Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 17, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O SUPREMO PASTOR

Filed under: Estudos — sdusilek @ 8:48 pm

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O SUPREMO PASTOR

Não sei se há outra parte mais doce nesse salmo do que afirmação que Davi faz de que o Senhor é o seu PASTOR. Também não sei se á outra parte tão mal compreendida quanto essa. Isso porque aquilo que se tem apresentado como pastor nos dias de hoje, muito pouco tem haver com a experiência pastoral real que Davi tinha e que de maneira muito feliz, transportou para o Senhor. Nosso problema reside exatamente aqui: quem tem sido nosso pastor? E de fato o Senhor é o nosso pastor? Quero lhe dizer um segredo: a sorte da sua vida depende de quem for o seu pastor.

O termo ovelha é bem aplicado para nós, embora não gostemos de ouvir as razões do mesmo. A ovelha é dos animais, tida como a menos capaz de cuidar da própria vida (uma vez virada, o pastor tem que ajudá-la a voltar ao normal, antes que morra ou se torne presa ainda mais fácil de predadores). Prova dessa inabilidade “pessoal” é que ela não consegue se limpar. A ovelha é tola, idiota. Não consegue aprender truques, por isso não é usada em circos. A ovelha é indefesa pois não possui presa, nem garra. E ela é um tanto quanto míope. Sua visão não é das melhores. Por isso quando tenta andar sozinha por um caminho sempre se arrebenta porque não discerne os perigos que estão à sua frente. Consegue perceber alguma semelhança contigo?

Sabe qual era a diferença entre ovelhas e ovelhas? O pastor que elas tinham. Phillip Keller destacou que quando a ovelha tinha um bom pastor, manso, cuidadoso, inteligente, corajoso, altruísta, dedicado, a ovelha era nutrida, amparada e crescia forte e viçosa. Mas quando o pastor era descuidado, relaxado, medroso, a ovelha mal sobrevivia. Sabe quem é o verdadeiro e bom pastor? JESUS – Joao 10:11,14 e Ez.34:16. Se sua vida está confiada a outra coisa, temo que você esteja agora definhando…

Justamente esse Pastor que tem sido desprezado é que se deixa apropriar. Deus permite ser chamado “seu pastor”. O DEUS GRANDE, criador do Universo, digna-se chamar de seu pastor e lhe convida a se considerar sua ovelha, objeto especial do seu cuidado e afago. Isso quer dizer, entre outras coisas:

a) Que Deus quer derramar azeite sobre o seu sofrimento, sobre a sua dor, para que voce seja curado;

b) Que quando faltar forças para caminhar, o Supremo Pastor a porá no colo. Que imagem confortadora e belíssima: Deus quer nos carregar no colo! Aleluia!

c) Que Deus tosará você quando seu pelo estiver grande demais evitando assim que voce fique preso nos arbustos e armadilhas da vida. Quanta gente está presa em arbustos! E quantos predadores têm se aproveitado dessa fragilidade!

d) Que Deus conduzirá você! Ter pastor não é sinônimo de viver no cercado. Ter pastor é sinal de que temos alguém que nos conduz para fora (Joao 10:4/Jer.3:15), que nos leva além dos limites que conhecemos e que nos dirige os passos quando estivermos passando por locais “estranhos” à nossa peregrinação e pastagem.

e) Que Ele nos convida a reconhecê-lo como propriedade dele. Ele nos criou. Cabe então a nós reconhecer Seu senhorio sobre nós. Antigamente essa certificação de propriedade era feita por uma marca na orelha da ovelha. O pastor era então convidado a, com sua própria faca, fazer uma marca na orelha da ovelha, o qual a distinguia das demais, mas que também causava algum tipo de dor. Reconhecê-lo como Senhor é torná-lo como nosso pastor! E de igual modo somos marcados. Somos selado pelo Espírito Santo da Promessa (Ef.1:13-14).

Fato é que a privatização, herança da vida moderna, tornou o ser humano cada vez mais absolutizado. Por isso os dizeres de Isaias (53:6) são tão atuais quando revelam o sonho de quem tenta andar por esse mundo sem pastor e sem direção. Sonho no qual “cada cabeça é uma sentença” acaba virando pesadelo (Lc.15:11-32). Gente que acaba ouvindo outras vozes a guiar suas vidas que não a do pastor. Paradoxalmente a essa noção, Deus se permite ser individualizado e pessoalizado, mesmo porque uma das marcas do bom pastor é sua proximidade com a ovelha que possibilita o cuidado. Pastor é aquele que liga seu destino ao destino do seu rebanho. Por isso ele dá a vida pelas suas ovelhas (Joao 10:15). Já o ser ovelha é conectar seu coração e sua vida ao Pastor.

