Novos Caminhos, Velhos Trilhos

novembro 14, 2013

O AMOR É BENIGNO – I COR.13.4a

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:43 am

O AMOR É BENIGNO – I COR.13.4a

 Você espera que sua ação tenha um retorno, um reconhecimento? Você no fundo, mas bem no fundo, quando ajuda alguém espera que essa pessoa crie uma relação de dependência contigo, que se estabeleça um laço escravocrata pós-moderno? Chama de ingratidão aquele que não só não agradece mas que não lhe faz juras de fidelidade cega e eterna? Se sim, falta a você, a nós, BENIGNIDADE.

Benignidade é o traço que mais nos assemelha a Deus. Marco Aurelio em seus escritos vai usar a benignidade (cresteuetai) para descrever a Deus. Para ele nada é tão irresistível quanto a vivência, a proximidade com o bem. Através dela o homem poderia se tornar semelhante a Deus. Mais do que ser bom (moralmente bom) Deus é benigno, o que explica seu poder de atração. O que teria atraído a Moisés na experiência da Sarça Ardente? Foi a anormalidade na normalidade ou no fundo o convite da benignidade divina?

Ser benigno (cresteutai) é ser agradável, gentil, mostrar bondade, voltar-se de modo gracioso e disposto para servir ao outro. É o amor que se preocupa em dar-se e não em se auto-afirmar. É uma ação que se traduz em doçura (IICor.6:6) e gentileza, que reage com bondade aos maltratos recebidos. E que se abre para o perdão. Guarde bem isso: a mola propulsora do perdão é o amor benigno. Destaca-se também que o apóstolo Paulo apresenta paciência e benignidade juntas em Rm.2:4; II Cor:6:6; Cl.3:12; Gl.5:22. Isto posto, vale a pena destacar que:

 1)    O Amor Benigno não foca resultados.

Tudo em nossa cultura precisa apresentar resultado. Desde a produtividade no trabalho à evolução relacional/patrimonial em casa. A mentalidade empresarial invadiu até o ambiente eclesiástico… fala-se hoje em igrejas competitivas, em treinamentos de liderança empresarial. Nada disso tem a ver com o amor benigno. Esse amor simplesmente “ama” ser do bem. Ele é despretensioso por natureza. É estar ao lado de alguém que jamais vai usar você… de gente de uma simplicidade que marca…

  • QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCE ESTEVE AO LADO DE GENTE ASSIM?

 2)    O Amor Benigno porque não foca resultados não busca recompensas.

O que está em jogo aqui? A espontaneidade que precisa existir no amor para que ele seja verdadeiramente amor. Se algo visa recompensa, se vai ter algum retorno, então temos um contrato, uma transação, um negócio, algo diferente do Amor. Se você espera um agradecimento em prol de sua ação, o que lhe move é o reconhecimento, a recompensa, não o amor. E onde há recompensa no fundo está envolvido o ego, o “eu”, não o outro. O amor benigno é livre para agir; é auto-expressão. Se há uma recompensa pelo amor benigno é o prazer de amar servindo ao outro. Benignidade é o poder que nos move/capacita a suportar e curar qualquer um que não ofereça nada em retorno.

  • QUÃO DISTANTE VOCÊ ESTÁ DESSE AMOR?

 3)    O Amor Benigno fortalece os fracos.

Ser benigno não é ser fraco como Nietzsche equivocadamente interpretou ou como pode aparentar a leveza e docilidade. Não se deve confundir jamais sensibilidade com fragilidade, nem tampouco docilidade com fraqueza. A benignidade é tão forte que possibilita a transfusão de força para os fracos. Aliás, guarde bem isso: os fracos não precisam dos fortes, e sim dos benignos. Porque somente os benignos podem fortalecer os frágeis, uma vez que são doadores de amor, de vida, de força. Os fortes podem no máximo proteger os que fracos são, e condená-los a uma vida de dependência e fraqueza. Soma-se a isso o fato dos fracos serem vistos como espaço de domínio, de exercício de poder. O amor benigno é um poder gerado em Deus e Ele não precisa explorar ninguém para aumentar sua potência.

É nesse amor benigno que se resgata a dignidade do ser humano. É na consciência dessa dignidade que a estima se eleva, que forças são criadas ou mesmo restabelecidas.

O amor benigno nos liberta da ansiedade que o grupo social impinge sobre nossa fraqueza. Isso porque ele nos remete para a mutualidade, para a edificação, para o fortalecimento mútuo.

  • O QUE VOCÊ TEM FEITO PARA QUE HAJA ESSE CLIMA DE ENCORAJAMENTO E EDIFICAÇÃO MÚTUA NA IGREJA?

 4)    O Amor Benigno é um Canal da cura divina.

Como recuperar o irrecuperável? Como apostar em quem queimou todas as fichas? Como renovar o crédito? Isso se dá pela benignidade. O Amor benigno é o canal maravilhoso do poder de Deus para curar as pessoas. Sim, porque a única coisa que pode transformar alguém é o Amor. Se fosse o poder, Jesus não teria morrido na cruz… Poder muda; amor transforma.

Agora é preciso entender que Deus é benigno para com todos, que há um caráter universalizante na benignidade (Lc.6:35, Mt.5:45; Sl.119:39). Porque alguns adoecem diante do poder restaurador de Deus. Adoecem por não vê-lo exercer juízo… Mas a benignidade é marcada não pelo juízo, mas pelo favor, pelo perdão, pelo abrir da Sua mão.

A natureza de Deus é menos “ripadora” (daí o inferno ser destinado ao Diabo e seus anjos) e mais amorosa… só que esquecemos disso.

 CONCLUSÃO

O Amor é Benigno. Tem de ser para que tenhamos a semelhança e o poder de atração de Deus. Mas vale a pena lembrar que ser benigno é também um risco:

a)    Risco de ser incompreendido: você se dispõe a ajudar alguém do sexo oposto… o que você quer em troca? Talvez seja a pergunta que ecoe na mente de alguns;

b)    Risco de ser explorado: sabe aquela vocação para ser poste/muro? Todo mundo vai se encostando? Descansam em você? Pois então…

c)    Risco de fazer papel de bobo: no afã de ajudar e na inexperiência da atividade, do socorro, você acaba agindo de modo atabalhoado. Depois quando para você percebe a afobação;

d)    Risco de ser tido como o topa-tudo, lido como o bonzinho. Guarde bem uma coisa: benignidade não se traduz numa cara de paisagem. Ela promove antes de tudo o bem, o que implica em postura de denúncia do mal.

Com ou sem riscos, não há outro caminho para nós que não seja o Amor Benigno. Não há outra coisa a fazer há não ser amar, para que sejamos identificados com o Deus que cremos.

 [sdusilek@gmail.com] /// [wwww.ibmarapendi.com.br]

1 Comentário »

  1. De gde valia esse texto, no momento q passo e já passei encaixou perfeitamente. Como é bom ter Cristo como alvo e saber q tudo passa, ste as misericórdias dEle q são para sempre. Embora falia e pecaminosa sei q a minha fraqueza é que é alimento para minha fé.
    Paz e Graça Pastor, gde abraço, suade!

    Comentário por CLAUDIA REZENDE — novembro 15, 2013 @ 3:42 pm | Responder


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