Novos Caminhos, Velhos Trilhos

abril 10, 2019

OLHOS AZUIS

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:07 am
Olhos Azuis.
No dia de sua despedida,Com boa parte de sua grande e linda família reunida,
Ouvimos uma verdade na Bíblia contida,
Que mesmo para os fortes e dignos uma hora cessa a vida.
Seu Justino não mais verá o bem na terra dos viventes, diz a bíblica poesia,
Nem nossos olhos o verão mais, afirma o mesmo texto com maestria,
Contudo uma certeza nos enche, em meio à dor da partida, de tal alegria,
Que afirma que seus olhos vêem o Redentor e doador da vida.
E que encontro foi esse… dá para imaginar?
Olhos azuis doces como céu e profundos como o mar,
Tendo à sua frente Aquele com “chamas de fogo” a olhar,
Encontro de um homem digno com Jesus, que Dignificou a vida.
Seu Justino possuia no olhar uma serenidade
Daquelas que não estão postas só pelo avançar da idade
Mas sim de quem, lutou até mesmo quando de sua maior debilidade
E agora se encontra com Jesus restaurado em toda sua vitalidade.
Aquele sobre quem os olhos de Deus estavam,
E que agora O abraça na Glória
Lembra-nos com sua linda trajetória
Que seus ensinos, lições estão vivos e acessíveis pela nossa memória.
E quanto a nós, os que ficamos?
Não é necessário que em meio a saudade nos percamos
Pois, os mesmos olhos que possuem chama como de fogo, diz a Palavra,
Não deixa de notar cada lágrima dos nossos olhos, da nossa lavra,
Recolhendo e enxugando nosso choro,
Até aquele dia em que juntos de Justino, cantaremos a Glória de Jesus em coro.
[Em homenagem ao Seu Justino, homem bom que a vocação pastoral me permitiu conhecer]
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fevereiro 19, 2019

Teologia a partir da periferia.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:57 pm

Teologia a partir da periferia.

“Pode vir algo bom de Nazaré?” (João 1:46)

 

Eu confesso. Confesso minha visão míope e distorcida que por anos legava aos grandes centros teológicos a construção de uma boa e “consistente” teologia. Confesso meu preconceito, quiçá um revanchismo tal qual havia entre a Cafarnaum de Natanael e Nazaré onde Jesus cresceu. Para mim era impossível vir algo bom de Nazaré… Era!

Tenho observado com muita atenção o que me parece ser um agir de Deus. Ao que tudo indica Deus deslocou a boa teologia outrora pertencente aos grandes, históricos e afamados centros de saber teológico no país para a periferia[1]. Tal mudança se deu, ao meu ver, na mesma proporção da capitulação, uma a uma, dessas casas do Saber Teológico para o Fundamentalismo. Sim, ao transformar a fé cristã num mero conteúdo doutrinal e não numa singular dinâmica de vida com Deus (Ebeling), o Fundamentalismo transtornou o cristianismo e colapsou a dinâmica inerente à própria teologia. A apregoada pretensão fundamentalista de remissão ao passado nunca é na intensidade maior da vida transformada e transformadora que há em Jesus. O desejo de retorno às fontes primeiras, numa espécie de Renascimento religioso tardio, jamais tange a mais linda manifestação da koinonia da nascente igreja: o fato deles passarem a ter TUDO em comum. Não me lembro de nenhuma igreja sequer da mais pura ortodoxia, da mais intransigente reta doutrina, fazer uma campanha para que os ricos vendessem o que têm e doassem aos mais pobres da comunidade de fé… é, no fundamentalismo, a doutrina é comum, mas o bolso segue sendo privado. Faltam “Barnabés”…

Outro problema enfrentado pelos grandes e tradicionais centros do saber teológico no Brasil é sua “MECização”. Se a influência fundamentalista representa uma “mecanização” da teologia, o reconhecimento do curso acarretou consigo uma revisão docente e conseqüente troca de professores capacitados e com aquilo que chamo de “eclesiopneustos” (que respiravam Igreja), por outros que produziram um outro tipo de “mecanização”. O expurgo de grandes referenciais pastorais acarretou uma perda da visão missional dessas casas, a tal ponto, que boa parte hoje não “produz” nem teólogo, nem pastor.

Recentemente num encontro promovido pelo CEBEP, ouvi do qualificadíssimo Bispo Metodista Geoval Silva, o seu testemunho de quantas pessoas do sertão estão fazendo cursos de teologia, sendo alcançados por gente muito preparada como o currículo dele mesmo atesta. A experiência do Seminário Teológico Batista Carioca no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, também aponta para essa mesma verdade.

Sonho, oro e luto para que os grandes centros de teologia voltem a ser significativos. Contudo, ao que parece, é da Galileia dos gentios que vem surgindo um novo sopro de esperança para uma teologia comprometida com a Missão.

