Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 24, 2014

O QUE FAZER COM O TEMPO LIVRE.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:19 am

Não sei quanto a você, mas tenho dificuldade de dizer que não estou fazendo nada, mesmo quando, por exemplo, de folga ou férias. Parece um insulto para essa sociedade transloucada na qual vivemos admitir que alguém consiga se organizar para ter um tempo para si  mesmo, para cuidar do seu jardim, da sua alma, fazendo o que gosta. Ao que tudo indica viver é atender demandas dos outros, é ficar 24hs disponível, como uma emergência hospitalar (só que funcionando…). Essa correria agride a nossa humanidade, a nossa fragilidade que pede por momentos de descanso. Para alguém ser humano é preciso que essa pessoa tenha algum tempo livre. Somente os seres automatizados, os robôs, não precisam de um tempo livre.

Parte desse problema foi construído por nós, protestantes. Max Weber destacou como  a ética protestante, sua ascese, seu respeito às autoridades, ao que lhe era alheio, contribuiu para o progresso do Capitalismo. Não foi só a Burguesia que pavimentou a estrada para a eclosão da Reforma. A Reforma também construiu a pista de volta… era uma via de mão dupla. Voltaire em sua 6ª Carta Inglesa destaca a severidade com que os presbiterianos escoceses se portavam diante da vida. O pensador francês ao se referir ao presbiteriano escocês diz “este simula afetadamente um andar grave, um ar zangado, um enorme chapéu, um longo manto sobre o casaco curto, prega pelo nariz e chama de prostituta da Babilônia toda igreja cujos eclesiásticos estão bem contentes por terem cinqüenta mil libras de renda, e cujo povo é  muito bom por suportá-los e ainda chamá-los de Monsenhor, Vossa Grandeza, Vossa Eminência” (VOLTAIRE, 1973, p.17). Ele continua:

  • possuidores de algumas igrejas na Inglaterra, esses senhores introduziram na região a moda do ar grave e severo. Deve-se a eles a santificação do domingo nos três reinos: nesse dia é proibido trabalhar e divertir-se, portanto a severidade é dupla comparada à da Igreja Católica. Nada de ópera, nem de comédia, nem concertos aos domingos em Londres. Até mesmo o baralho é expressamente proibido, e só as pessoas de qualidade – chamadas gente honesta – jogam nesse dia. O resto da nação vai ao sermão, ao botequim e ao bordel. [VOLTAIRE, 6ª Carta Filosófica. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p.17. [Coleção Os Pensadores]

Parte desse problema de não saber o que fazer no tempo livre, ou melhor, de não poder fazer nada nele, se deve a ação do puritanismo inglês a qual Voltaire fotografou no calvinismo escocês, isto é, nos presbiterianos de lá. Muito do reforço da idéia de que no domingo o tempo só podia ser dedicado ao Senhor ou a olhar para o teto vem dessa influência. Ser crente se tornara sinônimo de sisudez.  Sem espaço para o lúdico, para o ócio, para a distração.

É no tempo livre que praticamos nossos hobbies, tão importantes para oxigenarem a nossa mente. Fazer algo que gosta, ter uma distração para desconectar a mente é vital numa cultura que não consegue mais dormir. Distrair é ensinar a mente a descansar; bom, pelo menos aquela parte do nosso entendimento que gera toda nossa ansiedade…

É no tempo livre que grandes idéias surgem. Os gregos valorizavam o ócio como espaço criativo. Empacou numa sinuca de bico? Uma reunião travou? Talvez seja melhor parar e relaxar. Normalmente no meio da distração vem a idéia. Grandes invenções nascem muitas vezes quase sem querer… um problema cuja solução é vislumbrada por outro ângulo. Prisma esse só alcançado pelo ócio, pelo tempo livre.

É no tempo livre que podemos dar um parada para termos nossos “insights” e encontros com o divino. Algumas e especiais falas do Senhor, algumas mostras ou clarificações do texto bíblico nós vamos ter nesse contato íntimo do Espírito Santo com nosso espírito, em momentos que sopram sobre nós a brisa da tranqüilidade, do descanso. Por vezes nessas horas Deus trará a sua mente um nome para orar ou lembrará uma palavra a qual voce deve se agarrar.

