Novos Caminhos, Velhos Trilhos

março 31, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O Pastor quer Proximidade!

Filed under: Estudos — sdusilek @ 3:57 pm

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – O Pastor quer Proximidade!

Quem são seus inimigos? Eles estão perto ou longe de você? Para muitos parece que a vida é um mar de rosas. Nunca magoaram ninguém, jamais foram levados a tomar uma decisão que machucasse os outros. Mas a verdade é que querendo ou não, na vida vamos fazer (ou colher?) inimigos. Mesmo que voce seja a pessoa mais gente boa do mundo, pelo menos um Inimigo você terá: Satanás. O próprio nome do Diabo quer dizer adversário, aquele que luta contra, que se opõe; aquele que é seu maior Inimigo.

Todo Inimigo tem o que dizer da gente. Sempre haverá mal intencionada ou não, uma acusação a ser feita ao nosso respeito. Davi sabia disso. Como guerreiro que era, por muitas vezes ele colecionou inimigos. O que quer dizer então essa expressão de uma mesa preparada na presença dos inimigos?

a) Em primeiro lugar indica a confiança de Davi que a Presença de Deus e a comunhão com Ele representavam a melhor proteção (blindagem) que alguém poderia ter na presença do Inimigo. Cear sempre foi um momento de relaxamento, de desguarnecimento. Davi entendia que nenhum Inimigo podia sequer tocá-lo quando estava na presença do Pastor. Na intimidade (e a mesa era a figura da intimidade) com Deus, somos imbatíveis!

b) Em segundo lugar representava a confiança do cuidado que Deus tem conosco nessa aproximação. Preparar a mesa, na atividade pastoril significava tirar as plantas venenosas que cresciam entre o pasto, além de desentulhar as fontes. Esse cuidado era estendido até a vigia com predadores. Deus prepara tudo para nossa comunhão! Ele arranca os desejos pecaminosos que vão crescendo em nosso coração como um veneno. Ele desentope todos os canais para que recebamos água. E Ele não deixa o Inimigo nos tocar (I Joao 5:18)!

c) O Supremo Pastor renova sobre nós Sua proteção/unção. A unção com óleo era comum entre os hebreus, os quais conheciam cerca de 30 fragrâncias de perfumes entre elas o nardo, o aloés e a mirra. Essa unção representava a alegria do dono da casa em receber o conviva (Lc.7:46). Isso implica dizer que Deus tem prazer em receber você e que Ele já colocou sobre sua vida o doce perfume de Cristo (2Cor.2:14-6), e já derramou sobre sua cabeça o óleo mais puro e doce – O Espírito Santo. Você já faz diferença por onde passa? Assim como o perfume? Ninguém vê, mais sente o efeito, a fragrância, o cheiro?

Mas para que haja renovação da unção é preciso que a ovelha se curve. E aqui está nosso problema. Se curvar é se humilhar (I Pe.5:6). Contudo, o Pastor requer isso de nós para que o ferimento de hoje não se torne a infecção de amanhã.

d) Por fim, que mesmo sendo alvo de ataque dos inimigos, há alegria e transbordar de alegria na ceia com o Senhor. O Vinho, usado para encher o cálice era o símbolo da alegria. Cálice transbordante é para aquele a quem não falta alegria, que vem do Espírito Santo! Os nossos melhores momentos estão na presença do Senhor! E certamente nosso coração não consegue conter as inúmeras bênçãos que Ele tem derramado sobre sua vida. Qual foi a última benção que Deus lhe deu?

Transbordar o cálice também implica em tempo maior de comunhão. No mundo antigo, quando faltava bebida no cálice era a hora de ir embora… O anfitrião estava dizendo com isso, de modo educado, que você precisaria ir embora. Mas Deus nunca nos dispensa. A mesa, esse momento de desfrutar da Sua presença, sempre fica encharcada. Para o Pastor, quanto mais tempo passar com suas ovelhas, melhor!

Na hora do cear é o momento de ter intimidade. Por isso podemos abrir nosso coração e confessar ao Senhor nossas faltas, nossos pecados. Assim desfrutamos da liberdade que só o perdão que Jesus oferece pode dar. E aí somos imunizados da acusação do Inimigo… não foi assim com Pedro quando Jesus o convidou para cear (Joao 21 x Mt.28:16)?

A mesa da comunhão está preparada. O óleo da unção já foi derramado. Agora nos resta o bendito cálice da celebração, o qual sorveremos até que Ele venha!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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março 24, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Confiança Inabalável

Filed under: Estudos — sdusilek @ 5:36 pm

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Confiança Inabalável

Você já viu a morte bem de perto? Já esteve sob o alcance de sua sombra? Algum acidente, alguma doença que fez com que quase perdesse a vida? Ou conhece alguém que passou por isso recentemente? Que experiência difícil, não é mesmo?

A morte é a mãe de todos os medos e pavores. No fundo de cada medo que sentimos está o medo da morte. Ela é o exemplo máximo de perda, de separação, de dor. A sua proximidade muda a rotina de uma família. Muda também a forma de viver de uma pessoa. Todos tememos a morte.

Na experiência da morte está a presença da solidão. Não podemos levar ninguém conosco. E normalmente, conquanto todos que nos amem emprestem sua solidariedade e carinho, a morte torna-se mais dolorosa pela solidão. Como disse Max Lucado, “solidão não é a ausência de faces, mas a ausência de intimidade. A solidão não vem de se estar sozinho; vem de se sentir sozinho.” Por isso a sombra da morte é tão angustiante.

Mas é aqui que Davi faz uma profissão de fé e de uma confiança inabalável em Deus. Na verdade o termômetro da confiança não é nosso bem estar. O termômetro da confiança em Deus está quando sentimos o “ar frio” da sombra da morte se aproximando. E Davi esboça uma confiança inabalável!