Mesmo tendo muito mais a dizer, queria sugerir, caminhando para o final desse texto, algumas marcas que para mim se encontram presentes nessa Teologia que vem da periferia, da Galileia:

  1. Ela ainda não recebeu investimento externo oriundo do fundamentalismo, especialmente o estadunidense. O que implica dizer que pode haver grandes centros teológicos que ainda seguem isentos dessa influência, e espaços periféricos que já foram cooptados e que por isso deixaram de desenvolver aquilo que chamei, ao longo desse texto, de uma teologia a partir da periferia;
  2. A teologia que vem da periferia estuda a Teologia Sistemática; no entanto, ela é menos dogmática e mais encarnacional. Notadamente há um grande foco, ao se pensar na Teologia Bíblica, nos Evangelhos e na vida e minsitério de Jesus;
  3. Por ser menos dogmática, sua preocupação é mais missional, mais pastoral, o que não a impede de ser academicamente boa e relevante;
  4. Por estar longe de influência direta dos grandes centros do poder religioso, essa teologia pode se tornar mais arejada e mais dialogal, não sendo cativa de certas tendências de perpetuação e de ideologias;
  5. Tal teologia periférica pode açambarcar múltiplas tendências, evidenciando a riqueza e variedade presente na teologia, especialmente devido ao caráter polissêmico do texto bíblico;
  6. É uma teologia mais voltada para o Reino de Deus e menos eclesiástica, menos denominacional;
  7. É uma teologia que sublinha a esperança, que enaltece o amor, que joga luz sobre a Graça, que é comprometida com a Justiça e que consolida e anima uma caminhada de fé cristã;
  8. Por fim, mas sem a pretensão de esgotar tais marcas, ela costumeiramente é produzida em solo fértil. Os alunos “periféricos” centralizam a importância de tais aulas e conteúdo. Se a formação educacional não costuma ser muito boa (o que mostra a falha da educação no país), ela é compensada, sobejada pela avidez e dedicação no aprendizado. Sim, a teologia feita por toda a Galileia brasileira, é realizada por gente que tem fome de conhecimento.

 

Sim, há muita coisa boa acontecendo em “Nazaré Grande”, em “Cafarnaulina” e demais rincões desse país. É Deus soprando Seu Espírito em locais com menos “filtros”. Sim, o Senhor traz um renovo e esperança para nós.

 

Pr.Sérgio Dusilek

Pastor na Igreja Batista Marapendi

Professor do Seminário Teológico Batista Carioca

Doutorando em Ciência da Religião – UFJF/MG.

 

[1] Há exceções é lógico; porém a grande pergunta nesses casos é: até quando?

janeiro 28, 2019

SOB A LAMA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:59 am

Mais uma vez todos nós fomos impactados com o rompimento de mais uma barragem em MG. Uma tragédia anunciada, já que não houve qualquer intempérie da natureza que pudesse fornecer o lastro de  culpabilidade. Não foi acidente; foi descaso, e dos graves. Um pesquisador da UFMG vaticinou: a Vale estatizada, ainda como esmeralda do período militar, não registrou rompimento de barragens; no entanto a Vale privatizada registra, segundo ele, um rompimento em maior ou menor grau, a cada dois anos!

Esse tipo de tragédia pública tem que nos servir para algum tipo de lição. Temos que nos questionar sobre o tipo de sistema predatório que vivemos, no qual os dividendos dos acionistas e dos dirigentes de uma multinacional estão acima das vidas dos funcionários e da natureza da qual tanto dependemos. O que quero dizer? As pessoas podem ganhar, mas não podem só ganhar. No dia que não sobrar mais nada, vamos comer os papéis da Bolsa de Valores? Nós precisamos revisitar nosso modelo civilizatório. Nossos padrões e valores, como sociedade, definitivamente não são bons.

Essa tragédia precisa ser usada por nós para novamente denunciarmos o que, da esfera do poder, fica SOB a Lama, seja ela da corrupção ou da conivência. Há uma pressão e um lobby intenso por parte de empresas Transnacionais para que se flexibilize as normas de exploração mineral, bem como sejam blindadas de fiscalizações e multa. Lógico, que nesse processo, há muito dinheiro rolando por fora e por dentro. A Igreja precisa se levantar para denunciar o erro. A voz profética não pertence a partido algum, e sim a Deus que é o dono da mensagem, da profecia. É uma pena que ao invés da Igreja e dos profetas denunciarem os erros dos reis, eles estejam flertando com eles. Não é por outro motivo que Deus tem usado a imprensa para falar…

Por fim todo aquele lamaçal funciona também com uma aplicação pessoal, espiritual. Olhar para aquilo é contemplar nosso estado, como Deus nos encontrou (II Pedro 2:20-22). Jesus é aquele bombeiro que não descansa até nos salvar; que dá aquele abraço em gente coberta de lama como estávamos. Que nos lava com um banho da Graça e que nos reveste de trajes limpos (Is.61.10). Um dia estávamos sob a lama; agora não mais!!!

Cabe a nós orar pelas famílias enlutadas e lutar pela justiça até que ela cubra a Terra como os raios do Sol.

Pr.Sergio Dusilek

janeiro 16, 2019

SEM TREMOR, MAS COM TEMOR!

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:58 am

Sem Tremor, mas com Temor!

“Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não pode ser abalado, mas permanece para sempre.
Como estão os montes ao redor de Jerusalém, assim o Senhor está ao redor do seu povo, desde agora e para sempre.”
” (Salmo 125:1-2)
Não havia drones, vant´s, nem tampouco caças. Uma cidadela como Jerusalém, incrustada num monte, numa cadeia montanhosa, tinha larga vantagem em termos de proteção no tocante ao ataque dos inimigos. Suas muralhas reforçavam essa sensação. Sem abalo, num mundo que sempre foi turbulento, é algo que traz segurança e paz.
Para o salmista não havia tremor embaixo. Sem tremores de terra, a cidade se mantinha sem maiores danos. Por vezes na vida o chão sai de debaixo dos nossos pés… nessa hora ficamos sem direção, tontos. É nesse instante que o salmista nos lembra que nossa segurança está no Senhor que, à semelhança da cadeia montanhosa de Sião, não se abala, nem pode ser abalado. Se nosso arrimo, nossa âncora, está fincada no Senhor, tudo pode tremer e mudar de lugar, mas nós seguiremos.
O salmista ao fazer uso dessa metáfora, dessa isotopia, nos sugere também a falta de um tremor motivado por algo de fora. É a segurança intra-muros que, no caso do relacionamento divino, se traduz numa segurança vinda da certeza de um Deus que nos dá sustentação suficiente para enfrentarmos as lutas da vida. Um Deus que não nos deixa só; um Deus que nos acompanha, que nos cerca. É por isso que alguns sugerem que o lugar mais próximo de Satanás em relação a um filho de Deus é ao “derredor” (I Pe.5:8), porque ao nosso redor (Sl.125:2) quem está é o Senhor! Aleluia!
Por fim, é preciso mencionar um terceiro tipo de tremor: os de dentro. Esses são capazes de fazer ruir as nossas estruturas. São nossos terremotos emocionais. Na hora da fraqueza, no momento da mais intensa câimbra em meio a travessia da vida, nós precisamos repetir para nós mesmos que a confiança em Deus é a nossa garantia de permanência, inclusive na História. Em outras palavras: cansados ou não; cheios de vitalidade ou desgastados, feridos ou sãos, nós vamos chegar lá porque temos um Deus que nos acompanha.
Nem tremor de dentro, nem de fora, muito menos debaixo. O salmista aponta para o temor a Deus como resposta. É saber que Deus nos acompanha todo o tempo e que podemos e devemos levar nossa relação com ele a sério. Quanto mais próximos de Deus, menos abalos sentiremos. Como disse o poeta: “Ainda que os montes se lancem ao mar; ou que a terra trema, hei de confiar”!!!
Deus abençoe a todos nós!
Pr.Sergio Dusilek

janeiro 8, 2019

UMA VITÓRIA CABAL

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:50 am

“Mas Deus remirá minha alma do poder da sepultura, pois Ele me tomará para si” (Sl.49:15)

“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte o teu aguilhão?” “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (I Cor.15:55,57)
Um homem como Davi, guerreiro num tempo de inúmeras batalhas campais, a vida podia ser traduzida como sendo uma sequencia de diferentes lutas, em diferentes campos de batalha, com os mais variados inimigos como opositores. Para ele também, o desejo e maior anseio era o de ter vitória a cada enfrentamento, mesmo aqueles que se agigantavam diante dele (Golias), pela força do Senhor. No entanto, é preciso dizer: Davi avizinhou a morte em muitos mais momentos que nós, moradores do violento Rio de Janeiro.
É assim que ele entra no Salmo 49. Falando daquela inimiga maior da vida que um dia teria vitória sobre ele. O Salmo 49 é um chamamento à realidade: seja bom ou mal, poderoso ou não, rico ou pobre, todos nós um dia capitularemos diante dela. Contudo, como Davi, queremos que ela tarde em chegar… e assim como o rei, nada mais natural que desejar morrer no alto de uma boa velhice…
Mas para Davi a morte, e daí sua grandeza como personagem bíblico, tinha uma aparente vitória. Isso porque ele professa a certeza, que só pode vir da fé, de que Deus daria a ele a última e derradeira vitória: a Vitória sobre a morte. É por isso que ele fala do poder da sepultura, poder este que pode ser traduzido pela palavra separação.
Daí você pode perguntar: que separação seria essa?
Separação entre mortos e vivos. Não há comunicação de um lado para outro (Hebreus 9:27). Quando um parente querido e amado nosso falece, há uma separação entre nós e ele/ela. Na linguagem parabólica de Jesus, há um abismo colocado entre nós. Nosso contato com este ente querido se dá pela memória, pela visitação ao passado, mas não no presente. O fato é que Deus redime a nossa alma do poder da sepultura, da separação, porque Ele nos envia o Consolo (II Cor.1:3-9). Aliás, é sugestiva a promessa do envio do Consolador aos discípulos. Eles receberiam poder (Atos 1:8), mas poder vindo do Consolador! Parece-me que Deus estaria indicando aqui que o verdadeiro poder do Seu Espírito está na prática poimênica, na lide pastoral: na forma como Deus nos soergue diante das pancadas que a vida, e principalmente a morte, nos dá. O poder de Deus seria, então, menos a capacidade de fazer prodígios e sinais (o que Ele faz com extrema facilidade), e mais a capacidade de preenchimento dos buracos da alma que a saudade provoca.
A separação também atinge outro nível: o do plano eterno. Nesse caso seria a separação de Deus. Davi professa então sua fé de que Deus não o abandonaria após a morte, de que um Deus que esteve com ele por toda a vida, iria recebê-lo, acolhê-lo na morte. A morte não teria vitória sobre ele; e sim, a vida em Deus daria a Davi a última e cabal vitória, a qual Paulo decantou no capítulo 15 de I Coríntios. A ferida da morte, do seu aguilhão, não é mortal. Deus transforma o aguilhão da morte em instrumento para que desfrutemos, na eternidade com Ele, uma vida plena num grau inimaginável. Aleluia pela certeza que temos que Jesus nos tomará para si! Nem a morte poderá nos tirar das mãos de Jesus (João 10:28)!
Para nós vivos, que um dia seremos redivivos na presença eterna de Deus, o poder da sepultura foi tragado pela vida de Jesus. Consolo e restauração para nós que, por enquanto, ficamos; esperança e alegria de glorificação para os que partem. É a vida em Jesus e de Jesus irrompendo e tragando da morte a sua “aparente” e momentânea vitória.
Deus abençoe a todos nós!

dezembro 13, 2018

PERPLEXIDADE

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:35 pm

Perplexidade.