Que o Sumo Pastor nos abençoe e guarde!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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fevereiro 11, 2009

Toda Profecia é atual

Filed under: 1 — sdusilek @ 8:27 pm

Como voce pode perceber, nao costumo colocar textos de outros autores aqui no blog. Mas nao pude resistir a este texto do meu falecido pai, escrito há 41 anos atrás. É impressionante a atualidade da voz do profeta. Desculpe, mas tenho que dizer que meu pai foi um dos poucos profetas (no strictu sensu da palavra) que conheci na minha vida.

Darci Dusilek – Discurso de Orador da Turma “Martin Luther King Jr” do STBSB proferido no dia 30 de novembro de 1968.

Exmo. Sr. Dr. João Filson Soren, Magnífico Reitor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Exmo. Sr. Prof. Irland Pereira de Azevedo, mui digno paraninfo da turma de formandos “Martin Luther King Jr.

Exmo. Sr. Dr. David Malta do Nascimento, mui digno presidente da Junta Administrativa do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil.

Caros Mestres, companheiros na busca por uma verdade menos imperfeita; amados colegas, participantes de um ideal e experiência comuns em sua essência aos quais devo a honra e elevado privilégio em ocupar esta tribuna.

Queridos pais, co-participantes da nossa vitória. Senhoras, senhores, irmãos.

A aurora do dia irrompeu mais uma vez na data de hoje. Numa sequência, quase interminável, desde tempos imemoriais, por milhares e milhares de anos ela tem irrompido nos horizontes do mundo em que vivemos trazendo em seu bojo experiências que, em um longo processo forcejam o homem ao uso da sua mente numa tentativa de interpretá-las, numa tentativa de interpretar a sua própria existência. Sim, e essa mesma autora despontou mais uma vez no horizonte das nossas vidas.

Agora, quase ao findar do dia por ela iniciado, uma nova experiência de nós se assenhora. Temos concluído um curso que visa em seu caráter ideal capacitar pessoas a, de um modo menos imperfeito, emprestar a sua cooperação na promoção do Reino de Deus entre os homens. À nossa frente, desafiando-nos está o desconhecido representado pela própria natureza da existência. Vimos de concluir um curso. No entanto, apenas iniciamos os nossos estudos. A profundidade e seriedade das nossas pesquisas doravante hão de depender exclusivamente do nosso interesse pelo homem e pelos seus problemas de natureza religiosa, ética e moral. É dizer, dos seus problemas existenciais.

Estamos cônscios do momento estratégico que Deus nos proporciona viver na história deste mundo. O século XX, a exemplo dos séculos XV e XVI que testemunharam a Renascença, é um século de transição. E esta se processa em um ritmo bem acelerado. Foi ao inicio dele que o homem principiou primeiro a engatinhar nos domínios da navegabilidade atmosférica do seu habitat natural. Decorridos apenas 60 anos, o homem ultrapassou os limites da atmosfera e, gradativamente, adentra pelas etéreas do espaço infinito. Em todos os setores em que é permitido ao homem o uso de sua razão, o conhecimento tem se multiplicado e propagado de uma forma verdadeiramente fantástica. Porém, longe de lamentarmos tal progresso científico, deveríamos antes tributar os mais altos brados de glórias a Deus. Por isso, que o momento histórico que vivemos há de marcar de uma forma inelutável o futuro. A verdade é que, em nenhum outro momento da história do cristianismo, as palavras do apóstolo Paulo “O mundo aguarda a manifestação dos filhos de Deus”, foram tão contemporâneas como agora. Após haver experimentado tudo, após haver gasto os seus recursos sem, contudo, experimentar a solução para os seus problemas, o homem chega ao reconhecimento das suas limitações. O homem está buscando algo que lhe dê satisfação completa e sentido para a vida. Não são poucos os cientistas que se voltam para a religião hoje em dia buscando repostas às perguntas levantadas pela ciência.

Sim, e se é verdade que acreditamos na existência de um Deus vivo, dinâmico, mister se faz que aceitemos a realidade de sua ação teleológica na história, de sua ação através de atos poderosos e com uma finalidade última – a de revelar-se à espécie humana e dela tornar-se conhecido em bases de relações pessoais e com propósitos salvíficos. E essa ação dinâmica de Deus é manifesta até mesmo pelo progresso científico.

