Novos Caminhos, Velhos Trilhos

junho 12, 2017

Uma Utopia para Viver: SEM LEI. SEM LEI??

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 7:01 am

Ao nos depararmos com o trecho final de Gálatas 5:19-23, Paulo fala de um modelo ideal de sociedade construída a partir de indivíduos regenerados por Deus. Ao contrário do que pensavam (e pensam!) os judaizantes, não era a Lei que resolveria o problema da carnalidade em suas mais variadas manifestações; nem tampouco a coibição da liberdade individual pela Lei. É pelo caminho da liberdade, sinal da presença do Espírito Santo (II Cor.3:17) que a exuberante vida espiritual se manifesta.

Ao longo do citado texto, se fizermos uma leitura honesta diante da Palavra, muitas vezes vamos nos ver nas obras da carne (para nossa vergonha), e outras tantas vezes, conquanto queiramos, não nos veremos nos “sabores”, “gomos”, do Fruto do Espírito. De fato essa tomografia espiritual que Deus faz com todo aquele que lê a Bíblia de coração aberto é chocante, desconcertante. Por vezes descobrimos que temos menos do Novo e mais do Velho e não o ideal inverso.

Mas não queria aqui, nesse momento, delinear a pequenez humana. Gostaria de convidar você a ter uma outra e nova visão, que ao longo e pela via do texto que se segue, sua mente fosse preenchida por essas santas imagens. É um convite para conhecer um lugar especial… ideal.

Lugar este onde não há leis. A liberdade é plena, mas sua regulação está no interesse (desinteressado) pelo OUTRO. Lá, nenhuma ação espera retorno, reciprocidade; nem tampouco fazem da gratidão um motivo de espoliação, de dominação. Não há necessitados, pois todos vivem com aquilo que é suficiente. O amor reina, as diferenças se dissipam; a igualdade impera. Violência??? Ela inexiste naquele local. A justiça corre perene. Não meus queridos, a sociedade ideal não vem da Lava-Jato; vem da ausência de posto.

Lá não há tribunais, juízes, advogados, “partes”. Quando há divergências chega a ser constrangedor… cada um abrindo mão do seu direito… as pessoas resolvem as pendências com mansidão (cada qual abrindo mão do seu direito). Ora, se os “litigantes” abrem mão dos seus direitos, o que fazer?

Não vi traição da confiança, nem soube da deslealdade nos relacionamentos. A fidelidade é um adorno, um broche lindo e visível em todos, do menor ao maior, do mais velho ao mais tenro.

Há uma alegria contagiante no ar. As crianças brincam, as pessoas sorriem mesmo sem posarem para foto. É uma alegria sincera, daquelas que brotam do coração e formoseiam todo um rosto.

Falo a vocês de um lugar onde não há partidos, dissensões, nem contendas. Quando muito, desentendimentos, mas que não chegam ao “status” de conflitos. Lugar no qual o oxigênio parece feito e com gosto de paz. Você não vê, mas sente aquele frescor renovador no ar. Cada esquina, avenida, ruela, é um convite convite ao descanso, ao relaxamento. Não vi redes, porém elas bem poderiam estar por ali…

Nesse paraíso vi os mais inteligentes dispenderem tempo para explicar coisas realmente difíceis aos menos capacitados. Quando se trata do outro, não há a noção de perda de tempo. Até nisso a paciência podia ser vista. Mas também a vi sendo dispendida na direção daqueles que me pareceram ser mais inconvenientes, “chatinhos” talvez. Sim, havia uma glamourosa paciência, a qual era exercício para a boa convivência.

Vi pessoas amantes do bem. Vi pessoas PRATICANTES do bem. Não encontrei uma pessoa sequer que não fosse boa. Não havia violência, nem tampouco vingança. Também pudera: naquele local não havia e não há retribuição. Isto porque o amor é vivido, doado, espargido. Não é à toa que as ruas dão grandiosas melancias do bem e doces abacaxis do que é bom.