“E Jesus disse a Jairo: Não temas; crê somente” (Mc.5:36)
Há horas na vida que o chão se abre por debaixo dos pés: são situações que nos deixam ser reação, que fazem o tempo parar (pelo menos aquele tipo de tempo medido pela consciência humana). Ficamos atônitos, perplexos.  Foi o filósofo existencialista Karl Jaspers que cunhou um especial termo para esse tipo de experiência: situação limite. Sim! Tais situações nos convidam ao limite!
Assim foi com Jairo (Mc.5:21-43). Num impressionante relato que aponta para uma mulher que definhava há 12 anos e uma menina que desabrochava aos seus 12 anos, nos deparamos com o drama de um pai, de uma família inteira. O relato é chocante: como uma menina de 12 anos, filha de um querido servo de Deus (líder da sinagoga) podia morrer? Como um homem bom podia ser alcançado pelo mal? Aliás: não estaria aí (o bom ser atingido pelo mal) a caracterização mais severa do próprio mal?
Não bastasse tudo isso, o início do relato coloca Jairo de joelhos aos pés de Jesus. Num ato de rendição, de adoração, de humilhação e até mesmo de renúncia do seu “status” religioso-social. Mas nem com tudo isso ele deixou de ouvir a pior notícia de sua vida (v.35). E aqui vem uma primeira grande lição do texto: não podemos controlar as noticias, os fatos da vida; contudo podemos selecionar quem vai nos acompanhar. Na hora mais difícil quem estava ao lado de Jairo era Jesus. Ter Jesus ao lado não é isenção do sofrer, mas é garantia do suporte e da serenidade na hora de passarmos pelo vale.
Na hora da perplexidade, da paralisia e do medo o que precisamos ouvir é “não tenha medo; creia somente”. É a fé nas palavras de Jesus que nos sustenta naquele exato momento em que tudo parece desabar… só as Palavras de Deus para nos sustentarem. E essa palavra nos sustenta em meio a uma caminhada… assim como Abrão a caminho de Moriá com Isaque, é a Palavra de Deus que afiança a provisão que vem dEle: “Deus proverá!”. Quantas dúvidas, quanto receio, quanto pesar! Quantos temores! Mas uma certeza: Jairo acabara de ver Jesus trazer à vida novamente uma mulher que definhava (v.33-35). Será que Jesus poderia trazer sua filha de volta?
Ele trouxe. No “quarto”, onde a esperança repousava inerte, longe da incredulidade dos que ali estavam e que co-vaticinavam as últimas notícias, Jesus ressuscita aquela menina que tinha morrido. A reversão de toda dificuldade ou mesmo impossibilidade é quando NÓS OUVIMOS DEUS falar “Talita cumi”. Nessa hora sobra vida e alegria numa casa. Perceba: se somente a menina ouvisse ela levantaria para a eternidade com Deus; contudo, quando a pessoa e nós ouvimos, como foi o caso da filha de Jairo, o levantar é para a Glória de Deus!
Termino repetindo aquilo que creio ser as palavras de Jesus, nosso melhor amigo que está ao nosso lado: “Não temas; crê somente”.
[Devocional escrita em homenagem ao irmão Eber (e por extensão às queridas Kátia e Gabi)]
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Pr. Sérgio Ricardo Gonçalves Dusilek

