Novos Caminhos, Velhos Trilhos

junho 26, 2009

IMPRESSÕES SOBRE QUEM FOI TARDE: A MORTE DE MICHAEL JACKSON

Filed under: Cultura — sdusilek @ 7:34 pm

É possível que o texto abaixo cause alguma espécie em você. Meu objetivo, pode crer, é esse mesmo. Isso porque quero que você pense. O que a mídia tem produzido sobre a morte do Michael… se ainda fosse o Jordan, o Schumacher, eu até daria razão… mas dizer que a morte do Michael Jackson afetou o mundo… isso para mim é demais. Vendo O Jornal da Globo ontem, fiquei abismado quando William Wack disse que o ídolo pop era um espelho para nós…

Não entendo essa postura midiática de conferir benevolência e certa pureza a alguém tão torto como esse famoso cantor. Ele não era santo. Acusações pesadíssimas e suspeitas seriíssimas foram levantadas contra ele ainda em vida. Não estamos falando somente de excentricidade, mas de possível perversão, aliada a muita maldade. Conquanto boa parte da imprensa queira mostrá-lo como o menino dos Jackson Five, na verdade ele tinha cada vez mais a cara do encapetado personagem de Thriller.

Discordo também dessa visão de surpresa para os fatos. Ora, alguém que além do adoecimento da alma (estampado em sua excentricidade), vinha apresentando comprometimentos na saúde física, estava fadado a viver menos do que os outros. Alguém que se torna viciado em um tipo de medicamento (se é que não tem outros vícios ai também), não pode esperar que sua vida seja tão longeva quanto a de outrem que possui hábitos saudáveis. Não há surpresa para algo que vem sendo anunciado.

Não vejo também nenhum vácuo deixado por Jackson. Moralmente, ele fez questão de se apresentar como alguém repreensível. Relacionalmente, como alguém distante, assombrado pela própria fama. Profissionalmente, há muito era decadente. O espaço que um dia conquistou, foi perdido há muito tempo para outros artistas. Intelectualmente, nada produziu. Esteticamente foi um fracasso, até mesmo para os cirurgiões plásticos (nem Dr.Ray (Hollywwod) daria conta). Ideologicamente, foi alguém sem bandeiras, sem identificação. Religiosamente, perdido: ele era o que? Testemunha de Jeová? Convertido ao Islamismo? Ninguém sabe. Tampouco Michael mentoriou novos talentos. Pessoalmente, não se aceitava, tanto que “descoloriu” nos últimos anos. Era um moreno boa pinta e se transformou em um branquelo azedo. E não venha me dizer que você acreditou na desculpa de vitiligo…

Percebeu? Que vácuo alguém como ele pode ter deixado? Penso que só os coreógrafos podem realmente sentir alguma falta…

Tanta coisa para noticiar… Tantos bons exemplos andando e iluminando o mundo com suas “anônimas” vidas… e os jornais gastando paginas e mais paginas, editoriais e programas/documentários inteiros para falar de Jackson. Alguém vazio como nosso tempo. Alguém que se desfez no ar.

Por isso que digo que alguém que vive meio século e tem a capacidade de deixar um “rastro purpurínico”, sem nada de significativo há não ser uma promoção (ou seria autopromoção?) em 1982 pela fome na África, não podia ter ido mais tarde. Pessoas choram pelo “ídolo” pop; mas não acredito que alguém chore pelo Michael. Com uma vida tão fria, tão vazia, tão sem pulsação, não me admira que tenha sido o coração a parar.

Ficou chocado? Então ligue para 0800… (brincadeirinha!). Como falei quero que você pense por si e não pelo que a mídia diz. E quero de coração que Deus o ajude a olhar para bons referenciais e a desprezar aqueles que não o são. Que você chegue ao final da sua vida com inúmeras pessoas que foram marcadas pela sua existência. Que seu culto fúnebre (quando ele acontecer) seja uma celebração a Deus pela saudade que você (não um holograma) deixou.

 

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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junho 25, 2009

ATOS SECRETOS

Filed under: Cultura — sdusilek @ 4:50 pm

Recentemente fazendo um vôo Rio-Belo Horizonte (esta ultima sim a cidade maravilhosa (rsrsrs!)), recebi um informativo com algumas noticias de ultima hora para ler. Nele me deparei com uma preocupante frase do presidente Lula na qual preconizava uma espécie de passe livre para os atos secretos do Senado, como se isso não fosse algo digno de apuração.