Por que ele temeria a morte se com Ele está o Senhor da vida? Não foi sua realização pessoal, seu estado de “auto-torpor”, ou sua imensa família que lhe dava essa segurança. Nem tampouco suas habilidades como lutador e guerreiro, em cujas batalhas vira por muitas vezes a sombra da morte passar. Mas era o Senhor quem tirava de Davi o medo da morte. A confiança era tal que Davi sabia que um dia o Supremo Pastor o levaria. E esse dia não chegaria antes da hora… Davi sabia que o único que pode estar conosco na hora da morte e na passagem por ela era o Senhor. E a presença dEle nos basta (II Cor.12:9).

A confiança inabalável que Davi tinha em seu Pastor era confirmada pelo bordão (vara) e pelo cajado.

O Bordão era uma vara mais reta e espessa. Era a extensão do braço direito do pastor, e, portanto, símbolo de sua autoridade e poder. Era usado para a disciplina (daí seu caráter punitivo-Lm3:1; Jó 9:34; Is.10:5; Pv.13:24) de ovelhas rebeldes que procuravam afastar-se do grupo e para contagem e exame minucioso das ovelhas (Ez.20:37). O que isso significa?

a) Que nossa vida está debaixo da autoridade de Deus. Ele é o único que tem poder para dá-la, para restaurá-la ou para tirá-la. Por vezes Deus leva alguém antes que veja o mal piorar… (Is.57:1). Não precisamos temer a morte porque Deus está no controle da vida!

b) Esse símbolo pastoral indica também que muitas vezes flertamos com a morte porque em nossa rebeldia e pecado nos aventuramos para fora do rebanho. Aí Deus tem de usar alguns instrumentos corretivos, como bem assinalou Leonardo Boff: má consciência e sentimento de culpa; crítica que sofremos de gente que nos ama; crises que passamos (crise vem do sânscrito kir que quer dizer limpar, purificar. Daí vem o crisol (usado para limpar ouro e prata).

Já o cajado era uma vara feito de junco mais fina. Era o apoio do pastor e comunicava o que é bom. Através do formato de gancho na ponta, o pastor usava para trazer a ovelha para perto, a fim de ter um contato mais íntimo com o pastor. Era usado para desprender a ovelha (cheia de lã) dos espinhos (Mt.13:7,22). Quando o pastor batia o cajado no chão as ovelhas sabiam que ele estava perto delas. O que isso significa?

a) Que por vezes nosso ego faz com que caminhemos para o vale da sombra da morte. Ficar preso entre os espinhos (na parábola do semeador é se enfronhar com a vida terrena pelos prazeres, pelo acumulo de bens) é expectar a morte. O cajado do Supremo Pastor que é eminentemente Sua Palavra faz com que sejamos separados dessas coisas que nos prendem para a morte;

b) Que Deus quer nos trazer para perto. E que a morte é, para nós que cremos em Jesus, o último estágio e convite para ficarmos mais perto dEle. Por que temê-la então?

Finalizo convidando você a não evitar os jardins da dor, da solidão, da prensa, do Getsemane. Ainda que ele seja o seu vale da sombra da morte. E que em nossa boca haja a confiança inabalável do pastor Davi, também expressa pelo pastor Paulo em I Cor.15: 54-57:

“ E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

março 23, 2009

SOBRE O SEMINARIO DO SUL…

Filed under: Liderança — sdusilek @ 6:21 pm

SOBRE O SEMINARIO DO SUL…

Antes que paire sobre sua mente qualquer dúvida sobre a intenção desse artigo, quero lhe afiançar que amo o STBSB. Passei lá 18 anos de minha vida, 14 como filho de professor e mais 4 como aluno. Na primeira fase foi lá que fiz minhas primeiras e até hoje mais significativas amizades (Fabio Torres, Andre Seitz, Marco Antonio, entre outros). Na segunda fase, fui agraciado com uma turma de gente que na sua grande maioria tem visão de Reino e que serve apaixonadamente a Jesus. Sou um privilegiado pelos dois momentos que lá vivi. O que falarei do Seminario não é como destrutiva crítica, mas como lamento, chateação por vê-lo ganhando a alcunha de Titanic.

Inúmeros pastores passaram por ali. Viveram nos mais conturbados momentos da história do Brasil, da história dos batistas no Brasil e da história do próprio Seminario. Em todos esses momentos, parece que a colina transcendia, estava além do resto do mundo. Hoje, porém…

Estou escrevendo aqui na esperança que nossa liderança denominacional seja guiada por Deus para encontrar soluções para o nosso Seminário do Sul. Creio que boa parte dos caminhos do Sul não estão fora dele, mas sim registrados em sua própria, significativa e linda história. Na sua história houveram crises. Na sua história há o registro de vitória sobre esses momentos de dificuldade.

Mas o que aconteceu, segundo minha percepção, para que o Seminario chegasse onde está?

Creio que em primeiro lugar o Sul perdeu sua alma. Não é que seja mais ou menos devocional. O Sul perdeu sua condição histórica de seminário com ensino diferenciado. Lembro-me que em 1998, na entrevista de seleção para o mestrado em filosofia na Gama Filho, fui indagado em boa parte dela pelo corpo docente que havia lá (isso mesmo no Seminario do Sul) em 1980. Professores como meu pai, Olavo Feijo, Renato Zambrotti, Israel Belo, todos foram lembrados por doutores de renome que foram seus colegas de magistério. Mal sabiam eles (também não disse-rsrs!) que aquele corpo docente fora “desintegrado”. O seminario vivia nos anos 1990, da fama do corpo docente dos anos 80. Isso porque o diferencial do STBSB era seu corpo docente. Voce podia ter aulas boas em outros seminários, mas a coletânea de mestres voce encontraria no Sul. Havia uma liderança conhecida (e também questionada, por que não?) que dava aulas naquele seminário. Voce podia não gostar nem concordar com eles, mas havia respeito por cada um (além dos citados, também Pr.Walter Wedemann, Pr.Elias Carvalho de Sá, Pr.Joao Falcão Sobrinho, Pr. Roberto Alves, Pr.Helcio Lessa, Pr.Jose Carlos Torres). Além disso a troca de experiências ministeriais na sala de aula… devia ser algo único.

