Novos Caminhos, Velhos Trilhos

dezembro 29, 2008

OS NAVIOS QUE NUNCA PARTIRAM

Filed under: Estudos — sdusilek @ 1:19 am

Os Navios que nunca partiram

Quais são seus planos e sonhos para 2009? Novo ano sempre traz consigo uma nuância de Fênix (a ave da mitologia que renasce das cinzas), não é mesmo? Voce dorme arrasado, cheio de coisas pendentes para resolver em 31/12 e acorda em 01/01 completamente renovado. E com esse renovo surge toda uma gama de expectativas, que alimentam nossa visão a qual, por sua vez, estabelece nossos sonhos. Afinal, tenho que concordar com Stephen Kanitz: quem inventou esse tal “ano novo” merece um prêmio!

O símbolo do renovo é também um tempo crucial. Muita gente planeja e sonha coisas diferentes das que são oriundas do Reino. E por isso suas vidas são recheadas de expectativas, mas completamente vazias de realizações. Isso porque não consultamos o Senhor sobre esses planos, nem colocamos no altar esses sonhos. Mas então, que sonhos devemos sonhar? Que planos devemos arquitetar? E quais devem sair da “prancheta”?

Houve um rei de Israel que foi um homem de Deus chamado Josafá. Quando um dia ele se viu cercado pelos inimigos (II Cronicas 20) ele simplesmente convocou um culto! E por isso o Senhor lutou a batalha que era do exército de Judá, afinal, a “batalha é do Senhor”. Mas Josafá colocou no seu coração um plano de construir uma esquadra (II Cronicas 20:36-37). Ele queria dominar os mares. E queria estender sua influência para além mar. Mesmo sendo temente a Deus, ele não consultou ao Senhor sobre seus planos. Sabe o que aconteceu? Aqueles navios nunca partiram. Eles se quebraram antes de iniciar a primeira viagem! O que aprendemos aqui?

a) Não invista seu tempo e recursos em planos que não foram entregues ao Senhor, nem aprovados por Ele. Quando insistimos em fazer algo que Deus não aprova (e Ele sabe o porquê disso) nós sofremos invariavelmente uma grande perda. Foi o que aconteceu com Josafá. E parece que a perda ali não foi só financeira. Josafá perdeu também o ela pela vida. Ficou tão desgostoso que desistiu de continuar a viver. Por isso que em II Cronicas 21:1 começa falando que ele morrera.

Pense agora em voce… quantas vezes voce não insistiu em um relacionamento, num viés profissional, numa sociedade, numa postura pessoal de vida, as quais não tinham a aprovação divina e que lhe trouxeram perdas? Deus quer que voce tenha ganhos! Por isso entregue seus planos a Ele!

b) Lembre-se que seus mais puros sonhos podem ser contaminados. Depende de quem sonha contigo. Josafá foi sonhar com Acazias (20:35), um rei que não prestava. E toda vez que nossos planos e sonhos são partilhados com alguém que não presta, nós sofremos muita dor. Isso porque não dá para termos aliança com Deus (que é puro, Santo) e também com os “Acazias” que nos cercam (que são repletos de maldade-veja Pv.12:2). Quando tentamos fazer isso, Deus se coloca, ao invés de ao nosso favor, contra nós. E lutar contra Deus é extenuante… Quem sabe não foi por isso que voce se cansou tanto em 2008?

c) Por fim lembre-se que é primeiramente com o Senhor que voce deve falar seus planos. É Deus quem faz prosperar os planos que a Ele são consagrados (Pv.16:3). É Ele quem dirá se viveremos ou não para executar cada um desses ideais (Tg.4:13-15). Então, antes de “começar a correr atrás do prejuízo”, fale com Deus, peça a Ele orientação e direção. Tão bom quanto ter os navios que idealizamos e construímos partindo, é ter o Vento do Senhor (seu Espirito Santo) soprando em nossa vela!!

E aí, de quem são os planos para 2009? Seus ou de Deus?

Pr.Sergio Dusilek

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dezembro 25, 2008

O NATAL DO PROFETA ISAIAS-3

Filed under: Estudos — sdusilek @ 10:30 am

O NATAL DO PROFETA ISAÍAS-3

Quem seria o Messias? Como Ele seria? Após falar de como nasceria (Is.6) e expressar a identidade do Emanuel através dos nomes que ele receberia (Is.9), o profeta Isaias passa a qualificar o Messias, através da ação e do caráter que Ele e Sua Missão teriam (Is.11). Interessante é que Isaías contrasta o reino do Messias com o império Assírio. Um marcado pela transbordante paz. Outro chancelado pela insuportável violência e maldade.