Vivemos em um século e transições, de mudanças, de substituição de valores. A nossa responsabilidade de cristãos mais ainda, de intérpretes de Deus é, por isto mesmo, acrescida. Os homens hão de exigir de nós que interpretemos os fatos históricos contemporâneos à luz da Revelação divina. Isso exigirá estudos profundos e demorados de nossa parte, ao mesmo tempo, que uma experiência profunda e marcante com Deus. Mas, de nós se exigirá, também, o elemento coragem. Sim, porque não é fácil emitir conceitos em tempos de transição, de instabilidade. A coragem com a qual precisamos nos armar é a coragem profética, pois os princípios operantes nas circunstâncias históricas em que eles viveram são idênticos aos de nossa época. Eles também marcaram um período de transição na religião judaica, mas com o risco da própria vida interpretaram a vontade de Deus para o seu povo. Esta é a nossa missão para a época que vivemos: interpretar e proclamar a verdade dinâmica de um Deus eterno, presente na história e interessado pelos problemas humanos. De um Deus que é a afirmação para todas as dúvidas e ansiedades humanas.

O mundo aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Cristo manifestou-se ao mundo na “plenitude dos tempos”, num tempo e lugar definido na história. Porém, esse episódio, essa plenitude dos tempos não ficou perdida num passado de vinte séculos. Ela está presente. O tempo em que estamos vivendo, os problemas que estamos enfrentando estão a indicar-nos que o século presente é a plenitude dos tempos para nós e este mesmo século aguarda a manifestação dos filhos de Deus.

E, quando nós falamos de manifestação, automaticamente temos que falar de comunicação. Para que possa haver comunicação eficiente é preciso que, além do conteúdo ou da verdade essencial a ser transmitida tenhamos, também, um método eficiente. Qual seria, então, o método que poderia da forma mais objetiva possível comunicar a verdade cristã?

Sabemos que neste campo não podemos dogmatizar. O método está jungido ao background cultural e ao desenvolvimento de uma época. O método nunca é estático, pelo contrário, é dinâmico como a própria existência. Ou ele varia de acordo com as circunstâncias culturais específicas de uma época ou está fadado à desatualização e desaparecimento. É preciso que estudemos e coloquemos, em prática, novos meios de comunicação da verdade que experimentamos. É dizer, novas formas de proclamação. Tal imperativo que a época nos compele não nos deve atemorizar. Antes, deve constituir-se num verdadeiro e legítimo desafio para nós. Negar a necessidade de mudança na metodologia da comunicação, qualquer que seja ela, seria negar a própria capacidade racional do ser humano, a sua possibilidade de progresso, de aperfeiçoamento. Pior ainda, seria negar a Deus a própria capacidade de se revelar nesse setor. As formas tradicionais de proclamação da verdade bíblica tiveram e ainda têm com maior ou menor ênfase, o seu lugar na história do cristianismo. Mas elas precisam ser aperfeiçoadas. É de se lamentar que os cristãos estejam marcando um profundo atraso neste sentido. Ao passo que mensagens malévolas e que pervertem são transmitidas pelos meios mais eficientes possíveis e em grande profusão, a mensagem cristã quase não sofreu alteração no tocante ao método de sua apresentação. Nessa situação temos nós condição moral de condenar o crescimento da corrupção?

Senhores, é de se lamentar que a teologia tenha andado sempre atrás do progresso da humanidade. Já é hora, no entanto, de “despertarmos do sono” e despidos de preconceitos infundados trabalharmos para que a teologia assuma a liderança do progresso científico orientando-o à luz da revelação divina. Precisamos lutar para que os filhos das trevas não sejam sempre, ad perpetum, “mais astutos que os filhos da luz”.

Uma vez que o método tem como objetivo a comunicação da realidade de Deus ao homem, então é ao homem que devemos buscar para lhe falar. É preciso que nos desloquemos dos nossos lugares confortáveis, dos nossos gabinetes, das nossas próprias igrejas, para que possamos manter um encontro e diálogo com o homem no contexto dos seus problemas. E, ali, darmos nosso testemunho. Esse testemunho não é, necessariamente, o testemunho através de palavras, mas o testemunho do serviço ou da diaconia. Muitos exemplos poderíamos vos apresentar, mas, limitar-nos-emos ao de Martin Luther King Jr. Ele lutou pela implantação no mundo dos ideais éticos pregados e vividos por Jesus Cristo. Essa foi a sua proclamação, a sua manifestação como filho de Deus neste mundo conturbado. O fundamento e base última para a sua missão estavam lançados sobre o próprio caráter e natureza de Deus. A sinceridade e ardor com que lutou por seus ideais valeram-lhe a morte, mas a sua existência perdura através dos seus ideais, dos resultados obtidos. Pode-se matar um homem, mas uma idéia não se mata jamais!