A primeira perda referencial que o seminário passou foi essa: deixou de ser o Seminario do Sul para ser um seminário do interior após a saída do então Reitor Pr.David Malta do Nascimento.

A segunda perda se deu agora na década de 2000. Como seminário “do interior”, o Sul ainda conseguiu se manter e ter inúmeros alunos. Mas infelizmente acabou perdendo um corpo docente, fruto dos anos 80, que formado fora quase que por “acidente”. Cada um desses professores praticamente buscou a sua formação. E o Sul acabou tendo, no final da década de 1990 um bom e diferenciado corpo docente. Só que na década de 2000, nova direção fez com que o Seminário perdesse essa destacada liderança. Ouso a dizer que o STBSB passou para uma nova fase: de seminário do interior, virou seminário de “igreja”.

Por que estou dizendo isso? Ora, o que faria um aluno pagar bem mais caro a mensalidade do Sul? Logicamente que seria seu ensino diferenciado. Isso infelizmente não “pertence mais” ao STBSB. É por isso que seminários de igreja, que existiam mas não ameaçavam, hoje captam alunos que potencialmente iriam para a Colina.

Só para ilustrar, há dois anos atrás fui a uma formatura do Seminario do Sul. Dos professores da casa que lá estavam, somente 3 eram conhecidos do grande público: os prs. Israel Belo, Vitor Valente e Luiz Roberto. Antigamente eram somente 3 os desconhecidos… Percebe como o Sul perdeu seu “magnetismo”?

A perda do diferencial foi a perda da cátedra, justamente a “alma do Sul”. Lembro que meu foco aqui está no registro do meu lamento pela perda progressiva de professores que eram verdadeiros mestres daquela casa. O ensino do Seminário se apequenou assim como o numero de seus alunos. O problema não é vocação. Vocacionados existem; tanto é que o número de seminários não para de crescer. O problema é na instituição.

Em segundo lugar percebo uma ausência de planejamento. Ora acaba com um curso (teologia manha), ora reativa. Ora questionado é pela pouca procura de um ou outro curso, ora dá entrada no MEC para pedir reconhecimento de algo que nunca teve como se sustentar e que hoje (pela crise financeira pela qual passa o Seminario) não tem da onde tirar. Ora vê os “Campi” como estratégia de expansão, para no momento seguinte passá-los para o nível de concorrência. Em tudo isso está a ausência de planejamento, ou a presença de um muito mal feito. E quem paga por isso? O Seminario, a convenção, nós que sofremos. Porque quem planeja vai embora… (deve ter algo errado nisso, não é mesmo?)

Se há uma direção a ser tomada, que ela seja perseguida até o fim. Se há correções a serem feitas, que sejam feitas enquanto há tempo. Não se pode brincar de planejar. Planejamento mal feito destrói a empresa e macula uma marca como a do Seminario do Sul.

Em terceiro lugar, creio que há a dificuldade administrativa. Numa empresa em crise é normal que os dados se percam, e que haja confusão deles. Nessa hora, é preciso fazer um esforço hercúleo para credibilizar cada dado da organização. Até para que se leia com segurança onde estão os ralos pelos quais os recursos estão indo embora e quais são os canos entupidos que impedem que as receitas entrem no caixa do Seminario. Por isso digo que conquanto seja emergencial a ajuda financeira, não adianta colocar dinheiro sem tapar o buraco. Não adianta investir se não resolver também o problema da alma do Seminario. Isso porque quando o ralo está aberto, toda “água” que cai nele acaba escoando…

Por fim o futuro do Sul está atrelado a escolha do novo reitor e à visão que a denominação tem para esta casa de profetas. Não é possível errar nessa escolha. O próximo reitor tem de ser alguém que respire a educação teológica e tenha desejo de respirar os ares pesados (pelo menos nesse instante) do Sul. Cabe a nós como crentes batistas orarmos pela liderança de nossa convenção para que Deus os guie nessa tarefa.

Certo também é que nenhum reitor conseguirá fazer um bom trabalho se pender sobre o STBSB qualquer tresloucada idéia de descontinuidade. Um novo reitor, escolhido sob a direção de Deus, com vocação Mestre-pastor (a inversão é proposital), precisará de todo apoio. E também de toda sabedoria do alto para tirar o Sul desse descompasso histórico, cultural, acadêmico e ministerial em que se encontra.

Pr.Sergio Dusilek

HTTP://sergiodusilek.wordpress.com

março 16, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Veredas Justas

Filed under: Estudos — sdusilek @ 12:51 am

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Veredas Justas

Houve um tempo em que quase não havia estradas. O caminho a ser percorrido, no caso da existência de alguma, era um só. Onde não há pluralidade, as escolhas inexistem e vivemos uma paz anestesiada. Verdade é também que não amadurecemos. O que nos faz crescer, maturar, e desfrutar de algum nível de ansiedade é justamente a escolha. Você tem a oportunidade de escolher entre permanecer ou abandonar um emprego? Você não sabe se insiste ou não em um relacionamento? Orar ou não orar pela conversão da família? Mudo de cidade pela porta que se abriu de um novo trabalho ou fico por aqui mesmo? Escolhas…

Keller salienta que ovelha tende a repetir o mesmo caminho. Sem orientação, sem direção, elas repetem o que fizeram, estagnando a terra. É pior do que “madeireira que age ilegalmente na Amazônia”. Olha só como somos iguais (nós e as ovelhas)… tendemos a mesmice e até mesmo a mediocridade.