Contudo, certa hora vi aquilo que me pareceu ser um acidente. Um senhor, ao que tudo indica, desavisadamente, acabou machucando uma criança com seu veículo. Nada grave. Confesso, porém, que fiquei tenso ao ver o pai correndo para acudi-la. Só que a tensão foi transformada em surpresa, ao perceber que aquele pai não afrontara, não confrontara, nem agredira àquele senhor. No completo domínio de suas emoções, socorreu, ouviu o que acontecera, manifestando compreensão e lamento. Nunca havia visto nada assim…

Qual é o nome deste lugar? IGREJA. Seu endereço: Av. das Estrelas, S/N (sem número duas vezes: a) primeiro porque não tem mesmo; b) segundo porque ela não tem número pré-estabelecido de integrantes…), Céu. MAS PODERIA SER AQUI, se:

  • buscássemos a Deus, seu Espírito Santo;
  • Andássemos pelo Espírito Santo (Gl.5:25);
  • Vivêssemos pelo Espírito Santo (Gl.5:25);
  • Déssemos o FRUTO do Espírito Santo.

Não meu querido, minha querida. Não pense, nem diminua o sacrifício de Jesus à uma bendita salvação individual. Esta é só o começo… Ele quer construir uma sociedade ideal e a ela chamou de REINO DE DEUS. Essa construção começa no momento em que nossa liberdade se curva ao Seu Amor. Sim, porque diante do mais profundo Amor, do Seu Amor, toda liberdade se curva em verdadeira submissão.

Essa sociedade ideal possui um singelo indicador. Quanto mais próxima dela estivermos, menos Lei (“contra estas coisas não há lei”), ao passo que quanto mais distante dessa sociedade ideal nos dispusermos, menos Fruto do Espírito e mais leis teremos.

Se é verdade que todos precisamos de uma utopia para viver, posso dizer que a mais doce delas chama-se Reino de Deus. Não, meus caros leitores. A melhor utopia não provém do renascentista Thomas Moore, nem tampouco de socialistas utópicos como Saint-Simon e Louis Blanc. Ela vem da boca de Jesus; e “por-vir” de Deus quem sabe não seja passível de alguma realização na História?

 

Pr. Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

junho 3, 2017

Onde estão nossos referenciais?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:04 pm

“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (I Corintios 11:1)

Hoje faleceu o querido Pr. Oliveira de Araújo, e com ele foi-se mais um referencial de vida que tínhamos aqui. O referencial é aquela pessoa que lhe faz bem mesmo sem saber o impacto que causa em sua vida. O referencial nos motiva a prosseguir, mesmo diante de lutas injustas e sem fim. O referencial está ali como marco de fé, de vida, como exemplo vivo da ação de Deus, como alguém cuja vida aponta para Deus. Assim era o Pr.Oliveira.

Dos muitos momentos que pude conviver um pouco com ele, lembro especialmente de dois. O primeiro, no Despertar de Niterói em 2001, quando convidamos a ele para ser um dos oradores do congresso. Ele veio disposto, feliz, e trouxe uma poderosa mensagem. A ênfase era em missões… bem, sua vida já falava por si só. Entre um dos intervalos daquele congresso que reuniu cerca de 8000 jovens na 6a a noite, ele me pegou pelo braço e disse: “Sérgio, vejo que você é um grande líder. Tudo está acontecendo e você não subiu naquele palco uma só vez para aparecer. Líderes bons são assim: você os percebe, sem que eles apareçam”. Relativizei, disse que a equipe era tão boa que não precisava, mas confesso que foi uma baita palavra de ânimo que recebi em uma das tardinhas daquele congresso. Pr. Oliveira era de uma grandeza… preocupando-se em abençoar um jovem pastor como eu… ele que já tinha sido tanta coisa na denominação… Essa grandeza se manifestava nas vezes em que cedeu o púlpito da PIB Vitória para que pregasse. Não foi só comigo. Vários colegas foram atingidos por essa benevolência do Pr. Oliveira.

