Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 7, 2018

A novidade é divina

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:02 pm
“Cantai ao Senhor um Cântico Novo” (Sl.96)
Um dos maiores equívocos que são cometidos contra a visão de um relacionamento com Deus é atribuir a Ele e a este relacionamento uma chatice. Não, meus queridos e queridas, Deus não é chato nem tampouco a nossa amizade com Jesus. Chatos somos nós. Não somos nós que carregamos Deus nas costas… É Ele quem nos carrega nos braços (João 10, Lucas 15). Guarde bem isso: a mesmice é religiosa; a novidade é divina.
O salmista ao falar do cântico novo nos remete à novidade que perpassa o relacionamento com Deus. Isso porque todo dia é dia de conhecer mais um pouco desse Deus insondável… Conhecemos na leitura da Palavra; aprofundamos nosso conhecimento pelas experiências de fé, pelo incremento da nossa confiança em Deus.
O cântico é novo pois embora os dias pareçam iguais devido à nossa rotina, a mesma que faz com que não percebamos que o tempo está passando, eles são diferentes. Gosto das fotos da Carol Ferraz, pegando o dia amanhecendo na praia do Recreio: elas são sempre diferentes. E isso não é por conta de recursos tecnológicos para melhorar a foto; na verdade o amanhecer de Deus não precisa ser melhorado… ele já é lindo, perfeito. Ele é perfeito também na sua simbologia: o amanhecer traz a alegria (Sl.30:5), e renova sobre nós o amor Deus (Lamentações (como lamentar isso???) de Jeremias 3:22-23). Cada raio de sol, cada gotícula de chuva, cada brisa deveriam ser celebrados e recebidos como sendo Deus nos tocando.
O cântico é novo porque há um novo dia para ser vivido. Não só um novo dia, uma nova vida. É Deus quem torna tudo novo (II Corintios 5:17). A moda repagina, os softwares atualizam, mas Deus é quem faz tudo novo. Pega memórias amargas e as ressignifica; transforma a dor da saudade em doce memória. Abre novos horizontes para quem viu a vida fechar as portas.
Para quem celebra esse Deus que nos faz cantar um cântico novo, nenhum amanhecer é igual ao outro, assim como nenhum dia se torna cópia do que passou. Há sempre uma “ponta” dEle, uma novidade para nós. Nenhum culto se torna igual ao outro. Nenhum cântico continuado como se fosse um mantra num ato religioso se torna mera repetição. Tudo é novo nEle, com Ele e para Ele.
VIVA A VIDA! VIVA A NOVIDADE DA VIDA! CELEBRE A DEUS COM CÂNTICOS NOVOS.
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janeiro 2, 2018

COMO SERÁ O ANO DE 2018?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:22 am
2018, 18, 8, 8, 8, 8, …
Calma, não virei “pai Dinei”. Contudo, após virarmos o ano, a expectativa e a curiosidade tomam conta do nosso coração. Não nos é possível saber do amanhã, como já dizia a poetisa popular: “Como será o amanhã, responda quem puder; o que irá nos acontecer? (…)”. Se não vaticinamos sobre o amanha, podemos nos preparar para ele. E nada como encará-lo com fé: fé como motivação, como ânimo: fé como confiança em Deus, como repouso no amor e acolhimento divino; fé como crença nEle e no Seu poder.
Na comunidade de fé que faço parte (Igreja Batista Marapendi – http://www.igrejamarapendi.org.br) iniciarei o ano pensando no privilégio do RECOMEÇO, na oportunidade que temos de recomeçar, de construir uma nova história. É por isso que iniciarei uma série de meditações baseadas em Neemias. Que tal olharmos para a vida deste servo de Deus do passado e aprendermos algo para nossa vida hoje? (Começa domingo, às 11:00hs).
Foi com esse intuito que selecionei algumas, das muitas frases impactantes sobre fé de um falecido pastor americano, autor este que está na minha lista pessoal de preferências. Falo de Harry Emerson Fosdick, e do seu livro “The Meaning of Faith”. Extraio, então, algumas afirmações sobre fé feitas por Fosdick com o intuito de que tais conteúdos, espirituais e bíblicos que são, alimentem e preparem sua alma para o ano que se inicia. Se posso sugerir uma coisa; pegue cada expressão desta abaixo, anote e medite nela em cada dia dessa semana.
1) “Há certas características no ser humano que tornam impossível a vida sem a fé”
2) “O ser humano não pode viver sem fé, porque seus objetivos não estão restritos ao seu passado, que ele conhece, nem tampouco ao seu presente, o qual ele pode ver; mas suas metas estão sobretudo no futuro, em cujas possibilidades ele deve crer.”
3) “Nós sabemos não somente quando chegamos (quando alcançamos uma meta), mas também enquanto nós cremos.”

4) “O homem não pode viver sem fé, porque a aventura que é a vida requer não só coragem para alcançar o que se deseja, mas paciência para permanecer e esperar, e toda paciência sem problemas é fundada sobre a fé” (Harry Emerson Fosdick – The Meaning of Faith, p.6). Para Fosdick, a “coisa mais difícil no mundo é esperar”.