Nosso problema é ainda maior por conta de um fator neurotizante que está encruado na mente de muitos crentes: a dúvida se Deus quer que eu faça aquilo mesmo ou não; se é aquele o homem ou a mulher da minha vida (como se Deus tivesse predestinado você para uma pessoa…). Tudo isso confunde e adoece aqueles que, paradoxalmente, buscam a sanidade e a saúde tão prometidas no Evangelho.

E justamente aqui entra a redentora mensagem dessa segunda parte do verso 3. A Palavra de Deus fala em veredas, em caminhos. Isso implica dizer que diante de nós há inúmeras possibilidades. E reafirma também que mais importante que o caminho, que a estrada que você vai escolher para se conduzir até o destino final, é como você vai se portar nesse caminho. No linguajar de Davi, importa que haja Justiça na vereda que você optou.

Justiça é um valor do Reino. E tudo que pertence a enormidade do Reino de Deus é eterno e por isso não pode ser contido. A Justiça não pertence a uma denominação, nem tampouco a uma igreja específica. A Justiça da qual estamos falando não pode ser restrita ao judiciário, nem ter nele sua representação maior. De igual modo ela não pode ser cooptada por um partido ou agremiação partidária. Nem ser objeto de chancela, movimento social ou mesmo de outorga econômica. O Reino de Deus e a sua Justiça transcendem a estas formas inacabadas.

É por isso que podemos ser políticos (será??!!!) mas andar com retidão. Podemos estar no Judiciário e sermos de fato não instrumentos da Lei, mas canais da Justiça. Podemos ser engenheiros, médicos, dentistas, contadores, advogados, professores, etc. e sermos retos, isto é, termos uma conduta justa naquilo que fizermos. Podemos nos relacionar com pessoas diferentes, em tempos diferentes, e sermos corretos com elas. Podemos viver em países diferentes e ainda assim trabalhar para que o sol da justiça brilhe em cada nação. Mais importante que o caminho (profissão; futuro cônjuge; local onde morar) é ser JUSTO onde você esteja. Portanto, não engane, não destrua nem humilhe o mais fraco. Não minta, nem trapaceie. Seja honesto, sincero, verdadeiro, irrepreensível. Seja Justo.

Mas como fazer isso se não há justiça em nós (Rm.3:10-16)? Só há uma forma: olhando para o Justo (Heb.12:1-2), que é Jesus Cristo. Quando mantemos nosso olhar em Jesus, somos guiados por caminhos verdadeiros e seguros, uma vez que Ele mesmo é o Caminho. Não há tempo para confusão e perdição. E nesse momento descobrimos e desfrutamos do amor que Deus tem pelo seu próprio nome. Uma vez que o Senhor emprestou seu nome para nós (somos povo dEle), Ele passa a nos guiar pelas veredas da justiça e da retidão. E nossa garantia dessa orientação, desse “GPS celestial”, é a fidelidade que o Senhor tem a Ele mesmo.

Pode ser que seja mais fácil conseguir as coisas sem retidão. Pode ser que a corrupção e a mentira abasteçam toda a sua cobiça e contemple todo o seu desejo. Mas nesse caso, você não pode usar o nome dEle. Mesmo porque talvez não tenha esse Nome sobre seu coração.

Como Deus vai te guiar e sustentar? Isso é com Ele e contigo. Aliás, como bem disse Leonardo Boff: “parece que os que crêem hoje não têm entrega, porque não chegaram a ter uma experiência radical com o Senhor que é PASTOR” (grifo nosso)

Quem sabe essa não seja a hora da rendição? De capitular, de confessar e deixar Deus ser seu Pastor e Senhor? Quem sabe esse não é o instante histórico no qual o nome de Jesus será tomado, vivido e honrado em sua vida?

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

março 10, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BIBLIA (23) – ELE NOS SACIA

Filed under: Estudos — sdusilek @ 2:17 am

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Ele nos sacia

Não sei se há imagem mais convincente do que alguém que vem caminhando pelo deserto, exausto, sedento, quando se depara com uma máquina de refrigerantes e retira uma lata de Coca-Cola (por exemplo). Nossa! Parece que a gente sente cada gota gelada passar pela nossa garganta! Pois é a essa imagem que está associada a idéia contida nos versos 2b e 3ª do Salmo 23. A visão da aridez era comum para Davi. Também o era o fato de que ele tinha de procurar fontes para seu rebanho, quando ainda era pastor. Já como líder de um bando, constantemente andou por locais como En Gedi (no hebraico, en=fonte de águas), desértico, mas onde havia uma fonte (a qual existe até hoje, perto do Mar Morto).

Não dá para viver sem água. Podemos sobreviver um tempo sem comida, mas não sem água. E isso valia para as ovelhas também. Sem água a ovelha acaba ficando desidratada e se torna debilitada. Por ter muita sede, a ovelha passa a beber qualquer tipo de água que estiver a sua frente. Inclusive a impura. E com isso adoece. Quanta gente hoje ao invés de beber a pura água que emana de Jesus (Joao 4), não sorve para dentro de si ensinos que contradizem à Palavra? Quanta gente bebendo lama ao invés de água! Isso é uma lástima!

Talvez você pense que somente as ovelhas novas é que estão sujeitas a estas estripulias. Na verdade, conquanto a ovelha de mais idade no rebanho tivesse sujeita a beber lama também, o seu problema maior é outro. Trata-se da “viração”. Ovelhas mais velhas possuem mais lã e normalmente, por terem se tornado mais pesadas, elas viram. E se o pastor não desvirá-las, elas morrem. O excesso de lã faz com que percam o equilíbrio com maior facilidade. Por isso que de quando em vez o pastor tem de fazer uma tosa – retirar aquela lã para que haja leveza e mobilidade novamente. Lã aqui é associada, na linguagem bíblica, com o ego, com aquilo que não é bom diante de Deus. E não é que vamos cultivando hábitos, manias e aceitando coisas que nada tem a ver com o Evangelho? E por quantas vezes aqueles que temos mais tempo de rebanho, não ficamos inchados com nosso ego inflado? Aí começamos a dar trabalho para o Pastor… Ficamos virados constantemente… Até que Ele venha fazer a tosa! Quanta “lã” Deus precisa tirar de você?

