Novos Caminhos, Velhos Trilhos

agosto 21, 2015

Quando uma coisa não cabe num lugar.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 6:06 pm

Quando uma coisa não cabe num lugar.

2Coríntios 6:14c – “Que comunhão há entre a luz e as trevas?”

Já faz algum tempo que li uma coluna de Marta Medeiros, do O GLOBO, em que ela comentava um acontecimento que presenciou. Na saída de uma escola, na Zona Sul carioca, uma mulher tentava parar um carro do tamanho de um Santa Fé da Hyundai numa vaga que se coubesse um Picanto da Kia era muito. Lógico que apesar da destreza da motorista, da sua persistência, e de suas renovadas tentativas, ela não conseguiu parar seu carro naquela vaga.

Esse relato tem muito a ver com a vida de cada um de nós. Por vezes queremos acondicionar coisas incompatíveis num mesmo espaço. Achamos que nossa persistência, nossa habilidade, nossa destreza, e até mesmo as renovadas tentativas em algum momento vão conseguir compactar o que todos sabem que não cabe. Nessa hora manifestamos nossa teimosia, perdemos tempo, energia, e deixamos de ver “outras vagas”, outras oportunidades que estão ali, bem perto de nós. Mas em nossa cabeça pensamos é melhor uma pequenina vaga do que nenhum espaço… será?

Há coisas que são incompatíveis. Você sabe que não dá, no fundo do coração você já foi convencida de que o motivo de sua insistência será também a causa do seu fracasso. No entanto, mesmo lá dentro sabendo, você insiste. Talvez por medo de não “achar outra vaga”; talvez por domínio, por relação de poder, para dizer que tem algo que lhe pertence, ainda que esse algo honestamente não lhe sirva; talvez por consideração ou mesmo apego ao que tem de ser perdido… Entenda algo de uma vez por todas: o tempo não traz compatibilidade; ele petrifica aquilo que é incompatível, o que implica num prolongamento desse incômodo. Em outras palavras: ou voce adia o fim, ou ele virá sobre “essa vaga de estacionamento”, ou mesmo sobre você, tornando-a uma pessoa irreconhecível.

De certo modo é isso que Paulo está dizendo no texto acima. Sem me alongar, quero somente dizer que Paulo não condenava a amizade de crente com não crente. Ele condenava a associação para o mal. Na sua época o CDL (“clube de diretores lojistas”) de Corinto exercia forte e maléfica influência sobre os comerciantes. Era quase uma “milícia”. Quem não rezava a cartilha podia perder o negócio. E essa reza passava por celebrações ao Diabo e por prostituição.  Com gente com vida assim, dá para ter contato, mas não dá para “ter tudo em comum” (= koinonia – comunhão). De fato jamais haverá plena identificação entre luz e trevas. Ambas estão figuradas no “Feitiço de Áquila” (lembra do filme?): quando uma aparece a outra some. De fato, plena comunhão jamais haverá. Se tem algo que puxa você para longe de Deus, em algum momento você terá que escolher o que vai querer: Deus ou essa coisa/situação/pessoa. Nesse sentido o Feitiço de Áquila se torna um exemplo também que essas partes podem se tocar, por um instante, mas não há como permanecerem juntas.

Se tem algo que não cabe, não insista. Aconselho a você a orar e a buscar em Deus força para desapegar. Insistir só vai ferir voce ainda mais, visto que a nossa teimosia não tem o poder de mudar a realidade.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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agosto 18, 2015

REPINTANDO A IGREJA – O CENTRO DE NOSSA MENSAGEM – João 17:1-3

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:51 am

Estamos diante de um dos textos mais belos, profundos e doces da Bíblia. É o “Santo dos santos”, a conversa íntima entre Deus e Deus… e qual é o assunto que domina boa parte da pauta? Somos nós, a humanidade, especialmente a Igreja de Jesus. São os mais profundos desejos de Jesus para aqueles que são seus. Por isso a alcunha de oração sacerdotal de Jesus, termo este provavelmente oferecido pelo teólogo luterano David Chytraeus (1530-1600). Nela encontramos Jesus orando do seu jeito peculiar: de olhos abertos voltados para o céu (v.1). E nele encontramos passado (v.4), presente e futuro (v.20) misturados. Isso porque a oração é acesso para o Trono do Pai, para a eternidade. Somos “tele-transportados” para a dimensão supratemporal na oração. Invadimos a eternidade ou ainda, os céus invadem a terra.