5) “Os grandes crentes tem sido aqueles que são incansáveis ao esperar; fé significava para eles não uma opinião controversa sobre algo, mas um poder sustentador.”
6) “Sem fé não é possível compreender o total da criação. A fé está na origem e no destino da vida. A fé sempre vê mais com seu olho que a lógica pode alcançar com sua mão
7) “É pela fé que nos apropriamos das mais ricas experiências da vida. Sempre que na vida grandes valores espirituais esperam pela sua apropriação pelo ser humano, é somente pela fé que eles serão apropriados.”

dezembro 29, 2017

Novo Texto…

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:15 pm

https://revistas.pucsp.br/index.php/teoliteraria/article/view/32814

dezembro 13, 2017

IMAGÉTICA DO NATAL (Lc.2:1-7)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:30 pm
Nesse período de tanta correria e de tantos encontros, de tantos compromissos sociais, de almoços e jantares, de compra de presentes, de camaradagem, gostaria de evocar três imagens do primeiro Natal para que elas falem poeticamente ao nosso coração.
A primeira delas é a da vila de Belém, que em Hebraico quer dizer “casa do pão”. Sim, Belém já tinha sido descoberta pelos portugueses (rsrs!). Imagem rica de significado pelo sentido missional de Jesus: Ele se anunciaria como o Pão da Vida (João 6). Entretanto, a imagem é mais rica pela proximidade. Ela não só aponta para um Deus que vem do céu para habitar nesse “mundo vil”; ela mostra que Jesus, este que percorreu esta distância “intergalática” está disposto a caminhar mais algumas léguas, kilometros para nos alcançar, para estar conosco. Ele vai até a nossa Belém, mostrando que não é o que chamamos de pão que nos alimenta, mas sim Ele, o Pão da Vida é que nos sacia.
A segunda imagem é a do Presépio, calcado na ideia de estrebaria, a “ESTAPAR” daquele tempo. Os mais possantes cavalos e outros bichos eram deixados lá, enquanto seus donos estavam na estalagem. A estrebaria traz a bela, bucólica imagem da criação divina recepcionando Seu Criador. É uma imagem da harmonia, da paz, da utopia do Reino (Isaías 11:6-9), que tem seu Início, mas não seu cumprimento cabal, com o nascimento do Messias, de Jesus. Olhe as relações tipificadas no presépio; olhe para as relações qualificadas na profecia de Isaías; agora se pergunte: não é isso que eu e você queremos em nossa casa, para o nosso convívio? Não desejamos essa fraternidade que nasce a partir e em volta de Jesus e que engloba tudo e qualquer espécie?
Por fim a imagem mais linda, mais tocante: a do bebê Jesus. Um Deus que se faz bebê é totalmente diferente do panteão grego que fazia bebês com DNA divino em relações com mulheres. O Deus que se faz bebê é o Deus que se fragiliza, que se mostra fraco. E ao fazê-lo, ele se identifica com nossas fraquezas (Hebreus 4:15-6; 7:28). Deus se fragiliza pelo Amor, pela sua misericórdia. E o faz em favor do ser humano. O nosso amigo Jesus é aquele que deixa o mais alto céu, a mais elevada posição no Cosmos, em prol da vida. A vida vale mais: mais do que nossa formação; mais do que nossa herança educacional ou mesmo teológica.
Que seu Natal seja assim: próximo, mas tão próximo de Deus que você ceie já saciado; que haja tanta paz, tanta fraternidade na sua casa e com os seus como o que exala a figura do presépio; que a fraqueza de Deus, seu amor por nós, nos guie para uma vida e uma cosmovisão que contemple a fragilidade, não só da nossa vida, como principalmente a do nosso próximo.
Abençoado Natal!
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

Igreja, esse assunto que ainda me “mata”…

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:39 pm

Por vezes me pego pensando sobre a Igreja, essa paixão existencial e temática que continua me arrebatando e, porque não dizer, me arrebentando… Olhando para a Igreja hoje, nem de longe gostaria de ser o Senhor dela. Acho até que Jesus está numa nova via cruz…

Há de tudo hoje. Igreja corporativa (pastor é o gerente, Diretor…Presidente!), igreja tribo, igreja terreiro (não tem diferença alguma do culto dela para a cerimônia do Candomblé, por exemplo), igreja pra lá de ortodoxa, igreja reformada, igreja em construção, igreja sem construção; com propósito, sem ele; igreja estilista, com vários modelos: o de luta (“MMA”), o do paradoxo (implanta o grupo e reforça a individualidade (deveria chamar tecido e não célula); igreja para nichos de mercado (black church; gay church; surf church; piercing church, etc.); igreja tradicional, contemporânea, ultra-contemporânea, e psicodélicas; igreja salada (tem um pouco de tudo: do chuchu ao tomate, do agrião ao jiló); igreja avivada, igreja sem vida; igreja hospital (aquela que você fica o tempo necessário para ficar bom, e depois sai fora); igreja inclusiva, exclusiva, exclusivíssima (“prime”)… o que mais?