Posteriormente, e coloquei isso no face, foi na CBB de São Luís-MA, em 2008. Eu tinha sido convidado para pregar na sessão de sábado a noite, quando teria o culto dirigido pela JUMOC. Contudo na 6a pela manhã, o presidente da CBB pregaria para a Assembléia convencional. Pr.Oliveira estava com a saúde debilitada, presidia a CBB com um carrinho com oxigênio a tira-colo, e naquela manhã trouxe uma poderosa mensagem. Lembro vividamente dele ilustrando um ponto de sua mensagem com um presente que recebera da sua filha Rebecca. Após abrir o embrulho, ele retira a tampa de uma caixa de sapato e nela estava uma peteca. Junto da peteca, um bilhete: “pai, não deixe a peteca cair”. Choramos com ele, diante da sua luta, mas também pela Graça de Deus contida nesse singelo renovo.

Quando fui para o Seminário (STBSB) em 1995, penso que havia muitos referenciais de vida, alguns pela fé e vida com Deus, outros também pela capacidade que possuíam. Mesmo correndo o risco da injustiça, citarei alguns: Mauro Israel Moreira, Oliveira de Araújo, Xavier, Darci Dusilek, Tymchak, Isaltino Coelho, David Baeta, Hélio Schwartz Lima, Arlécio Franco Costa, Salovi Bernardo, Orivaldo Pimentel Lopes, Carlos César Peff Novaes, Fausto Vasconcellos, entre outros. Ocorre que a primeira parte dessa lista já está com  o Senhor (são nossos referenciais acessíveis pela memória), a outra parte ou já deu sua contribuição, ou não vê como fazê-lo atualmente.

O problema disso são os referenciais: para qual líder um jovem pode olhar? Salvo uma ou outra exceção “fruto da boa vontade”, não encontro referenciais nas diretorias das Convenções as quais estou ligado hoje. Não digo que não haja gente esforçada e até com uma certa “liderança DDA” – sempre distraído com outras coisas. Contudo, estão longe, mas muito longe dos nomes citados.

Termino dizendo que você não precisa concordar comigo. É um direito seu enxergar nos atuais líderes denominacionais uma melhora. Porém sigo pensando que como denominação sofremos o mesmo empobrecimento do Congresso Nacional: ou dá para comparar este congresso com o do final da década de 90?

Preocupado,

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

maio 25, 2017

Quando a Cura alcança os “de fora”.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:33 am
Disse Jesus: “Também havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão Naamã, o sírio.” (Lc.4:27)
Você precisa de uma intervenção divina? Tem algo hoje na sua vida que somente Deus com seu poder pode reverter (consoante ao que lhe parece)? E o que pensar quando você alguém numa situação análoga a sua, sem que cresse em Deus, mas agora agradecido pela Sua intervenção, sendo alcançado por esse poder do alto? O que a cura, a restauração de alguém de fora tem a nos ensinar?
Em primeiro lugar está a insondabilidade de Deus. O fato de Deus miraculosamente curar uns e não outros, de restaurar a saúde de gente que “não nos desce” e não sarar aqueles que pensamos ser dignos da ação divina, aponta para a manifestação da Sua Graça (sim porque o dom de curar é um karismata – manifestação/dom da Graça) e também para sua imprevisibilidade. Deus formatado não é Deus, é ídolo ideológico.
Em segundo lugar penso que a experiência de Naamã aponta para aqueles que recebem com avidez e fé a palavra de esperança do Senhor, ainda que (eu diria principalmente) saia da boca de uma menina escrava. Naamã é a figura oposta ao tipo representado pelos religiosos. Ora, por que razão Deus não sararia ninguém do Seu povo, como Jesus assinalou? Talvez seja porque o povo, acostumado com o ensino sobre aquele Deus, com os rituais de invocação daquele Deus, acabou se esquecendo, por mais paradoxal que seja, de quem de fato era o seu Deus! Nesse sentido, Naamã é a figura do cara de fora, que não sabe nada da tradição judaica (e se fosse hoje, da tradição cristã), mas que ao ouvir sobre o poder desse Deus se volta inteiramente a Ele. Alguém que aprende, sem ter sido ensinado (embora tenha sido instado, é verdade), que diante de Deus não há esconderijos; Ele nos vê, ainda que usemos nossas couraças, com as nossas lepras. Por isso podemos mostrar as nossas feridas para que Ele as cure. Como bem disse Henri Nowen: “somente no lugar da cura é que mostramos as nossas feridas”.
Esta é basicamente a diferença entre prática religiosa e prática de fé, de vida com Deus. Enquanto a religiosidade nos ensina a esconder nossas feridas diante de Deus, como se pudéssemos ludibriá-lo, a espiritualidade calcada na vida de fé reconhece que melhor é apresentá-las logo diante do Senhor! Se a vida nos ensina a ter couraças com muitas pessoas e situações, diante de Jesus elas se tornam um peso desnecessário.
Por fim Naamã aponta para a proximidade… ele era general inimigo, o braço direito do “Assad” daquele tempo. Contudo seu país era fronteiriço com Israel… as colinas de Golã…lembra? Isso implica dizer que há muitas pessoas, algumas delas investidas de autoridade pelo Inimigo e que estão próximas a nós, precisando de cura. Não seja como o rei de Israel que perde o prumo ao ler a carta do Rei da Síria. Seja como aquela menina escrava, que mesmo não querendo estar ali, naquela casa, com aquela família, fazendo aquele serviço, evangelizou, trouxe uma boa nova para Naamã. Sim, há muita gente, há muito relacionamento carcomido pela lepra, já desprovido de toda e qualquer sensibilidade, que precisa ter essa pele “podre” transformada em pele de bebê Johnson.
Que Deus lhe use para isso.
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

