Novos Caminhos, Velhos Trilhos

agosto 27, 2016

SINAIS DA PERDA DA VITALIDADE DA IGREJA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 9:46 am

Muitos confundem vitalidade eclesiástica com ativismo. Para estes quanto mais eventos e atividades uma igreja tiver, quanto maior for sua agenda, mais viva ela aparenta ser. Ocorre que na Bíblia vitalidade não tem a ver, primeiramente falando com ação, mas sim com conexão (João 15; Jeremias 2). Mesmo porque uma agenda agitada pode ser sinal de perturbação e não de paz, que marca os vínculos relacionais e as melhores decisões.

Mas o que tornaria então uma igreja apática? Sem querer esboçar uma fórmula, daquelas tipicamente americanas, nem tampouco tangenciar uma condição cabalística, quero sugerir 10 sinais da perda de vitalidade de uma igreja, do prazer de congregar e fazer parte do povo de Deus, sabendo que há outros tantos sinais para os que se dispuserem a fazer uma lista:

  • Perdemos a vitalidade da Igreja quando o Evangelho que liberta é pregado em sua pureza, e os ouvintes se deixam perder no sentido desta liberdade. Essa liberdade, se não acompanhada da maturidade cristã, que traz no seu bojo a responsabilidade (Rm.14), pode gerar uma auto-condução das pessoas para uma vivência isolada da congregação. Ernst Troeltsch já dizia que “o grande problema da organização do protestantismo reside em coordenar a livre interioridade da convicção religiosa individual com as exigências de uma comunidade cultural e administrativa” (El Protestantismo y El Mundo Moderno, p.59). Na maturidade cristã quando você atinge o pleno estágio da consciência da liberdade, ganha de presente a responsabilidade. Você não foi salvo para viver longe do povo de Deus.
  • Perdemos a vitalidade como Igreja quando damos por “acabada” nossa vida com Deus pelo acolhimento do Evangelho, pela recepção de Jesus (Lc.10:38) em nossa casa, em nossa vida. Há muito mais por ser feito em nós; há muito mais o que Deus quer usar em nós.
  • Perdemos a vitalidade da fé quando nossa prioridade está nas coisas, algumas até importantes e legais, mas que não são espirituais (Lc.10:39-41). Olhe para o exemplo de Marta: fazendo o que era importante (preparar a casa para acolher Jesus), mas se esquecendo que o Evangelho não precisa de preparação para ser recebido. Ao nos determos junto às coisas perdemos a dimensão do que é essencial.
  • Perdemos a vitalidade quando os cultos ser tornam iguais para nós, esquecendo-nos de o único a quem cabe essa avaliação é Deus, pois Ele é quem os recebe. Só Ele pode dizer que se aborrece dos cultos, das assembléias solenes (Amós 5:20-23).
  • Perdemos a vitalidade quando desaprendemos a orar (Lc.11:1-13). Cabe aqui uma pergunta: orar é igual a andar de bicicleta? Uma vez orando nunca mais se esquece como fazê-lo? Bom, sem querer ser taxativo na resposta, nem tampouco simplista, parece que os discípulos tinham dificuldades com a oração. Tanto na sua formulação, quanto no caráter de quem as recebe – Deus. Possivelmente os discípulos estavam impressionados com a oratória farisaica (aliás, desde sempre discípulos de Jesus se distraem mais com a oratória dos fariseus do que focam na simplicidade do Mestre). Aí vem Jesus tendo que consertar tudo… “Pai nosso”… proximidade, intimidade e sobretudo, simplicidade. Quando o povo de Deus em uma igreja desaprende a orar ou se distrai com a oratória dos fariseus, a vitalidade da igreja se torna ameaçada.
  • Perdemos a vitalidade quando passamos a suspeitar que o céu ou não é tão bom quanto a vida que temos aqui, ou que sua iminente realidade pode não acontecer (II Pe.: 3; I Tess.: 1-3). Se não arde no nosso peito o grito de Maranata (Ap.22), é porque a “paixão” por Cristo se foi há muito tempo, e com ela a vitalidade da igreja.
  • Perdemos a vitalidade como igreja quando há uma discrepância e dissonância entre a abastança pessoal e a carência eclesial e de alguns irmãos (Mq.6:14-15; Ageu 1:4-8). Lembro-me do hino “Não fica bem a gente passar bem e o outro carestia; ainda mais quando se sabe o que fazer e não se faz”. Às vezes, muito raramente mesmo, me pergunto: o que seria de muitos abastados irmãos que participam da obra de Deus com “migalhas”, se Deus resolvesse agir reciprocamente, isto é, permitir que só tivesse acesso a migalhas também?
  • Perdemos a vitalidade como Igreja quando a Palavra deixa de ter feições de brigadeiro ou mesmo pão-de-mel (Ez.3:3) e passa a se tornar igual à uma salada de jiló com quiabo e rabanete… Quando perdemos gosto pela Palavra de Deus, quando ela deixa de nos alimentar a alma, nossos sinais vitais diminuem sensivelmente.
  • Perdemos a vitalidade como Igreja quando perdemos a nossa capilaridade, quando deixamos de sentir a necessidade do mundo e passamos a optar pelo oferecimento do mundo. Numa abordagem bíblica, o maior sinal da perda da capilaridade de uma igreja, da morte de sua sensibilidade, reside quando ela se recusa a processar e a responder aos clamores captados pelos sentidos, coisa que bem pode ser vista na Parábola do Samaritano (Lc.10) onde o levita e o sacerdote se recusaram a socorrer alguém que estava no caminho.
  • Perdemos a vitalidade quando mantemos Jesus ao alcance dos nossos olhos, mas não sentado aos seus pés (Lc.10:38-42). Para muitos Jesus é alguém a ser controlado, domesticado, quando na verdade nós deveríamos nos aquietar aos seus pés. Somente assim vemos sua face; somente assim a irradiamos como sinal da Sua Graça em nós.

