Novos Caminhos, Velhos Trilhos

julho 19, 2018

SOBRE O SEMINÁRIO BATISTA DO SUL DO BRASIL (3)

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:56 pm

Antes que você tenha contato com o link abaixo, deixa eu dizer algumas coisas. Quase metade da minha vida passei no STBSB. 14 anos como filho de professor e mais 4 anos como aluno. O Seminário está entranhado em mim. Já tentei tirá-lo a fórceps algumas vezes (e sem anestesia!), mas não consegui. Por isso, ao ler o texto do link, saiba que ele é fruto de quem ama profundamente e apaixonadamente o STBSB. Ao retratar em texto o declínio daquela “mágica colina”, faço-o com dor e com esperança de que os caminhos do sucesso do STBSB, presentes na gestão David Malta do Nascimento, possam ser revisitados enquanto é tempo.

Cabe aqui também uma nota sobre o percurso do texto. E por ele você percebe que esse texto não é novo… Após ele ter ficado pronto, com uma pesquisa feita sob autorização do então reitor, Pr.Luiz Sayão, eu submeti o texto à própria revista eletrônica do STBSB que consta (ou constava) em seu site. Diante da absoluta ausência de retorno, fiquei sabendo ao indagar a coordenação acadêmica que a revista estava, por ora, desativada.

Encaminhei, então, o texto a outras 3 revistas sendo que duas disseram que o assunto não possuía aderência ao seu respectivo perfil. A terceira, fez uma avaliação que rejeitou o texto, embora um dos seus editores tenha usado toda a estrutura de argumentação do artigo para, alguns meses após a recusa, escrever um texto “similar”. Enviei então à Caminhando, da UMESP. O artigo foi apreciado, e foram sugeridas algumas modificações redacionais. Praticamente todas as sugestões foram incorporadas. O texto então foi aprovado e na hora da publicação, CENSURADO. Sim! Recebi um email do editor da revista científica dizendo que não publicaria mais o texto. Algum tempo depois a UMESP despediu alguns de seus melhores quadros (Claudio Ribeiro, Magali Cunha, entre outros), praticamente num movimento similar ao que o texto sobre o STBSB apontou…

Por fim encaminhei o texto para a Protestantismo em Revista, o qual seguiu todo processo até sua publicação. O link está aqui embaixo. Boa leitura.

Pr.Sérgio Dusilek

http://periodicos.est.edu.br/index.php/nepp/article/view/3168

 

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julho 16, 2018

OS SALMOS DE LAMENTO – II

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:44 pm

Os Salmos de Lamento-II

Segundo André LaCoque os salmos de lamento possuem uma estrutura básica bem interessante. Vão da súplica, passando pelo lamento pelo sofrimento (ora devido aos inimigos, ora a não intervenção de Deus), sem deixar de expressar profunda confissão de confiança e a certeza de que será ouvido, tendo ainda a petição, o duplo desejo que envolve uma intervenção pró-salmista e contra aqueles que fazem o mal ao salmista. Ao final vem um voto de louvor e um louvor a Deus. De alguma forma os salmos de lamento mostram que a vida é vivida entre os pólos do lamento e do louvor.
Nos salmos de lamento, há um deslocamento abrupto da queixa para o louvor. Possivelmente porque o salmista, ao se deparar com sua mais profunda angústia, tenha como única saída ver a ação divina como resposta. Sim, nosso abismo interior pode, para quem conhece Deus, nos conduzir ao mais alto céu. Não foi à toa que Paulo, em meio a questionamentos e provas, vivendo uma profunda tensão sobre seu apostolado, foi guindado ao terceiro céu…
LaCoque lembra que o lamento é um evento revelatório, entre o ser humano e Deus. É o apelo ao tribunal dos tribunais, ao Justo Juiz, justamente quando “todos os tribunais humanos e mundanos” se mostraram falhos. A injustiça, para o salmista, o leva a aprofundar a relação com Deus, na medida em que seu lamento contrasta um Deus que sofre com o sofrimento humano, mas também é alvo da queixa do salmista, pois Ele sendo soberano podia, no seu compreender, evitar o sofrimento. Nesse sentido o lamento expressa uma queixa contra Deus.
Sabe o que é mais lindo nos salmos de lamento? Primeiro um Deus que se deixa ser acusado, que sofre queixa. Um Deus que poderia nos esmagar, mas que ouve o nosso lamento. Segundo, que no momento em que o salmista desobstrui os canais de comunicação com Deus sendo totalmente honesto com Ele, ele encontra razões de sobra para louvar o Senhor. Veja: nada mudou, há não ser a convicção do coração do salmista, que agora é retomada em todo seu vigor. É a sinceridade que se expõe e que encontra lugar de escuta; é a fé de quem se mostra cheio de dúvidas, porém é alcançado novamente pela grandeza de Deus que transborda em louvor. É a confiança de que a Justiça de Deus alcançará os injustos. É o lamento, o colocar Deus em cheque que se transforma em louvor a Deus.
Bendito seja o Nome do Senhor!
Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek

julho 9, 2018

OS SALMOS DE LAMENTO

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:14 pm

Os Salmos de Lamento

Poucas coisas na Bíblia possuem tanta dramaticidade, existencialidade e profundidade como os salmos de Lamento. Tais salmos representam uma aguda expressão de dor, de perplexidade que vem do mais profundo do ser. É um grito, um clamor, que emerge do profundo da alma. Exemplo disso é o salmo que Jesus recita na cruz, o salmo 22.
De modo interessante estes salmos ao mesmo tempo que  registram um lamento, uma confiança em Deus e a certeza de que Ele ouviu o clamor do salmista, eles apresentam uma certa dose de acusação ao divino. De algum modo o salmista joga na conta do divino o esquecimento dele, de sua situação. É comum o registro do “até quando”. Nas horas de solitude a alma clama pela solicitude divina. É um momento de profunda humanidade e fragilidade. É momento também de perplexidade, no qual os pensamentos se tornam um turbilhão. Confiamos em Deus, mas o “acusamos” de abandono; reclamamos da solidão, mas ao mesmo tempo sabemos que Ele nos ouve; é… aguentar nossas ambiguidades não deve ser fácil para Deus… Ainda bem que Ele nos ama.
Nossa vida é assim. Nós somos como o salmista, conquanto nem sempre desnudemos a nossa alma, mostremos a nossa perplexidade como ele o fez. No entanto o mais interessante é que o Amigo do salmista continua sendo o mesmo: Deus. É por isso que eu e você podemos rasgar nosso coração diante dEle. Com Deus não há censura, mesmo porque Ele sabe o que se passa dentro de nós. Para Deus importa é a autenticidade, como a do salmista. Não é isso que é a amizade? O espaço no qual podemos ser o que somos?
Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

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