Novos Caminhos, Velhos Trilhos

novembro 27, 2015

A Vila Autódromo e as Portas do Inferno

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:35 pm

vila autodromo

Algumas realidades por vezes se chocam com afirmações contidas na Bíblia. Não falo aqui do aspecto científico e da comparação do que a ciência diz e do que o texto bíblico fala (até mesmo porque essa discussão é inóqua, uma vez que a própria Bíblia não tem a pretensão de ser científica. Sua preocupação não é história do mundo, mas a história da salvação). Falo do contraponto que a realidade impinge ao realismo bíblico. Refiro-me aqui especialmente à afirmação de Jesus em Mateus 16:18c na qual Ele diz “e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela (Igreja)”.

Penso que essa afirmativa de Jesus além de conter uma verdade, traz consigo a mensagem da ousadia. Alguns interpretam esse trecho com um certo alívio ao saber que o Inferno não vence a Igreja,  e o fazem pelo viés do medo. Contudo penso que Cristo ao falar o que disse estava nos convocando para uma postura de ousadia. Não se fechar num gueto, numa trincheira; mas se abrir para os desafios do mundo e andar sobre eles. A Igreja, nesse sentido, deveria marchar para que a influência do Inferno fosse sendo diminuída. O andar da Igreja deveria ser à luz de Cristo e sobre o Inferno, para que seus ardentes portões fossem compartimentados e sua influência diminuída.

Infelizmente não é sempre que isso acontece. Além de ter um bom grupo enfiado no comodismo do gueto e lambendo seu próprio medo, por vezes as portas do Inferno alcançam o interior das igrejas, dos púlpitos, das organizações. É quando o pastor começa a pregar teologia da prosperidade, ainda que escamoteada para encher a igreja; quando os membros trazem para a vivência comunitária os valores do mundo (irmão que dá trambique em irmão não tem 100 anos de perdão!), quando a organização preza mais a sua história e sua tradição do que a Palavra…

Bom, justamente sobre isso é que desejo falar. Já faz algum tempo que vinha querendo postar algo aqui sobre o caso da Vila Autódromo (RJ) e sobre o perturbador dizer que consta no muro da foto acima. A Vila Autódromo é uma comunidade carente instalada nas cercanias do autódromo de Jacarepaguá há pelo menos 30 anos. Seus moradores, ao que tudo indica, conseguiram uma permissão do poder público para morar ali, uma vez que se estabeleceram quando aquilo era um charco não desejado. Contudo, com o avanço imobiliário na região da Barra da Tijuca, o então charco se tornou área de valor. Dessa feita, em nome das Olimpíadas, os moradores foram sendo removidos.

Não quero aqui entrar na discussão da injusta e opressiva forma de “expulsão” dos moradores. Para isso existem processos na justiça e o excelente trabalho da Defensora Pública Dra. Adriana Britto. Quero me ater somente ao apontamento da estratégia infernal que o poder público usou para facilitar a remoção. Tocaram nos líderes religiosos, cumprindo a premissa bíblica “ferirei o pastor e dispersarei as ovelhas”.

Lá na Vila Autódromo, até onde tinha conhecimento, existia uma pequena igreja católica e uma igreja batista renovada. Aliás aquela igreja batista por muitos anos foi a única igreja evangélica presente na região conhecida como “Rio2”. Estava na comunidade, é verdade, mas estava ali. E como era bom saber que ela resistia ao poder imobiliário e ao gosto imperial dos pastores da região…

Ocorre que a prefeitura do Rio resolveu remover a Vila.  E encontrou muita resistência, especialmente porque ali havia um padre que articulava e defendia os moradores. Ele foi transferido para Roma, segundo dizem. A questão não é o merecimento, mas a ocasião. Uma indagação subjaz a essa movimentação: teria a Igreja Católica atendido aos apelos do poder público, visando desarticular os moradores da Vila?

E a igreja batista renovada? Bom, dela restou, como em Jerusalém, somente o “Muro das Lamentações”. E nele está inscrito o perturbador dizer acima. Mais do que a veracidade que pode estar contida naquele escrito, só a possibilidade de admitir que ele pode ser real já faz muito mal a quem pertence o Evangelho.

Sem Igreja e sem “pastor”, restou pouco da Vila Autódromo. Há alguns últimos da resistência ainda morando ali. São heróis da resistência, da resiliência; são sobretudo admiráveis. Enfrentam o poder público, lutam contra os portões das instituições e do Inferno; encaram máquinas e a polícia. É essa realidade que se confronta com o realismo bíblico. Ora, as portas do Inferno não prevaleceram contra a Igreja, mas as do PMDB carioca a derrubaram. Começo a pensar que essas lideranças do PMDB do Rio de Janeiro ou são maiores que o Diabo ou são seus espelhos. Com um detalhe: são mais efetivos no combate à Igreja do que o próprio capeta.