Para você que me conhece, vou resistir a tentação de arrebentar com esse presidente que temos. Pelo menos por hora. Meu interesse é nesse fenômeno cultural que aceita e justifica que alguém tenha atos secretos.

Para que você entenda a gravidade disso, vale a pena dizer que secreto é diferente de privado. Ninguém ta defendendo que a vida dos outros tenha de ser devassada a um ponto tal que se perca o espaço do privado. Todos precisamos de relacionamento e todos necessitamos também de uma espécie de “reserva de domínio”, algo que seja da nossa alçada e também daqueles com quem achamos que devamos compartilhar. Nesse sentido privado é aquilo que não veio a público ainda, mas que poderá ser de domínio geral em breve tão logo o dono queira mostrar. Já o secreto é aquilo que, por ter sido feito escondido de modo escuso e transgressor, não pode  vir a público. Quando o privado vem a público é exposição. Quando o secreto vem a público é escândalo e difamação (difamar é nada mais do que revelar os podres de alguém… O problema, na minha visão,  não está na difamação, mas na calúnia – quando alguém inventa “os podres do outro”).

O movimento corporativo do Senado brasileiro não é pela invasão do privado, mas sim pela delação do secreto, do escuso. E se fossem alguns deslizes até dava para contornar… mas 663? Tá quase chegando no número da besta do apocalipse (666 – Ap.13). Cá entre nós, me permito achar que esse é um bom número para o Senado do Brasil.

Outro agravante é a incompatibilidade do tipo de vida que um político se propõe a ter. Assim como o político, artistas, líderes religiosos, podem e devem ter suas “vidas privadas”, mas não “vidas secretas”. Isso porque gente que ocupa esse tipo de função tem uma vida com caráter público. E o ônus de quem tem vida pública é justamente a satisfação ao seu público, àqueles que confiam em você.

E é aqui que me preocupa uma triste realidade. O Senado é retrato e extrato do Brasil, e como tal, torna-se também reflexo da Igreja Brasileira. Cresce o número dos sem igreja, dos flagelados da fé. Isso porque tá difícil achar líderes íntegros. Ou que pelo menos busquem viver integramente. Há muito mais líderes religiosos preocupados em “viverem a sua vida” do que em viverem a vida de Cristo (Gl.2:20). Há muito mais líderes buscando usufruir do rebanho do que em serem absorvidos por ele (Ez.34).

Definitivamente não dá para ter uma vida pública com atos secretos.

Que Deus coloque em você e no seu coração o desejo sincero de ter a sua vida como uma carta aberta (Gl.6), afim de que as pessoas leiam quem você é e também enxerguem o Cristo que você professa.

 Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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junho 22, 2009

QUEM SOMOS NÓS?

Filed under: Estudos — sdusilek @ 4:03 pm

Pergunta boba, resposta difícil. O ser humano vem tentando descobrir há milênios quem realmente é. Dessa pergunta, da busca pela auto-compreensão e pelo auto-entendimento, surgiram importantes ramos do saber humano como a mãe das ciências – a Filosofia; Antropologia  e Psicologia, entre outros.

De fato ler a visão antropológica dos grandes filósofos ou mesmo dos grandes servos de Deus enriquece nosso saber. Mas não vou me preocupar aqui com essa forma nobre de abordagem.

Quero saber se você sabe quem você é, na medida em que nos permitimos conhecer e na medida em que podemos conhecer. Sim, porque há uma parte de nós (inconsciente) que só Deus conhece (Sal.139). Mas há uma parte que podemos e devemos conhecer. O que você tem feito com sua consciência?

Preocupa-me essas folhagens que usamos para nos esconder. Desde Adão, parece que não temos coragem de nos vermos como somos. Vivemos debaixo de folhas, de peles, de circunstâncias, dos outros, sempre para fugirmos de um encontro existencial. E é esse encontro que cria a ambiência para a libertação, porque ao nos enxergamos como somos, nos tornamos prontos e conscientemente carentes da Graça de Deus. Graça essa manifesta no Éden. Graça essa ratificada na Cruz do Calvário.