O “evangelista” do VT diz que esse Messias será um descendente de Davi (tal qual Jesus foi) e que ele seria um Renovo, um “broto que surge das raízes”(11:1). Essa imagem é surpreendente, pavorosa e ao mesmo tempo linda. Ela refere ao fato de que Deus deixaria boa parte do povo ser massacrado por causa da sua rebeldia (da sua insistência no pecado). No capitulo 45, para escândalo dos judeus e também dos legalistas de hoje, Deus refere-se ao ímpio e malévolo Ciro como seu “ungido”. E Ciro seria um dos instrumentos de juízo de Deus, juízo esse que quase acabaria com o povo (sobraria um “toco”). Nesse sentido a imagem é pavorosa. Por vezes Deus tem que deixar tudo aquilo que não provém dELe, e tudo aquilo que foi contaminado morrer!

Mas ela fala de algo lindo. Deus faria surgir um Renovo, um broto. Só o Senhor pode, quando acaba a limpeza, a poda, fazer nascer um broto que se tornará num ramo, galho, caule de uma frondosa árvore! É lindo saber que com Deus e para Deus sempre há RECOMEÇOS! E esse recomeço na história do povo de Deus seria feito de modo santo, através de Jesus. Nós fomos enxertados no lugar de um povo que foi cortado, porque não creu (Rm.11:27). E nós fomos enxertados direto na Videira Verdadeira (Jo.15:1). Se é verdade que há coisas que precisam ser cortadas da nossa vida, é também verdade que Deus quer fazer nascer coisas (sonhos, oportunidades, bênçãos) para nosso viver também. Aleluia!

Isaías diz que a marca do Messias será sua justiça. Justo a ponto de fazer valer o direito de quem não tem valor (o pobre – v.4). E justo a ponto de estabelecer uma equidade e paz sem precedentes na historia humana. Essa paz seria tamanha a ponto de predadores naturais, aqueles que possuem inimizade instintiva, viverem em harmonia (v.6-8, 13). Para uma terra assolada pela injustiça como era o caso de Judá, essa era uma Boa-Nova. E para um Rio assolado como o nosso pela criminalidade, saber que Deus pode operar tal coisa é um vislumbre de esperança. A luz raia para nós que estressados e com medo, atravessamos os bolsões de trevas das cidades. Falta ao carioca, como faltou ao morador de Jerusalém, deixar Deus agir, operar e estabelecer a vontade dEle (11:2c,3a).

Por fim o Reinado do Messias é a visualização da Glória, da Presença Majestosa de Deus (11:9, 10). E aonde a Glória de Deus brilha, pessoas são atraídas para perto. Isso porque a Glória de Deus é como um imã que nos atrai. Ela é tudo aquilo que nossa alma busca com intensidade e seriedade. E quando a encontramos, temos a resposta para nosso viver. Por isso Jesus será e é uma bandeira bem alto erguida. Ele sinaliza que a Glória de Deus, a presença do Pai está ao nosso alcance, se tão somente O buscarmos (Jer.29:13). Ele aponta também para o fato de que somente numa “bandeira” (a que leva o nome de JESUS CRISTO – Mt.7:13-14) é que podemos experimentar a Presença de Deus.

Interessante é que a Glória de Deus não tem efeito afugentador como sugere a experiência de Ex.19, mas sim aglutinador. Deus manifesta Sua Glória não para que haja repulsa ou afastamento. Pelo contrário! Deus manifesta sua Glória para que haja aproximação! Isso porque todo contato com a Glória de Deus só é possível sorvendo da GRAÇA dELE! E é justamente a Graça de Deus que nos faz querer chegar mais perto dEle…

Agora… imagine um tempo em que a Glória do Senhor encherá a Terra como as águas cobrem o mar… Um tempo cheio da presença dEle! Um tempo doce, experimentando a doce GRAÇA de Jesus… Você quer isso para a sua vida? Por que não aproveitar o Natal para começar?