Philip Keller destaca que a água do rebanho provinha de 3 fontes principais: a) o orvalho da relva (como as ovelhas levantam cedo, elas acabam comendo a relva junto com o orvalho que a molhou a noite, tendo comida e água ao mesmo tempo); b) as nascentes, locais aprazíveis que o pastor conhecia e para onde Ele as guiava; c) os poços profundos, cavados pelo pastor, para que as ovelhas tivessem água para beber. Poços profundos, para nós, são as experiências difíceis pelas quais passamos. Tempos de agrura nos quais só não morremos porque Deus nos ajudou a encontrar água bem lá embaixo, bem lá no fundo, num lençol freático.

Nosso Supremo Pastor que nos saciar com essas três fontes. Ele quer nos falar logo cedo, saciando nossa alma e nossa sede espiritual (sede por valores). Jesus quer de igual modo conduzir-nos a um momento extremamente abençoado. São as nascentes, onde a água flui límpida, sem sujeira nem interferência, e onde a natureza é mais bela. Mas o Senhor não nos abandona na hora em que passamos por tribulações. Ele nos guia na travessia de mares revoltos (At.27) e que nos salva em momento oportuno (Heb.4:16). Há uma hora sétima em que Jesus libera sua Palavra redentora para nós.

É nesses locais de saciedade, de abundância ou pelo menos de presença de água que encontramos refrigério. Saber que Deus vai a nossa frente, nos guiando; saber que o Senhor restaura nossa esperança (palavra essencialmente cristã), isso é confortador. A saciedade que Ele nos promete é completa (Joao 4).

Se falta água em sua vida é porque ou você não encontrou a fonte que é Jesus, ou não tem permitido que Ele lhe guie. Uma coisa é ir e pedir para Ele depois vir abençoando. Outra coisa é receber dele orientação e seguir seus passos pelo caminho que Ele quer nos levar. Mais do que poços profundos, mais do que “relva com orvalho”, Jesus quer nos dar as nascentes! O que falta fazer na sua vida, para que Jesus assuma a direção, para que Ele lhe guie?

No deserto da vida, há água pura para nós! Que o Sumo Pastor apascente sua vida e sua casa!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

março 9, 2009

O PERIGO DA BUROCRACIA NA LIDERANÇA CRISTÃ

Filed under: Liderança — sdusilek @ 12:51 am

O Perigo da Burocracia na Liderança Cristã.

Pr.Sergio Dusilek

Recordo-me agora de quando comecei a minha trajetória de liderança cristã. Muita energia, muita vitalidade, muitos sonhos, muita dedicação, mas também muita exposição, muito vacilo, muitas realizações e planos de coisas que eram sem sentido (sabe aquele negócio de fazer algo porque alguém fez e deu certo?). Era uma espécie de aloprado bem intencionado.

Conforme o tempo passa na liderança, você começa a criar um certo “traquejo”. Já não alopra tanto, passa a aprender a realidade dos liderados e a contemplar a visão que Deus quer para o trabalho, aprende a melhor reagir e começa a de fato proagir. Esse traquejo adquirido oriundo da trilha da experiência pode tornar você um grande burocrata da liderança cristã. Sabe a hora de falar e de se calar; agenda e dirige reuniões como ninguém, mas sinceramente, olhando para trás, você se percebe sem fogo, sem aquela paixão. Aquela motivação inicial se foi. E agora você está a frente de um grupo, liderando-o de modo burocrático, talvez até por força da responsabilidade que você sempre teve com as coisas.

Para você que se encontra assim quero dizer algumas coisas:

a) liderança cristã exercida de modo burocrático ao invés de trazer menos peso, traz na verdade mais carga. Isso porque a vida cristã não abre mão da coerência. Não é só fazer aquilo que é certo, mas ter a intenção de fazê-lo! E liderar pesado, com carga, desmotiva o líder e também o grupo. Há grupos que não saem do lugar porque seus líderes se arrastam. Ora, não é isso que Deus quer para você! Por isso dê uma parada no seu ritmo de vida e busque incessantemente ao Senhor para que Ele indique a você o que fazer;

b) mude a sua visão sobre seu grupo. Olhe para as pessoas não como cargas, mas como gente, como ovelhas que precisam de cuidado (At.10). Um dos sinais da burocratização da liderança cristã é quando tornamos pessoas em coisas. Não faça isso meu caro líder! Lembre-se que Jesus morreu por cada uma delas! E Deus não abençoa liderança que não ame!

c) Por falar em amor…volte ao primeiro amor (Ap.2:4). Volte àquela empolgação do início (faça um “flashback”) e misture-a com a maturidade que você agora tem. Volte também ao vigor espiritual, à sede de Deus e da Sua Palavra, e reconheça quem sem Jesus, “nada podemos fazer” (Jo.15:5). Não confie em sua capacidade e desenvoltura. Não confie em seu carisma e no seu prestígio. Confie e dependa sinceramente de Jesus;

d) Por fim lembre-se de colocar amor (eu já ia dizer “sazon”…) em cada ação que você vier a fazer. Qualquer ação, por mais nobre que seja ou pareça, se desenvolvida desprovida de amor ela torna-se sem sentido (ICor.13:1-3). Não adianta ligar para as pessoas se não tiver amor a Jesus e por elas; não adianta abraçá-las, cumprimentá-las, orientá-las se essas ações não forem feitas em amor e por amor. Enquanto houver amor, dificilmente haverá burocracia. A visão técnica e árida da vida não consegue coexistir onde haja amor;

e) Renove a sua visão constantemente. Não fique mergulhado somente naquilo que se apresenta a você mas olhe para frente (novas perspectivas), olhe para cima (para um Deus que lhe renova forças (Is.40), e olhe para os lados afim de não deixar ninguém pelo caminho. Renove sempre a sua visão. E peça ao Espírito Santo para que ajude você a fazer isso (II Reis 6; I Corintios 2).

