Novos Caminhos, Velhos Trilhos

novembro 25, 2013

O AMOR NÃO SE PORTA INCONVENIENTEMENTE.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:33 am

O AMOR NÃO SE PORTA INCONVENIENTEMENTE.

(I Cor.13: 5a)

O que você chama de inconveniente? Pode ser uma chamada fora de hora, um “bicão” num papo muito bom, ou mesmo alguém se vestindo de modo mais ousado… Fato é que conquanto esses exemplos apontem para alguns inconvenientes, o ensino bíblico aponta para algo mais profundo. Inconveniente (aschemonei – grego) é um comportamento indecoroso, pautado na arrogância, na busca dos próprios interesses. É algo que não tem postura, pois não se harmoniza com a forma que deveria ter, uma vez que o amor evita toda a gama de inconveniências.

A Igreja de Corinto era uma igreja enfatuada. Igrejas enfatuadas são reuniões de indivíduos. Por vezes esse enfatuamento está nos outros que não permitem nosso acolhimento. Contudo, muitas outras vezes esse enfatuamento está em nós, quando não damos chance a igreja de ser igreja[1]. Nelas não acontece o milagre do Corpo, a nossa transformação em uma nova e regenerada sociedade. Por isso a vergonha se tornava em Corinto um efeito corolário. Enquanto o amor preserva, a inconveniência expõe. É claro que eventualmente o amor pode levar a uma exposição. Mas jamais com o objetivo de envergonhar e sim de recuperar.

O que podemos aprender aqui nesse texto? Que cuidados devemos ter?

1)    O cuidado com a presunção.

É impressionante, mas a vida hodierna está calcada na presunção. Muito se fala sobre fazer e manter o marketing pessoal, de elaborar um planejamento estratégico da vida para alcançar seus objetivos e metas… há pastores, inúmeros, mirando o ministério das mesmas grandes igrejas… é isso que Deus quer?

A presunção é irmã da aparência. Importar é projetar (daí a necessidade de poder, para projetar sobre muitos outros) aquilo que se não é. É quando se tenta parecer ser bom e na verdade não se é. Os “carreiristas”, aqueles que são apegados aos status funcionais reduziram sua existência a um “job description. Eles simplesmente são o que fazem. Na perda de um emprego ou numa aposentadoria entram em crise existencial.

Presunção é arrogância sem autenticidade. Tem poder de impacto (fruto da arrogância), mas sem efeito duradouro porque é oco por dentro. Não há substância, “sustança” do lado de dentro que lastrei esse impacto primeiro.

O problema da presunção é que ela impede a comunhão. Ou pelo menos a estabelece sobre bases erradas. Porque comunhão se cria pelo viés da fraqueza. Podemos admirar os super-heróis, mas não dá para ter comunhão com eles. A identificação, elemento tão primordial para a legítima comunhão só se estabelece entre os fracos. Observe: falei entre os fracos, não entre os cínicos. Fraco é aquele que reconhece sua limitação em fazer o certo, porém continua tentando; cínico é a pessoa que justifica o erro pela sua inerente fraqueza.

  • QUEM SABE QUE VOCÊ É FRACO? HÁ ALGUÉM NA IGREJA, NO CONVÍVIO DOS IRMÃOS QUE TENHA CIÊNCIA DE SUA FRAQUEZA?

 

2)    Cuidado com o vazio.

Sabe qual é o centro de um coração que se porta inconvenientemente, de um coração presunçoso? O VAZIO. O âmago da inconveniência é o vazio. Por tentar manter aquilo que não é, o presunçoso acaba desperdiçando grande quantidade de energia emocional. Há uma preocupação com a manutenção da imagem, o que não deixa de ser uma idolatria pessoal. E isso remete a um ciclo vicioso no qual a manutenção desse ídolo criado no âmbito do ego, acaba tornando o sentimento de vazio cada vez maior.