O problema do tempo livre é que ele é tão gostoso que as vezes achamos que dá para ficar só nele. Ledo engano. O espichamento do tempo livre resulta na preguiça. E Salomão já falava muitas coisas a respeito do efeito devastador que ela tem (Pv.21:25, 22:13; 26:16). O tempo livre é próprio para também usufruirmos um pouco da preguiça (quem não a tem? Especialmente no inverno, com chuva, frio e tendo que levantar cedo da cama…). Contudo, ela não pode invadir o restante de nossa vida. Não seja desleixado com sua casa; não seja desleixado com seus relacionamentos; não seja desleixado com seu trabalho; não seja desleixado com os dons que Deus lhe confiou. Antes porém, faça tudo conforme as suas próprias forças (Ec.9:10a).

Mesmo após sairmos de um período que para muitos foram de férias, estamos diante de uma nova oportunidade de descanso: o feriado do Carnaval. Conquanto alguns use desse tempo para entrarem em colapso físico, tamanha exaustão, e outros para entrarem em colapso espiritual tamanha a condenação que exercem nesse período sobre os ímpios, quero sugerir a você que pense nesse feriado como descanso. Se for fazer atividade física, jogar “uma bola”, pedalar, que o faça sem demasia. Que voce relaxe a mente, lendo um bom livro, meditando na Palavra, curtindo a família, olhando o mar… Que você desfrute desse tempo para falar com Deus e principalmente, para ouvi-Lo.

 E lembrem-se:

 “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros.” [Gálatas 5:13]

 

Pr.Sergio Dusilek – sdusilek@gmail.com

fevereiro 13, 2014

QUEM PRECISA DE RESTAURAÇÃO?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:29 pm

QUEM PRECISA DE RESTAURAÇÃO?

É incrível o nosso condicionamento. Achamos que restauração é assunto e solução para tudo aquilo que transparece um estado deteriorado. Condicionamos a restauração àquilo que vemos, a aparência. Mas e quanto as coisas que estão podres por dentro, necessitando de urgente reparo/refazimento porém que ninguém vê? É como cupim… quando você o nota o estrago já foi feito…

A Bíblia destaca que Naamã (II Reis 5) era a última pessoa nesse mundo que alguém poderia imaginar precisar de uma restauração. Ele era famoso; imponente; temido; respeitado e querido; mas era doente. Como alguém bom como ele podia sofrer… tem dúvidas de sua bondade pessoal? Veja o tratamento que sua casa dava a menina a ponto dela querer a cura dele… Mesmo famílias boas precisam de restauração. De modo injusto, justamente ele… Impensável que Naamã precisasse de uma restauração. Como alguém do Península pode necessitar de alguma coisa? Ah meus queridos! Todos somos humanos…

Foi no ambiente familiar que Naamã entregou os pontos. Suportamos as couraças que vestimos ou com as quais fomos vestidos (lembra de Davi – I Sm.17:38-39) por algum tempo, mas não por todo tempo. Quando Naamã chegava em casa ele se livrava dessa indumentária social que ao mesmo tempo que apregoava seu status, sua patente, distanciava as pessoas. Por vezes os mais distantes são os que mais têm a esconder…

Na família Naamã entregava os pontos. Sua sustentabilidade se traduzia em fragilidade dentro de casa. Se ele não divulgava seu estado de saúde, pelo menos não negava a vê-lo como se apresentava. Ainda que a visão não seja boa, é uma benção divina ver as coisas como elas são. Pois só quando enxergamos é que podemos nos abrir para uma solução.

Naamã não é o único que se ressente das dores (ou da falta delas, por conta da lepra). Cada um de nós, embaixo das couraças, temos áreas que precisam de restauração. Seja na saúde, seja na profissão, seja na família, seja no que for. Mas como se dá esse processo de restauração?

1)    No processo de restauração, nossa força não resolve (v.1);

A Bíblia diz que Naamã era um homem valente, destemido. E por ser assim era temido por seus adversários. O rei de Israel surtou (v.7) ao ver Naamã na sua frente. Mas do que valia aquela valentia toda para a cura da Lepra? Não é nossa força que produz a restauração. Não ache que você vai sair dessa situação sozinho, mesmo que você seja extremamente forte.

Interessante que Naamã adquiriu uma doença ligada ao seu trabalho. Como general da Síria, ele não podia ter compaixão. Tinha que executar cabalmente as ordens do seu senhor, o Rei Bem-Hadade. Isso implicava em atos cruéis, em não sentir a dor do outro, em se tornar insensível… De tanta insensibilidade veio a lepra…

  • O QUE VOCÊ AINDA ESTÁ ESPERANDO? BUSQUE AJUDA! A SUA FORÇA NÃO RESOLVERÁ…

2)    No processo da restauração precisamos aprender que Deus usa a quem quer (v.5-6).

