Novos Caminhos, Velhos Trilhos

setembro 25, 2014

VISIBILIDADE X RELEVÂNCIA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:01 pm

Visibilidade x Relevância

Para muitos, contagiados pela cultura midiática e dos números, a relevância de algo se dá pela sua visibilidade. Se tem algo que aparece, algo que ganha foco (especialmente o midiático), isso passa a ser considerado por muitos como relevante. Na verdade somos instados a achar que relevância vem da projeção.

Gosto do Evangelho, entre outras coisas, pela sua contra-cultura. Ao comparar a revolucionária e transformadora mensagem do Evangelho, Jesus usou a imagem de uma semente. Ele não fez alusão às técnicas do agronegócio, mas fala de semente. A produtividade não está na técnica, mas na junção solo-semente que gera uma nova vida.

E quando Jesus fala do fazer o bem? Que sua mão direita não saiba o que fez a mão esquerda… para Deus isso é relevante. Para a sociedade atual, só quem aparece com cheque de valor alto no Criança Esperança… para a nossa cultura, relevância está na visibilidade.

E sobre o ofertar? Jesus falou da viúva que deu dois leptos (alguns centavos) mas nada citou daqueles que carregavam sacos de dinheiro até o “lugar do tesouro”. Os sacos de dinheiro tinham visibilidade, mas para Cristo a relevância estava estampada na atitude e  no coração daquela mulher que deu tudo o que tinha. Perceba: Ele não criticou aqueles que deram muitas moedas, mas destacou aquela que dera todas as suas. Notou o padrão anti-cultural?

Jesus também contrariou as expectativas da religiosidade quanto a proximidade com Deus. Para os fariseus, intimidade desembocava em visibilidade, em bonitas e vistosas preces feitas em público. Para Cristo essa proximidade requer um local íntimo. Ele fala de quarto, de solitude, de coração aberto para Deus. Relevante para Jesus não é o “orador oficial” que sempre “deixa sua marca” aparecendo nos momentos de intercessão. Ao contrário da visibilidade, relevante para Cristo é aquele que busca somente e sinceramente ser visto por Deus.

Transportemos isso para a Igreja. Uma igreja pode ter uma enorme visibilidade por conta de sua numerosa membresia. Políticos podem assediá-la especialmente num contexto eleitoral como o nosso. Mas essa comunidade local é relevante? Pode ser que sim, pode ser que não. O que quero dizer é que relevância não está ligada necessariamente à visibilidade. Para assentar o que estou dizendo, veja Noé, um homem de uma relevância única que se torna especialmente visível para Deus. Porém sua pregação não conquistou uma alma sequer. Sua visibilidade, nos padrões humanos era perto de zero. Mas sua relevância em termos espirituais era gigantesca. O que não falar da Torre de Babel? Total visibilidade, mas nenhuma relevância para Deus. E Filipe pregando para o eunuco de Candace (At.8)? Visibilidade ali mínima, mas totalmente relevante para o Espírito divino.

Quer aparecer ou ser relevante? Pode ser que nossa relevância tenha visibilidade. Pode ser que não. Mas de modo nenhum o aferidor de nossa importância pode ser a cultura dos números ou mesmo a cultura midiática. A nós só cabe querer ouvir a voz do Mestre dizendo: “Muito bom servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” (Mt.25:21). Interessante que o senhor da parábola toma conta da obra, da tarefa designada ao servo. Isso porque nem sempre o que Deus quer que façamos produz visibilidade. Mas tudo que Ele nos pede é importante e gera relevância.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

setembro 23, 2014

Maturidade e Mudanças

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:43 pm

Maturidade e as Mudanças

Um dos indicativos sinais da “adultice” ou maturidade é a reflexão. Se quando mais jovens somos levados pela impulsão, conforme vamos envelhecendo passamos a usar o freio da reflexão. Quando novos topamos qualquer aventura; quando mais velhos somos relutantes em entrar em novos desafios.

Isso em si não é mal. É bom. É sinal de etapas da vida sendo vividas. Na maturidade avaliamos onde estamos e onde queremos chegar. É por isso que nessa etapa de vida muitas rupturas acontecem. E por ser na maturidade, elas não ocorrem da noite pro dia. Elas, ainda que produzam muita dor devido ao processo que venha a ser escolhido, revelam um processo avaliatório. Não é a toa que muitos são triturados pela crise dos “40”.