Quais são as lições para nós deste texto?

  • Pela oração temos uma experiência atemporal. Não é a reza, mas a oração. O tempo não passa, quando nos aproximamos com sede dEle.
  • O Centro de nossa mensagem é Jesus. Aqui se estabelece nossa identidade e nossa diferença. Somos beneficentes, mas não somos ONG. Somos uma expressão religiosa, mas não somos mais “uma”. Em Jesus está o nexo com o verdadeiro. O cristão detém a verdade, uma vez que foi revelada.
  • O Centro de nossa mensagem refuta o agnosticismo. O agnóstico entende que Deus é um assunto que não se toca, pode até compreender que Ele exista, porém sendo impossível conhecê-lo (x Tg.2:19). Tal idéia é desmentida por Jesus com a “glorificação”, aqui melhor compreendida como “mostrar”. Temos um círculo revelatório. Uma pessoa só conhece a Deus por Jesus; e uma pessoa só conhece a Jesus por Deus, isto é: Deus Pai precisa revelar quem Jesus é você. É a circuncisão do coração que tanto Paulo falava.
  • O centro de nossa mensagem aponta para o meio de conhecimento de Deus. Ginoskosin não tem a ver com gnosticismo, seita que apregoava o conhecimento de Deus pelo gradativo caminho do mistério e do secreto. Ginoskosin é a contínua ação de conhecer, que coaduna com a fé em Jesus, com a vivência da vida de Deus (aionios = vida de Deus).
  • No centro da mensagem está a cruz. Para o mártir, a glória está na morte. Para nós cristãos, a cruz é a volta para Deus. Volta do nosso coração, mas que em Jesus foi iniciada e de modo único (porque foi o único que desceu! Pv.30:4a; Ef.4:10). Nesse sentido a cruz não foi só um ato da injustiça humana, mas sobretudo, da justiça divina.

agosto 17, 2015

Por que os meus sonhos escapam pelas minhas mãos?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 5:20 pm

Uma das perguntas cruciais da vida é essa. Bom, pelo menos da parte do mundo que não está envolta na luta pela sobrevivência. Na outra parte, ela por vezes se manifesta. São os amigos que se casam e você (AINDA) não; são as amigas que amamentam e você (AINDA) não; são os colegas da faculdade que rumam num carro de fórmula 1, enquanto você parece estar montado num jegue com preguiça… São os outros que emagrecem, e você não…, e a lista insiste em prosseguir. Enfim, por que meus sonhos escapam pelas mãos? Por que a vida não sorri para mim, como sorri para os outros? Por que as coisas nunca acontecem comigo, a meu favor?

Quero elencar algumas possíveis explicações. E ao fazê-lo, vou usar o caso do personagem bíblico que é um “tipo” no VT de Jesus. São tantos os pontos de contato… andava com doze, traído pelos irmãos e vendido por um deles; inicia seu ministério por volta de 30 anos, entre outros tantos.

Por que os meus sonhos escapam pelas minhas mãos?

  • Talvez porque seus sonhos não sejam seus, mas dos outros. Perceba, na lista apresentada acima, que na base da frustração está a comparação. A pessoa se sente não abençoada porque entende que a mão do outro parece estar mais cheia… Ela não vê o tamanho da própria mão, nem tampouco discerne se ela está cheia ou não… Na verdade este é o tipo de sonho que em tese nem escapa das mãos, visto que nunca esteve sobre as suas mãos. Nesse sentido é preciso reconhecer isso, por mais duro que seja.
  • O sonho que escapa das nossas mãos pode sinalizar a inadequação do momento. José sonhou, mas quanto tempo demorou para que aquele sonho se concretizasse em sua vida? Algumas coisas Deus mostra que vai fazer, mas é preciso que haja um tratamento para que estejamos prontos. E esse tratamento se dá ao longo do tempo. O tempo não nos trata, mas ao longo dele podemos ser tratados. Refletir, ruminar, orar, meditar, compartilhar, ouvir, ler, tomar algumas atitudes… são modos de sermos tratados no transcurso do tempo.

