribe-Baal = Baal é meu advogado). Mefibosete era filho de Jônatas, o grande amigo do rei Davi e filho de Saul. Como filho de príncipe e neto de rei, nasce na corte, vivendo no “palácio”. Só que com a morte de Saul e Jônatas (I Samuel 31:6), e a traição e assassinato do seu tio Isbosete (II Samuel 4), sua ama o abraça e foge com ele correndo com medo de que algo pior acontecesse a ele também. Mas ao fugir com Mefibosete no colo, uma tragédia acontece: ela cai e ele quebra as duas pernas, ficando aleijado, coxo, até o fim da vida.
Nesse momento ela o conduz para LO-DEBAR, local do esquecimento social, visando preservar sua vida. Bruscas trocas de poder vitimizam e paralisam os mais fracos. Não foi diferente com aquela criança. Em LO-DEBAR viviam os desalentados, que mesmo sendo lembrados que eram parte do povo de Deus (Amiel = povo de Deus – II Sm.9:4), não eram tratados como tal, uma vez que ali estavam os doentes, os tidos como incapazes, não produtivos. Os esquecidos pela sociedade, pela família, pelo poder público, pelo rei. Seu objetivo era o de preservar a vida de Mefibosete; mas que vida há em meio a tanta amnésia social?
Ao que parece o esquecimento social se torna um esquecimento individual. Mefibosete nem se vê mais como gente. Ao falar com o rei se anuncia como “cão morto” (II Sm.9:8). O desalento é cruel, pois já não bastasse o esquecimento social, ele acaba sendo introjetado gerando um auto-esquecimento ao longo do tempo. E quem já nem sabe mais quem ou o que é, não pode mesmo lutar para ser lembrado.
A história de Mefibosete, se terminasse aqui seria trágica, um convite ao suicídio. Contudo há uma reversão. Se todos esqueceram dele e os que dele lembravam (como Ziba, por exemplo – II Sm.9:2-3) preferiam mantê-lo no esquecimento, o Rei, lembra (II Sm.9:1) do pacto que havia feito com seu amigo Jônatas. Quando muitos, como foi o caso dos assassinos de Isbosete (II Sm.4:9-10), queriam proximidade com o rei, estando dispostos a tudo para conquistar esse espaço, Mefibosete ganhou assento na mesa do rei por meio de uma SINGELA lembrança. A mesa do rei é a celebração da esperança de sermos lembrados (II Sm.9:13); a esperança de sermos restituídos (II Sm.9:9); a esperança de sermos aceitos (II Sm.9:13), mesmo sabendo que carregamos a vergonha conosco.
Se você se sente desalentado, esquecido pelos amigos, funcionários, familiares, saiba que você não foi esquecido pelo Rei. Sim, a história de Mefibosete aponta para relação do Rei Jesus conosco (Mateus 22:1-13). Para aquilo que chamo de “Memória da Graça”: que lembra dos excluídos, daqueles que não possuem apoio, dos desalentados e os convida para sentar na mesa do Rei dos Reis. Só que na mesa de Jesus não há diferenciação pois além de todos estarmos vestidos com as vestes de salvação dadas por Ele (Is.61:10; Mt.22:12; Ap.3:5a e 7:9) e termos sidos recolhidos nas “encruzilhadas” e “vielas” da vida (Mt.22:8), não haverá diferenciação por proximidade (como na pintura da santa ceia). Jesus não ocupa, no banquete, a cabeceira da mesa, mas sim o seu centro, pois que colocado como a figura do prato principal: Ele é o CORDEIRO.
Força meu querido e minha querida. A memória da Graça de Jesus, a qual nunca esquece de nós, em algum momento se mostrará (fará lembrar) na História e na sua história.
 Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek

agosto 29, 2018

Geração de “Acabe’s”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:12 am
1)”E levantou-se após ela, outra geração que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel” (Jz.2:10b)
2) “E Acabe disse a Elias: És tu, perturbador de Israel? Ao que Elias, respondeu: Não sou eu que tenho perturbado a Israel, mas és tu e a casa de teu pai, por terdes deixado os mandamentos do Senhor, e por teres tu seguido os baalins.” (I Reis 18:17,18)
Sendo bem honesto com você, a cada postagem que faço aqui, tenho a nítida sensação que há muitos que não conhecem ou pelo menos parecem (ou até mesmo fingem) não conhecer o Senhor. A comutação dos princípios em nome de um pragmatismo (religioso ou político), a forma “ACABada” (de Acabe) como outros leem os apontamentos aqui qualificando-os como “perturbação” (o que pode ser visto no teor de certos comentários e nos “seletivos likes”), sendo que perturbadores, cristãmente falando, são os atos apontados, a inversão da ética para justificar o injustificável, ou mesmo para desqualificar quem faz o registro, numa clara “cortinização” do fato em si, me deixam profundamente preocupado com aquilo que me parece ser, na melhor das hipóteses, um flerte com um cristianismo nominal (Ap.3:1).
É um tempo de gente que nomeia os Acabes do mundo como pacificadores e os Elias como perturbadores. Um tempo de pessoas que “coam o mosquito” em suas comunidades de fé, mas que deixam passar não só “camelos”, mas também “mamutes” em nome de uma pacificação que nada tem de paz, pois calcada na mentira e na negação da verdade, assim como as UPP´s cariocas.
Um tempo de gente que passa anos na Igreja e continua sendo infantil; que não amadurece ora por opção, ora pela falta de condição. Sabem pouco de Jesus, de sua vida, obra e notadamente, do Seu Ensino.
Um tempo de gente que se dói com a verdade, mas que se aconchega e se aninha com “doces mentiras”. De pessoas que em nome do reinado, mesmo que seja um ACABiano oscilando entre a negação e a dilapidação dos fundamentos da vida cristã, rejeitam e expurgam os “tisbitas”.
Tempo da pleiteada univocidade comunitária… ora, onde está Jesus se todos são iguais, de direita ali, de esquerda acolá? Será que a ação do Espírito produz automatização, mimetização coletiva, ou concordância (o que é bem diferente)? Desculpe meu querido: locais de univocidade comunitária são locais de manipulação. E onde há manipulação o espírito não é, nem pode ser SANTO.
Com muita preocupação e orando é que escrevo isso aqui. Estamos vendo grassar, no meio evangélico, uma geração de “Acabes” e não de Elias (como dizia um cântico). Uma turma que tolera e deita com Jezabel, mas que não suporta Elias. Não é por outro motivo que digo que tem algo de muito estranho nesse Evangelho.
Pr. Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

agosto 27, 2018

OS SALMOS DE LAMENTO III

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:27 am

Os Salmos de Lamento-III

Os salmos são a alma no divã. Em cada verso, em cada poema desse impressionante livro da Bíblia, a alma humana se desnuda diante de Deus. Talvez eles precisassem ser lidos assim: como uma conversa, em reservado, do ser humano com Deus.
No reservado nos expomos. Saímos dos códigos sociais e religiosos. Apresentamos nosso ser como pensamos que somos e recebemos o retorno de Deus mostrando as intenções ocultas, porque inconscientes, do nosso coração. Passamos a nos ver melhor e, porque não dizer, a amar mais a Deus. Afinal, como explicar a permanência de Deus nesse ambiente, nessa sala da alma a qual Jesus chamou de tameion (lugar secreto, quarto das quinquilharias), que tanto nos revela e também nos envergonha? 
É aqui que os Salmos de Lamento, para mim, apontam para a salvação. Primeiro porque eles revelam nossa finitude, patenteada nos nossos medos, questionamentos, inseguranças, mostrando nosso real tamanho e nossa total incapacidade de nos salvar. Neles há um constante clamor do Salmista: “Ó Senhor, livra a minh’alma!”.  Segundo porque nos remetem ao amor de Deus, esse amor que Paulo, o apóstolo, qualificou como constrangedor. Senão, como explicar um Deus que perscruta (Salmo 139) esses ambientes do coração humano que nem nós gostamos de visitá-los, pelos quais nossos mecanismos de defesa (Freud) recalcam para nosso inconsciente para que não tenhamos contato, mas cujo Espírito Santo, vez por outra traz à tona para sermos tratados? Um Deus Santo e Puro (Hab.2) que adentra a esses espaços do coração humano para nos ajudar a faxiná-los… Que amor é esse que faz um Ser absoluto vir ao nosso encontro, às nossas necessidades, à nossa pequenez? Que amor é esse que faz com que Deus permaneça nos recônditos da alma que nem nós mesmos conseguimos ficar? É o maravilhoso amor de Deus. 
Lembre-se: não há nada que você faça ou deixe de fazer que fará Deus amar mais ou menos você. O amor de Deus não depende de nós; ele é fruto da essência divina. Afinal, “Deus é amor” (I Jo,4:8).