dezembro 4, 2018

O livramento de Deus

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:11 pm
“O Anjo do Senhor acampa ao redor dos que O teme e os livra” (Sl.34:7)
Este é um dos versos mais queridos da Bíblia, especialmente em tempos de tanta insegurança e violência. Para nós, mortais que trabalham para ter sustento digno, e que por isso não temos como pagar para ter um “Kevin Costner” (Bodyguard), pensar a existência de um guarda-costas alado é por demais acalentador. Saber que Jesus falou de anjos que olham as crianças (Mt.18:10) faz um bem… especialmente para os que são pais de pequeninos (conquanto digam que filhos sempre serão pequenos aos olhos dos pais). Contudo perceba: conquanto o ensejo a esta imaginação, a esta possibilidade, faça bem a nós, não é meu objetivo discutir a existência ou não dos “anjos da guarda”. A questão central para mim está na segunda parte (final) do verso: “e os livra”.
Livra de quê? De quem? Livra de tudo? Ora, parece que nossa experiência de vida aponta para um sentido contrário dessa noção de livramento de tudo. No dizer do apóstolo Paulo, somos atribulados, ficamos perplexos, fatigados e por vezes desesperançados com as situações que a vida nos apresenta (II Cor.4; Atos 27). Em outras palavras: Deus não nos livra de tudo. Muito menos ainda os seus anjos…
De que livramento então Davi está falando? Quero sugerir algumas possibilidades para nossa reflexão.
A primeira está ligada ao contexto da escrita desse verso. Davi estava procurando se esconder entre os filisteus (I Sm.21 e 27). Só que num primeiro momento sua vida corre risco por conta dos servos de Áquis, rei de Gate. Ele então para se salvar, simula um acesso de loucura. A noção principal aqui é que Deus nos livra de cairmos nas mãos dos nossos inimigos, uma vez que Davi foi até os filisteus por livre-vontade e também pela providencial dissimulação que empreendeu naquele momento.
Uma outra possibilidade é o livramento das aflições (v.19). Situações de vida que nos oprimem, comprimem… para Davi tudo começava a ser resolvido pelo renovo da consciência de que nossa vida está escondida em Deus (Col.3:1-5). Ora, se Deus tem a última palavra sobre a minha vida, por que tanta PRÉ-ocupação? As situações adversas passam a ser vistas como instrumentos de Deus para a moldagem daquilo que Ele quer que nos tornemos. Não é gostar da adversidade, mas vê-la sob outro prisma. Vê-la por dentro.
Por fim, para lembrar o querido e inesquecível Pr. Jerry Stanley Key, está a certeza de que Deus nos livra do esquecimento. O drama davídico (Sl.34:22), que está em outros salmos também, é o da morte como o grande apagador da existência. Deixaremos um legado ou seremos esquecidos? Nossa vida será uma passagem sem maior significação? É verdade que a abrangência de um legado está associada a uma vida de diaconia, de serviço. Quem vive para si pouca lembrança deixará; quem vive par servir…  ah! quantos e quantas lembrarão de alguém assim! Sim, Deus projetou a memória para que nossas vidas não fossem esquecidas pelos vivos e o céu, a noção de eternidade com Ele para que nossas vidas não fossem confinadas a um túmulo. A vida vai mesmo começar em toda sua exuberância quando partirmos para a eternidade. Não é uma caixa que vai guardar o que sobrou de nossa existência; mas uma eternidade com Ele é que nos espera em celebração pela vida em seu sentido maior! Glória a Deus! (e não Deuxxxxx como no caso do cabo Daciolo).
Deus não nos livra de tudo. Mas está presente em todas as nossas experiências. Se há uma grande verdade na poesia do verso que abordamos aqui é que Deus não desacopla. Ele acampa porque a noção de acampamento traz mobilidade. Por onde formos, por onde peregrinarmos, Ele irá conosco. Fazendo o certo ou o errado, Ele sempre estará conosco. Ele nos livrará das aflições, do esquecimento, do poder da morte, e das mãos daqueles que nos perseguem! Aleluia!
[Devocional escrita em homenagem à irmã Catarine Viveiros]

 

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Pr. Sérgio Ricardo Gonçalves Dusilek

dezembro 1, 2018

AS NOSSAS MACEDÔNIAS (At.16:9)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:38 am
AS NOSSAS MACEDÔNIAS (At.16:9)
Foi Paulo quem disse que toda a criação aguarda gemendo a manifestação dos filhos de Deus (Romanos 8:19). Em todo o mundo há uma expectativa. Em todo lugar há carência por Deus e pela ação dos filhos de Deus. Numa outra paulina terminologia: o mundo inteiro é uma grande Macedônia (At.16:9). E aí vem a crise de uma igreja que olha para fora: como atender a todas as “Macedônias” do mundo?
Não há como. Não há recursos humanos e financeiros suficientes para uma Igreja abraçar o mundo. Por isso, ao mesmo tempo que o mundo, em termos de missão é uma grande macedônia, Deus nos envia mensageiros (anggelos-anjos) para nos mostrar quais são as “nossas macedônias”. No nosso caso, temos algumas, tais quais relatadas no nosso boletim disponível no site http://www.igrejamarapendi.org.br
E aqui falo especialmente de Cafelândia-PR com a família missionária do Pr.Ediuson e o casal Miguel e Juliane no Peru. Em ambas as frentes missionárias há uma necessidade de espaço maior. Só que Cafelândia está diante do desafio de adquirir um terreno de 3000 m2. A visão de Deus para nós (eu que escrevo e você que lê) veio por um áudio do Pr.Ediuson pelo zap tornado público agora pelo email. É como se a experiência de Atos 16:9 se repetisse agora conosco, só que a nossa visão foi-nos confiada pelo email. Sim, nesse exato  momento Deus fala comigo e com você: passa a Macedônia (Cafelândia-PR) e ajuda-nos.
Por isso quero convidá-lo (a):
1) a orar para que Deus supra a missão em Cafelândia-PR com recursos para aquisição desse terreno;
2) a nessa oração perguntar: “Senhor, que parte, que devo fazer em relação à nossa Macedônia, a Cafelândia?
3) a se sentir desafiado a dedicar algum valor do seu 13o Salário em OFERTA para essa aquisição. Para você que é membro da Igreja, só preencher no envelope no campo Oferta: CAFELÂNDIA-PR. Para você que não frequenta a Igreja Batista Marapendi mas se sente desafiado por Deus a contribuir, a conta da Igreja Batista Marapendi é: Banco Itau; Ag.2798; c/c: 04017-2. No site da Igreja há mais detalhes da conta.
Não fique de fora do que Deus está fazendo, como foi o caso de Tobias (Neemias 2-6). Nem participe do que Ele faz pela metade, como foi o caso de Ananias e Safira (Atos 5). Participe com fé e com alegria. Nosso missionário, Pr.Ediuson, conta conosco.

novembro 27, 2018

“1968 – O ano que não terminou”[1]

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:29 am

“1968 – O ano que não terminou”[1]

Pr. Sérgio Ricardo Gonçalves Dusilek

Quero agradecer à turma Marthin Luther King Junior pela honra do convite feito a mim para ocupar esse púlpito. Vocês são uma turma singular, turma com a qual sempre aprendo. São referenciais e é por isso que esse espaço se torna tão especial para mim.