Um FELIZ NATAL repleto da Glória de Deus sobre a sua vida!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

dezembro 18, 2008

O NATAL DO PROFETA ISAIAS-2

Filed under: 1 — sdusilek @ 5:11 pm

O NATAL DO PROFETA ISAÍAS-2

Como temos visto o livro do profeta Isaías pode ser compreendido como o “evangelho do Velho Testamento”. Após Isaías dizer (Is.7:14) como seria a vinda do Messias, ele agora atrela Jesus com os atributos que só cabiam a Deus (Is.9:6,7). Fazendo isso o profeta não incorre em qualquer erro ou exagero, como alguns podiam pensar. Ele simplesmente constata que o Ungido, o Messias, o Prometido seria na verdade a encarnação do próprio Deus (Joao 1:1-14). Para ele essa visão era tão alentadora, e porque não dizer, tão real e presente que o “evangelista do VT”, acaba contemplando pela fé o nascimento daquele que viria a nascer cerca de 700 anos depois daquela profecia! Como seu próprio nome (Isaias = socorro do Senhor/Iavé), o profeta ansiava pela intervenção de Deus no sofrimento do povo (Is.9:1). E essa intervenção que seria notada (forte luz- v.2), e que faria o sofrimento cessar (sim, porque todo sofrimento tem um fim), só poderia acontecer com a chegada de Jesus.

A celebração do “Natal pela fé” de Isaias se faz com a exaltação a Deus. Exaltação essa que Hendel, muitos séculos depois captou, musicou e popularizou na sua peça (O Messias de Hendel) Esse menino que nasceria, razão e motivo real da comemoração do Natal, seria Maravilhoso (transcendente a compreensão e existência humana), Conselheiro (repleto de sabedoria), Poderoso (a ponto de proteger o povo e de não ter limitações para seu agir), Pai da Eternidade (que possui a eternidade e cujo Reino, será como o Rei: sem fim). Mas o que realmente chama a atenção nessa exaltação é que Isaias o chama de Príncipe de Paz! O que ele quis nos mostrar?

1) Que é possível ter paz mesmo em meio à existência de conflitos. A PAZ que Cristo oferece não é igual a que podemos ter. Ela TRANSCENDE a nossa compreensão. Certo é que viver sem guerras, sem brigas, sem conflitos é muito melhor. Mas o que Isaias destaca aqui é que essa Paz que vem de Deus, por meio de Jesus, transborda e supera as circunstâncias que vivemos. Ela é uma paz que quando recebida, brota de dentro para fora! É algo indescritível, sobrenatural!

2) Que não há nada mais holístico, mais integrador, mais unificador do ser que a PAZ que Deus dá! A PAZ de Deus harmoniza o nosso ser. A Palavra shalom (hebraico) tem sua raiz shlm que quer dizer terminar algo ou entrar num estado de integridade. Pode ainda simbolizar um relacionamento restaurado. Você anda completamente destruído (a) por causa dos conflitos? Você passa boa parte do dia catando os cacos da sua alma pelo chão da sua casa, por causa da guerra que é sua família? Veja que boa notícia! A PAZ de Cristo pode restaurar seu lar e dar integridade ao seu SER! Aleluia!

3) Que Deus é a fonte da PAZ. Você não vai encontrá-la sendo mais ou menos tolerante. Também não vai alcançá-la ajudando mais ou menos os pobres. Nem promovendo uma viagem para dentro da alma, nem assim você vai encontrar essa PAZ que falamos. Meditações podem trazer tranqüilidade para a sua vida, mesmo porque certamente você procurará um local calmo para fazê-las. Mas PAZ… só Deus pode dar! É possível ter PAZ em meio ao mais tenso e confuso engarrafamento. É possível viver essa PAZ mesmo quando profissionalmente as coisas não andam como gostaríamos. PAZ, tão cantada e tão pouco vivida! PAZ, tão perto, contudo tão desprezada!

Como ter essa paz? É o profeta Isaías quem dá a pista. Dizia ele que “o governo está sobre seus ombros”. E que do Seu Reino haverá uma paz sem fim (v.7). Sabe o que isso quer dizer? Você precisa passar o controle de sua vida a Jesus e confessá-lo como seu Senhor e Salvador. Como fazer isso? Basta abrir a sua boca e convidar Jesus para tomar conta de sua vida! Essa sua primeira oração será ouvida por Ele, o qual derramará ABUNDANTE PAZ SOBRE VOCE!!!

dezembro 15, 2008

O NATAL DO PROFETA ISAÍAS -01

Filed under: Estudos — sdusilek @ 12:44 am

O NATAL DO PROFETA ISAÍAS-1

O livro do profeta Isaías pode ser compreendido como o “evangelho do Velho Testamento”. Nele estão contidas inúmeras profecias que, por serem grávidas de esperança, traziam alento ao povo que sofria, por causa dos pecados que praticava. Aliás, pecado pode ser “gostoso/bom”, mas sempre faz sofrer. Nesse contexto adverso é que Deus colocou na boca e na pena do profeta as mais doces palavras de esperança, pois elas apontavam para a vinda do Messias. Creio que isso aconteceu porque Isaias não tinha mais como olhar para baixo ou para os lados: só restou a ele olhar para cima (Is.6:1). Guarde bem: quando a vida privar voce de tudo a ponto de só restar olhar para o céu, é que voce vai receber as mais doces Palavras.