Martin Luther King Jr. está presente. Depois de morto ainda fala. E o seu testemunho há de ser decantado ainda por muitas gerações e todos que dele ouvirem falar saberão que em 1968 um homem de Deus foi morto enquanto praticava a sua diaconia!

Nós cristãos, temos por afazimento nos queixar a respeito da corrupção moral da humanidade. Porém, é chegado o tempo de assumirmos a nossa responsabilidade como participantes neste “caos”. Por isso que anuimos com tal corrupção. Permita-me uma metáfora: o medicamento não tem qualquer efeito sobre a doença enquanto guardado no frasco que o contém. É esta a culpa da cristandade. Temos guardado egoisticamente o remédio, o único e eficaz remédio que é Jesus Cristo dentro do invólucro que é representado pela Igreja. Sabemos que o medicamento para ser eficiente deve ser aplicado no lugar em que a doença se manifesta.

É através da diaconia, do serviço, que a Igreja pode aplicar o remédio ativo para a cura das mazelas deste mundo. Não podemos nos preocupar apenas com a cura teórica, metafísica dos males humanos, pois enquanto assim fizermos o câncer do mal não cessa. E, num continuar surpreendente vai estendendo as suas raízes malignas em torno da Igreja e, por que na dizer, algumas vezes dentro da própria Igreja. Os cristãos precisam readquirir o seu teor de salinidade para que, testemunhando e servindo preservem a sociedade.

É preciso, a esta altura, que se evite uma má interpretação das minhas palavras. Não somos contrários à Igreja. Nós reconhecemos nela o Corpo e a Noiva de Cristo, a agência do Reino de Deus neste mundo. Somos, isto sim, pela sua revitalização. Somos por um legítimos reavivamento no melhor sentido do termo, não baseado em emoções passageiras, mas um reavivamento nas formas de serviço, de diaconia. Tão pouco somos contra o evangelismo, mormente agora às portas da Campanha das Américas. Somos por um evangelismo mais eficiente. Somos por um cristianismo autêntico onde as palavras que pronunciarmos sejam apenas uma explicação para o documento que deve ser a nossa própria vida.

Século XX, século de transição. Progresso, muito progresso. O homem busca transcender as suas limitações. O ser humanos almeja o infinito, o eterno. Ele quer ultrapassar os limites estreitos de sua existência. Ele quer deixar a área das suas potencialidades para alcançar a da realidade. Porém, triste sina, por mais que busque e lute, ele não alcança o seu objetivo. Pudera! Está buscando água em uma fonte onde água não há! Enquanto o homem estiver apenas na área das potencialidade do seu ser, ele não estará existindo realmente. A vida real só pode ser realidade quando o homem for um ser real. E o homem só pode tornar-se um ser real quando entrar em contato com as finalidades de sua existência. Quando encontrar sentido e relevância para a sua vida. Isto acontecerá quando ele atingir uma compreensão da sua personalidade como um todo – que ele é acima de tudo um ser espiritual e que a sua existência como tal somente pode ter expressão a partir de um encontro com Deus.

É no encontro do homem com Cristo que o homem alcança o “novo ser” transcendendo assim as suas próprias limitações por tornar-se “filho de Deus”. Cristo veio tornar possível, real, o que antes era apenas potencial. Ele veio libertar o homem dos grilhões de sua limitação, do pecado.

Esta é a nossa tarefa e Cristo bem a definiu quando comissionou: “Ser-me-eis testemunhas…”. Temos que informar aos homens de nossa época que Cristo é o meio que eles tem de tornar concretas as potencialidades imensas que eles possuem. Eis que no relógio evangélico do mundo é chegada a hora de ação. É chegado o instante em que Deus atuará em todas as partes e setores da vida humana através do testemunho e diaconia dos seus servos. Não significa isto que o sagrado venha a se tornar secular, pelo contrário. A nossa diaconia deve ter como objetivo fazer com que os homens reconheçam a presença dinâmica de Deus em todos os setores das suas vidas de tal forma que a existência humana seja considerada e interpretada sempre a partir da experiência do homem com Deus. É preciso que Deus seja trazido para a esfera da experiência humana para a esfera de uma relação pessoal do tipo “Eu-Tu” onde o “Tu” divino, subjugue o “Eu” humano! A nossa diaconia não será a proclamação de conceitos metafísicos a respeito de Deus mas, sim, uma demonstração da relação que mantemos com ele. E, se no dizer de Unamuno, filósofo espanhol, “a vida é uma luta e a solidariedade pela vida é luta e só se faz em meio à luta”.