Tomo como empréstimo para tema nessa noite o título de uma das obras do jornalista Zuenir Ventura. Se para Zuenir aquele ano servia como lição e não como exemplo, é simplesmente porque ele desconhecia que uma especial turma de teologia o sacralizou ao escolher como patrono o Pr. Martin Luther King Jr. Sim, vocês sacralizaram aquele ano! Ano da primavera de Praga, das passeatas de Maio em Paris, do movimento hyppie americano, do AI-5 aqui no Brasil, do assassinato de Martin Luther King Junior… que ano foi aquele!

Mas por que me proponho a defender hoje e aqui que o ano de 1968 não terminou?

1) O Ano de 1968 não terminou porque vocês vivem e viverão como memória e história a ser contada e relembrada

Quem eram vocês? Quem são vocês?

  • Pastores das biografias ministeriais mais lindas e dignas
  • Professores cujo envolvimento na academia engrandeceu a causa da educação no Brasil;
  • Servidores, profissionais liberais, outrora trabalhadores da iniciativa privada que honraram suas funções, testemunharam de Jesus e dignificaram o nome dEle pelo exercicio da diaconia bíblica.

DIACONIA essa que abre a porta da igreja, que dá lastro ao querigma. É um equívoco pensar que a diaconia se resume a uma distribuição de donativos, de elementos da Ceia. Olhem para Atos dos Apóstolos! Na parte “petrina” do livro, dois diáconos figuram, ao lado de Pedro, como os grandes pregadores da Igreja! Falo de Estevão e Filipe.

Isso me faz pensar que a Igreja perde sua relevância toda vez que enfatiza o kerigma em troca da diaconia. É a diaconia que legitima o kerigma. Kerigma sem diaconia é retórica vazia. Por isso que ao invés de promover clínicas e seminários de pregação expositiva, a denominação deveria, seguindo o legado do Dr. King Jr. promover encontros de promoção da DIACONIA bíblica, visando  transformar a realidade na qual ela se encontra.

Sim, por muitas gerações a história de vocês seguirá sendo contada, pois suas vidas, a semelhança de Abel, não podem ser silenciadas pela morte; elas ainda falarão! E mesmo que os batistas se recusem a falar de vocês, Deus já os tem preservado na Academia! Sabia que a turma de vocês tem sido citada em dissertações de mestrado em Universidades publicas e privadas?

2) O Ano de 1968 não terminou porque o patrono de vcs segue mais atual do que nunca.

Parece que voltamos 50 anos; flertamos como nação com uma ultra-direita que faz despertar até os que dormem o sono escatológico pré-milenarista. O próprio presidente recém eleito, em uma de suas declarações, afirmou que gostaria de voltar 50 anos na história…

Cá entre nós, não imagino a pressão que sofreram – dentro de um sistema rascista e conservador, num país dominado pela extrema direita, com formatura somente há 13 dias do AI-5… como vocês ousaram escolher Martin Luther King Jr. para seu patrono? Aliás essa era uma a única suposição/afirmação dessa reflexão sem lastro, até que nessa semana recebi um texto do saudoso Pr.Isaltino em que ele faz referência à resistência que a liderança do Seminário e da Convenção Batista Brasileira (à época) fizeram a escolha de vocês.

Talvez dentro de vocês, àquela tempo ecoasse as palavras de MLK ou similar sentimento que elas evocam:

“Sobre algumas posições, a Covardia pergunta ‘É seguro?’, a Conveniência pergunta ‘É político?’ e a Vaidade se apresenta e pergunta ‘É popular?’. Mas a Consciência pergunta ‘Está certo?’. E chega um momento em que devemos assumir uma posição que não é segura, nem política, nem popular, mas devemos fazê-lo porque a Consciência nos diz que é certo. A melhor medida de um homem não é como ele se posiciona em momentos de conveniência, mas onde ele se situa em momentos de desafio, de grande crise e de controvérsia. (…) Deve haver outros que preferem seguir um caminho diferente, mas quando assumi a cruz reconheci seu significado. Não é algo em que você simplesmente ponha suas mãos. Não é algo que você use. A cruz é algo que você carrega e sobre a qual acaba morrendo. A cruz pode significar a morte de sua popularidade. Pode significar a morte de sua ponte com a presidência. Pode significar a morte da verba de uma fundação. Pode cortar um pouco o seu orçamento, mas pegue sua cruz e simplesmente a carregue. E foi essa a maneira como resolvi agir. Venha o que vier, agora não importa.”