Perplexo,

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

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novembro 25, 2015

O que fazer quando se percebe que o lugar onde se encontra é justamente onde não se queria estar?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:21 pm

 

Alguma vez voce já parou para pensar em como chegou a uma determinada situação? O que provocou uma briga/discussão mais séria na família, algo tipo, como um desgaste foi acontecer justamente na minha casa? Ou mesmo não entender como chegou a uma determinada situação profissional, apesar de todo investimento? Ou quem sabe você vive um nível de insatisfação com a vida que é inversamente proporcional aos reservatórios de água do Sudeste do Brasil? Em suma, o que fazer então quando nossas escolhas nos levam para onde não queríamos chegar? Queria sugerir algumas alternativas para sua reflexão e orAÇÃO, numa lista que não se esgota em si mesma:

1) Quando for possível, retorne ao momento anterior à decisão (Ap.2:5).  Éfeso optou pela verdade, por aquilo que é certo, mas perdeu a essência, o amor. Nossas lutas podem ser éticas, corretas, banhadas na mais pura e fina correção. Mas podem nos roubar nossa essência. E a essência do crente e de uma igreja é o AMOR. Não o que se vende ou diz ser amor. Não o do slogan eclesiástico. Mas o amor que pulsa no peito e que se traduz em cuidado para com todos os membros. Nesse sentido o convite de Jesus é lembrar e voltar. Houve perdas na caminhada? Elas podem ser reparadas? Depende: de Deus, das partes e de nós. Contudo o tempo perdido, esse não volta…

2) Se não for possível retornar, entenda as razões pelas quais você trilhou esse caminho e ache um bom motivo/sentido para continuar nele. O que lhe levou à essa situação? Você foi levado, como numa enxurrada? Ou se deixou levar, sendo sugestionável e afeito à pressão? (Pôncio Pilatos (Lc.23:20,24 x Daniel 6). Perceba que  não se deve ter medo de uma auto-avaliação. Tenha pavor de não fazê-la, porque nesse caso você tenderá a repetir os mesmos erros.

3) Valorize a intuição (ou mesmo o insight/revelação) somente quando você estiver com o coração em paz (Col.3:15). Deus fala conosco através da intuição. Ele fala também independente dela (insight/revelação). Mas sempre que for acatar a voz do Espírito no coração, tenha certeza de que é Ele. E isso envolve paz. “Agir pela intuição” (o que na administração é chamado por Ram Charan de  “Know-How”),  é quando conseguimos decidir de olhos fechados. Sem olhar as alternativas; ou ainda olhando àquela que ninguém mais vê, mas que Deus mostra.

4)Escolha segundo seu sonho e não somente pelo seu gosto. A vida passa rápido demais. Por isso cuidado para que você não inviabilize seus sonhos; cuidado para que suas decisões não lhe frustrem. E a frustração vem quando um sonho não consegue ser trocado por outro sonho ainda melhor. Outro cuidado que se deve ter é para que você não passe a vida carregando somente fardos. Porque nesse caso, em algum momento, você vai ser tentado a romper com essa realidade. E o fará de modo radical.

5) Se não souber o que fazer, aguarde novas instruções (Mt.2:22).  O que José, “pai” de Jesus, fez? Aguardou novas instruções de para qual cidade ir. Decisões que envolvem família, precisam ser lastreadas por algum nível de segurança. Isso implica em não tomar decisões intempestivas, fruto de rompantes. Lembre-se que se a decisão na hora da aflição for a melhor, ela vai ser mantida no momento de calmaria.

Termino ressaltando que, uma vez estando onde não se quer estar, podemos: a) nos perguntar se mesmo assim essa atual realidade pode ser assumida como sonho no lugar daquilo que você almejava como meta/plano de sua vida? Se sim, ótimo; b) caso não dê para mudar, buscar um elã, um sentido maior para continuar; c) se puder voltar, recomece. Aqui vale o adágio: “antes tarde do que nunca”.

Com carinho.

Pr.Sergio Dusilek

novembro 12, 2015

O poder da tempestade (Mc.4:35-41)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:19 am

Uma boa tempestade é por definição aquela que se abate com força sobre nós, com muita água e vento, e de modo repentino. Tempestade que nos pega na segurança de nossa casa é chuva forte. Agora, quando nos pega desprevenidos na rua… Me lembro de Janeiro de 1996. Estava trabalhando e quando olho pela janela, o céu tinha enegrecido e logo a seguir “as comportas do céu” foram abertas. Isso era por volta das 17.00hs. Às 21.00hs tentei voltar para casa. Depois de 1 hora e meia e ter andado dois quarteirões fazendo um quadrado retornei. Dormi no chão do escritório, não sem antes comprar um pão com carne assada (acho que era do século XIX) do boteco pé sujo de um patrício que tinha no térreo do prédio. Dia seguinte, ainda as 09:00hs era impossível transitar no Rio. Tudo parado. Nunca mais esqueci daquela tempestade. O que fazer nessa hora de alvoroço da alma?