maio 20, 2017

Ainda sobre a Reforma da Previdência

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:13 am

Sobre a “imperiosa necessidade” da Reforma da Previdência, façamos uma singela conta:
a) o Estado estaria sem dinheiro para bancar a Previdência porque investiu tanto em Saúde que a população brasileira nem quer mais saber de plano de saúde (aqueles que podem pagar). Você acha que isso condiz com a realidade?
b) o Estado estaria sem dinheiro para bancar a Previdência porque fez uma revolução na Educação, investindo tanto em estrutura (todas as salas de aula do Brasil hoje possuem ar condicionado, cadeiras dignas, quadro, sem infiltrações, etc.), quanto em recursos humanos preparando e equipando todos os professores… aconteceu isso?
c) o Estado estaria sem dinheiro porque cortou drasticamente os impostos, o que fez com que perdesse muita receita… mas peraí: a arrecadação não tem subido a cada ano, aumentando a sua participação em relação ao PIB brasileiro?
Perceba: a única coisa que aumentou muito foi a roubalheira, que se tornou endêmica e desproporcional, a ponto de políticos desviarem milhões e bilhões! É certo que em alguns bolsões de honestidade e boa gestão no país, você pode encontrar uma saúde bem estabelecida e uma educação estruturada (cito, para ficar num exemplo, a cidade de Matelândia-PR). Então conclua comigo: para quem é esta Reforma da Previdência? Para mim, para o povo é que não é; penso que nem tampouco para o Estado. Essa proposta de reforma previdenciária é para garantir o futuro dessas quadrilhas instaladas no poder, cujas siglas começam com “P”. É também para queimar o filme da REFORMA (protestante): justamente na celebração dos 500 anos da boa REFORMA, querem macular este nome e obliterá-lo por conta desta infernal proposta de Reforma da Previdência.
#foratemer #simàREFORMA #nãoàreformadaprevidencia

maio 19, 2017

Emile Zola e a nossa Reforma da Previdência

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:44 pm

“Eu tinha só oito anos quando desci pela primeira vez, veja só!, aqui mesmo na Voraz, e já estou com 58. (…) E então? Não é bonito isso? Cinquenta anos de mina, sendo 45 lá no fundo!  (…) Disseram que tenho que descansar – prosseguiu. – Eu não quero, eles acham que sou estúpido!… Gostaria de ficar mais dois anos, até os sessenta, para conseguir a pensão de 180 francos. Se eu pedisse as contas hoje mesmo, eles me dariam logo uma de 150. Eles são espertos, esses safados!” (Germinal, p.16)

“Estão vendo? A gente poderia estar como ele… Não devemos nos queixar, não é todo mundo que tem a chance de trabalhar até morrer” (Germinal, p.34).