Mas o que fazer diante de uma crescente e visceral vontade de mudança?

A Bíblia fala de um homem que ao que tudo indica, após 40 anos preso a uma mesma situação restritiva (At.4:21-22), o que talvez tenha-o feito desistir de qualquer cheiro de mudança, teve sua vida mudada. Esse acontecimento é relatado em At.3:1-10. O que fazer então?

Em primeiro lugar, mantenha o curso da normalidade. Rupturas radicais somente com uma voz do Alto. Perceba, não é com alguém gritando. É com um som que vem do céu. Interessante que o texto mostra que aquele homem nem levantava mais para olhar. Ele somente esticava a mão de pedinte e balbuciava algumas palavras para ganhar uma esmola. Tanto é que Pedro manda ele olhar para eles. Um som, uma palavra vindo de cima iria mudar sua sorte.

Rupturas radicais feitas sem direção divina, por mais justificadas existencialmente tendem a gerar muita dor. Dor essa que é vivida pelo agente da ruptura e por todos que o cercam e amam. Não estou apregoando aqui o conformismo. Só estou alertando você para o perigo das mudanças muito radicais sem uma clara direção do Alto.

Em segundo lugar, para realizar alguma mudança é preciso parar de olhar para as nossas limitações (v.4). Aquele homem só olhava para baixo. E o que ele via constantemente diante dos olhos? Suas pernas atrofiadas que o impediam de andar. Quem olha muito para suas imperfeições; quem contempla muito suas limitações invariavelmente desenvolverá uma aguçada auto-piedade. E a auto piedade é a paralisia da alma. Gente assim não consegue se mover, não consegue promover uma vírgula sequer de mudança. Você é daqueles que só choram as limitações, isto é, as lamentações? Ou é daqueles que enxergam suas debilidades mas procura vencê-las?

Em terceiro lugar, cabe destacar que o que esperamos do Alto é muito pouco perto do que Deus pode nos dar (v.5). O que aquele homem esperava do alto? Algumas moedas de esmola. O que o Alto tinha para lhe dar? Muito mais além do que ele podia pensar ou imaginar (Ef.3:20). Isso porque se o melhor que temos é o melhor que podemos dar, o que não dizer do coração de Deus, de onde procede toda virtude, tudo que é amável, doce, puro, honesto (Fil.4:7-8) e todas as bênçãos (Sl.115)?

Por fim destaco que a restauração está ao alcance das mãos. É interessante essa percepção prática da fé. Fé não é aquilo que precisa ser processado por um rigoroso estudo na academia, a qual se tornaria um produto disponível após anos de pesquisas. Fé está ao alcance das mãos, de toda e qualquer mão. Aquele homem então se agarra a destra de Pedro. E essa é uma linda imagem. A destra de Pedro naquele momento figurava, representava a destra de Deus, que ao longo da Bíblia sempre esteve a disposição para levantar os caídos. E seguro pela destra de Deus aquele homem adentra por uma nova e mudada vida. Um novo caminho para quem ficava a margem dele, tanto no sentido literal (ao lado da porta da religião), quanto no figurado (um coxo era encarado como sendo punido pelo seu pecado e portanto distante e distanciado de Deus).

As rupturas radicais operadas por Deus ou sob seu comando geram alegria. Houve festa por conta do milagre daquele que agora era um saltimbanco (no sentido de quase um artista circense) salvo. A Porta Formosa voltou a ficar linda. Pois onde Deus manifesta seu Amor, a beleza se torna exuberante.

Que você O deixe inspirar sua vida e suas mudanças!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

setembro 18, 2014

ELEIÇÕES E MÍDIA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:35 pm

Uma das coisas mais interessantes criadas pela mídia é a virtualidade. Aquilo que antes conhecíamos mediante fábulas e lendas, pelo “conto que aumenta um ponto”, agora sabemos pela mídia.

Nesse sentido, fotoshop tira as marcas de expressão do rosto para cada foto oficial. A maquiagem auxilia no combate as olheiras. E os vídeos promocionais não mostram numa pessoa, mas vendem um produto. Não é o ser humano que está ali, mas o “super-candidato”, o messias político. Reparou que normalmente os messias políticos mais produzidos são justamente aqueles que estão na política partidária, ocupando cargos há anos? E o que resolveram? E por que iriam resolver tudo agora? Para não dizerem que “não falei de flores”, sim, estou falando das eleições.