A presunção revela um coração vazio de Deus e do Amor agape. Por isso nele floresce a vaidade, ao invés da verdade. E onde ela cresce sobra espaço para expectativa da adulação do outro, bem como para a implacabilidade com o próximo. O coração arrogante não abriga a misericórdia. O amor preenche o vazio, mas não convive com ele.

Perdemos muito tempo na manutenção e projeção de uma imagem. No fim, queremos ser adorados quando o único Ser que pode receber veneração sem criar distorção é Deus. Os demais, toda vez que adulados, se tornam presunçosos. Talvez seja essa uma das implicações do espelho paulino: quando nos depararmos de modo pleno com aquele que é perfeito e pleno em Amor e na “capacidade” de ser adorado, veremos que o que temos é a salomônica constatação: vaidade, presunção.

O problema dessa manutenção do vazio, além de nos condenar a um possível e indesejável dano emocional, é que não abre espaço para o tratamento. Isso porque o presunçoso não se enxerga. Ou se enxerga de modo enviesado… afinal, quem não quer ver algo na verdade já viu… Após um tempo ele mesmo acaba vendo somente a projeção. É por isso que pessoas repetem os mesmos erros… não é maldição hereditária não… é cegueira mesmo…

  • O QUE VOCÊ ANDA ESCONDENDO? O QUE EM VOCÊ PRECISA SER TRATADO?

 

3)    O cuidado de se construir para fora.

Como se constrói o amor? Alguns entendem que essa construção se dá pela via do 2º mandamento, numa perspectiva de amar primeiro a si para depois amar os outros. Sempre suspeitei de algo meu ególatra nessa interpretação. Pessoalmente não penso que o 2º mandamento seja um convite a descoberta primeira da estima pessoal. Mesmo porque os narcisistas, pessoas de mais elevada estima pessoal, possuem sérias dificuldades em amar os outros. “Ame-se” diria o pessoal dessa linha. Acho que o paradigma está ali. Amar ao próximo como me amo. Nada menos do que isso. Não é para amar como o outro ama e sim como amo.

Por isso é que o amor se constrói não para dentro, mas sim para fora. O Amor só pode ser construído no relacionamento com os direitos e necessidades dos outros. O amor faz com que sacrifiquemos nossos direitos em prol do direito dos outros. O amor reacende o sentido da vida, a nossa real vocação.

É por isso que uma pessoa que tem agape quando almeja poder o faz na perspectiva do serviço, da utilidade, da redenção do próximo. Ao passo que os que se portam inconvenientemente desejam poder não para os outros, mas para si, visando manipularem as pessoas para atingirem suas finalidades. Buscam poder para perpetuar o vazio interior.

  • QUANTO VOCÊ TEM PENSADO NOS OUTROS? VIDE A NECESSIDADE DO NATAL DO TERREIRÃO…

CONCLUSÃO: O AMOR NOS CONVIDA A REALIDADE

A palavra para compostura, para se portar (poise – grego), refere-se àquela parte pesada e central do barco que confere a ele equilíbrio, evitando que ele afunde. Quando falta densidade ao núcleo da vida, balançamos ao vento da vaidade. Inclinamos aos convites do poder. A presunção toma conta do coração, distorce a realidade e faz com que as pessoas quando a vejam o façam de modo desfocado.

O AMOR É O QUE É! O amor não é fake. Não é factóide. Não é virtual. Por isso ele nos convida a realidade. E nela somos todos igualados pela nossa fraqueza. Todos perecemos. Por isso não há espaço para super-heróis na igreja. Igreja não é lugar de Jacó´s-Hermes (Hermes era um deus da mitologia grega conhecido por sua velocidade e por ser um mensageiro dos demais deuses). Igreja é lugar para Jacó’s-mancos. A nossa cura enquanto ser começa aqui. Assumindo o que somos, desejando o que Deus quer que sejamos.

E nesse momento de tratamento dois demônios dos mais poderosos atacarão nossa alma, conquanto nenhum deles seja do panteão afro: ansiedade e medo. Eles tentarão manter nossa maior idolatria: a egolatria. Eles nos intimarão a mantermos a vaidade. Contudo, não se engane: na preservação do vazio eles querem a nossa destruição.