Ao final desta reflexão, desejo que você lance para longe toda e qualquer forma de liderança que subsista de modo burocrático. Não foi para sermos técnicos que Jesus nos chamou. Foi para vivermos com vida, e em vida!

Com carinho,

Pr.Sergio Dusilek

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março 6, 2009

JOSE CARDOSO SOBRINHO, ARCEBISPO

Filed under: Cultura — sdusilek @ 7:51 pm

JOSE CARDOSO SOBRINHO

OU

“AH SE FOSSE PAI!”

Vez por outra fico chocado com o poder desumanizante, e porque não dizer endemonizante[1], que a religião pode ter. No Islã temos os terroristas que matam em nome de “Alá”. No protestantismo vemos o afloramento do machismo. No catolicismo está em voga a medievalização da Igreja. O que todos têm comum: o fundamentalismo religioso.

Prova recente e grosseira desse pensamento fundamentalista foi a declaração infeliz do Arcebispo da Igreja Católica para Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho. Ao saber que uma equipe médica, num hospital público de Recife estava autorizada pela justiça a fazer um aborto em uma menina (de 9 anos!) violentada pelo seu padrasto e que desafortunadamente ficou grávida de gêmeos, Dom Sobrinho declarou a excomunhão de todos que se envolveram nessa situação. Não que ser excomungado da Igreja Católica tenha algum peso, já que Igreja não salva e que nem cadastro de sua membresia ela tem.

Fico impressionado com o discurso hipócrita do arcebispo. Se arvorando defensor da vida indefesa, tornou indefensável uma menina sem proteção. Onde estava a igreja quando ela era seviciada? Onde estavam os párocos quando aquela menina perdia sua infância? Aliás:

a) Que valor e apreço à vida tem algo que salva um e condena outro? No referido caso pretende salvar o feto e condenar a mãe?

b) Que valor à vida dá um sacerdote que no auge de sua insensibilidade, ao invés de oferecer guarida e consolo à família traumatizada, achincalha e apedreja pessoas que, pela debilidade na qual se encontram, deveriam ser cuidadas e não crucificadas?

c) Que valor à vida pode dar uma instituição milenar (Igreja Católica) que, numa clara demonstração de que o tempo nada a ensinou, prefere salvaguardar seu DOGMA à socorrer uma criança? Que valor a vida é esse que preza mais uma vista (obtusa) de um ponto (DOGMA) do que a visão de uma criança necessitada?

d) Que valor a vida e que incoerência é essa que a Igreja Católica manifesta, quando condena a atitude de uma família pobre, mas faz vista grossa para os abortos cometidos e confessados pelas jovens de famílias oligárquicas? Por que não condenar e divulgar com mesma convicção o pecado dos mais favorecidos?

e) Que valor à vida é esse que defende e celebra a conseqüência da violência e se cala diante da atrocidade que foi cometida contra aquela criança?

Não estou aqui defendendo o uso indiscriminado do aborto. Sou contra ele. Só quem alimenta a expectativa em ser pai e que já perdeu a gravidez, sabe como o aborto é frustrante. Contudo, não sou contra o bom senso, nem tampouco avesso à Justiça (e falo aqui da divina). Nada mais injusto do que o estupro dessa menina. Nada mais justo do que preservar e salvar sua vida física e salvaguardar o que sobrou de sua vida emocional.

Termino essa breve reflexão dizendo que somente um arcebispo “sobrinho” podia fazer isso. Alguém acostumado com primos e tios, mas que “não é pai, nem mãe, nem filho”, tem maior facilidade em ser dogmático.

Que Jesus livre essa menina e cada um de nós por extensão dessa nova violência, agora sacerdotal!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com


[1] Estou aqui fazendo uso de uma idéia já preconizada por Martin Luther King Jr., bem como pelos adeptos da Missão Integral, que associa a desumanização com a endemonização. Quanto menos humano for alguém, mais distorcida ficará a imagem daquele que fora criado à semelhança de Deus, e portanto, mais parecido com o Diabo acaba se tornando.

março 3, 2009

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Ele nos apascenta

Filed under: Estudos — sdusilek @ 2:38 pm

O SALMO MAIS CONHECIDO DA BÍBLIA (23) – Ele nos apascenta

Somos uma sociedade doente. A corrida tecnológica nos propiciou inúmeras bênçãos, mas também inúmeros problemas. Temos bens de consumo que não usamos. Compramos porque o 011-1406 acaba nos convencendo, com suas facas Ginsu e suas meias Vivarina (lembra disso?). Corremos sem saber por que corremos. Corremos para comprar, adquirir, pois quem não consome, para o meio capitalista, não existe. Descartes ficaria chocado com o corrompimento de sua célebre frase: “Penso, logo existo”. Na sociedade que vivemos ela foi traduzida para: “Consumo, logo existo”.