Estou convicto de que mais do que nunca precisamos daquilo que Dr. King chamou de uma “lealdade ecumênica e não exclusiva, em torno da noção de humanidade”. Mais do que nunca num país como o nosso que abole direitos em prol da remuneração TRANSNACIONAL, em que “motivos ligados ao lucro são considerados mais importantes do que pessoas” vemos ressurgir aquilo que MLK chamou de “trigêmeos gigantes do rascismo, do materialismo e do militarismo” precisamos da preconizada “revolução de valores” pela qual tanto lutou o patrono de vocês.

Não é sem “razão” que parte da caminhada ministerial de vcs foi preterida, obstaculada. Vocês escolheram amar mais a Jesus do que a “carreira” ministerial, essa que é construída entre conveniências… Contudo, ao mesmo tempo: como obstacular uma turma como a de vocês? DEUS SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ MAIOR DO QUE OS ENTRAVES DENOMINACIONAIS. E as dificuldades que imagino vcs tiveram no inicio foram transformadas por Deus na laje sobre a qual vcs construíram sua diaconia, seu ministério. Vidas dignas em serviço e louvor ao Senhor.

3) Por fim, o ano de 1968 não terminou porque ao escolherem o seu patrono e seu orador[2], vocês anunciaram um modelo de vanguarda ministerial;

Cito o Pr. Martin Luther King Jr. novamente:

“Temos o poder de mudar este país e de dar um novo tipo de vitalidade à religião de Jesus Cristo. E podemos fazer com que esses rapazes e moças que perderam a fé na Igreja percebam que Jesus era um homem sério exatamente porque lidava com a essência do humano em meio ao fulgor do Divino e se preocupava com os problemas do homem. (…) O maior revolucionário que a história conheceu. E quando as pessoas nos disserem, ao nos posicionarmos, que nos inspiramos nisso ou naquilo, voltem e lhes digam de onde vem nossa inspiração.

Li O capital e o Manifesto comunista anos atrás, quando era aluno de faculdade. E muitos movimentos revolucionários do mundo nasceram em resultado daquilo que Marx discutiu. A grande tragédia é que a cristandade não conseguiu ver que ela tinha a prerrogativa revolucionária. Não é preciso recorrer a Marx para aprender a ser um revolucionário. Eu não me inspirei em Karl Marx; inspirei-me num homem chamado Jesus, um santo galileu que se dizia consagrado a curar os desesperados. Ele estava consagrado a enfrentar os problemas dos pobres. E é daí que tiramos nossa inspiração. E nós começamos nossa jornada num momento em que temos uma mensagem para o mundo, e podemos mudar esse mundo e mudar esta nação.”

A mensagem de vocês para toda a igreja brasileira segue mais atual do que nunca. Uma igreja que se perde em apoios e partidarizações precisa se reencontrar com Aquele que não pode ser contido por nenhuma legenda, nem por ser enquadrado por qualquer sistema: JESUS CRISTO. Não é por outra razão que:

  • há 50 anos vocês anunciaram que a mudança do mundo não vem pelas ideologias;
  • há 50 anos vocês anunciaram que a relevância da igreja não está calcada no modelo e muito menos ainda no método de crescimento (herbalife) que ela possui. Tem coisa mais esquisita que essa sacralização de métodos de marketing multi-nível pela sua transposição para a estrutura da Igreja?
  • há 50 anos vocês anunciaram que instituições não devem ser entronizadas e que denominações só podem ser respeitadas se Jesus for sua principal razão de existir;
  • há 50 anos vocês, através do seu orador, insinuavam (subliminarmente) que iniciativas denominacionais muitas vezes tinham motivações que não eram as mais iluminadas pelo Espírito Santo, conquanto viessem travestidas de certa “celestialidade” (falo da Campanha das Américas). Ao fazê-lo mostraram que toda denominação, como todo grupo social (Rubem Alves; Pierre Bordieu) carece de uma autocrítica, necessita de seus “profetas”. Vocês foram e são profetas!
  • há 50 anos vocês repisaram que os direitos humanos são não só para “humanos direitos”; que a humanidade é um valor intrinseco e transnacional;
  • há 50 anos vocês, de modo vanguardista e que continua sendo atual, sinalizaram que Teologia e Ministério só têm sentido e relevância se forem feitos em diálogo com o mundo (na linguagem do orador de vocês, não adianta a igreja “guardar o remédio no frasco”);
  • há 50 anos e sob influência de Harry Emerson Fosdick vocês, num tempo em que muitos se encastelavam com medo da ciência, se abriam para um profundo e profícuo diálogo com ela. Isso é impressionante: vocês não tinham medo da ciência!
  • há 50 anos, juntamente com o patrono vocês proclamavam que “a verdadeira compaixão é mais do que jogar uma moeda para um mendigo” e sim a viva percepção que “uma casa que produz mendigos precisa ser reformada“;
  • há 50 anos vocês denunciavam que a justiça nem sempre está atrelada a lei. Sim, o próprio MLK foi preso inúmeras vezes por causa das leis, mas em nenhuma delas por ter sido injusto. As leis podem ter função e aplicação política… Morô?
  • há 50 anos vocês resgataram a construção da paz pela não violência e do amor que vence todo ódio, ódio esse gerado no ressentimento de alguém que é rebaixado por outro;
  • há 50 anos vocês trouxeram a figura de Jesus de Nazaré para seu lugar central de referência, de adoração.