Fato é que esses diversos modelos, formas de ser igreja, apontam para a diversidade da própria Igreja, a qual também é encontrada nos modelos de Igreja do Novo Testamento. Nenhuma das Igrejas lá mencionadas são iguais: Filipos não é igual a Éfeso, que por sua vez difere da de Tessalônica. Todas plantadas pelo missionário Paulo; todas diferentes. A cultura da cidade, a forma como as pessoas receberam o evangelho, foram determinantes para o que elas vieram a se tornar. Em comum, então, além (nos exemplos citados) do plantador, o cerne da mensagem cristã, e a certeza de que todas elas eram inacabadas. Por melhor que fossem, eram imperfeitas.

Essa diversidade eclesiástica deveria nos fazer reconhecer o caráter inclusivo da Igreja de Jesus, bem como sua atual falha em SER IGREJA. Ora, se são criadas igrejas para nichos de mercado (vamos pegar um caso mais pacífico para nos ajudar a refletir, a turma do surf), é em parte porque as demais Igrejas existentes perderam sua condição inclusiva. Deixaram de acolher o diferente e as diferenças. Se petrificaram com o tempo (uma tendência natural em todo organismo social e que já começa a atingir, por exemplo, a Bola de Neve), perdendo aquela leveza e suavidade, aquele frescor espontâneo do primeiro momento, do primeiro amor.  Não sei se deixam de ser igreja… mas com certeza já não é mais a Igreja que Jesus sonhou.

Esses modelos afetam a vida e a visão pastoral. Ao invés de serem pastores, de conviverem com as pessoas (ovelhas), eles passam a cumprir papéis organizacionais. Passam a ser avaliados pelos padrões da administração e não da ministração do Espírito. Se debatem com metas, com cobranças, com equilíbrio de forças antagônicas, ora agradando aqui, ora agradando ali. Sua alma, que deveria ser lugar de descanso para busca de pastagens, se torna seca, árida. Ao cumprir outros papéis para os quais não foram chamados, os pastores perdem muitas vezes a visão, o espaço e o renovo do Espírito. Ao serem cobrados por coisas que nada tem a ver com o ministério pastoral e ao serem injustiçados nas, quem sabe, “raras” vezes que conseguiram ser de fato pastores, se sentem desestimulados, cansados, abatidos, perplexos e por vezes exauridos a ponto de não verem mais sentido na própria vida. Sim, o número de pastores que tem pensado e praticado o suicídio é crescente. Mas também, como seguir na vida se essa vocação que toma conta por completo do coração (falo da vocação pastoral), passa a não mais fazer sentido?

Os modelos trazem outra coisa: as adequações, as concessões, não ao que deve ser a Igreja, mas àquilo e àqueles que lutam para que a Igreja não seja aquele grupo heterogêneo formado por pessoas que seguem a Jesus de Nazaré. As cobranças por atitudes, por exclusões de pessoas que pecam ou pensam (ou ainda pecam porque pensam) diferente de nós. Sim: o pecado insuportável é o do outro, principalmente quando ele aponta para a projeção que faço nele…

Ao serem absorvidos por papéis organizacionais, burocráticos (que numa certa dimensão fazem parte também da ação pastoral), pelo atendimento de metas e expectativas que não são a do Espírito, por expectativas denominacionais, os pastores deixam de ser pastores. Isso porque o pastorado existe no binômio com rebanho. Se você é pastor de igreja e cuida só das paredes do templo e não das pessoas, sua atividade deixou de ser pastoral. Talvez aí esteja um indicativo, um termômetro: quando a igreja precisa de uma reforma, de uma expansão, e você se vê absorto em problemas administrativos, sem tempo de cuidar e estar com as pessoas, isso dá uma agonia na alma, por se sentir preso à estas questões? Ou você fica feliz, se sente livre? Dependendo da resposta talvez sua vocação seja outra que não a pastoral.

Pastoreio com outros dois amigos a Igreja Batista Marapendi (www.igrejamarapendi.org.br). Ela não tem muitos membros. Não está explodindo em números, mas acho que explode em respeito a diferença. Lá temos amilenistas e pré-milenistas dispensacionalistas, destes que oram e vibram pela decisão do Trump em reconhecer Jerusalém como capital do Estado de Israel; temos gordos e magros; secundaristas e doutores, graduandos e mestrandos; temos gente mais abastada e com menos recursos; que trabalham em multinacionais, que são militares, que tem negócios próprios; engenheiros, médicos, administradores, professores, trabalhadores do judiciário, funcionários públicos e da iniciativa privada, dentistas, pesquisadores, advogados. Temos também noivos, casados de pouco tempo, casados de muito tempo; jovens, adultos, crianças e anciãos; temos eleitores de Bolsonaro e de Molon; gente que é fã do Moro e gente que é fã do Lula; gente que vai de bermuda e de calça tergal; gente teologicamente mais progressista, gente que pende para o neopentecostalismo, gente bem mais conservadora, quiçá fundamentalista. Temos gente de berço evangélico bem como oriunda de outras tradições religiosas; gente bem humorada e mal-humorada; pessoas de espírito leve e outras de alma pesada; é, temos também gente chata; gente que teve pais boníssimos, gente que teve pais dificílimos; gente com muitos traumas, e outros quase sem nenhum; gente adequada à “heteronormatividade” e gente em tensão com sua sexualidade; gente tatuada e gente com pele de bebê; gente de diversas cores, etnias; gente quebrada pela vida; gente restaurada pelo Evangelho. TEMOS GENTE.