Sabe qual é a conseqüência disso? Ansiedade. Nos tornamos ansiosos porque não sabemos o que fazemos, o por que fazemos, mas cientes estamos de que a vida não pode parar. Essa correria faz com que não relaxemos nunca. Parar para ver o campo… ter contato com uma cena bucólica… para alguém que vive a modernidade e nesse tempo é um acinte. Aliás tudo que é bucólico nesse mundo desenfreado dá é “cólica”. Desaprendemos a relaxar, a descansar. Somos uma geração estressada. Mal dormimos (dormir pra que?), e acordamos acelerados. Não há momento letárgico. Não acordamos acordando…

Por isso que precisamos do Salmo 23. Somos um povo que precisa ser urgentemente apascentado. Não com a visão moderna do salmo 23 que diz “nenhum ansiolítico lhe faltará. Voce deitará sobre milhares de comprimidos de Rivotril, Frontal, Lexotan…”. Mas com a visão do Pastor de nossas vidas – Jesus. Quero dizer a você que não há paz e verdade mais pacificadora e apascentadora do que a expressão do final do verso 1 junto da primeira parte do verso 2. Deus é a cura de toda a nossa ansiedade.

Quero convidá-lo(a) a notar 3 grandes verdades desses dois trechos que lhe abençoarão por serem o “relax do Senhor” para a sua vida:

1) Você não terá falta de coisa alguma. A Palavra de Deus nos garante que seremos atendidos em nossas necessidades. O problema de muitos é que querem que Deus corresponda às suas vontades. Que Deus seja uma fada madrinha para atender aos desejos. O Pastor nos promete nunca faltar nada. Não nos prometeu dar tudo o que queremos. Precisamos reconhecer as cargas que levamos e que julgamos serem vitais, mas não o são. E precisamos urgentemente reaprender a teologia do contentamento (Fil.4). Desejo gera ansiedade. Promessa de Deus faz-nos transbordar em paz… “pare e pense”;

2) O Pastor conhece os lugares de melhor pastagem. Ele nos conduz até ela (Joao 10:1-5). Isso retira de nós a ansiedade pela incerteza do futuro. Nós somos guiados pelo nosso Pastor. Aqui está uma relação de confiança que o salmista quer que você estabeleça com Deus. Confie sua vida a Ele. Saiba que o Senhor sabe os lugares de melhor e maior Provisão para a sua vida. Ele quer levá-lo a esses locais nos quais suas necessidades serão preenchidas e cuja bucólica visão será de extrema paz. Deixe o Senhor lhe guiar! Há um lugar que Ele quer levá-lo(a) para sua segurança, relaxamento e para que experimente uma vida em abundância!

Pastos verdejantes trazem também, como bem assinalou Leonardo Boff, uma visão sobre a Ecologia. O que serão dos pastos se destruímos a natureza? Será que no futuro seremos apascentados por pastos virtuais? Mas esse é outro papo…

3) O Senhor não só nos guia, mas faz-nos deitar, descansar. Ele não só leva, mas faz com que repousemos. E aqui há algo sobre os ovinos que é preciso ser destacado. Nenhuma ovelha consegue repousar se tudo não estiver em paz. Não pode haver insetos (moscas e carrapatos, por exemplo) pairando sobre elas. Não pode haver barulho, nem gente ou bicho estranho rondando perto (quando isso ocorre elas entram em parafuso, batem cabeça e começam a correr/fugir). Igualmente não pode ter brigas internas, “marradas” entre as ovelhas. Quando o clima esquenta no rebanho, não há repouso. A sensibilidade caprina é algo singular.

Agora, sabe o que as faz descansar? A visão do pastor. Quando elas vêem o pastor, elas descansam. O segredo de um bom relaxamento é a visão do pastor. Só no olhar para Ele, qualquer ovelha repousa em paz. Você tem olhado para Jesus? Ele está entre nós querendo que repousemos. Mas só iremos repousar quando o vimos.

Que o Sumo Pastor apascente sua vida e sua casa!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

março 2, 2009

O Privilegio da Restauração

Filed under: Liderança — sdusilek @ 11:33 pm

O Privilegio da Restauração

Outro dia me pus a pensar sobre um dos privilégios do ministério pastoral: ver a restauração de vidas. Quanta gente dominada pelo pecado que acaba sendo quebrantada pelo Espírito… quanta gente isolada pela vida que não é ressocializada na comunhão dos santos… quanta gente destruída pelo Diabo que agora experimenta um novo começo, uma nova vida, na certeza de que o melhor estar por vir… Realmente isso enche os olhos e o coração de qualquer pastor! Por isso penso que o pastor tem o privilegio da visão de uma ação completa de Deus na vida das pessoas, conquanto o privilégio da restauração seja realmente de quem foi alcançado pelo poder de Deus.

Aqui agora me recordo de inúmeros casos de restauração. Só para voce ter uma idéia, tenho o dom da fé que me faz crer nos impossíveis de Deus. Já vi e fui instrumento para restauração de muitas vidas e também de casamentos que estavam destroçados. Lares que chegaram com “falência múltipla de órgãos”, mas que foram revividos pela Palavra de Deus e pelo poder que há no nome de Jesus Cristo. Já vi ossos secos (Ez.37) voltarem a ter carne. Gente afastada de Deus, morta como “Lázaro” voltarem a viver! Definitivamente não há nada difícil ou mesmo impossível para Ele!

Contudo posso dizer que no tocante a restauração, há uma marca em todas elas, que de certa forma é consoante aos milagres que Jesus fez. Sempre houve muita celebração e alegria em cada intervenção miraculosa de Deus. E sempre houve a restauração da normalidade da vida. Como disse certa feita o Pr.Caio Fabio, o jovem da Naim sentou para conversar porque jovem gosta de bater papo; a filha de Jairo voltou a brincar porque criança gosta de brincar; o endemoninhado de Gadara se sentou porque de um senhor se espera serenidade… Todos restaurados, todos normalizados. Jesus não transformou ninguém num “ET espiritual”. Tampouco seus milagres foram “abduções” do mundo real. Pelo contrário! O que encanta em Jesus é essa simplicidade com que ele tratava algo tão complexo como a restauração. Até proibia, e os evangelhos testemunham disso, de contarem sobre as curas e libertações que fazia…