Findada esta pequena lista, o que fazer? Sugiro um check-up. Faça você mesmo diante de Deus. Bom é corrigir os problemas quando são pontuais. Difícil se torna recuperar quando o quadro está todo tomado e quando somente um milagre divino pode vir a restaurar nossos sinais vitais como igreja.

Que Deus o abençoe e não deixe perder a vitalidade como povo de Deus!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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agosto 23, 2016

A MISSÃO DA IGREJA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:49 am

“Moisés disse ainda: Rogo-te que me mostres a tua glória. Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Iavé; (…) E quando a minha glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado. Depois, quando eu tirar a mão, me verás pelas costas; porém a minha face não se verá.”(Êxodo 33:18,19a,22-23).

 

Possivelmente você esteja se indagando agora qual seria a relação da passagem acima com a missão da Igreja. Eu também estaria me perguntando a mesma coisa caso estivesse na sua posição. E meu objetivo é que até o final desse pequeno texto sobre este abrangente tema, você consiga compreender o que entendo sobre a missão da Igreja.

Sem esquecer que o texto acima figura a sombra que é a Lei (Heb.10:1) e prefigura a promessa da vinda e visualização da face de Deus em Jesus (João 14:7-11), fato é que muito do que fazemos em nome de Deus e para Ele advém de nossa percepção, de como O vemos. Em outras palavras a visão da missão da Igreja passará necessariamente pelo funil de nossa percepção, daí resultando uma postura mais abrangente ou até, restringente. Contudo, cabe aqui a indagação: nós podemos ou mesmo devemos restringir a missão da Igreja?

A resposta parece ser clara: na tese, não; na prática, sim, lembrando que toda restrição é uma maneira de não acabar ou mal acabar a obra de Deus. As lacunas que existem no cumprimento da missão da Igreja, via de regra são fruto de nossa limitada percepção de quem Deus é e de quão grande, diversificada é a missão da Igreja. Até mesmo a indisposição e falta de envolvimento de muitos com a obra advém de uma percepção, por sinal limitada e em muitos casos instrumentalizadora do divino. São os nossos enquadramentos, nossas tentativas de “fotografar”, de ter uma forma de Deus. Ocorre que desde o início da Palavra, temos um Deus não adepto à “selfie”, um Deus que não se deixa formatar, seja no aspecto “fugidio” da narrativa mosaica, seja na abrangência incontida da vida, obra e ensinos de Jesus de Nazaré, cujo símbolo maior é o sepulcro vazio. Até mesmo a revelação especial que recebemos, e que fazemos bem valorizar (falo da Bíblia), não consegue enquadrar todo o conteúdo revelado, uma vez que a própria Revelação é maior que o registro (uma das razões pelas quais a Palavra se renova diante de nós com tanto vigor e novidade).