Talvez você se pergunte: mas como ser Igreja desse jeito? Eu lhe respondo: tem como ser Igreja de modo diferente? Igreja é lugar de Gente. E o pastorado? É a dimensão do cuidado das pessoas. Nós não tratamos e não lidamos com esterótipos, com classificações como as que citamos acima. Nós lidamos com GENTE. Como pastor, aprendi isso com meu pastor em Belo Horizonte, o mesmo que confiou a minha recomendação ao Seminário do Sul em 1995, que sou zelador da Paz na Igreja. Isso não implica num “monismo” eclesial, mas na sabedoria para entender o tempo e a convicção para implementar mudanças, quando necessárias. Sobretudo, pregar o Evangelho, não o que dizem ou achem sobre ele, mas o que Jesus falou e exemplificou.

Por fim, não trocaria a experiência pastoral de Marapendi por outra qualquer, sem que fosse preservada duas coisas: a certeza do querer de Deus para esta mudança [por isso até hoje nunca pedi indicação, nem pedi para me arrumarem ministério em lugar algum, nem tampouco distribui currículo (???!!!!) para comissões de sucessão que abriram o processo de escolha de um novo pastor com tal expediente. Não devo favores; tenho gratidão] e a convicção de poderei continuar a ser pastor, estar com gente, convivendo com as diferenças, respeitando as discordâncias, sem abrir mão da convivência e da Unidade. Aliás, quer saber se Jesus está numa Igreja (além da promessa escriturística que Ele fez de onde estiverem dois ou três reunidos no seu nome…)? Veja se ela é muito diferente. Se for, se andar unida, se houver amor, mesmo com tanta diferença, é porque Jesus está ali, no meio (Mateus 26:56b) dessa comunidade.

É só por Ele; É só com Ele; É só para Ele.

Beijão.

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

dezembro 11, 2017

O que está acontecendo com a CBB?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:45 am

O que está acontecendo com a liderança da Convenção Batista Brasileira (CBB)? Esta pergunta não vem sem propósito: já faz alguns anos que a pauta da CBB, que por muitas vezes foi marcada por questões maiores, se apequenou de vez. A última foi a campanha lançada estimulando os membros das Igrejas Batistas a irem para suas igrejas vestindo azul, no caso de homens, e rosa, no caso das mulheres. O objetivo, segundo o atual presidente da CBB, seria o de “fortalecer as nossas famílias através da cosmovisão cristã e promover os princípios bíblicos não disseminando ações preconceituosas e discriminatórias, mas reafirmando os valores divinos com o propósito de transformar pessoas por meio do Evangelho” (site da CBB). No bojo desta campanha ainda está a noção de que:

  1. “Os argumentos ideológicos de gênero, não se sustentam e nem encontram respaldo apresentados nas narrativas bíblicas;”
  2. “Entendemos que o Evangelho e seus princípios são superiores à cultura e que esta deve ser compreendida à luz da essência da Bíblia” (site da CBB)

Já de antemão se percebe a contradição da proposição: ora, se é feita uma campanha que busca reafirmar uma crença, um valor, postura que é legítima para qualquer grupo social, necessário é reconhecer que automaticamente se reforça uma barreira cultural, pois tal atitude se torna discriminatória e reforça os preconceitos. Não há como se insurgir contra uma “concepção cultural” sem que se reforce linhas preconceituosas.

Não é só isso. A cultura, negada em alguns momentos na declaração do presidente da CBB, é reforçada em outros. Usa-se cores culturais para marcar o protesto. Chama-se de “argumento ideológico de gênero” àquilo contra qual se combate, sendo que diversos pesquisadores rechaçam a terminologia “ideologia de gênero”, o que demonstraria, ou um preconceito, ou então um desconhecimento da causa contra qual se procura combater. Em ambos os casos, a melhor posição seria o silêncio.

Perceba uma coisa: sou contra a escola dar direcionamento à sexualidade das crianças. Quem faz isso é a família. Contudo, sou a favor que a escola esclareça as diferenças e promova a convivência. A escola não deve ser local de massacre ideológico, nem para um lado, nem para o outro. Minha filha, hoje com oito anos, precisa aprender a conviver com o diferente e não só com os iguais, uma vez que o mundo é plural, embora alguns preferissem que ele fosse “singular”.

Essa campanha é eivada de equívocos. A começar pelo desconhecimento do “inimigo” que se propõe a combater. Parece que a liderança da CBB se recusa, ao elencar um inimigo de muros intransponíveis, de atender à recomendação divina de dar sete voltas ao redor dele (Josué 6).