Há coisas que fogem na nossa consciência, mas que Deus sabe. E isso pode implicar tanto na divina percepção da nossa inadequação, quanto na inadequação do objeto do próprio sonho. É quando sonhamos com algo em que alguma parte não vai corresponder ao que queremos e Deus tenta nos avisar mostrando mais uma vez essa inadequação.

José não estava pronto. Ele precisou ser tratado para que atingisse uma maturidade espiritual e vivencial tal pela qual visse a boa mão de Deus até na tragédia (Gn.45:5,8; 50:20). Alegre-se pelo sonho não conquistado, afinal GOD at work! É tirar alegria da dor; renovo do trauma; esperança do fim.

“Os seres humanos não nascem de uma vez por todas no dia em que suas mães os dão à luz, senão que a vida os obriga a dar à luz a si mesmos.” (Gabriel Garcia Marques)

Se o sonho parece escapar de suas mãos, saiba que Deus está tratando (ou tentando tratar) você.

  • O sonho que escapa pelas mãos é o que as esvazia. Aqui estamos pensando numa categoria emocional da autopiedade. Autopiedade ou autocomiseração é o sentimento pelo qual nos achamos deploráveis, o último dos seres humanos. É uma autodepreciação que anula quem somos, em busca de colo alheio. A pessoa passa a achar que só ela tem problemas, ou mesmo que os seus problemas são os maiores do mundo. A crise da Ucrânia, o terrorismo do Estado Islâmico, o trem da Supervia, a endêmica corrupção no Brasil… nada disso é importante. Problema mesmo é o dela. Problema mesmo é que a faxineira não foi em casa hoje… “parem o mundo porque minha faxineira não apareceu!”

Olhe para José. Ele era filho de Jacó. Não pedira para nascer, mas era o primogênito da paixão da vida do pai (Raquel). Era mimado (37:2,3, 13-15, 17) numa família impregnada de meio-irmãos. Deus lhe dera um sonho e quanto mais próximo ele se aproximava dele, mas o sonho escorria das suas mãos. Foi assim em casa, quando foi vendido (37:22-28); foi assim na casa de Potifar, quando injustamente acusado foi preso (39:16-20); foi assim na cadeia (40:14, 23). Contudo, ao invés da dar espaço para uma “justificada” autopiedade, José dava espaço para Deus (39:2, 21; 45:7-8).

  • O sonho que escapa pelas mãos aponta para aquilo que não conseguimos segurar. E aqui está uma condição imprescindível para o aproveitamento dos sonhos de Deus: saber que nossas mãos são pequenas demais para conter os sonhos dEle.

Perceba: Faraó em toda sua impiedade sabia de algo que José, no alto de sua juvenil piedade não tinha compreendido: a vida ensina que certas coisas não cabem em nossas mãos (41:37-41). E olha que todo Egito curvado perante José ainda não era a concretização do seu sonho. O mesmo acontece com o rico da parábola de Lucas 16, pois ele entendeu que uma gota do céu era mais do que suficiente para ele.

Você consegue segurar nas mãos um filho? Pode até ser que sim, se o bebê for pequeno, se mão for grande (rsrs)… mas isso não se prolongará por muito tempo. Os sonhos de Deus precisam ser seguros pelas mãos dEle. A realização se dá na nossa vida; mas são as mãos dEle que devem segurá-los. Os sonhos que não podemos segurar nos remetem para a humildade que devemos ter.

O que fazer?

  1. É preciso discernir que sonhos são dos outros, que sonhos são seus e quais são os de Deus;
  2. É preciso se abrir sempre para o tratamento de Deus;
  3. É preciso que nos enchamos, não da autopiedade, mas da fé de que Deus está conosco;
  4. É preciso que tenhamos humildade. Nossas mãos não comportam os sonhos de Deus.

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