Novos Caminhos, Velhos Trilhos

janeiro 16, 2017

Igreja Pra que?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:10 am

IGREJA PRA QUE? (Parte 2)

Quero convidar você a voltar sua atenção para uma genealogia diferente daquela estabelecida pela genética, pelos laços de sangue. Ao olhar para o texto compreendido entre 2 Crônicas 26-29, mais do que perceber uma linhagem genealógica entre os reis de Judá ali mencionados, quero convidá-lo(a) a voltar sua atenção especialmente para outro tipo de linhagem ali mencionada: a espiritual. No texto ela é apresentada pelo binômio aproximação/distância da “Porta da Casa do Senhor” (2 Crônicas 26:16; 27:2-3; 28:24; 29:3).

O primeiro rei mencionado foi um baita líder. Ele buscara o Senhor (26:5) e o Senhor o abençoara. Tinha poder, fama, a tal ponto que inimigos históricos lhe presenteavam (26:8,15). Era visionário, a ponto de abrir novas fontes e incentivar o processo produtivo do Setor Primário, notadamente da Agricultura (26:10). Era construtor (26:9) e estrategista, a ponto de inventar novas armas de guerra e estabelecer diferentes torres que funcionavam como lugares de refugio e de sentinela. No entanto, o texto bíblico diz que no auge do seu benéfico e diferenciado reinado seu coração ficou envaidecido (26:16). Aquele para quem as portas sempre se abriam, ou mesmo para quem as portas nunca o impediam, acabou por DESPREZAR A PORTA DA CASA DO SENHOR (26:16-19,21). No alto da sua vaidade, achou que podia ele mesmo assumir os ofícios do sacerdote. A Palavra diz que os sacerdotes que ali estavam eram homens de fibra (26:17), expressão usada não só porque resistiram ao poderoso rei, mas talvez também por conta do alto risco envolvido. Afinal, da última vez que os sacerdotes resistiram a um rei, foi a turma de Aimeleque à Saul, quando 85 homens vestidos de linho foram mortos por Doegue, motivo que levou Davi a escrever o Salmo 52. Uzias, um rei bom amado e temido, se tornou leproso porque desprezou a Porta da Casa do Senhor, não reconhecendo os limites de sua atuação, nem tampouco o espaço do sagrado.
O segundo rei foi seu filho Jotão (27:2-3). Jotão foi aquele que não passou da Porta da Casa do Senhor. Conquanto fosse um rei que seguisse a Deus e aos seus preceitos (27:6), a sua relação com o Senhor se tornou da porta para fora. O grande símbolo desse fato é que ele edifica uma Porta do Templo (27:3). Era uma relação com Deus distanciada, sem inspiração e pouco inspiradora. Possivelmente ele esteve no Templo com seu pai quando Uzias desprezou a Porta da Casa do Senhor, ficando leproso (26:19-20). Aquela que fora a cena mais dramática da sua vida talvez tenha influenciado esse relacionamento da “porta para fora”. Quem sabe por vergonha do que acontecera; quem sabe por medo de Deus e do que aquele espaço podia ocasionar; quem sabe pela dor da perda de um pai em vida… Fato é que Jotão passou o restante dos seus dias ouvindo pelas ruas e pela memória a expressão “é leproso” (26:23) sobre seu pai.
A questão é que a ausência do seu exemplo, de sua espiritualidade vivida na dimensão do culto público trouxe, segundo a Bíblia, duas grandes consequencias: a) a primeira, o povo continuou a fazendo o que era mal, o que era errado; b) a segunda, seu filho Acaz (neto de Uzias) cresceu sem qualquer referência espiritual.
Essa ausência de referência espiritual sadia fez com que o reinado de Acaz fosse marcado como AQUELE QUE FECHOU AS PORTAS DA CASA DO SENHOR (28:24). Acaz passa a adorar outros deuses (28:2), atingindo seu ápice de sandice espiritual ao sacrificar, queimar parte de sua prole para um desses deuses (28:3). Ele se fascina com outros altares (II Reis 16:10-12), e passa a preferir os deuses que dão algum tipo de resultado, cujo maior exemplo é sua adoração aos deuses da Síria, os quais, para Acaz, tinham concedido a vitória da Síria sobre Judá (28:23). Para Acaz, não importava o que era certo, mas o que dava certo. Ele então rompe com todos os valores e com tudo que é sagrado (28:4,21,24). Perde tudo aquilo que era realmente importante e passa a buscar ajuda nas fontes erradas (28:24). Descobre, tardiamente, que uma vida longe de Deus é uma vida de abandono, de solidão, de falta de socorro e de perdas. Por falar nelas, sua última perda foi a sepultura. Ele não foi enterrado com a dignidade de um rei, pois foi colocado em outro lugar diferente de onde os reis eram enterrados (28:27).
Mas aí vem a Graça de Deus sobre essa família que parecia ter tudo para ser visitada pelo mal até a 4a geração. A Graça prorrompe do modo mais improvável: com o filho de Acaz, que se torna o rei Ezequias. EZEQUIAS FOI O REI QUE ABRIU E REPAROU AS PORTAS DA CASA DO SENHOR (29:3). É possível desdizer uma história, uma vez que não somos pré-determinados. Entre Calvino e Paulo Freire, estamos mais para a perspectiva construtivista de Freire. É possível não repetir o péssimo exemplo. É possível escrever uma nova e diferente história, por causa da GRAÇA de Deus. Ezequias se tornou um homem cuja oração Deus costumava ouvir (30:20; 32:20-21; Isaías 38:1-8).
Que neste ano de 2017 voce estabeleça um propósito de ser alguém como Ezequias – que abre as portas da casa do Senhor. Um instrumento de Deus para tocar o coração das pessoas que estão à sua volta, afim de que elas se voltem para o Senhor de todo o coração. Que você neste ano, valorize o culto no Templo, esse momento de adoração a Deus que temos como amigos, como família do Senhor. Não despreze as portas da Casa do Senhor como fez Uzias; Não tenha um relacionamento com Deus da porta para fora, como fez Jotão, porque o Senhor a quem servimos quer intimidade e não superficialidade; muito menos feche as portas da Casa do Senhor como fez Acaz, pois essa é uma trajetória de perda de valores, de referenciais, de pessoas, de Deus; e por fim, seja como Ezequias, instrumento da Graça de Deus para abrir as portas da Casa do Senhor. Assuma sua parte no sustento e no serviço do Senhor na Sua Igreja, que se torna nossa pela convivência como família de Deus, a saber, a Igreja Batista Marapendi.
Deus nos abençoe. Um 2017 diferente, muito melhor espiritualmente para todos nós, do que foi 2016.