Em segundo lugar esquece-se do seu papel e quem a compõe. A CBB é composta de Igrejas Batistas. Os filiados são as Igrejas. Quem recomenda participação nas Assembleias da CBB como mensageiro, é a Igreja. Ao promover uma campanha que busca vestir o membro a Convenção ultrapassa a barreira que ela mesma se propôs ao se constituir. O convite deve ser às Igrejas e não aos batistas.

Em terceiro lugar, ela cria uma série de dificuldades. Para muitos o ser batista é acatar no todo qualquer palavra da CBB. Há muita confusão sobre a relação da Convenção com as Igrejas, que não é de SUBORDINAÇÃO, mas sim de COOPERAÇÃO. Além disso há muita “medição” da “batistice” dos outros através de instrumentos menores como o uso de determinada cor na vestimenta do domingo. Ser batista é trabalhar num ambiente plural. Aliás onde há univocidade, desconfio que a “alma batista” desencarnou. Isso porque o governo democrático, apregoado por congregacionalistas como nós, nos impele a essa respeitosa convivência. Fico preocupado quando vejo colegas que aderiram a tal campanha indagar ou mesmo convidar os demais que não o fizeram a deixarem a CBB. Ora, a CBB se tornou uma ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana)? Somos obrigados a cumprir as decisões da “cúria batista”?

Tenho que mencionar ainda que a discordância com a campanha não quer necessariamente dizer que as pessoas sejam simpáticas à postura que se tenta combater.  Nesse sentido, a discórdia aqui envolve vários tons e não só as duas cores da atual gestão da CBB: a) há o tom da discórdia da agenda, pois há coisas mais importantes sobre as quais a CBB precisava se posicionar, mobilizar e protagonizar (reforma da previdência é um exemplo); b) a contaminação do “santo” dia da bíblia com outro aspecto que parece estranho a ele; c) a preocupação do empobrecimento da visão do texto bíblico, sim, porque esse tipo de campanha não o valoriza/resguarda, mas o diminui; d) a preocupação pastoral, com pessoas que lutam com aspectos da sua humanidade, tanto no tocante à sua aceitação, quanto no tocante à aceitação comunitária; e) a falta de empenho na busca de soluções para problemas intestinais da CBB, com consequente adesão às pautas que funcionam como cortina de fumaça; f) perda do espaço dialogal com a sociedade; g) perda da dimensão da Graça na pastoral por conta daquilo que Tillich corretamente chamou de moralismos, entre tantos outros fatores. Em suma, a discordância não implica em assunção existencial de uma pauta. Pode simplesmente indicar uma ação/preocupação pastoral.

Confesso que seria mais fácil atender a campanha da CBB. Das dez camisas que tenho, 6 são azuis e somente 1 rosa. E dei sorte dela não estar lavando… Eu a vesti em discordância com a CBB, com essa agenda diminuta, com esse paradoxal apequenamento que demonstra uma liderança tão inteligente (sim, meus queridos, tanto o presidente como o 1o vice-presidente da CBB são inteligentíssimos; daí a paradoxalidade). Eu a vesti em favor daqueles que sofrem com sua condição sexual rotulada culturalmente como não normal. Eu a vesti contra o preconceito, que também está em mim, e contra o qual luto a cada dia. Eu a vesti em favor do diálogo. Não se salga uma sociedade botando sal colorido (azul e rosa) no saleiro. Se salga no contato com pessoas que são e pensam diferente de nós. E isso só se consegue com a construção de pontes (como bem disse meu amigo Marcelo Madeira) e não erguendo muros.

Por fim, cabe dizer que o que se espera de uma liderança é que ela não encampe toda e qualquer campanha que surja. É preciso saber dizer não. Nós estamos como na época da Ditadura Militar, no seu último período, o do governo do General Figueiredo. Época em que o Brasil tinha inúmeros problemas (voltamos aos anos 80) e período em que os Batistas apoiavam integralmente um modelo ditatorial por conta de um vazio pronunciamento contra à chamada “imoralidade sexual”. É interessante… toda vez que o país mergulha num caos, num abismo sem fim (quer maior prova disso do que o aumento do gás de cozinha em 70% num período de 6 meses?!! E estamos em deflação??), tempo de grande desafio para as lideranças (sem dúvida), elas se apequenam sobre temas de moralidade sexual. Tantas coisas para serem denunciadas, que afetam, que destroem as famílias, pela fome, pela falta de saúde, mas a única coisa que se vê é a dimensão sexual… Será que a perplexidade cegou a atual liderança?

Promova campanhas para fortalecer, para salvar as famílias. Faça pronunciamentos contra a insensatez desse governo que diabolicamente espolia, dia após dia, os pobres deste país (Ezequiel 16:49). Promova uma nova ida às ruas, contra o governo corrupto do PMDB; ou só a esquerda que não pode ser corrompida? Promova campanhas que defendam seus ideais, mas comecem pela justiça e pela misericórdia (Mateus 23:23), antes de falarem sobre as demais coisas. Promova a identidade batista, seu governo congregacional e autônomo afastando esse ideal imperialista (totalmente estranho ao espírito batista) de abrir filiais da igreja matriz. Denunciem a assunção da temática neopentecostal nos cultos e púlpitos batistas, o que tem contribuído para o aumento dos desigrejados.