agosto 18, 2018

Eleições 2018.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:13 pm

Ontem assisti, pela Rede TV (cujo logo é verosimilhante a de uma Igreja Batista da Barra), o debate dos presidenciáveis. Fiquei assustado com o que vi. Tirando Marina e Ciro, que sobraram no debate, o restante foi de mediano para baixo. Se constatarmos que a maior parte dos candidatos é composta de políticos experientes (mais de 20 anos na vida pública), essa fraqueza se acentua ainda mais.
Bolsonaro é o Daciolo envernizado. E só.
No mais, confesso o asco que me deu da instrumentalização da Bíblia no debate, especialmente pelo Deputado Cabo Daciolo (alguém que para meu espanto tem 225 mil seguidores no face!!!??????). Para mim, quem segura a Bíblia na mão num debate político o faz por representação e porque não a tem no seu coração (Sl.119:11). Seu discurso raso, sua compreensão limitada, sua mistura entre narcisismo e mitomania, cujo perigo está no seu autoproclamado messianato e elevado poder persuasivo, é preocupante. Ele fala a língua (esse é o problema do evangélico brasileiro: entroniza o discurso e descarta o “bem-aventurados sois se as praticardes” de Jesus, autor do Evangelho) de 20 milhões (para ser modesto com os números) de evangélicos pentecostais e neopentecostais. Seguramente uns 10 milhões desse grupo se vêem nele – pentecostais e derivados das classes D e E. Com uma disputa tão partida, é até arriscado ter uma pessoa como essa num segundo turno…
Esse cidadão é uma pequena amostra do pior que os evangélicos tem produzido no país (e do que os militares produziram também). Um mimetismo carregado de expressões, mas sem o coração do Evangelho. Um mimetismo que cega, cuja linguagem não toca na realidade. Um mimetismo paraguaio/chinês: conjuga amor, Jesus, com destilamento de ódio no mesmo minuto de fala.
Um aproveitador (ou maluco? não tem meio termo!) que percebeu que a realidade é tão difícil que muitos esperam uma solução, um milagre divino; e que se coloca como messias. Não se enganem: quanto pior ficar a situação, e quanto mais Daciolo conseguir se colocar como O enviado de deus, mais perigoso (e não risível!!) ele fica.
Contudo, lembro aqui: ele tem Bíblia na mão, vai no monte orar, fala em evangeliquês, mas não pertence ao EVANGELHO. É DENOREX (Cabo “Daciolorex”): parece mas não é.

agosto 6, 2018

CBB e a audiência pública sobre o aborto.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:58 pm

E a CBB (Convenção Batista Brasileira) perdeu mais uma oportunidade de se fazer ouvida, de espraiar pelo tecido social suas ideias, de ganhar espaço… Seu representante, Dr.Rega, foi arREGAçado por quem o sucedeu, a Pra.Lusmarina, simplesmente porque ele não entendeu seu lugar de fala. A audiência não visava ouvir um cientista nem tampouco um jurista. Visava ouvir um teólogo cristão. O que fez Pr. Lourenço? Tergiversou sobre genética e bio-direito… sem ser da área, nem tampouco ser uma sumidade intelectual. Deu no que deu…
É lamentável que para um grupo intestino como o batista, as oportunidades de ir além do próprio umbigo sejam desperdiçadas, “intestinalizando-o” ainda mais.
Uma pena, especilamente porque no meio batista há inúmeros e capacitados doutores. Eu realmente não sei quando, nem onde foi dada a cátedra da “Congregação para a doutrina da fé batista” para o Pr.Lourenço; só sei que isso merece ser revisto.

julho 19, 2018

SOBRE O SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL (3)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:56 pm

Antes que você tenha contato com o link abaixo, deixa eu dizer algumas coisas. Quase metade da minha vida passei no STBSB. 14 anos como filho de professor e mais 4 anos como aluno. O Seminário está entranhado em mim. Já tentei tirá-lo a fórceps algumas vezes (e sem anestesia!), mas não consegui. Por isso, ao ler o texto do link, saiba que ele é fruto de quem ama profundamente e apaixonadamente o STBSB. Ao retratar em texto o declínio daquela “mágica colina”, faço-o com dor e com esperança de que os caminhos do sucesso do STBSB, presentes na gestão David Malta do Nascimento, possam ser revisitados enquanto é tempo.

Cabe aqui também uma nota sobre o percurso do texto. E por ele você percebe que esse texto não é novo… Após ele ter ficado pronto, com uma pesquisa feita sob autorização do então reitor, Pr.Luiz Sayão, eu submeti o texto à própria revista eletrônica do STBSB que consta (ou constava) em seu site. Diante da absoluta ausência de retorno, fiquei sabendo ao indagar a coordenação acadêmica que a revista estava, por ora, desativada.

Encaminhei, então, o texto a outras 3 revistas sendo que duas disseram que o assunto não possuía aderência ao seu respectivo perfil. A terceira, fez uma avaliação que rejeitou o texto, embora um dos seus editores tenha usado toda a estrutura de argumentação do artigo para, alguns meses após a recusa, escrever um texto “similar”. Enviei então à Caminhando, da UMESP. O artigo foi apreciado, e foram sugeridas algumas modificações redacionais. Praticamente todas as sugestões foram incorporadas. O texto então foi aprovado e na hora da publicação, CENSURADO. Sim! Recebi um email do editor da revista científica dizendo que não publicaria mais o texto. Algum tempo depois a UMESP despediu alguns de seus melhores quadros (Claudio Ribeiro, Magali Cunha, entre outros), praticamente num movimento similar ao que o texto sobre o STBSB apontou…

Por fim encaminhei o texto para a Protestantismo em Revista, o qual seguiu todo processo até sua publicação. O link está aqui embaixo. Boa leitura.