  • Relaxe porque você vai se molhar. Há gente que ao ser pego pela tempestade ainda acha que é possível passar incólume por ela. Pensa que o guarda-chuva pode preservar sua sequidão… o que são nossos guarda-chuvas nos instantes de muito vento e água? Relaxe, porque esse efeito colateral será seu.
  • Reconheça que não há estrutura que esteja completamente preparada para uma grande e repentina tempestade. Voce pode entrar numa loja comercial. Mas pode acabar a luz. Você pode correr da tempestade para o carro, mas pode vir o granizo (Ex: eu e a Mercedez na Raposo Tavares). Há estruturas que nos ajudam a atravessar uma tempestade, mas não sem que soframos algum tipo de abalo e conseqüência. Na tempestade somos açoitados, mais do que por ondas (Mc.4:37), por sentimentos e sensações. Os ventos da dúvida (será que vamos sair dessa?) e as muitas águas do medo (há esperança para mim, para ele?) acabam mimetizando a tempestade só que pelo lado de dentro. Nossas estruturas, sejam elas barcos, conhecimento do mar e de navegação, podem nos ajudar mas não nos livram da tempestade. Aliás, quando a vida nos açoita é que percebemos quão frágeis são as nossas estruturas, os nossos barcos.
  • Recorra as palavras de Jesus. Foi Ele quem salvou os discípulos da morte (4:39). Foram as palavras dEle que salvaram Jairo do desespero (Mc.5:36). A palavra de Jesus ou nos livra da tempestade ou nos dá raiz, fundação para suportá-la (Mt.7:24-27). E aí entra uma questão: como ter acesso as Palavras de Jesus, como o Espirito vai nos lembrar delas, se não a lemos, nem a ouvimos porque faltamos os cultos?
  • Por fim, saiba que a vida apresenta para nós dois convites diante das mesmas situações, das mesmas tempestades: descanso ou desespero. A tempestade era a mesma, o barco era o mesmo. Mas os discípulos desesperaram (v.38) e Jesus descansou. Sim, é possível descansar em meio a mais terrível tempestade. Os técnicos, os profissionais entregaram os pontos; o desespero atingiu a todos? É possível manter a serenidade que vem da firmeza que Cristo nos dá. As lágrimas descem na mesma proporção que nosso coração é preenchido pela paz que excede a todo entendimento.

Que você tenha Jesus sempre ao seu alcance. Não que Ele não esteja; mas que você o perceba perto de você. E que se apegue as Palavras dEle para enfrentar as tempestades da vida. Sejam essas palavras as que lê na sua Bíblia, seja as que ouve de pessoas amadas ou que merecem respeito.

novembro 4, 2015

Entre o Belo e o Bonito

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:47 am

ENTRE O BELO E O BONITO
Nem todo belo e bonito.
Por isso que por vezes o feio esconde o belo. Nesse caso a beleza é realçada pela surpresa, pelo encanto que se esconde…
Atrás de um rosto surrado pode se esconder uma bela voz
Atrás de uma feição assustadora pode existir uma alma doce, acalentadora.
Por trás de escombros podemos encontrar vida e belos tesouros.
O feio pode ter tanta beleza quanto o que convencionamos ser bonito.
Confesso que é estranho pensar que “feio” seja antônimo do belo e do bonito… mas como, se conseguem ser coisas diferentes?
E o que fazer quando o feio vence, sufocando o belo?
Ah! Aí há pouco, muito pouco a fazer.
Talvez, diante daquilo que parece ser irreversível, reste-nos desviar o olhar.
Olhar que procura nova inspiração do belo.
Olhar que, preservado pela distância, pode capturar o Belo, aquele preservado pela memória.
As vezes queremos encontrar o Belo, mas aquele que se ajoelhava para beber da humildade, e não o embevecido pela vaidade.

Outras vezes nos perguntamos porque o Belo deixou de ter sua beleza…
Por vezes o desejamos reencontrá-lo, na esperança que o Belo rompa com sua própria distorção.
Mas a vida faz com que multipliquemos as referencias e percepções
Restando-nos então somente o desvio.

O desvio do olhar, o desvio do memorar;

O desvio construído, posto que no passado foi feito;

O desvio do não caminhar numa travessia da ausência;

O desvio que nos dói, pois retira a possibilidade do reencontro com o Belo.
Sérgio Dusilek

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