Incrível a atualidade destes textos. Embora pudessem ser retirados de qualquer testemunho de trabalhador brasileiro em tempos de pré-reforma radical da Previdência, tais falas pertencem ao romance GERMINAL, de Emile Zola (Editora Estação Liberdade, 2012), sendo a primeira do velho “Boa Morte” e a segunda do “Maheu”. O que elas têm em comum? A exploração cruel do trabalhador francês (não muito diferente dos demais europeus) na segunda metade do século XIX. Não é a toa que esse romance se tornou uma espécie de leitura obrigatória para se entender o contexto da proliferação dos ideais da Internacional Socialista.

Por que escolhi esse texto e essas perícopes? Por conta da similitude com o estado atual do país. Zola retratou a exploração quase servil dos carvoeiros franceses pela burguesia daquele país. Ao pintar esse quadro, mostrou como a exploração se tornou o principal combustível para que as noções de luta de classe, de reivindicação de melhores condições de trabalho (dentre outras), ganhassem o coração dos trabalhadores. Logicamente que Zola também pode ser lido como alguém que fez uma certa crítica à radicalidade dos movimentos sociais, ao evidenciar no texto como a luta despersonalizou e destruiu uma família (falo aqui da casa do Maheu).

Por um lado, gente sobrevivendo no limite do que se pode chamar de sobrevivência. Por outro a frivolidade burguesa. No meio a exploração da sensualidade como único lazer acessível para os miseráveis, e lascivo para os donos do capital. Há traições por comida, mas também há traições pelo outro desejo de comer (se é que voce me entende).

Essa radical reforma da Previdência Social no país, proposta por um governo que já tinha uma discutível legitimidade, remeterá o país numa volta no tempo, à carvoaria européia do século XIX. Isso é injusto, exploratório, além de abrir espaço para revoltas populares e muitas perdas. Não penso aqui em perdas financeiras, contudo naquilo que é incalculável, que é a vida humana. Nosso caminho tem de ser sempre o da paz, até mesmo na hora do confronto (algo como Gandhi se propôs a fazer). Do jeito que está a Reforma, o Brasil se torna a grande Voraz, a mina que engolia os trabalhadores e que Zola retrata em seu clássico. Não dá para apoiar algo desumano. Afligir milhões de pessoas é obra demoníaca, é sinal da presença de Satanás nas estruturas de poder do país.

Não duvido que haja algo para reformar na previdência brasileira; contudo não posso aceitar essa reforma draconiana, eivada de mentiras, e promovida por gente que não está preocupada com o povo, mas sim com uma dificuldade para adquirir novos e propinescos ganhos, como revelado na delação dos sócios da J&F e em tantas outras.  Perceba que esse elemento draconiano se dá num momento em que o povo clama por oportunidade de trabalho, assim como Zola mostrou no pensamento de Maheu, o qual foi citado mais acima). Por que não melhorar a gestão? Por que não parar de roubar, ou pelo menos, de roubar tanto? Acho que sobraria dinheiro para cobrir o alegado (que também descreio) déficit da Previdência.

Aliás, sobre esse assunto da corrupção,  tenho visto alguns dizerem que a exposição da corrupção é sinal da visitação de Deus sobre o Brasil. Particularmente não sou muito simpático a esta ideia, pois a ação de combate à infecção da corrupção parte do próprio e laico Estado. Além do mais, Deus começa o julgamento, segundo o texto bíblico, pelos de dentro… e tem muito líder que se diz cristão andando por aí tortuosamente, num movimento serpentino…

Entretanto, a única coisa que me dá esperança de uma ação divina é a “coincidência” da eclosão dessa última fase da Lava-jato com o período em que tal reforma seria empurrada goela abaixo. Perceba, a reforma da previdência não alivia o empresariado, nem traz benefícios para o trabalhador. Ela traz recursos para o governo… porém este mesmo governo fatura pouco??? Acho que não… É por isso que até Zola, não sendo cristão, expressa no seu romance um celestial feixe de discernimento:

“(…) porque não é com a permissão de Deus que jogam tantos cristãos na rua da miséria.” (p.13)

Leia o Germinal de Emile Zola. Seja contra esta reforma que aí está. Pois é nela que o Diabo se transfigura em “Voraz”.