Além do profeta Eliseu, duas pessoas foram usadas por Deus para a restauração de Naamã. Uma foi a menina que fora levada cativa, mas que encontrou na casa do general um lar. Ninguém é tão pequeno ou tão novo que não possa ser usado por Deus (v.2-3). O outro foi o rei da Síria (v.5-6), que representava a fonte daquilo que o povo de Deus deveria reprovar. Ele se torna sensível a necessidade do seu general e facilitou a saída de recursos para fora do país sem aumento do IOF!

Por vezes pessoas perdem a restauração de Deus porque se fecham, porque condicionam a Deus como as coisas devem ser feitas. Porque só aceitam uma saída, quando o Senhor só estabeleceu uma entrada (Jesus). Deus usa aquilo que rejeitamos e aquelas coisas que a religião nos ensinou a rechaçar. Desprezamos pessoas, terapias, medicamentos, livros, conselhos, presença por conta da nossa pretensão em manietar a resposta divina.

  • VOCÊ CONSEGUE VER AGORA QUEM DEUS CONVOCOU PARA AJUDAR VOCÊ NA SUA RESTAURAÇÃO?

3)    No processo da restauração, Deus até pode pedir para voce pagar a conta (v.10), mas jamais deixará você endividado (v.10,11-14).

Nós somos iguais a Naamã: se Deus pedir algo impossível de ser feito para que sejamos restaurados, nós imediatamente nos mexemos. Mas se Ele pedir algo simples, nos sentimos como que ultrajados. Não pense você que Naamã estivesse errado em sua constatação. Os rios de Damasco eram realmente mais limpos. Mas a restauração de alguém que se tornara insensível devia começar de dentro para fora… e isso envolve quebrantamento. Quebrantado não é aquele que aguarda o indescritível, o milagre; quebrantado é aquele que se coloca submisso a brisa da vontade de Deus.

O fato é que a disposição do general revela um fungo da nossa alma: a capacidade meritória. É chocante constatar que Deus não recebe oferta de sacrifício (v.5,10,16c), nem tampouco exige a conquista de algo inimaginável para agir restaurando uma vida. Deus não condiciona Sua ação ao nosso esforço (v.11-14). Graça é isso: o favor de Deus, seu doce querer, derramado sobre nossas vidas e necessidades, sem que mereçamos ou conquistemos tal restauração.

A Religião costuma apresentar e qualificar a primeira cota: aqueles que merecem e aqueles que não merecem o favor divino. Por isso a turma de Nazaré quis matar Jesus ao dizer que na época de Eliseu, mesmo tendo muitos leprosos no meio do povo de Deus, somente Naamã fora curado pelo profeta (Lc.4:27). Deus age por amor. E esse é um dos motivos de sua incompreensibilidade.

Que conta Deus pode deixar para voce pagar? É a do orgulho, de abrir mão dos seus preceitos e preconceitos, para que experimente algo maior, algo que vem de cima, como as águas do Jordão. Mas jamais o Senhor o endividará, seja com exigências programáticas, seja com exigências financeiras. No processo de restauração, o que é necessário é crer na Palavra de Deus e não no poder da compra do favor divino. Não se remunera Deus e seu Milagre.

  • VOCÊ TEM SE ESFORÇADO PARA RECEBER A GRAÇA DE DEUS, SUA RESTAURAÇÃO? Xiii… TALVEZ AINDA NÃO TENHA ENTENDIDO NADA…

4)    No processo da restauração a paz se manifesta como fruto da Graça.

Note que um ímpio que mergulha em Deus (isso é conversão) volta para sua antiga tradição religiosa. Contudo ao contemplar que deveria fazê-lo ele se enche de culpa. Ao confessar sua culpa ao profeta esse é usado por Deus para trazer alívio àquele coração… ele é despedido em paz. Graça que transcende a prisão de uma tradição religiosa. Paz que não está limitada a uma confissão doutrinal.

A restauração que Deus opera é marcada pela Paz de Cristo. Paz esta que é encontrada na Palavra de Deus e na manifestação de Sua vontade.

CONCLUSÃO

Quem precisa de restauração? Todos nós, pois a vida produz suas próprias feridas. E como bem disse Henry Nowen: “É só no contexto da cura que ousamos mostrar as nossas feridas”. Mostre suas feridas a Deus. Deixe o Senhor tocá-las e passar nelas o seu bálsamo.

Que Jesus restaure tudo aquilo que está sobre ou por baixo da sua couraça.

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