Deixe a densidade entrar na sua vida. Deixe o amor preencher você. Deixe o amor tratar e transformar sua vida.

 

Pr.Sergio Dusilek // sdusilek@gmail.com


[1] Essa ausência de chance pode ser marcada por um boicote a todo e qualquer tipo de envolvimento maior (não participação); pela comparação e flerte constante com outras comunidades de fé; pela exigência sufocante do cumprimento de uma expectativa pessoal de envolvimento inibindo o espaço da espontaneidade, entre outros.

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novembro 18, 2013

O AMOR NÃO É INVEJOSO

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:39 pm

O AMOR NÃO É INVEJOSO

(I COR.13.4b)

Teste de fogo para a pretensa espiritualidade de muita gente: seu melhor colega de trabalho recebeu uma baita e inesperada promoção e sua prometida Canaã cada dia mais fica igual a um deserto… diz aí, sinceramente… voce realmente fica feliz por ele ou começa a espumar pelo coração (pra ninguém ver)? Você tenta ter filhos, faz tratamento e nada… vem uma “cracuda” e tem uma gravidez atrás da outra… você se maravilha com o milagre da vida ou se escandaliza com seu preterimento (logo você)?

Poderia passar um bom tempo citando situações que despertam em nós algum tipo de desconforto com o sucesso alheio. Sim, porque inveja nada mais é que o aborrecimento com o sucesso dos outros. E nela por vezes esse aborrecimento, a não ser que nos impulsione a uma retaliação não possui nenhum poder mágico para fazer mal ao outro. A inveja detona é conosco mesmo. Quem adoece é quem sente. O mal está na posse, não no desejo…

Há duas palavras no grego para falar de inveja. Para se ter uma melhor visualização do seu uso, veja o quadro abaixo:

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Phthonos – inveja

Zeloi = ciúme

Platão – ambos são dores da alma.

 

Estágio avançado da inveja, que dá vazão às ações hostis.

Degrau primeiro para a inveja, onde reside a má vontade.

Aristóteles

Busca privar o outro do objeto do desejo. Se eu não tenho, ninguém mais terá.

Para ele, inveja é dor, amargura.

Quem deseja mas não se ressente. Pode ser estimulante.

Plutarco

 

Desejo de estimular aquilo que elogiamos; boa disposição para fazer/adquirir o que admiramos.

Clemente de Roma

 

Atribui o 1º fratricídio a zelos.

 

 

 

 

Paulo usa nesse texto do amor zeloi. Essa palavra pode ter tanto conotação boa (I Cor.12:31; 14:1) quanto ruim (Fp.3:6). Com o apóstolo ela ocorre 9x, sendo 6x no bom sentido.  Por que ele fala aqui no amor não ser invejoso? Porque a Igreja de Corinto era FRATURADA por inveja e luta (I Cor.3:3). Onde impera a inveja, o amor é sufocado. O serviço na igreja se torna exposição/vitrine; a submissão a liderança vira partido.

O que Paulo queria então nos ensinar quando disse que o amor não é invejoso?

1)    Que mesmo sendo um impulso natural, ele pode ser controlado.

Ora é inevitável pensar o que pensamos quando vemos o progresso do outro. Mas o amor agape possibilita transcendê-lo sem eliminá-lo ou destruí-lo. Se a inveja nasce do eros, da necessidade, do medo da perda e por isso é egoísta, o amor agape fornecerá o equilíbrio para que não nos sintamos tão ameaçados assim. Agape tira a dor da ameaça que pode estar ligada a uma devoção a alguém ou as coisas. Perceba que nossa necessidade de controle precisa ser controlada. Boa parte dos conflitos relacionais vêm do medo, que flertam com a ameaça, que nascem na inveja.

2)    Que ele não quer para si o que é do outro.