Se quisermos viver pela Graça e na Graça de Jesus, precisamos parar de nos esconder. A benção do flagrante para a mulher adúltera (Joao 8) foi o fato dela ser apresentada diante de Jesus sem capa. Só pode receber a cura quem chega despido de alma, sem barreiras, sem racionalizações perante Jesus. Não foi assim com o General Naamã (II Reis 5 e Lucas 4:27)?

E parar de se esconder é se mostrar “sem capa”. Elias se mostrou sem capa para Eliseu (II Reis 2:13). Um profeta que não tinha nada a esconder. Um profeta que era o que era com a marca de seu profetismo (sua capa) ou sem ela. Não havia duas faces em Elias. Ele era o que era.

O que não dizer do cego de Jericó (Mc.10:50) que ao encontrar Jesus deixou a marca do seu estado, sua capa, para trás? Por que alguns insistem usar capa diante de Jesus? Aquele desprendimento foi notado pelo Mestre que viu sua fé, o curou e permitiu que aquele homem o seguisse pelo caminho. Não mais a beira. Agora no caminho.

E Jesus? Sua túnica, sua capa (Joao 19:23) foi retirada. O que todos vemos? O amor de Deus, o acolhimento do Senhor, expresso pelos braços abertos diante do Senhor. Jesus era quem era. Com capa e sem capa Ele sempre foi a maior expressão do Amor de Deus. Não é a cruz que diz quem Ele é, mas Cristo é que dá o significado novo a cruz. Seus braços entraram em rápida câimbra, devido a posição que ficou e ao sangramento que sofreu. Isso implica dizer que Deus pode ter câimbras, mas jamais se furtará a abraçar você!

Embaixo do que você está se escondendo? Que capa é essa que você tem usado para não permitir que Deus chegue até você? Que túnica é essa que você veste que lhe impede até mesmo de tomar consciência de quem você é? Deus quer trabalhar você e livrá-lo da tirania dos “papéis”. Não somos atores. Não usamos máscaras. Somos pessoas. E Deus lida conosco para além das aparências. Ele vai até o fundo do coração.

Quem é você? Deixe Deus sondá-lo e mostrar a você. Deixe Ele reformar sua vida. Ele quer fazer an extreme make over em você.

Lembre-se que você é como oliveira verde na casa de Deus (Salmo 52:8). Ele cuida e Ele mesmo poda. Mas tudo para nosso bem e para a Glória dEle.

Com carinho,

 

 

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

WWW.cbrio.com.br

 

junho 13, 2009

NAS MÃOS DE DEUS!!!

Filed under: Estudos — sdusilek @ 12:42 am

Sabe qual é o melhor lugar do mundo? São as Mãos de Deus! É isso que Jeremias sentiu quando Deus o levou para a casa do oleiro (Jer.18:1-6). A mensagem foi clara: nós, que fomos formados do pó da terra, que somos “barro”, estamos nas mãos do oleiro.

Estar nas mãos do oleiro é saber que nada que acontece conosco passa despercebido ou mesmo é de desconhecimento do Senhor. Suas aflições e suas tribulações (tribulação é quando a aflição nos mói) estão sendo usadas por Deus para moldar você!

O que aprendemos com a experiência de JEREMIAS?

1)      Que há vasos que simplesmente se desfazem nas mãos do oleiro. Mas por que isso acontece? Creio que como barros conscientes que somos, acho que a primeira coisa que impede a moldagem é nosso orgulho. Há barros que não se deixam moldar. O material é duro. Na linguagem bíblica material duro é coração envaidecido. E com material assim, Deus não pode moldar. Só resta quebrar! Deus está moldando você ou Ele precisa “quebrar” você?

Há vasos que acham que podem ser moldados com sujeira. Mas a sujeira atrapalha a moldagem. Por vezes deforma o desenho que o objeto estava tomando. Conquanto seja barro, ele não pode ser sujo. Conquanto sejamos sujeitos a sujeira, não podemos ser sujos.

Vasos se desfazem, por fim, por conta da diferença do ideal. Quando o que é feito fica longe do ideal, precisa ser reiniciado. Por vezes é necessário recomeçar! Uma coisa é recomeçar sozinho, outra é recomeçar sendo amparado e cuidado por Deus!