Esquecem os candidatos messiânicos que a expectativa de uma solução política conduz, quando a virtualidade é revestida pela dura realidade, de revolta pela população e de cruz para aqueles que são objeto da esperança coletiva. Judas vendeu Jesus, segundo alguns, porque tinha uma última esperança de uma revolta cósmica na hora da prisão. Pedro acertou Malco porque sua espada estava a serviço ainda de um messianato político. Sua ligação terreal era tamanha e sua visão tão míope e distorcida que nega a Jesus três vezes diante da acusação de uma serviçal.

Por isso, muito cuidado meu querido com essa virtualidade midiática. Candidatos que beiram a perfeição são criações virtuais; são “fakes”. E como tais meras ilusões; miragens políticas cujo Oasis real é feito de terra e Sol, e não de água e sombra fresca. A decepção é grande.

Cuidado também com o pessimismo e com o pragmatismo. O primeiro impede voce escolher alguém, pois todos seriam imprestáveis. Bom, pode até ser que quase seja isso, mas ainda há os “álibis políticos” como diz Boechat, ou mesmo os menos piores. No tocante ao pragmatismo, evite votar por benefício próprio ou mesmo porque alguém muito ruim fez algo positivo. Esse último ponto é o argumento de muitos paulistas, por exemplo, para votarem no Maluf. Havia inclusive um jargão que sempre é lembrado por muitos dos seus eleitores em época de eleição em São Paulo: “Maluf rouba, mas faz”. Detalhe: faz mesmo.

Ore e escolha candidatos comprometidos com a Justiça, Paz e com a Misericórdia. Valores insubstituíveis do Reino. E exorcize qualquer tentativa abordagem diretiva: desde o voto de cabresto ao voto de cajado (pastores dizendo em quem votar).

Que Deus nos ajude a escolher!

Pr.Sergio Dusilek

setembro 10, 2014

O choro de Martin Luther King Jr.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:11 pm

O choro de Martin Luther King Jr.
Quando o referido pastor batista se empenhou pela luta da igualdade racial (entre outras), contra qualquer tipo de discriminação, ele o fez pensando na ruptura com todo e qualquer tipo de racismo.
Pois no domingo passado eu acho que ele choraria.
A única coisa que explica o que aconteceu com minha familia num vôo de Orlando para Atlanta (!!!!??), berço do movimento liderado pelo Pr.King Jr., chama-se racismo.
Bom, por conta de problemas da companhia aérea DELTA Air Lines, fomos encaixados num outro vôo que não o nosso para Atlanta, afim de pegar nossa conexão para o Rio de Janeiro. Por conta do encaixe foram dados a nós três bilhetes contendo lugares diferentes. Bom, tenho uma filha de 5 anos que não pode, nem deve viajar sozinha. Pedimos então a interveniencia do comissário.
A melhor solução estava na fileira onde tinha uma mulher(corredor) e um homem (janela), ambos afrodescendentes. O homem da janela só precisava pular para a fila de trás onde viajaria na janela também. Ou se a mulher quisesse mudar de lugar, era por ali mesmo que ficaria. Mesmo com todo jeito do comissário, ambos foram irredutíveis. Durante o vôo, ao mexer no celular, percebi que o homem pequeno e franzino tinha a foto de sua pequena filha (regulando com a idade da Leticia) no celular.
O que faz alguém agir com tamanha indiferença? PRECONCEITO.
Preconceito por ser branco, preconceito por ser “latino”.
Graças a Deus e aos brasileiros, tivemos uma solução para a Leticia.
Quanto aos dois,rsrs, bom, a poltrona do meio era da Leticia. Então fui e me esparramei de propósito nela. Moral da história: eles chegaram empenados em Atlanta: a mulher com a direção travada para a esquerda; o homem para a direita.
Agora, se o Pr.King fosse vivo ele choraria muito. Não foi para essa igualdade desigual que ele lutou pelos negros contra a discriminação racial. Lamentável que os beneficiários de uma luta se tornem os algozes das gerações seguintes.

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