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

 

maio 8, 2017

ARRANCADO PELA RAIZ

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:40 am

[se puder, leia a barra ao lado]

Arrancado pela raiz

“Respondeu-lhes Jesus: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada” (Mt.15:13).

O texto acima é uma fala de Jesus à preocupação dos seus discípulos com o escândalo dos fariseus. Revela um quadro que permanece atual: toda tradição religiosa se escandaliza de Jesus. O próprio Dostoievski em Irmãos Karamazov coloca Jesus sendo torturado e perseguido novamente, só que pelo cardeal católico… De fato, as tradições por serem uma tentativa de domesticação (Roger Bastide) do sagrado, nunca poderão conter a face mais “selvagem” (Bastide) desse sagrado, que para nós é a pessoa de Jesus Cristo. O resumo: sempre haverá escândalo. Toda igreja que desejar andar como Jesus andou provocará algum escândalo: mas perceba, o escândalo é com os de dentro, com os religiosos que estão assentados (como o grande Jaba do Star Wars!) numa tradição. Aliás, Jesus nunca causou escândalo para os de fora…

Essa fala de Jesus tem aplicações diversas. A mais evidente é que as tradições que assumimos, mas que não condizem com Jesus, Deus mesmo as arrancará. Se é verdade que a vida cristã se faz com semeaduras divinas (Mt.13), é igualmente verdadeiro que o Diabo procura plantar muita coisa junto da semente de Deus para nos tirar a verdadeira vida e alegria que vem do Senhor. São joios que crescem com o trigo… tem cara de saciedade mas não alimenta a alma. A maneira mais usada (não a única) pelo Diabo para espalhar suas sementes na nossa alma é pela via da tradição religiosa. Assim, sem perceber, colhemos o que é infernal com aparência de celestial. Esse tipo de planta só pode ser arrancado pelo Pai.

Outra aplicação está ligada naquilo que a vida nos oferece. Muitas vezes recebemos coisas boas da vida. Outras tanto coisas ruins. Encontramos alegrias, mas também frustrações e decepções. Pessoas nos dizem coisas boas; outras nos envenenam a alma. Sim, turma querida, as palavras são sementes lançadas que tanto FLORESCEM (olha aí Carol!), quanto germinam figueiras bravas, raízes de amargura (Heb.12:15)… As nossas dores da alma transformadas em raízes de amargura precisam ser arrancadas pelo Pai à fórceps!

Por fim há os valores, que são maneiras pelas quais Deus procurou preservar a nossa vida e a nossa sociedade. Ser mais altruísta e menos egoísta, procurar estabelecer vínculos relacionais sólidos, de amor profundo, ao invés de uma conduta promíscua; ser honesto, correto ao invés de desonesto; lutar pela justiça e espelhá-la nas suas ações, entre outros é adotar valores que evitam a nossa dilaceração e muita dor. Outros valores que não correspondem àquilo que vem de Deus precisam ser arrancados pela raiz, uma vez que os valores que adotamos se tornam a nossa base de sustentação, tanto para o mal, quanto para o bem. Essa intervenção profunda, essa transmutação de valores só através do nosso Pai Celestial.

Agora terminando mesmo (rsrs)… em tempos de filme “A Cabana” há uma imagem impressionante do livro e que também está no filme. O Espírito convida o protagonista (??? ou Deus seria o protagonista?) a arrancar pela raiz o jardim dos fundos da casa. Plantas feias, mato, mas também flores lindas precisavam ser arrancadas. Isso porque o terreno precisava estar preparado para o novo plantio que Deus iria realizar. Novas e celestiais sementes seriam jogadas sobre aquela terra… Assim é conosco também. Quantos divinos plantios são impossibilitados simplesmente porque nossa terra (nosso coração) está repleta de outras plantas? É preciso arrancá-las… deixar que o Pai as arranque. De fato, essa experiência dói. É uma cirurgia espiritual-emocional que arrebenta conosco, contudo, PRESERVA A NOSSA VIDA. É algo que temos que passar para que possamos prosseguir vivendo, ou então, descobrir a vida plena e abundante que há em Jesus. Lembre-se: quando algo tiver sendo arrancado da sua vida pelo Pai, é porque coisas melhores Ele vai semear no seu coração.