2)      Outra coisa que chama atenção no texto é que o vaso se desfez na casa do oleiro. Parece que há vasos que se perdem na casa de Deus. Justamente aonde devia ser o local da moldagem, há vasos se estragando. Sabe quando isso acontece? Quando Deus manifesta Sua Palavra pregada para nós (é como Ele nos molda) e nós recusamos vivê-la. Aí ficamos enfraquecidos. E esse enfraquecimento se traduz na perda do vaso.

Sabe uma coisa? Havia lá em Jerusalém a porta dos cacos. Um local aonde era jogado fora os vasos que não prestavam. Quero dizer a voce com todas as letras que  SEU LUGAR NÃO É A PORTA DOS CACOS!  Minha oração é que você seja moldado a cada dia, transformado de glória em glória, num vaso para honra!

Um abracao,

Pr.Sergio Dusilek

sergio@gmail.com

junho 4, 2009

EVANGELHO DOS MILAGRES OU MILAGRE DO EVANGELHO?

Filed under: Estudos — sdusilek @ 7:52 pm

Penso na Tijuca (bairro daqui do Rio de Ja neiro) como um símbolo do adoecimento do povo brasileiro. Símbolo também de um espectro religioso distante do puro ideal de uma religião, ainda mais quando ela (Cristã) se propõe a ser A verdadeira. Falo da visão que tenho de uma Tijuca onde proliferam financeiras e agencias correspondentes de bancos, assim como “igrejas”.

Para que fique claro para você, não considero que o crescimento de uma igreja ou a proliferação de “igrejas” seja sinônimo de progresso do evangelho, de “avanço” do Reino. No caso da Tijuca (e de outros milhares de lugares), parece mais como uma reação ao contexto social. Isso porque essa proliferação de igrejas nada tem haver com o cerne do evangelho (seu Milagre maior e ultimo que é a salvação), mas sim com o cerne do capitalismo na sua busca por um bem estar pessoal/social. Por isso nós considerarmos esse movimento como uma proliferação do evangelho dos milagres, uma espécie de “espiritualidade/dinheiro fácil pela fé”.

Para a linha do “Evangelho dos Milagres” o milagre é mais importante que a Palavra. Toda preparação espiritual, todo jejum, toda oração é para revestimento de poder afim de “operar” milagres, e não para ser revestido de poder para pregar a Palavra. Tudo é em prol do milagre, da facilidade, da promessa da instantaneidade. Do resultado fácil.

A Palavra torna-se então algo de menor importância. O fenômeno sobrenatural, místico, é o que tem mais peso. A busca no fundo não é pela vontade de Deus, mas por um Deus que faça a nossa vontade. Ir a igreja é sinal de que no Evangelho há milagres, e não que o evangelho represente o próprio Milagre.

Aqui cabe um parêntesis. É importante entender um pouco o Milagre e o propósito do Milagre. C.S.Lewis defendia a tese de que o milagre genuíno é quando é operado algo novo, como efeito causador e depois as leis naturais estabelecidas por Deus voltariam a seu curso normal. É como se Deus criasse um hiato temporal, uma lacuna, um intervalo no qual Ele operou algo para além da razão humana, trazendo a vida a sua normalidade. Nesse sentido, milagre não distorce, nem deforma os outros. Milagre restaura e traz para a normalidade (Lc.7:15 e 8:35,55).

Mas e quanto o propósito? Tomás de Aquino dizia que “os milagres não servem para converter, mas sim para condenar”. Quando Jesus fez seu lamento sobre as 3 cidades impenitentes (Lc.10:13-16), Ele exemplificou essa máxima. Na verdade a fé vem pelo ouvir, pelo contato com a Palavra de Deus (Rm.10) que aponta para Jesus como autor e consumador da nossa fé (Heb.12:1-2). Como bem dizia Pascal, “o que nos faz acreditar é a cruz”. De fato a maior pregação cristã é a cruz.

E como fica o evangelho hoje? Parece que mais voltado para os milagres do que para o propósito da restauração. Jesus não veio aqui para ser conhecido como o Mister J da espiritualidade. Jesus aqui veio para que nós pudéssemos receber o milagre do Evangelho, que é a regeneração.  

Minha oração é que você seja nova criação, benção do Senhor para os que lhe cercam! Pessoa totalmente regenerada, restaurada pelo poder do evangelho. Crente alvo do maior milagre: o milagre transformador do próprio Evangelho.

Pr.Sergio Dusilek

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