O amor lança fora a necessidade de competição. Apregoa o contentamento e o compartilhamento. As duas grandes armas contra a inveja. Por que competimos? Porque queremos ser o melhor, para sermos aceitos, porque temos medo de perder alguma coisa… Quando mergulhados no amor perdemos o afã da comparação. Pessoas extremamente competitivas podem acabar tendo invejas de si mesmas e terminando só. Não se compare. Você é único e vive situações similares até, mas únicas na sua experiência!

  • PARA O QUE SEUS OLHOS ANDAM ESPICHANDO?

3)    Que o amor não pode fluir num coração cheio de justiça própria.

Pode até residir. Mas não flui. É lago congelado. Nesse sentido o comentário maldoso pode revelar ou velar/esconder a real crise que está por detrás… por que ele(a) e não eu? Quer ver? Qual foi o primeiro pecado de Ananias e Safira (At.5)? Foi a inveja. E eles foram cheios de autojustificação para o Templo. Nem todo coração pleno de justiça própria vem da inveja; porém, a inveja sempre manifestará essa justiça pessoal (por que ele e não eu?). Essa justiça abre trilhas para o revide. E esse revide será sempre proporcional a perda ou a ameaça imposta por ela. As relações são implodidas porque acaba se cobrando a perfeição do outro. Do amor passa-se a exigência… até que um belo e corriqueiro imprevisto ocorre contigo! E aí voce lembra que não é perfeito… e espera que a igreja seja perfeita… Agape diminui a nossa dor porque guarda nosso coração de uma expectativa exacerbada sobre o outro.

  • DE QUEM VOCÊ ANDA COBRANDO PERFEIÇÃO?

 

O amor arde. Mas lembrando de novo de Moisés e a sarça no deserto, ele não precisa queimar. Sinal maior disso que a própria palavra aqui usada zeloi nos lembra que se o início é instintivo, o final é deliberativo. Nós escolhemos que fim, que tratamento vamos dar a inveja. O sentimento humano, uma vez colocado debaixo da ação do Espírito pode se tornar até abençoador. Contudo esse final cabe a mim e a você escolher qual vai ser.

 

novembro 14, 2013

O AMOR É BENIGNO – I COR.13.4a

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:43 am

O AMOR É BENIGNO – I COR.13.4a

 Você espera que sua ação tenha um retorno, um reconhecimento? Você no fundo, mas bem no fundo, quando ajuda alguém espera que essa pessoa crie uma relação de dependência contigo, que se estabeleça um laço escravocrata pós-moderno? Chama de ingratidão aquele que não só não agradece mas que não lhe faz juras de fidelidade cega e eterna? Se sim, falta a você, a nós, BENIGNIDADE.

Benignidade é o traço que mais nos assemelha a Deus. Marco Aurelio em seus escritos vai usar a benignidade (cresteuetai) para descrever a Deus. Para ele nada é tão irresistível quanto a vivência, a proximidade com o bem. Através dela o homem poderia se tornar semelhante a Deus. Mais do que ser bom (moralmente bom) Deus é benigno, o que explica seu poder de atração. O que teria atraído a Moisés na experiência da Sarça Ardente? Foi a anormalidade na normalidade ou no fundo o convite da benignidade divina?

Ser benigno (cresteutai) é ser agradável, gentil, mostrar bondade, voltar-se de modo gracioso e disposto para servir ao outro. É o amor que se preocupa em dar-se e não em se auto-afirmar. É uma ação que se traduz em doçura (IICor.6:6) e gentileza, que reage com bondade aos maltratos recebidos. E que se abre para o perdão. Guarde bem isso: a mola propulsora do perdão é o amor benigno. Destaca-se também que o apóstolo Paulo apresenta paciência e benignidade juntas em Rm.2:4; II Cor:6:6; Cl.3:12; Gl.5:22. Isto posto, vale a pena destacar que:

 1)    O Amor Benigno não foca resultados.

Tudo em nossa cultura precisa apresentar resultado. Desde a produtividade no trabalho à evolução relacional/patrimonial em casa. A mentalidade empresarial invadiu até o ambiente eclesiástico… fala-se hoje em igrejas competitivas, em treinamentos de liderança empresarial. Nada disso tem a ver com o amor benigno. Esse amor simplesmente “ama” ser do bem. Ele é despretensioso por natureza. É estar ao lado de alguém que jamais vai usar você… de gente de uma simplicidade que marca…

  • QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCE ESTEVE AO LADO DE GENTE ASSIM?