Nós, turma “Martin Luther King Jr” trazemos ao lado dos agradecimentos a todos os que de alguma forma cooperaram para a consumação desta vitória, também um desafio: desafio para uma luta pertinaz e incessante em busca de uma diaconia vivida e dinâmica, sempre renovada, de acordo com o ideal do Divino Mestre, sabendo que:

Não pela palavra falada,

Não pela palavra escrita,

Mas pela palavra vivida,

É a “Palavra da Vida” revelada.

Aqui ficamos nós. Que Deus nos ajude.

fevereiro 10, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O SENHOR

Filed under: Estudos — sdusilek @ 2:22 am

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O SENHOR

Como pode um salmo que retrata uma imagem tão agropastoril ser tão querido por uma geração moderna e tecnológica como a nossa? E mais: como podemos gostar tanto de algo que compreendemos tão pouco? Pois é: o Salmo 23 tem dessas coisas…

Num tempo em que muitos tomam o nome de Deus e o citam até mesmo em vão, nós precisamos saber a que Deus nós servimos. Davi usou 105 palavras para explicar quem é o Senhor. E uma vez que Ele é o Senhor, a nós cabe o exercício do serviço. O problema é que, como bem destacou Max Lucado, temos dificuldade em relacionarmos com Deus porque não sabemos qual é sua identidade. Aliás essa identidade está tão difusa que alguns acham que Deus é: a)um gênio da garrafa, altamente conveniente, serviçal e pronto para nos atender; b) um doce vovô, tão “fofinho” e querido quando acordado, mas tão ausente quando mais precisamos dele em suas “hibernações”; c) um pai extremamente ocupado, sempre ausente, que nunca tem tempo e interesse na sua vida. Deus não é nada disso.

Interessante que dentre inúmeros títulos e nomes que Deus recebeu, oriundos de uma experiência revelatória que Ele mesmo propiciou, Davi escolhe chamá-lo pelo nome com o qual o Senhor mesmo se apresentou: YAHWEH (Iavé). E quando ele assim o faz, há uma ligação dos dois testamentos (velho e novo) se estabelecendo no Salmo 23. Isso porque o nome “indefinido” e impronunciável (no hebraico ele é escrito com 4 consoantes) foi aquele com o qual o Senhor se apresentou a Moisés (Ex.3:14). E foi a forma como Joao retratou a Jesus, construindo toda a narrativa de seu evangelho sobre o “Eu Sou”. Tal expressão usada por Davi significa Deus é aquele que é; ou ainda Deus é aquele que causa o existir (Is.45:7). Isso implica que Ele é incausado, imutável, ingovernável e está acima de qualquer circunstância ou mesmo sugestão. E essas afirmações tratam da grandeza de Deus.

Davi está tentando nos dizer que o Senhor a quem servimos é grandioso demais. O pastor a quem ele convida entregarmos nossa vida em absoluta confiança é perfeito e bom demais. E é justamente isso que precisamos. Necessitamos, por exemplo, de um Deus que coloque 100 bilhões de estrelas numa galáxia e 100 bilhões de galáxias no Universo; mas que ao mesmo tempo saiba quantos fios de cabelo estão em minha cabeça (Mt.10:30). Saber, na hora da adversidade, que nosso Deus não é pequeno, nem fraco, é revigorante. Agora você pode repetir um jargão, mas com consciência: “diga ao seu problema que você tem um grande Deus!”

Mas quando Deus revela sua identidade o faz para que haja uma aproximação. Para que haja relacionamento é preciso identidade e identificação. A nossa identidade vem representada pelo nosso nome. O nome que temos é o endereço da nossa alma. É a conexão que fazemos com o mundo externo para que haja uma interação com ele. Por isso, quem revela o nome está disposto a ter intimidade.

Deus deu a dele: “Eu sou o Senhor; Grande e Temível; Misericordioso e compassivo; aquele que criou todas as coisas”. O que falta a nós é a identificação. Você se identifica com um Deus grande? Ou para sua vida Deus precisa ser pequeno? Interessante que Deus nos chama pelo nome (At.9 – veja o exemplo de Saulo) e nossa identificação com Ele passa a ser tão grande que Ele nos dará outro nome que só nós saberemos qual será (Ap.2:17).