Isaías começa dizendo (Is.7:14) de que como seria a vinda do Messias. Alguns comentaristas querem defender a idéia de que esta profecia era para aquele tempo mesmo (v.16-17). Mas não há como negar a aplicabilidade futura dela, ligando-a a Jesus. O que esta profecia quis dizer e tem a nos ensinar?

1) De fato não é preciso que Deus atue para que haja a possibilidade de uma virgem engravidar de seu noivo. Mas Deus passar a ser condição quando a gravidez da virgem se dá de modo solitário (sem o homem – Lc.1:34-5). Deus estava autenticando aqui seu poder, bem como ratificando a dupla natureza de Jesus: ele era homem e Deus (Joao 1:1-13; Fl.2:5-13). Destaca-se também que a via de atuação divina é o caminho da pureza. Deus jamais revelará Seu Braço Forte por vias tortuosas. A ação divina é sempre condizente com o caráter Santo que Ele tem.

Tem algo na sua vida que é “impossível”? Entregue a Deus e Ele cuidará de voce. Mas jamais peça para Ele abençoar algo tortuoso.

2) Essa profecia aponta para o Redentor. Não o Cristo do Corcovado, mas para o fato que Jesus é o nosso Redentor. Por isso nossa esperança tem de estar focada e colocada sobre Ele. Não coloque sua esperança, como fez o povo de Israel no tempo de Isaías, em líderes (reis), poderio bélico e outros. Somente Jesus pode nos redimir e reverter qualquer situação adversa. Com Cristo, sempre é possível ter um novo começo (II Cor.5:17).

3) Por fim as palavras de Isaías nesse v.14 apontam para uma doce verdade. Todo aquele que foi purificado pela tenaz que vem do altar (Is.6:6-7), a saber o Espírito Santo que nos batiza com fogo (com purificação – Mt.3:11), tem uma nova percepção de quem é o Senhor: Ele é Emanuel – Deus Conosco. Isso significa dizer que Deus não está acima de nós, numa altura inatingível, numa posição imascercível. Ele não é um Deus que não se deixa alcançar e que portanto se comporta de modo frio e distante de nós. Não! O Emanuel é o Senhor do contato, que anda com suas ovelhas e que as pega nos colo (Jo.10; Lucas 15). É o Bom Pastor que por conta da proximidade pega o nosso cheiro.

Emanuel quer dizer também que o Senhor não está abaixo de nós. Ele não é servil. Não obedece aos nossos caprichos, mandos ou “decretos”. Ele não é um super-office boy!

Também não é um Deus dos lados, de companheirismo tácito e de postura validativa para tudo que fazemos. Não é partidário, nem de direita, nem de esquerda.

O Deus Emanuel que celebramos é o Jesus encarnado, na manjedoura guardado! É o Espírito Santo aguardado e que agora sobre nós e em nós foi derramado! E por isso podemos clamar “paizinho” (Rm.8:15)

dezembro 12, 2008

DEUS ABENCOA IGREJAS ESPECIFICAS?

Filed under: Teologia — sdusilek @ 6:39 pm

DEUS ABENÇOA IGREJAS ESPECIFICAS?

Há algum tempo venho tendo contato com uma Teologia tão estranha quanto a da Prosperidade. Só que essa se aplica ao contexto eclesial e busca responder, de modo simplista e misterioso, mas de igual modo injusto e arbitrário, o porquê de algumas igrejas “prosperarem” enquanto outras não saem do lugar. A explicação para essa discrepância estaria numa “Soberana” decisão de Deus que resolve escolher abençoar umas e não outras. Em outras palavras: Deus estaria enviando a prosperidade para um lugar, visitando essa comunidade de fé de modo especial, ao passo que o Senhor faria uma política de manutenção com os demais.

Essa teologia tem cheiro de tentativa de legitimação. Assim como Calvino justificou pela predestinação a vontade de Deus para que os reis tomassem o poder, criando um vazio crítico e um silêncio sepulcral da racionalidade, assim líderes religiosos explicam e se legitimam no sacerdócio se escorando na idéia de que “se Deus quis assim, o que posso eu fazer?” O que não é explicado, digerido é jogado para a “soberania divina”.