 2)    O Amor Benigno porque não foca resultados não busca recompensas.

O que está em jogo aqui? A espontaneidade que precisa existir no amor para que ele seja verdadeiramente amor. Se algo visa recompensa, se vai ter algum retorno, então temos um contrato, uma transação, um negócio, algo diferente do Amor. Se você espera um agradecimento em prol de sua ação, o que lhe move é o reconhecimento, a recompensa, não o amor. E onde há recompensa no fundo está envolvido o ego, o “eu”, não o outro. O amor benigno é livre para agir; é auto-expressão. Se há uma recompensa pelo amor benigno é o prazer de amar servindo ao outro. Benignidade é o poder que nos move/capacita a suportar e curar qualquer um que não ofereça nada em retorno.

  • QUÃO DISTANTE VOCÊ ESTÁ DESSE AMOR?

 3)    O Amor Benigno fortalece os fracos.

Ser benigno não é ser fraco como Nietzsche equivocadamente interpretou ou como pode aparentar a leveza e docilidade. Não se deve confundir jamais sensibilidade com fragilidade, nem tampouco docilidade com fraqueza. A benignidade é tão forte que possibilita a transfusão de força para os fracos. Aliás, guarde bem isso: os fracos não precisam dos fortes, e sim dos benignos. Porque somente os benignos podem fortalecer os frágeis, uma vez que são doadores de amor, de vida, de força. Os fortes podem no máximo proteger os que fracos são, e condená-los a uma vida de dependência e fraqueza. Soma-se a isso o fato dos fracos serem vistos como espaço de domínio, de exercício de poder. O amor benigno é um poder gerado em Deus e Ele não precisa explorar ninguém para aumentar sua potência.

É nesse amor benigno que se resgata a dignidade do ser humano. É na consciência dessa dignidade que a estima se eleva, que forças são criadas ou mesmo restabelecidas.

O amor benigno nos liberta da ansiedade que o grupo social impinge sobre nossa fraqueza. Isso porque ele nos remete para a mutualidade, para a edificação, para o fortalecimento mútuo.

  • O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA QUE HAJA ESSE CLIMA DE ENCORAJAMENTO E EDIFICAÇÃO MÚTUA NA IGREJA?

 4)    O Amor Benigno é um Canal da cura divina.

Como recuperar o irrecuperável? Como apostar em quem queimou todas as fichas? Como renovar o crédito? Isso se dá pela benignidade. O Amor benigno é o canal maravilhoso do poder de Deus para curar as pessoas. Sim, porque a única coisa que pode transformar alguém é o Amor. Se fosse o poder, Jesus não teria morrido na cruz… Poder muda; amor transforma.

Agora é preciso entender que Deus é benigno para com todos, que há um caráter universalizante na benignidade (Lc.6:35, Mt.5:45; Sl.119:39). Porque alguns adoecem diante do poder restaurador de Deus. Adoecem por não vê-lo exercer juízo… Mas a benignidade é marcada não pelo juízo, mas pelo favor, pelo perdão, pelo abrir da Sua mão.

A natureza de Deus é menos “ripadora” (daí o inferno ser destinado ao Diabo e seus anjos) e mais amorosa… só que esquecemos disso.

 CONCLUSÃO

O Amor é Benigno. Tem de ser para que tenhamos a semelhança e o poder de atração de Deus. Mas vale a pena lembrar que ser benigno é também um risco:

a)    Risco de ser incompreendido: você se dispõe a ajudar alguém do sexo oposto… o que você quer em troca? Talvez seja a pergunta que ecoe na mente de alguns;

b)    Risco de ser explorado: sabe aquela vocação para ser poste/muro? Todo mundo vai se encostando? Descansam em você? Pois então…

c)    Risco de fazer papel de bobo: no afã de ajudar e na inexperiência da atividade, do socorro, você acaba agindo de modo atabalhoado. Depois quando para você percebe a afobação;

d)    Risco de ser tido como o topa-tudo, lido como o bonzinho. Guarde bem uma coisa: benignidade não se traduz numa cara de paisagem. Ela promove antes de tudo o bem, o que implica em postura de denúncia do mal.