Fato é que a mensagem primeira do Salmo 23 é o cerne do evangelho pregado por Jesus: o Reino de Deus. O Reino não é a igreja. O Reino não é um país. O Reino, segundo George Elton Ladd, é o Senhorio de Jesus. Jesus este que, como vimos, é o YAHWEH encarnado, assim felizmente apresentado no evangelho escrito pelo apóstolo Joao. A pergunta que fica é: você já faz parte do Reino? Jesus já é o Senhor da sua vida?

Que o Sumo Pastor nos abençoe e guarde!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

fevereiro 4, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23)-1a parte

Filed under: Estudos — sdusilek @ 1:43 pm

Por que o Salmo 23 é tão bom? – Preparativos para o banquete

Se é verdade que o Salmo 91 é conhecido como o salmo da “mandinga”, aquele que ninguém nunca lê, mas que sempre está aberto para proteger (para desernegizar, para “liberar fluídos e espantar coisa ruim”), também é verdade que o salmo 23 é o salmo da confiança, aquele mais lido nas horas em que precisamos de encorajamento. Presos, andando pelo corredor da morte o ouvem; pacientes terminais entrevados em seus leitos o balbuciam; gente adentrando a recessão e vivendo a escassez o grita; gente com medo e até pavor ora o salmo 23.

Este é um salmo escrito por Davi. Alguém com uma formação eclética. Foi de pastor de ovelhas a rei. Alguém com coração quebrantado e também adorador. É provável que Davi o tenha escrito junto aos demais salmos de sua autoria em torno do ano 1000 a.C. Os salmos (psalmoi no grego, que significa canções para instrumentos de cordas) foram escritos, vale a pena destacar aqui por autores diferentes em períodos diferentes.

Mas afinal, por que os salmos e em especial o Salmo 23 chamam tanto a atenção? Por que eles falam tanto ao coração? Vamos elencar alguns motivos aqui, numa lista não esgotável:

a) Joao Calvino, o reformador, dizia que os salmos representavam uma anatomia da alma, visto que não há sentimento humano que não seja encontrado ali. E numa sociedade tecnológica como a nossa, e por isso, despersonalizante, não há nada mais difícil para o ser humano do que aprender a lidar com as suas emoções. Por isso os salmos exercem tal poder de atração sobre o homem, em especial o homem moderno;

b) Porque ele sinaliza, como Leonardo Boff destacou, que Deus toma partido. Deus está do lado do indefeso, do injustiçado, do perseguido. E ele pode nos tranqüilizar e fazer-nos recobrar as forças. Se nesse mundo mal as injustiças nos alcançam, Deus é e será a nossa justiça (Sl.15);

c) Porque este salmo (o 23) retrata uma verdade espiritual que alivia a nossa carga. Como bem disse Max Lucado, nossa mente está repleta de encargos. São preocupações e ocupações que povoam nosso pensamento, impedindo a entrada e o desfrutar da paz. Para nós que andamos sobrecarregados, nada como voltar e visitar o Salmo 23. O Senhor cuida de nós! Ele é nosso pastor! Ele dá direção, provisão e satisfação! Aleluia!

d) Porque o salmo 23 fala de um Senhor que é pastor. E o pastor procura cuidar de suas ovelhas, livrando-as das ameaças e da violência. Para nós que vivemos num contexto violento, saber que nosso pastor cuida de nós é bom demais! Jesus nos dá direção toda vez que paramos para ouvir Sua doce voz. Ele mesmo se apresentou como o Bom Pastor (Joao 10).

e) Por fim vale destacar que o salmo 23 está construído ao redor de dois símbolos, cujos significados estão presentes no arquétipo de todo ser humano, a saber: o símbolo do pastor (v.1-4) e o símbolo do hospedeiro (v.5-6). Num mundo cansado e em exaustão (econômica, social, política e ambientalmente falando), nada como as figuras dos “anjos do acolhimento” para amainar nosso coração. Nós somos acolhidos pelo Pastor e seremos acolhidos na eternidade pelo Senhor!

Creio que por essas e outras razões mais que estão em seu coração, estudar o Salmo 23 vai ser uma das experiências mais fascinantes e uma das grandes descobertas de sua vida cristã. Dessa vez foi só o preparativo!

Que o Sumo Pastor nos abençoe e guarde!

Pr.Sergio Dusilek

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