Termino dizendo que estou preocupado com esta sombra, com esta mortalha que está sendo colocada sobre o Brasil, sobre o Rio e sobre a denominação Batista. A impressão que tenho é que estamos andando a galope rumo a um passado que não é nosso, ao caminho da Inquisição. E ao chegar lá descobriremos, como batistas, que nos tornamos outra coisa. Algo muito distante do divino propósito para o qual creio que Deus permitiu que fôssemos criados. A denominação que ajudou a difundir a liberdade de consciência, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão; o grupo que melhor encampou a liberdade, fruto da Graça cristã, está se tornando cada vez mais pejorativamente severo, parecendo o Calvinismo da época do Iluminismo que ironicamente foi denunciado por Voltaire em suas Cartas Inglesas.

A única esperança que tenho, é que as vozes dissonantes deste movimento monolítico, legalista que aí está, se façam ouvir nas Assembleias da CBB. É nesse sentido que penso em retornar ao convívio desse ambiente. É o que sugiro a você também. A chance de uma mudança é quase nula. Mesmo assim cabe a nós fazer ecoar a voz do Espírito, ainda que seja para juízo de um grupo tão especial como é o Batista.

Em oração,

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

(http://www.convencaobatista.com.br/siteNovo/pagina.php?NOT_ID=78)

novembro 26, 2017

APROXIMAÇÕES E DISTENSÕES ENTRE AS PRISÕES DE PAULO (At.28:1-10) e SÉRGIO CABRAL

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:35 pm
Doeu ao ler? Pois é… ainda mais depois dessa semana em que vimos um presidio nababescamente organizado por uma quadrilha… só que do colarinho branco. Quem não ficou pasmo em saber que os melhores pratos, camarão (?!!!), queijos e vinhos (rolava fondue???) estavam lá a disposição daquela turma que espoliou o Estado do Rio. De repente o presídio virou SPA… colchões das olimpíadas, “sala de cinema” (caso em que duas igrejas foram envolvidas), entre outros.
Mas o que isso tem a ver com Paulo, o apóstolo?
Certa vez, num naufrágio anunciado (nem todos os barcos afundam por falta de aviso – Atos 27), perto da Ilha de Malta, Paulo que era transportado como prisioneiro para Roma, assim como outras pessoas, entre tripulantes, passageiros e prisioneiros, foram “cuspidos” pelo mar na praia. Perceba que aquela praia não era a deles, mas eles foram levados para lá. Assim acontece conosco: os nossos insucessos nos levam para outras praias que não são as nossas. Porém, nesse movimento, a vida continua.  Enquanto Cabral e outros lutaram pela praia chamada Palácio da Guanabara, Paulo foi levado contra-vontade para aquele lugar. Era um preso sofrendo o frio, enquanto Cabral, ao que parece, experimenta o calor de Benfica. Aproximação e distensão primeira.
Paulo e Cabral possuem em comum o tema da corrupção (I Cor.15). Só que Paulo era um agente para remover a corrupção do mundo. Ao pregar o Evangelho, ele anunciava com esperança a certeza do fim da corrupção. Já Cabral… sua vida política, ao que tudo indica, se resume em ser agente da corrupção. Sua tratativa é para espalhar a corrupção em tudo que toca. Se com Paulo em Malta a serpente veio inocular seu veneno sobre ele, no Rio, Cabral foi a serpente que inoculou esse veneno em toda estrutura estatal. Aproximação e distensão segunda.
Paulo e Cabral receberam honras das autoridades. Só que o primeiro como fruto da gratidão pela benéfica e servil intervenção na vida das pessoas daquela comunidade, a qual muito bem acolheu os náufragos daquele navio (a Bíblia não diz que “Wilson” estava ali…rsrs!). Já Cabral, suas honras e privilégios são oriundos dos acordos prévios, do temor por sanções que existe em pessoas que lidam com esse tipo de gente. O povo nativo acolheu Cabral em 1500 e repetiu a história na década de 90 e nos anos 2000… uma ingenuidade indígena, a mesma que existia em Malta. Ingenuidade que permitiu ao povo de lá ser abençoado, receber a visitação de Deus pela vida e ministério de Paulo; ingenuidade historicamente repetida que nos tornou, nós que habitamos nessa terra, em alvo de espoliação de caravelas portuguesas. E esta foi a terceira aproximação e distensão.
Uma vez preso em Malta e retomando a viagem para Roma, Paulo foi abastecido pelas autoridades. Ofertaram víveres, roupas, lanches para a viagem. Houve gratidão de Malta pela passagem (acidental???!!!) de Paulo. Seu impacto foi sentido até mesmo entre as autoridades. Já Cabral… uma vez preso, foi abastecido por conivência das autoridades. A gratidão faz com que as coisas sejam feitas sob a luz; a conivência, pelos caminhos da escuridão. Paulo não exigiu, recebeu; Cabral manipulou para que tivesse o que queria, assim como fez como político. Com esta quarta distensão e aproximação termino as comparações.
Veja: o caminho do servo do Senhor, preso injustamente por conta da Justiça de Deus, torna tudo significativo, celebrativo. Tudo é espaço, ocasião para seguir ministrando a vontade do Senhor, para cumprir seu querer até mesmo em praias estranhas. Já os que merecem sua condenação e não choram seu pecado… seguem “quadrilhando”, envolvendo gente santa e boa de dentro da cadeia. Até em Malta, Deus manifestará sua provisão, sua Graça abençoadora.
Com Carinho,
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