Com ou sem riscos, não há outro caminho para nós que não seja o Amor Benigno. Não há outra coisa a fazer há não ser amar, para que sejamos identificados com o Deus que cremos.

 [sdusilek@gmail.com] /// [wwww.ibmarapendi.com.br]

novembro 11, 2013

É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:16 am

É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

(I COR.13:1-13 – Introdução da série)

O que chama nossa atenção é o que está “fora da curva”. Exemplos de extrema crueldade assim como exemplos de enorme bondade ganham espaço na mídia e acabam merecendo nossa atenção. Assim, acabamos dando a mesma deferência no HD mental a um psicopata e a uma Madre Tereza de Calcutá… injusto não? Assim como injusto também é o mundo gastar anualmente Bilhões de dólares com a indústria do pecado sabendo que cerca de 10% desse valor seria suficiente para resolver, num curto espaço de tempo, o problema da fome e da habitação que temos… o que falta? Amor!

A série que hoje começamos fala sobre a ausência mais notada no mundo. Ela se dá na produção cultural, uma vez que se fala muito de amor mas não desse amor que Paulo descreve. Essa ausência também é notada na família, na religião, na igreja, e na relação com Deus. Sim porque muitos ainda se relacionam com Deus por medo, por obrigação, por pavor, mas não se “achegam” (Heb.12:22) pela única estrada possível que é o amor. Voce percebe falta de amor em todo canto… é como diria outro grupo de música popular “miséria, miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes; índio, pobre, preto, branco, miséria, miséria em qualquer canto”. Sempre sobrará miséria onde falta o genuíno amor.

E aqui nós temos uma dupla dificuldade. A primeira é a do termo. Enquanto no grego existem 4 palavras para expressa a idéia do amor, em português há somente uma. Sendo assim no grego há as palavras eros = amor de profundo desejo, anseio sexual, a qual não aparece no NT; storge = amor carinho, amor familiar que na sua forma adjetiva aparece em Rm.12:10; philia = amor amizade. Como verbo aparece 33x no NT e como substantivo 29x; e ágape=amor altruísta, sacrificial, cujo termo pouco aparece entre os gregos, mas que se torna preferido no NT (130x como verbo no NT e 120x como substantivo). Houve uma apropriação e resignificação do termo no cristianismo. E essa redefinição aparece em Jesus, que expressou o amor espontâneo, criativo e doador que manifesta a natureza de Deus. Tanto assim é que Karl Barth sugere trocar o termo amor por Jesus Cristo. Nesse magistral texto paulino de I Coríntios 13 há a expressão da totalidade da ação de Deus na História.

A segunda dificuldade reside no contexto. A Igreja de Corinto era uma comunidade de fé que refletia a cultura onde estava inserida. A extrema sensualidade da cidade se traduzia na carnalidade dos membros. Ao invés de serem espirituais (pneumatikós) eram carnais (sarkikós). Promoviam categorizações de crentes pelo DNA espiritual (“sou de Apolo”, “sou de Paulo”) e pelos dons, dando maior valor ao dom de menor valor (o de línguas). Queriam o sobrenatural sem a espiritualidade cristã, sem o amor. Estavam se tornando uma comunidade com muitas marcas, menos as de Cristo. Era uma igreja então que se apegava aos efeitos externos, a mostra da religião, mas não a essência. Jonathan Swift, autor satírico das Viagens de Gulliver dizia: “nós temos bastante religião para nos fazer odiar, mas não temos o suficiente para fazer com que nos amemos”. Voltaire em sua Sexta Carta Inglesa falava da harmonia dos diferentes credos dentro da Bolsa de Londres, e da beligerância dos mesmos em seus ambientes religiosos.