Com carinho,

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

maio 2, 2017

Quando tudo chega ao fim.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:41 am

“Quando tudo chega ao fim, não há como continuar;

A insistência abre sulcos na alma pois nada muda nem vai mudar.

Quando tudo chega ao fim, melhor terminar as coisas amando;

Dor, sofrimento são certos; contudo é melhor manter a bem querença, respeitando.

Se o fim pode até ser anunciado, ele não chega de uma hora para outra. Ele vem em parcelas, em reminiscências que a vida, que a experiência contínua faz questão de lembrar.

A verdade é que só quem chega ao final é que sabe quantas paradas existenciais foram feitas…

Quando tudo chega ao limite, chega o fim. Aquelas coisas pendentes, latentes, resistentes, que passado o tempo se tornam mais prementes, imponentes.

Chega ao fim porque é o limite. E é no limite que tudo se desencontra. No limite não há acomodação; só incomodação. Quando até o repouso é comprometido, o final é inevitável.

Quando tudo chega ao fim, há lamento, sentimento de fracasso, sufocamento e cansaço. Olha-se para o céu esperando o renovo da águia, enquanto na terra a experiência continua sendo árida;

Quando tudo chega ao fim, as estruturas implodem e explodem. Sim, porque o fim que se anuncia fora, se prenuncia dentro.

Quando o fim chega o céu escurece, a nebulosidade aparece, e a direção desaparece!

Quando tudo chega ao fim ouvimos da vida um sim; sim para a etapa vencida, sim para a vida vivida, sim para a eternidade por vezes preterida;

Sim, tudo chega ao fim. Embora alguns cheguem antes, outros chegarão assim. Há um fim para tudo.

É por isso que chego ao fim, antes que o fim chegue a mim.”

abril 28, 2017

AS CONTRIBUIÇÕES SÃO BÍBLICAS-3 Ou Ainda: “Não dou dinheiro para pastor.”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:47 pm
“Devem ser considerados merecedores de duplicada honra os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaceis o boi, quando pisa o trigo; e ainda: O trabalhador é digno do seu salário.” (I Tm.5:17-18)
Chegamos naquilo que pessoalmente considero o ponto mais nevrálgico nessas abordagens sobre a contribuição. Primeiro por um certo constrangimento que eu, como pastor, tenho ao escrever sobre o assunto. Segundo porque sei que muitos irmãos pensam que pastor deveria procurar um trabalho… Fato é que as distorções que nos cercam e nos alcançam em conversas com amigos ou mesmo pelo que a mídia mostra, acabam alimentando uma errônea noção de que o pastor teria se tornado uma espécie de “estelionatário espiritual”. Alguns tem usado do texto bíblico acima como justificativa para a elevação dos seus ganhos, como se o marajaísmo fosse bíblico. Outros, por conta dos exageros, partem para o extremos oposto de impingir ao seu pastor uma vida suplicante, não digna. Esses contrariam frontalmente o texto acima, uma vez que o texto da Palavra manda reconhecer (não se endividar) o pastor com dupla honra (em algumas versões vem a ideia correta do texto: “dobrados honorários”)
O fato é que a Igreja precisa da condução pastoral (por mais que, eu sei, tenham alguns  que a desconduza) e que é desejável a disponibilidade pastoral, quando a igreja tem condição para isso. Perceba que sempre haverá demanda na Igreja, em termos de aconselhamentos, visitações, discipulados, reuniões, celebrações, despedidas (velórios), cultos, conciliações e reconciliações, textos para jovens, boletim, casais, etc. E não se pode “esperar” a presença do pastor, por exemplo, num hospital, se ele responde como funcionário a um chefe na empresa em que trabalha…
Necessidade sempre haverá. Trabalho também. Mas por que o celeuma sobre a contribuição e até mesmo, sobre a remuneração pastoral, especialmente em Igrejas Batistas?
Se isso pode até ser verdade em muitos círculos religiosos e em muitas igrejas, não deveria ser assim no meio batista. Isso porque toda Igreja Batista toma suas decisões em Assembleias, inclusive naquelas que é votado o orçamento. Sim,  não é o pastor que estabelece onde investir os recursos; é a Igreja, mediante análise de um grupo de membros que dedicam seus talentos para administrar a Igreja juntamente com a liderança pastoral. Procure saber da realidade salarial do seu pastor antes de dizer que seu dízimo vai para ele. Procure saber do orçamento total da Igreja: sim, toda igreja tem custos de manutenção e expansão (o que chamamos de missões). Por fim, não deixe de contribuir. A Igreja Batista é transparente nos seus números (isso não quer dizer “despimento”). Eles estão disponíveis a todos os membros (em tese). Se na sua igreja isso não é assim, sinto em lhe dizer: ela continua sendo Igreja, mas talvez não mais batista.
Pense. Ore. Pratique a Palavra. Contribua.
Pr. Sérgio Dusilek