Pr.Sergio Dusilek

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janeiro 14, 2017

Quando um Banco se perde dentro de si mesmo.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:41 am

Penso que um Banco exista, no processo produtivo, como um meio e não como um fim. Ele está ali para facilitar os meios de troca, para fornecer linhas de crédito, para auxiliar o processo de produção com seus produtos financeiros. Por ser meio é que todo banco trabalha com o dinheiro dos outros, recebendo em depósito por uma mão e emprestando pela outra. Por isso horrível coisa é quando um banco se torna um fim em si mesmo. Ao invés de cumprir esse papel de facilitação, acaba sendo o elemento dificultador. Ao invés de trabalhar para as empresas e organizações, passa a achar que estas é que devem trabalhar para ele…

Estou aqui falando do Banco Itau (#Itaú #bancoitaú).
Sua voracidade por assimilar outros bancos afim de se tornar benchmark fez com que o Itau se perdesse. E um banco se perde ao estabelecer regras que os próprios colaboradores reconhecem não fazer o menor sentido. Uma delas é o bloqueio do acesso da conta no dia seguinte do encerramento do mandato da diretoria. Como se no Brasil bastasse levar a ata pela manhã e sair com ela do cartório à tarde devidamente registrada… que país é o seu #bancoitaú ????

E na hora de resolver… aí vc se sente numa offshore. É um empurra-empurra de uma plataforma para outra… quase como que a “disputa da carne”, a famosa “maré zero” do “Tropa de Elite-1″…
Uma sugestão? Tire sua conta do Itaú. Especialmente se ela for PJ com mandato da diretoria.
Alguns afirmam que esse banco já foi bom. Eu não sei dizer se essa assertiva procede. Agora posso dizer que ele hoje está uma porcaria.
#itaúbancoruim; #itaúsóprestaparaseusdonos; #itaúquerodistancia

Pr.Sérgio Dusilek

sdusilek@gmail.com

janeiro 6, 2017

Da onde vem a autoridade?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 10:06 am

Alguns anos atrás fiz uma pergunta retórica para três jovens, que antes da conversão, tinham experimentado drogas. Para meu espanto pessoal, eles asseveraram que só quem podia falar da ruindade da droga era quem já tinha experimentado. Nem argumentando o óbvio… o nome… “droga” não pode ser bom…não teve jeito. Infelizmente essa predisposição em atrelar a autoridade à experiência não é uma perspectiva isolada, de um pequeno grupo. Já se tornou um traço cultural. Mas de onde reside a autoridade sobre um assunto?