Pr.Sérgio Dusilek

http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/view/3168

 

julho 16, 2018

OS SALMOS DE LAMENTO – II

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:44 pm

Os Salmos de Lamento-II

Segundo André LaCoque os salmos de lamento possuem uma estrutura básica bem interessante. Vão da súplica, passando pelo lamento pelo sofrimento (ora devido aos inimigos, ora a não intervenção de Deus), sem deixar de expressar profunda confissão de confiança e a certeza de que será ouvido, tendo ainda a petição, o duplo desejo que envolve uma intervenção pró-salmista e contra aqueles que fazem o mal ao salmista. Ao final vem um voto de louvor e um louvor a Deus. De alguma forma os salmos de lamento mostram que a vida é vivida entre os pólos do lamento e do louvor.
Nos salmos de lamento, há um deslocamento abrupto da queixa para o louvor. Possivelmente porque o salmista, ao se deparar com sua mais profunda angústia, tenha como única saída ver a ação divina como resposta. Sim, nosso abismo interior pode, para quem conhece Deus, nos conduzir ao mais alto céu. Não foi à toa que Paulo, em meio a questionamentos e provas, vivendo uma profunda tensão sobre seu apostolado, foi guindado ao terceiro céu…
LaCoque lembra que o lamento é um evento revelatório, entre o ser humano e Deus. É o apelo ao tribunal dos tribunais, ao Justo Juiz, justamente quando “todos os tribunais humanos e mundanos” se mostraram falhos. A injustiça, para o salmista, o leva a aprofundar a relação com Deus, na medida em que seu lamento contrasta um Deus que sofre com o sofrimento humano, mas também é alvo da queixa do salmista, pois Ele sendo soberano podia, no seu compreender, evitar o sofrimento. Nesse sentido o lamento expressa uma queixa contra Deus.
Sabe o que é mais lindo nos salmos de lamento? Primeiro um Deus que se deixa ser acusado, que sofre queixa. Um Deus que poderia nos esmagar, mas que ouve o nosso lamento. Segundo, que no momento em que o salmista desobstrui os canais de comunicação com Deus sendo totalmente honesto com Ele, ele encontra razões de sobra para louvar o Senhor. Veja: nada mudou, há não ser a convicção do coração do salmista, que agora é retomada em todo seu vigor. É a sinceridade que se expõe e que encontra lugar de escuta; é a fé de quem se mostra cheio de dúvidas, porém é alcançado novamente pela grandeza de Deus que transborda em louvor. É a confiança de que a Justiça de Deus alcançará os injustos. É o lamento, o colocar Deus em cheque que se transforma em louvor a Deus.
Bendito seja o Nome do Senhor!
Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek

julho 9, 2018

OS SALMOS DE LAMENTO

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:14 pm

Os Salmos de Lamento

Poucas coisas na Bíblia possuem tanta dramaticidade, existencialidade e profundidade como os salmos de Lamento. Tais salmos representam uma aguda expressão de dor, de perplexidade que vem do mais profundo do ser. É um grito, um clamor, que emerge do profundo da alma. Exemplo disso é o salmo que Jesus recita na cruz, o salmo 22.
De modo interessante estes salmos ao mesmo tempo que  registram um lamento, uma confiança em Deus e a certeza de que Ele ouviu o clamor do salmista, eles apresentam uma certa dose de acusação ao divino. De algum modo o salmista joga na conta do divino o esquecimento dele, de sua situação. É comum o registro do “até quando”. Nas horas de solitude a alma clama pela solicitude divina. É um momento de profunda humanidade e fragilidade. É momento também de perplexidade, no qual os pensamentos se tornam um turbilhão. Confiamos em Deus, mas o “acusamos” de abandono; reclamamos da solidão, mas ao mesmo tempo sabemos que Ele nos ouve; é… aguentar nossas ambiguidades não deve ser fácil para Deus… Ainda bem que Ele nos ama.
Nossa vida é assim. Nós somos como o salmista, conquanto nem sempre desnudemos a nossa alma, mostremos a nossa perplexidade como ele o fez. No entanto o mais interessante é que o Amigo do salmista continua sendo o mesmo: Deus. É por isso que eu e você podemos rasgar nosso coração diante dEle. Com Deus não há censura, mesmo porque Ele sabe o que se passa dentro de nós. Para Deus importa é a autenticidade, como a do salmista. Não é isso que é a amizade? O espaço no qual podemos ser o que somos?
Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com
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