Novos Caminhos, Velhos Trilhos

novembro 18, 2013

O AMOR NÃO É INVEJOSO

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:39 pm

O AMOR NÃO É INVEJOSO

(I COR.13.4b)

Teste de fogo para a pretensa espiritualidade de muita gente: seu melhor colega de trabalho recebeu uma baita e inesperada promoção e sua prometida Canaã cada dia mais fica igual a um deserto… diz aí, sinceramente… voce realmente fica feliz por ele ou começa a espumar pelo coração (pra ninguém ver)? Você tenta ter filhos, faz tratamento e nada… vem uma “cracuda” e tem uma gravidez atrás da outra… você se maravilha com o milagre da vida ou se escandaliza com seu preterimento (logo você)?

Poderia passar um bom tempo citando situações que despertam em nós algum tipo de desconforto com o sucesso alheio. Sim, porque inveja nada mais é que o aborrecimento com o sucesso dos outros. E nela por vezes esse aborrecimento, a não ser que nos impulsione a uma retaliação não possui nenhum poder mágico para fazer mal ao outro. A inveja detona é conosco mesmo. Quem adoece é quem sente. O mal está na posse, não no desejo…

Há duas palavras no grego para falar de inveja. Para se ter uma melhor visualização do seu uso, veja o quadro abaixo:

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Phthonos – inveja

Zeloi = ciúme

Platão – ambos são dores da alma.

 

Estágio avançado da inveja, que dá vazão às ações hostis.

Degrau primeiro para a inveja, onde reside a má vontade.

Aristóteles

Busca privar o outro do objeto do desejo. Se eu não tenho, ninguém mais terá.

Para ele, inveja é dor, amargura.

Quem deseja mas não se ressente. Pode ser estimulante.

Plutarco

 

Desejo de estimular aquilo que elogiamos; boa disposição para fazer/adquirir o que admiramos.

Clemente de Roma

 

Atribui o 1º fratricídio a zelos.

 

 

 

 

Paulo usa nesse texto do amor zeloi. Essa palavra pode ter tanto conotação boa (I Cor.12:31; 14:1) quanto ruim (Fp.3:6). Com o apóstolo ela ocorre 9x, sendo 6x no bom sentido.  Por que ele fala aqui no amor não ser invejoso? Porque a Igreja de Corinto era FRATURADA por inveja e luta (I Cor.3:3). Onde impera a inveja, o amor é sufocado. O serviço na igreja se torna exposição/vitrine; a submissão a liderança vira partido.

O que Paulo queria então nos ensinar quando disse que o amor não é invejoso?

1)    Que mesmo sendo um impulso natural, ele pode ser controlado.

Ora é inevitável pensar o que pensamos quando vemos o progresso do outro. Mas o amor agape possibilita transcendê-lo sem eliminá-lo ou destruí-lo. Se a inveja nasce do eros, da necessidade, do medo da perda e por isso é egoísta, o amor agape fornecerá o equilíbrio para que não nos sintamos tão ameaçados assim. Agape tira a dor da ameaça que pode estar ligada a uma devoção a alguém ou as coisas. Perceba que nossa necessidade de controle precisa ser controlada. Boa parte dos conflitos relacionais vêm do medo, que flertam com a ameaça, que nascem na inveja.

2)    Que ele não quer para si o que é do outro.

O amor lança fora a necessidade de competição. Apregoa o contentamento e o compartilhamento. As duas grandes armas contra a inveja. Por que competimos? Porque queremos ser o melhor, para sermos aceitos, porque temos medo de perder alguma coisa… Quando mergulhados no amor perdemos o afã da comparação. Pessoas extremamente competitivas podem acabar tendo invejas de si mesmas e terminando só. Não se compare. Você é único e vive situações similares até, mas únicas na sua experiência!

  • PARA O QUE SEUS OLHOS ANDAM ESPICHANDO?

3)    Que o amor não pode fluir num coração cheio de justiça própria.

Pode até residir. Mas não flui. É lago congelado. Nesse sentido o comentário maldoso pode revelar ou velar/esconder a real crise que está por detrás… por que ele(a) e não eu? Quer ver? Qual foi o primeiro pecado de Ananias e Safira (At.5)? Foi a inveja. E eles foram cheios de autojustificação para o Templo. Nem todo coração pleno de justiça própria vem da inveja; porém, a inveja sempre manifestará essa justiça pessoal (por que ele e não eu?). Essa justiça abre trilhas para o revide. E esse revide será sempre proporcional a perda ou a ameaça imposta por ela. As relações são implodidas porque acaba se cobrando a perfeição do outro. Do amor passa-se a exigência… até que um belo e corriqueiro imprevisto ocorre contigo! E aí voce lembra que não é perfeito… e espera que a igreja seja perfeita… Agape diminui a nossa dor porque guarda nosso coração de uma expectativa exacerbada sobre o outro.

  • DE QUEM VOCÊ ANDA COBRANDO PERFEIÇÃO?

 

O amor arde. Mas lembrando de novo de Moisés e a sarça no deserto, ele não precisa queimar. Sinal maior disso que a própria palavra aqui usada zeloi nos lembra que se o início é instintivo, o final é deliberativo. Nós escolhemos que fim, que tratamento vamos dar a inveja. O sentimento humano, uma vez colocado debaixo da ação do Espírito pode se tornar até abençoador. Contudo esse final cabe a mim e a você escolher qual vai ser.

 

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