novembro 23, 2017

Longe da Cruz

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:31 pm

Já tive época que achava que dos quase 3500 participantes do meu facebook, uns 400 seriam meus amigos. Não eram. A vida se encarregou de mostrar que daquela leva, uns 20, 30 (talvez) realmente o foram e são. Isso porque o que o facebook e eu temos uma classificação diferente para o caro termo amigos… Amizade me lembra Jesus; no facebook lembra uma fotinho de gente conhecida (ou não!??).

Me acomodei aos amigos que provaram assim ser, bem como a outros que Deus trouxe para perto. Celebro esses menos de 50, mas sabendo que a ferro e fogo, devem ser uns 10… Agradeço a Deus por cada amigo, desde os “perfilizados”, aos demais que embora possuam identidade não se deixaram enquadrar num “perfil”.

Hoje fiz um comentário a partir de um post de um amigo/conhecido, não sei dizer bem, a quem muito quero bem. Minha pergunta, que ao leitor incauto poderia parecer óbvia, era mais sutil, uma vez que gostaria de verificar se a percepção que tive do texto escrito por um conhecido pastor presbiteriano, estava correta. Lá pelas tantas, sucedeu o seguinte diálogo (vou chamar o altercante de pacato):

[PACATO: Caracas ainda tem gente que tem dúvidas sobre o texto acima. Ta vivendo onde? Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Rio de Janeiro.

 PACATO:  Ta explicado
 PACATO:  não ,to brincando, entendo que pessoas que não são evangélicas têm dificuldade em entender as coisas de Deus, e todos tem meu respeito.
 Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Depois vc me explica, por favor, como se conjuga “respeito” com o “tá explicado” acima…
 PACATO: com pedido de desculpas sinceras, pensei que o Sr. fosse evangelico. Perdão mesmo.
Sergio Ricardo Gonçalves Dusilek Não entendi… Se eu for evangélico mereço desrespeito?]
Por que trago e acentuo esse diálogo aqui? Para simplesmente realçar que essa massa evangélica, que faz o CENSO andar na casa dos dois dígitos, está no mínimo adoecida. As pessoas, como o “Pacato” acima, se identificam como evangélicas, com uma denominação (no caso Batista), mas a sua abordagem pouca identidade tem com o modo exemplar de ser de Jesus, a quem temos por CRISTO.
Como bem diz Clemir Fernandes (não me refiro especificamente ao caso acima, mas a inúmeros outros por aí), se anteriormente precisávamos (segundo os mais conservadores) pregar o Evangelho para os cristãos (por ser a maioria da população católica), agora precisamos pregar o “Evangelho para os evangélicos”.  Sobra intolerância; falta amor; transborda “verdade”, mas cada vez mais carecemos de “sentido”; temos cada vez mais gente (os templos vão sendo ampliados) e cada vez menos comunhão…
O fato é que me parece que os evangélicos estão descuidando de duas marcas caras ao cristianismo: o cuidado com o outro e o cuidado com o estudo. Há um processo de animalização e de certa demência em curso. Uma preguiça intelectual aliada a uma disposição midiática é facilmente percebida em uma simples incursão nas redes sociais.  Não sei onde vamos parar; só sei que é distante da Cruz.
Preocupado,
Pr.Sergio Dusilek
sdusilek@gmail.com