Por que então sentimos essa ausência, a falta do amor?

1)   Porque o amor faz a inclusão(v.1).

Nós precisamos de aceitação. Nós precisamos de pertença. E aqui é interessante que Paulo fale de ter as mais variadas línguas. Porque na integração a comunicação lingüística exerce um papel preponderante. Uma comunidade que tem abuso de línguas “estranhas”, onde cada um fala algo diferente, dificilmente vai conseguir viver em amor, uma vez que não se estabelece comunicação entre as pessoas. Sem comunicação, sem compartilhamento. O amor não reside na comunicação, mas tampouco prescinde dela.

Uma comunidade de fé que fala em línguas ininteligíveis pode ser fruto de gente que vive debaixo de um severo autoritarismo. A única forma de falar era aquela. A única forma de se incluir se torna a veia da espiritualização.

O amor cristão implica em inclusão. Enquanto o ódio faz círculos excludentes, o amor elabora invólucros de inclusão. Para os gregos o amor era justificado pelo merecimento. Os melhores devia ser amados. Mas Cristo revela um outro parâmetro: o amor pelo pior, pelos indignos, por aqueles que não merecem.

  • VOCÊ TEM EXCLUÍDO ALGUEM DO SEU CONVÍVIO? VOCE TEM SE EXCLUÍDO DO CONVIVIO DO POVO DE DEUS?

 

2)   Porque o amor nos renova (v.2).

Conhecimento é bom, mas cansa. Saber das coisas, antecipar as possibilidades, tudo isso cansa… e como! Interessante que Paulo está falando aqui da profecia que é conhecimento pleno, inteireza e que traz esperança para o cansado, quando aponta para uma nova perspectiva. Mas Paulo está falando aqui que o grande renovo está no amor. Assim como o sistema circulatório possibilita a oxigenação, no Corpo de Cristo somos renovados pelo amor. Ele é o verdadeiro sistema Circulatório da Igreja. Não dá para ser espiritual sem ter amor. Isso é aberração.

  • VOCÊ JÁ FOI RENOVADO POR UMA PALAVRA DE APOIO, ESTIMULO DE UM AMIGO, OU DE ALGUEM DA FAMÍLIA? 

 

3)   Porque o amor nos recolhe (v.3).

A palavra no grego para distribuição é psômísô= reduzir a zero, quebrar em migalhas, dividir as posses em pedaços. Interessante que o judaísmo proibia a disposição de todos os bens de uma vez. O máximo permitido era 20% ao ano. Atualmente Bill Gates e Warren Buffett tentam pela Given Pledge levantar US$600 bilhões  em fundos para fins de filantropia. A quantia pode ser altíssima, mas o valor, sendo feito sem amor, continua sendo baixo.

Há horas em que a redução em migalhas não é do dinheiro. É da nossa vida mesmo. Há momentos que somos dilacerados na vida e pela vida. O que fazer? O que reconstitui esses caquinhos? É o AMOR! Ele nos recolhe. Sem o amor somos varridos!

Paulo usa outra imagem forte do que a religião pode produzir. Ter o corpo queimado. Aqui pode ser literalmente isso mesmo, visto que em 20 dC um hindu chamado Zarmamochegas deixou-se queimar até a morte. Recentemente aconteceu isto com pacifistas durante a Guerra do Vietnã.

Queimar pode significar também ter o corpo queimado/marcado como escravo, após ser vendido e distribuir esse valor aos pobres. Lembre-se que nem todo altruísmo é sinal de amor.

  • Reconstituição é para quem Ama! Refazimento é para quem ama!

 

Conclusão:

A religião pode produzir coisas impressionantes. Algumas delas até certo ponto benéficas. Mas nada se compara ao amor. A.Ben Oliver dizia que o “amor cristão é aquela coisa sem a qual tudo o mais é nada, e a qual seria suficiente por si só, ainda que sozinha”.

E como estamos distantes desse amor! Quanto precisamos mais dele!

 

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