abril 23, 2017

AS CONTRIBUIÇÕES SÃO BÍBLICAS-3 Ou Ainda: “Não contribuo porque nunca sobra”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:05 pm
“Abel, porém, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o Senhor de Abel e de sua oferta” (Gen.4:4)
O texto acima é o preâmbulo que apresenta o primeiro homicídio na humanidade. A Bíblia mostra com clareza o efeito devastador do pecado. Seu impacto gera em pouco tempo não só um homicídio. A coisa foi pior: foi um fratricídio. Caim, mesmo avisado por Deus, mata seu irmão Abel. Sua motivação: inveja da relação que ele tinha com Deus. Relação esta baseada em reconhecimento de sua fragilidade, de sua humanidade, revelada no sacrifício de um animal, que implicava no derramamento de sangue, origem do conceito da seriedade, purgamento e substituição da pena pelo pecado, cujo maior exemplo (de substituição) foi o de Jesus que assumiu a cruz em nosso lugar.
Mas a relação de Abel com Deus estava baseada também na confiança. Ele oferece “as primícias”, isto é, o seu melhor, a primeira parte, a primeira “fatia do bolo”. Aliás, pense num pequeno bolo para 100 pessoas, incluindo Jesus. Nessa figuração, você daria o melhor pedaço a Ele, que ninguém vê? Ou se sobrasse, figuradamente falaria para Ele: “olha aí Jesus, até que sobrou! Fique à vontade.” Nosso orçamento em tempo de crise é mais ou menos assim. Um pequeno bolo para 100 convidados (que são as nossas contas!). E lá vamos nós cortando fatias quase transparentes de tão finas para fazer “o bolo render”. A contribuição para o Reino de Deus, a contribuição na Igreja? Ora, se sobrar…
Abel tinha uma relação de confiança em Deus. Quando nossa vida está nas mãos dEle, entregamos o que há de melhor, porque sabemos de antemão que Deus sempre tem o melhor para nós. Nós confiamos, porque nEle descansamos. Assim era Abel… uma vida simples, mas apegada ao Senhor.
Perceba: o convite é para você confiar. O convite é para você exercitar o privilégio da contribuição. O convite é para que você saia do lugar comum da sobra, e caminhe para o diferencial de uma vida de fé, de descanso em Deus e de confiança nEle. Não é para fazer com medo. É para entregar as primícias, fazer com alegria e reconhecimento por tudo que Deus tem feito (esta é a figura do rebanho de Abel) para e com você.
Pense. Ore. Pratique. Exorcize o escorpião do seu bolso.
Pr. Sérgio Dusilek

abril 22, 2017

Três Pensamentos sobre a crise a partir do Dilúvio

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:36 pm
  1. Nossa  atual crise, embora gravíssima, não é maior do que a época do dilúvio. Naquele período, até Deus entrou em crise… Fez uma revisão geral do processo Criativo. O escritor bíblico também entrou em crise… como registrar a “meia-volta divina”?

2. Em toda crise Deus abre pelo menos uma porta. Bom, se até os animais conseguiram encontrar a porta da Arca, por que não conseguiríamos encontrar a nossa também?

3. Toda crise tem um fim (finalidade e temporalidade); nenhuma crise é eterna. E o fim da crise é tanto o nosso refazimento (nossa moldagem é o caráter existencial teleológico da crise) quanto o recomeço. Lembre-se: há um arco-íris anunciando um novo começo para cada um de nós.

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.