outubro 30, 2017

GLÓRIA SOMENTE À DEUS.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:24 pm
“Portanto recebei-vos uns aos outros, como também Cristo nos recebeu, para glória de Deus.” (Rm.15:7)
Essa é uma das cinco afirmações basilares da Reforma Protestante. Uma das menos lembradas, faladas, mas ela compõe esse pentágono de teses principais pelas quais eclodiu o movimento reformador. Num momento em que a Igreja se apresentava como a Glória de Deus, como uma máscara gloriosa da Presença de Deus na Terra, coisa que podia ser visto na suntuosidade e vultuosidade de suas construções e projetos de catedrais, como a Basílica de São Pedro; numa época em que os emissários “de Deus” tinham o interesse em brilharem (o termo glória é isso, fulgor, brilho intenso) mais do que Aquele que os iluminava, mais do que o próprio Senhor, você pode imaginar o impacto que esta afirmação teve. E eu emendo: continua tendo!
Mas por que ela é necessária nos nossos dias?
Bom, a Glória de Deus continua sendo obliterada pelos ministérios desenvolvidos em nome dEle. Templos suntuosos que não abrigam a Glória de Deus mas o ego dos pastores presidentes. Ministérios que não apontam para Jesus porque são narcisísticos demais para se voltarem para qualquer outro lugar que não seja o próprio umbigo. Sim, nós precisamos revisitar o propósito da vida: a glorificação a Deus!
Contudo, a Glória de Deus não está perdida somente entre os líderes religiosos. Ela encontra esse paradoxal “eco de sua mudez” na vida de muita gente boa. Gente como você, que vai aos cultos, faz o bem, entrega seus dízimos e ofertas. Aí você se pergunta: “quando faço isso?”. Veja alguns exemplos:
1) quando você passa numa prova ou termina um curso e chama não só a alegria da vitória, da conquista, para você como também o propósito da conquista. É quando você a promoção para você; quando você a conclusão do curso para você; quando você o aumento dos recursos só para você. Que engano!!! Tudo isso é para a Glória de Deus e se atingimos alguma coisa é pela força e benção de Deus, que aliadas a nossa dedicação produzem os sonhados resultados;
2) quando você celebra os relacionamentos que são construídos através da especial e singular pessoa que você é e que Deus formou, essa celebração deve ser para a Glória de Deus. Jamais uma pessoa deve ser convertida numa coisa, num objeto para nosso uso. A dignidade da vida humana está sobre as demais formas de apreensão e compreensão da vida, inclusive as chamadas religiosas! Celebre a Deus a vida de quem lhe cerca e de quem voce quer bem. Celebre para Glória de Deus;
3) quando nossa agenda pessoal suplanta a agenda divina, deixamos de viver para a Glória de Deus. Um pequeno e objetivo exemplo disso é a freqüência/ausência dos cultos. Ora, se tudo o mais substitui nosso momento de devoção, de encontro com o Senhor; se perdemos esse momento em que a Palavra é aberta e somos confrontados sobre nossos rumos em contraponto à Glória de Deus, será que realmente nossa vida é para a Glória de Deus? Se nessa pequenina mostra objetiva isso acontece, imagina o que não deve passar despercebido na nossa interioridade…
Como bem disse Lutero: “Soli Deo Gloria”
Deus abençoe cada um de vocês.
Pr.Sergio Dusilek

outubro 25, 2017

Congresso dos Piratas

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:30 pm

Conta-se que os grandes piratas que o mundo conheceu resolveram se reunir. O objetivo era mensurar, pelo levantamento da quantidade de Tesouros pilhados, quem era o maior pirata do mundo. Grandes nomes da pirataria compareceram: Barba Ruiva e Barba Negra, Perna-de-pau;   Capitão Gancho; ente outros.

Muita festa, muita confusão. Rebeldes que atuavam em causa própria, foi somente com muito custo que conseguiram colocar um ordenamento. Contudo, em seguida uma questão de ordem intransponível se levantou: como iriam confirmar o tamanho das riquezas de cada um se elas eram frutos de roubo, permaneciam escondidas e tendo os novos proprietários a fama de mentirosos? Dissolvida a assembleia, cada um se pôs ao seu navio.

Só que uma surpresa os aguardava do lado de fora da baía: inúmeros navios da força tarefa da esquadra Pública das Federações os aguardavam. Teve início uma violenta batalha naval. Vários piratas menores foram abatidos para alegria dos mais famosos. “Menos um concorrente” deliravam eles. Até que começaram a ver que só restaram suas embarcações. Aí, embora torcessem pelo naufrágio alheio, entenderam que somente sairiam dali juntos, mediante a formação de um esquadra pirata. Assim fizeram e todos se livraram mutuamente.

Isso lhe parece inverossímil? Pois é assim que me sinto ao olhar para Brasília nessa 4a feira dia 25/10. Terminado esse conto, quero dizer que os grandes piratas, os quais estão em Brasília, já perceberam que no “seu congresso” ou formam uma esquadra e se salvam, ou serão abatidos um a um, como aconteceu com os piratas menos famosos. Assim, num dia o PMDB salva Aécio, no outro o PSDB salva Temer, e por aí vai. Agora, uma coisa é certa: vamos continuar não sabendo quem é o maior dos piratas… tá tudo escondido, ou melhor: quase tudo; às vezes um suíno dá mole e entrega para a Esquadra Publica Federal 51 milhões.

Já que não vamos fazer panelaço, nem tampouco quebrar os símbolos  dos 3 Poderes em Brasília, sugiro a você a falar com quem está a sua volta para que na sua próximas eleições não votemos, nem ajudemos a eleger piratas.

Pr.Sergio Dusilek

Ps- numa rápida consulta ao wikipedia vi alguns sobrenomes de piratas que não estão longe da história do Brasil contemporâneo. Conquanto piratas fosse um termo de aplicação abrangente, denominando tanto o ladrao de cargas quanto os oficiais de marinhas rivais cuja missão era pilhar os navios carregados de tesouros de outros países, não deixa de ser sugestivo encontrar sobrenomes como Abravanel, Fleury e Cavendish na história bucaneira.

 

 

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