E é aqui que me preocupo com o “evangelho da restauração” que tem sido pregado. Me parece que estão usurpando o privilégio da restauração, tentando dominar o poder restaurador que vem do Senhor quando uma igreja se auto denomina mais forte do que a outra… Não questiono a restauração que o evangelho faz, porém aceitar o que vem sido feito… marketing da restauração…. Os próprios beneficiários jamais (nos evangelhos) quiseram “tirar uma casquinha/proveito”. Nenhum deles quis aparecer. Nenhum entregou cartão para a multidão afim de ser “convidado”. Não sou contra o testemunho. Sou contra a auto-promoção pela sagrada via do testemunho. Por que afinal os que se dizem restaurados hoje querem os holofotes? Será que o milagre por si só não é suficiente? Ou isso é porque não houve RESTAURAÇÃO? Manipulação precisa de palco. Na restauração nós somos o “palco” do mover de Deus.

Para ilustrar o que quero dizer, lembro-me de estar falando num retiro de casais e na hora do apelo uma mulher levantou a mão balbuciando que queria dar um testemunho. Aprendi que não se muda o programa por interveniência externa, ainda mais na hora do apelo. Terminei o apelo, orei pelas pessoas e terminei o culto. Fui então procurar a mulher para saber dela o que ela queria dizer. Ela queria dar um testemunho de “restauração” de uma clara relação doentia com histórico mútuo de muita infidelidade conjugal. Pouco tempo depois daquele retiro, soube que o casal passava por nova crise oriunda de uma traição. Essa vontade de contar, de “marketear” a restauração…

A necessidade de publicar a restauração me faz pensar em vasos que NÃO foram refeitos pelo Senhor (Jeremias 18), mas em vasos encerados pela dissimulação. No mundo antigo ou o vaso torto tornava a ser amassado pelo oleiro até ser feito daquela argila algo NOVO, ou então as peças danificadas eram cobertas e niveladas com algum tipo de cera e pintadas para esconder seus defeitos. E assim eram vendidas como se fossem vasos bons… mas eram encerados. No Mundo antigo vaso bom era “sincera” , isto é, sem cera (daí vem a palavra sinceridade). E tal avaliação era feita colocando-se o vaso contra a luz do Sol, o qual revelava se nele havia cera ou não.

Restauração que é muito coberta de cera, que as pessoas não conseguem ter proximidade real nem colocar contra a luz, é dissimulação e engano. Há gente que usa o discurso da restauração usurpando a credulidade das pessoas. Pessoas gostam de totemizar líderes que discursam bem. Porém pessoas desse tipo também gostam de usar escamas nos olhos… não querem ver a ausência de frutos dignos de arrependimento. Totalmente diferente das pessoas curadas por Jesus, as quais não tinham medo de se mostrar. O cego de nascença (Joao 9) não teve receio de andar no Templo louvando a Deus pela sua cura. O paralítico da Porta Formosa (Atos 3), curado por Deus através da instrumentalidade de Pedro e João, não teve dúvidas de entrar no Templo dando saltos no melhor estilo “Pelé” (quando este fazia seus gols). Eles não se tornaram bestas, mas também não tinham pavor de contato. Isso porque eles realmente haviam sido curados. Completamente restaurados.

Há em Atos um relato de um homem que queria usar de manipulação (Atos 8). Simão queria comprar o poder da restauração. Ele queria mentir usando Deus como instrumento de autopromoção. Pedro o repreendeu severamente. E a Palavra de Deus repreende severamente quem usa do discurso divino/religioso para legitimar seus atos… Ocorre que toda mentira tem perna curta. Por isso toda falsa restauração tem “prazo de validade”, e ele é curto. Creio que você sabe do que estou falando.

Parece-me também que é impossível haver restauração de alguma coisa quando o barro está sujo. Barro sujo não experimenta o privilégio da restauração. Quando há elementos estranhos à sua constituição, quando ao invés de ser amassado e preparado pelo oleiro para a sua moldagem, ele se mistura com coisas que não presta, trazendo sujeira para dentro de sua “massa”, não há como haver restauração. Sabe o que quero dizer? Que não creio em restauração de namoros quando no dia anterior a volta um “ficou” com um terceiro. Não creio em restauração de amizades na qual no dia anterior um falava mal do outro. Para mim, num caso como esse, o máximo que pode haver num primeiro momento é um “pacto de não proliferação de armas letais”… Também não acredito em casamento restaurado cujo contexto próximo imediato é de uma densidade demográfica singular. Restauração da vida e do lar começa com gente sozinha, amassada, quebrantada e que se coloca na roda do oleiro para ser moldado e fundido num único vaso, junto de seu marido/esposa.

Por isso não creio também em restauração apressada, a toque de caixa, porque se Deus não amassar suficientemente o barro (no caso individual) ou os dois barros (num casamento, por exemplo), jamais haverá liga. Jamais haverá vaso. Jamais haverá amizade, proximidade e até casamento.

Afinal, de que restauração estamos falando? Daquela perfeita e que nos traz para a normalidade da vida, tal qual a que Jesus opera? Ou de manobras e jogos que recebem levianamente o nome de restauração? De coisas que pervertem o privilégio da contemplação de uma restauração?

Termino com o dizer de Deus para Pedro: “Não chames de impuro ao que Deus purificou.” (At.11:9b). Tenho pedido a Deus esse discernimento a cada dia. Quero celebrar a restauração genuína, quando ela de fato tiver acontecido. Quero louvar o SENHOR que purificou aquela vida, aquela amizade, aquele casamento. Mas também não quero chamar “puro àquilo que Deus não purificou”. Penso que isso também é tomar o nome dEle em vão.

Que Deus me permita ver ainda inúmeras restaurações! Eu oro para que esse privilégio se estenda para mim e igualmente para sua vida!

Deus lhe abençoe!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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