Termino minha fala dizendo que a apropriação do tema de Zuenir Ventura termina aqui. Isso porque o ano de 1968 do Zuenir Ventura um dia irá acabar, mesmo que falemos isso num momento em que ele parece renascer…

Mas o ano de 1968, ano da Turma Martin Luther King Jr., esse jamais passará. Isso porque:

– os laços que vocês criaram jamais passarão;

– as vidas que vocês impactaram e continuarão impactando, jamais esquecerão de vocês;

– a admiração que vocês despertaram jamais cessará;

– o convite a ousadia a uma perspectiva ministerial a-sistêmica; para-sistêmica, para sempre persistirá;

– a morte não tragará a vida, nem tampouco obliterará a memória de vocês. Uma vez ousados na História, para sempre lembrados serão por ela.

– MESMO PORQUE A VIDA NÃO ACABA QUANDO A MORTE CHEGA.

– E ASSIM SE REPETE O DIZER ESCRITURISTICO NA TURMA MARTIN LUTHER KING JUNIOR:

ESSAS COISAS “SERÃO CONTADAS PARA MEMÓRIA DE VOCÊS” (Mt. 26:13b)

Que Deus abençoe suas vidas e a santifique a memória de vocês!

[1] Discurso proferido na Capela do Seminário Batista do Sul do Brasil por ocasião do Jubileu de Ouro de formatura da Turma Dr. Martin Luther King Jr. – 1968-2018.

[2] Você pode acessar esse discurso pelo link: http://www.prazerdapalavra.com.br/component/content/article/1332/1050-darci-dusilek-discurso-de-orador-da-turma-martin-luther-king-jr-do-stbsb-proferido-no-dia-30-de-novembro-de-1968-.html

novembro 22, 2018

“GUARDA-ME Ó DEUS, PORQUE EM TI CONFIO” (Salmo 16:1)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:57 am
“GUARDA-ME Ó DEUS, PORQUE EM TI CONFIO” (Salmo 16:1)
Diz minha mãe que quando era bem pequeno, recitava esse verso na frente da igreja. Sinceramente não tenho essa lembrança quase arquetípica…rsrs. Mas o fato é que esse verso tem sido a renovada e sincera oração de muita gente toda manhã, especialmente nos grandes centros imersos na violência que estão. Num tempo atribulado como nosso em que as mais variadas formas de violência são toleradas e praticadas (cujo maior exemplo são as fakenews, um tipo de violência produzido em “laboratórios de informática”), vale a pena relembrar o ensino do salmista.
A primeira coisa que chama a atenção é que provavelmente esse salmo foi escrito num raro momento de calmaria na vida de Davi. Alguns estudiosos vêm semelhança no texto do Salmo com o cântico e oração de louvor que Davi fez ao Senhor ao ser ungido rei (II Sm.7:18-29). Se assim foi, por que então essa abertura pedindo para Deus o guardar? Para mim Davi sabia da fragilidade da vida, dos muitos imprevistos que nela acontecem, e também das violências que cercam alguém que é investido de poder e visibilidade. Nesse sentido, sua oração expressa um desejo de renovo nesse pacto de proteção. Afinal, não precisamos da proteção de Deus todos os dias?
A segunda coisa é que Davi não apresenta nenhuma razão objetivável para que Deus o guardasse. Talvez isso indique para nós que nossa relação PARA com Deus não se dá através de provas, de persuasão, de convencimento do divino. Não! A única coisa que podemos apresentar diante de Deus é a nossa miserabilidade, nossa necessidade, nossa criaturalidade, nossa dependência! É isso que Davi fez ao dizer que a única razão para Deus o guardar era a ausência total de motivos: “guarda-me ó Deus, porque em ti confio”. Ele afirma sua fé em Deus num mundo imprevisível no qual ele vivia. Ela afirma sua esperança em Deus em meio a desesperança gerada pelo avizinhamento da morte.
Deus respondeu a Davi e atendeu seu pedido por Graça. Não se compra, nem se convence o favor divino; GRAÇA SE RECEBE.
Por fim há um terceiro aspecto há ser mencionado. O criterioso exegeta André Chouraqui menciona que esse Salmo é um dos “michtan”  que quer dizer grafado, possivelmente em pedra e talvez com as letras desenhadas a ouro. Isso nos remete a existencial necessidade de que certas verdades precisam ser de tal modo preservadas em nossa vida que jamais o tempo ou qualquer outra coisa consiga apagá-las. Certas verdades, inclusive, merecem ser grafadas a ouro, tamanho o valor intrínseco que elas têm. Sim, há palavras bíblicas tão especiais que elas nos sustentam, isto é: não somos mais nós que a carregamos, mas sim elas é que nos carregam. Não é essa a figura do próprio Evangelho (Mt.13) que brota como semente e cresce como “árvore”?
Nesse dia de gratidão a Deus, gravemos no nosso coração que Ele nos guarda. Gravemos as muitas experiências de livramento. Grafemos com ouro que Sua Graça se dá manifesta por deliberada vontade e amor dEle e não por conquista nossa. Gravemos, grafemos e experimentemos que nele está “a vereda da vida, a plenitude da alegria” (Sl.16:11).
(Devocional escrita em homenagem à querida irmã Lília Damasceno)
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Pr. Sérgio Ricardo Gonçalves Dusilek
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