Se é verdade então que nossa percepção, e portanto teologia, podem representar uma tentativa de enquadramento do divino, devemos sempre lembrar também que Deus continua estando muito além dessa “foto teológica”. Nosso enquadramento sempre mostrará, se tivermos sucesso como Moisés, um “Deus de costas”. Justamente por isso prefiro adotar (e sugerir) a compreensão de Deus como Espírito (João 4), uma vez que ela aponta para imprevisibilidade de Deus, não aqui em termos de caráter divino, mas em termos de ação e de agenda para Sua Igreja. Uma ação que é feita sob o espírito de serviço (diaconountes), na extensão de alguém que cumpre/administra com excelência aquilo que lhe foi passado (oikonomoi), debaixo da legítima unção divina (karisma), e com escopo abrangente, multiforme (poikíles) da Graça (karitos) de Deus (I Pe.4:10). Interessante como Deus usou o pescador Pedro para juntar numa mesma formulação tantas palavras que nos são comuns no serviço do Rei.

Penso que a Graça não tem um formato porque ela é a expressão de Deus. Penso que essa Graça multiforme revela a grandeza de um Deus que se preocupa com a individualidade, a ponto de autenticar cada experiência de conversão como única. Penso que multiforme Graça de Deus reflete Seu Reino, de cujas marcas destaco a impossibilidade de enquadramento. Isso porque o Reino é como o Rei: informável. Penso também que a multiforme Graça de Deus aponta para as mais variadas capacitações e formas de exercer a vontade de Deus e cumprir a missão da igreja nesse mundo. Não há uma única maneira de servir a Deus no mundo; há várias e em todas elas sinalizamos o amor e a Presença do Rei.

Quais as implicações dessa compreensão? Inúmeras, complexas, revisionistas em termos de nossa agenda como igreja. Mas também: desafiadoras, apaixonantes, abrangentes e produtoras de experiências com Deus. Isso porque a missão da Igreja é feita pela Graça e sua agenda é dada pelas necessidades do mundo. Não cabe a Igreja enlatar a Graça divina, transmitindo-a somente de um modo para uma mesma necessidade. A Graça não se traduz somente em folhetos evangelísticos, mas numa diaconia, num serviço ao mundo, seja na promoção da justiça, seja nas ações emergenciais, seja no acolhimento de refugiados, exercendo o dom da hospitalidade tão bem assinalado por Pedro (I Pe.4), entre tantas outras. Cabe a ela ler a realidade, acolher os desafios e necessidades que estão à sua volta e manifestar, por se deixar usar, a multiforme Graça de Deus. Cabe a ela agir como o samaritano (Lc.10): manifestar graça diante de uma necessidade. Perceba que para Jesus, a agenda fora dada pelo mundo (suas necessidades); mas a capacitação é dada por Deus (Graça, seja na forma de karitos ou de karisma).

Se você achou essa missão muito vasta e grande é porque então compreendeu bem o texto e por isso lhe parabenizo. E ressalto também que uma missão abrangente tem o tamanho do Reino e a “cara” do Rei, sendo este o compromisso social da Igreja.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

[Publicado no O Jornal Batista, Edição 34 de 21/08/2016, p.14]

agosto 13, 2016

ALGUMAS DAS MUITAS LIÇÕES DE UMA OLIMPÍADA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:09 am

Quero propor aqui sete pequenas e rápidas lições a partir do “convívio” com as Olimpíadas, sabendo do caráter restrito desta lista:

  1. É possível viver uma fraternidade universal na condição humana e calcada em valores que nos convidam a transcender nossas limitações e referências geográfica e étnicas. O valor da misericórdia, num momento de tragédia é um exemplo, assim como o universal convite ao amor, ao respeito e a tolerância. O esporte é outro bom exemplo, que mesmo sob a égide da competição, traz no seu bojo a cooperação e a convivência, bem exemplificado na premiação da medalha de prata de Michael Phelps nos 100 metros borboleta, em cuja premiação subiu de mão dada com o húngaro e o sul-africano. De fato, depois de Babel, nosso encontro como humanidade cheia de dialetos está no esporte.
  2. O convite a superação que cada atleta nos faz em suas competições. Alguns se superam, embora passem longe das marcas mundiais, pela ausência de condições mínimas de treino. Outros, como a notável Katie Ledecky, pelas vitórias e recordes batidos. Sim, é possível nos superarmos; sim, é possível superar outras marcas;
  3. A lembrança que é possível recomeçar e que é desejável viver a emoção das conquistas. Como explicar o ressurgimento de atletas de ponta, e como ainda contemplar lágrimas em gente que já  ganhou tantas medalhas? Sim, a sensibilidade não está ligada a frequência com que fazemos ou ganhamos algo, mas em como percebemos a vida. Do mesmo modo o recomeço está a disposição de todos (Jonas 2 e João 11). Phelps recomeçou; Edwin recomeçou, você pode recomeçar.
  4. A certeza de que não se ganha medalhas investindo em concreto, ferro e alumínio. Pode-se ganhar dinheiro (para quem faz a obra, intermedia o contrato e vende o material de consumo), pode-se distribuir medalhas, mas infra-estrutura não traz medalhas. É o modelo Brasil. Ao invés de investir na educação, nos profissionais da educação, os governantes com seus projetos personalistas, investem em edifícios. O que adianta um hospital todo equipado, sem médicos e enfermeiros (tinha isso aqui no Rio…)? O que adianta uma escola de ultima geração em sua infraestrutura com professores que não recebem um centavo para atualização? Pois há muita gente achando que prédio novo, sala equipada é sinônimo de bom ensino… quando a história é pródiga nos exemplos de que relevante para o ensino é o MESTRE (veja a escola peripatética de Sócrates, ou mesmo o modelo de ensino de Jesus).
  5. Nem tudo são flores nas olimpíadas. Há atletas que esquecem do ideal maior a que estão ligados (como foi o caso do egípcio que não cumprimentou o israelense que o derrotou no judô). Há nativos que esquecem de tratar bem o estrangeiro, como foi o caso da menina que zombou de um turista ao negar dar a informação a ele (que bombou no face). Há intercorrências advindas de uma cidade violenta, como a triste morte do soldado de Roraima. Há o misto de sentimentos de ver, por um lado, a beleza do que foi construído e hoje é usufruído; por outro, a tristeza de saber que a saúde, a educação e os salários do funcionalismo foram colocados na berlinda por conta das 5 argolas. Sim, as Olimpíadas trazem seus espinhos também.
  6. As Olimpíadas anunciam as oportunidades. Conquanto no mundo extra-olímpico, nem sempre se veja igualdade de condições para disputar a mesma vaga, pelo menos as Olimpíadas nos lembram de que a igualdade de condições (pelo menos nas provas) pode e deveria existir. E que mesmo sendo injusto, o mundo ainda oferece oportunidades. Não seria essa a principal mensagem da vitória do singapurês Schooling nos 100 metros nado borboleta? Olhe e aproveite as suas oportunidades.
  7. A esperança que vem do clima dos jogos. Quando a humanidade se encontra para celebrar a vida e sua potencialidade através do esporte e não para fazer guerra e demarcar suas diferenças, um fio de esperança nasce. É possível conviver com o diferente. É possível conviver com línguas diferentes, quando o ideal que reúne diferentes povos é nobre. Sim, há esperança para nós, desde que os bons (moralmente bons) nos liderem.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

 

agosto 2, 2016

Um texto – um convite

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:49 pm

Se você que acompanha os textos desse blog puder me dar a honra de mais essa leitura (e divulgação do link) eu muito agradeceria.

O texto é científico, o que significa ter uma linguagem e abordagem um pouco diferente do que voce normalmente encontra por aqui. Mesmo assim, quero incentivar sua leitura.

Att.,

Pr.Sergio Dusilek

[http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-85872016000100074&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt]

agosto 1, 2016

AGENDA PR.SÉRGIO DUSILEK

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:18 pm

Queridos Irmãos,

Faz algum tempo que não divulgo minha agenda. Não é que tenha parado de pregar em outras igrejas e eventos. Continuo saindo, só que em dosagem menor. Só que como estou pastoreando com mais dois amigos a Igreja Batista Marapendi (www.igrejamarapendi.org.br), você com certeza em encontra mais presente na igreja.

Um dos objetivos que tinha ao divulgar a agenda era dar conhecimento sobre meu “paradeiro”. Uma vez que estou aportado há alguns anos na IB Marapendi, entendi então ser desnecessário tal divulgação, até que um colega me perguntou, recentemente se eu tinha voltado a pregar fora…

Bom, aqui está um esclarecimento.

Abraço a todos.

Pr.Sergio Dusilek

 

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