Em primeiro lugar, pode estar calcado no conhecimento. Alguém que estuda por anos a fio um determinado assunto acaba se tornando profundo conhecedor dele. O conhecimento adquirido então, ao ser exalado, sai com segurança, com a certeza de quem sempre manipulou tais dados. O conhecimento reveste alguém de autoridade.

Em segundo lugar está a própria experiência. Mas não como filtro excludente, e sim como filtro interno capaz de jogar novas luzes sobre uma determinada realidade vivida. O que quero dizer é que a experiência vivida contribui e fornece algum componente para a autoridade. Só que ela não é determinante. Por exemplo: um artista de TV, um músico que casou diversas vezes (mais de 5), ele tem autoridade para falar sobre o casamento? Ou mesmo sobre o divórcio? Me parece que em casos como esses, em que as diversas experiências não resultaram em aprendizado algum, não há como falar em autoridade e muito menos com autoridade.

A solidez do argumento pode ser uma fonte de autoridade. Sua demonstrabilidade, ou mesmo sua razoabilidade podem conter um grau de autoridade. Especialmente para quem se deixa convencer, ou aquiesce uma sugestão/ponderação.

Outra fonte de autoridade é a coerência de vida da pessoa (autoridade da pessoa). Ora, se um político corrupto, pego pela Lava-Jato aparece na TV em horário político para falar sobre corrupção, o que se pode esperar além de revolta, panelaço, ou a mudança de canal? Coerência de vida confere autoridade para quem fala. Já vi gente bem intencionada falar as maiores besteiras (no meu entender) mas que respeitei por conta da coerência daquele que falava. Uma vida coerente faz com que a força moral siga adiante da pessoa. Uma vida coerente, tão em falta, é que confere autoridade sobre diversos assuntos, mesmo que boa parte deles não tenham sequer sido vividos por estes.

A possível distorção da “autoridade da pessoa” pode estar na investidura de um cargo. Um juiz bandido tem autoridade apesar de não ter a menor coerência. Um promotor safado tem autoridade mesmo sem gozar de força moral. Isto porque o Estado investiu aquela pessoa daquela autoridade e, por pior que ela seja, ao se pronunciar ela o faz em nome do Estado. Sua palavra tem autoridade porque o Estado (não sei até quando) ainda tem autoridade.

Por fim quero falar da autoridade no campo religioso, especialmente em religiões que possuem um livro como  fonte de autoridade, como é o caso da Bíblia, no cristianismo. Para além da necessidade de uma “segunda ingenuidade” (como diria Ricoeur), ao se tornar cristã o fiel assume a Bíblia como livro sagrado. É dali que irão emanar diretrizes, princípios, para construção de sua vida, tanto no relacionamento com Deus, quanto no relacionamento com as demais pessoas e dimensões da vida. Para tanto o fiel faz a “leitura confessante”, como bem lembra Paul Ricoeur, na qual ele confere, porque reconhece, a autoridade do texto bíblico.

Desse modo, não faz sentido algum dizer que um pároco, por não ser casado, não pode aconselhar um casal, ou mesmo apontar caminhos para problemas na relação parental. Ele pode, ele tem autoridade quando fala, e porque fala, a partir da perspectiva bíblica. Somente gente desavisada e desprovida de um curso de teologia minimamente recomendável, e que ainda se diz cristã, pode sustentar um argumento falacioso como este. Aprenda: para você que é cristão, a autoridade vem da Palavra, porque para nós, foi Deus quem a Inspirou.

Termino então alertando você para tomar cuidado com pessoas que calcam o argumento somente pelo viés da experiência, as quais muitas vezes é uma falida experiência. Saiba que há outras fontes, como algumas que mencionei aqui, muito melhores e mais seguras de autoridade. Recorra a elas, mesmo porque, a experiência sempre será pessoal e intransferível. É igual senha de banco; ou pelo menos, era para ser.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

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