Interessante que quem faz uso dessa justificativa normalmente são líderes hábeis em manipular, cuja liderança é pérfida. Gente que não responde a ninguém, nem a Igreja e muito menos ainda a Deus. Se perpetuam porque no bojo dos atos soberanos (colocando ele/ela ali ou ainda da igreja expandir) reside também os “atos vitalícios”, quando não hereditários. Engraçado que os líderes que mais promovem essa teologia são normalmente ensimesmados (não conhecem bem a realidade de outras igrejas da sua região), moralmente réprobos, e psicologicamente patológicos. Pessoas que querem projeção e cuja teologia da “escolha eclesial” revela toda a sua ambição pessoal. Adiciona-se aqui, é claro, a falta de consistência teológica e bíblica. E para aqueles que se dizem adeptos do livre-arbítrio,tem de se realçar a incoerência e a falta de sistematização de sua teologia.

Atitudes reprovadas e condenáveis passam a ser ofuscadas pela estatística da prosperidade eclesial. Toda ação do líder, mesmo que seja pecaminosa é abonada por conta dos resultados “que ele apresenta”, e que passam a ser lidos como sinais inequívocos da benção e aprovação de Deus sobre sua vida. Como na Teologia da Prosperidade, a “Teologia da Escolha Eclesial” abole a mensagem bíblica, o que evidencia a presença de muitas mãos num processo, menos a de Deus (Is.59).

Interessante também que a racionalidade é expurgada de tais locais. Ninguém analisa outros fatores como densidade demográfica, fluxo migratório de uma região, mudanças climáticas. Não se considera o nível de segurança das relações, medido em especial pelo tempo de permanência do pastor. Nem tampouco se observa a devocionalidade do líder, seu bom senso ao lidar com as questões do povo. Nada. Nenhum fator externo é levado em consideração. E se fossem levados o índice não deveria ser de crescimento somente, mas percebido de modo comparativo com o bairro. Se o bairro cresce em 10 anos 20.000% e a igreja cresceu 1000% (por exemplo), por mais diferenciado que seja seu aumento, certamente não cresceu tudo que deveria. O que quero defender é a análise não do número pelo número, mas sim, de uma hipótese: crescemos o que era para crescermos? Ou de algum modo nos acovardamos (Ap.3:8), crescendo timidamente?

Fato é que igrejas crescem mais do que as outras também por conta da qualidade espiritual de sua membresia. Por incrível que pareça, Deus sempre preserva servos fieis (os 7000 que não dobraram os joelhos a Baal – I Reis 19:18), mesmo debaixo de uma liderança nefasta (como foi a de Acabe). E esses servos fieis é que têm suas orações respondidas pelo Senhor. São eles que inspiram outros a vir para a igreja e a aceitarem a Jesus como seu Salvador. Apesar, e eu arriscaria aqui, principalmente por causa da liderança que têm.

O que a Bíblia diz sobre isso?

a) Em primeiro lugar a Bíblia não faz menção a essa abordagem. Isso é sinal de que tal idéia da “escolha eclesial” pode ser ideológica, satânica, absurda, loucura, menos Palavra de Deus. E não me venha dizer que Deus decidiu no VT escolher e abençoar um povo (Hebreu). Deus escolheu formar um povo. Mas ele não resolveu abençoar mais uma tribo do que a outra. Se houve diferenças na Historia isso se deve ao afastamento e aproximação que cada um resolveu ter com o Senhor.

b) Em segundo lugar, a Palavra é prodiga em falas para as igrejas. Paulo falou e escreveu a varias delas. Jesus mandou recado às 7 igrejas da Asia que tipificam a totalidade das igrejas, bem como indica o universo principal de problemas que as igrejas passam. Jesus não falou para uma e deixou o resto “não abençoado” para trás.

c) Em terceiro lugar a liderança daquele tempo era excelente. Podia até ter erros, pecados, mas eles eram tratados na luz. Não eram escondidos debaixo de tapetes, nem de mantos teológicos. Timoteo, Epafras, Barnabe, Paulo, e tantos outros fizeram a diferença. Eles eram íntegros e “suas” igrejas aprenderam a integridade através deles.

Por fim, se voce ouvir alguém dizer isso, tenha cuidado, porque isso é papo com “cheiro de enxofre”…

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

dezembro 9, 2008

O DEUS DA IURD

Filed under: 1 — sdusilek @ 4:15 pm

Tenho notado já há algum tempo uma leve mudança no discurso da liderança e do povo que compõem a IURD – Igreja Universal do Reino de Deus. Em especial nos testemunhos mostrados na televisão. Em ambos os grupos tem-se falado e enfatizado a figura do “Deus da Igreja Universal”. Creio que isso além de ser fruto de uma visão mercadológica (é marketing puro esse processo de individualização do “produto divino”), é também a primeira declaração sensata e verdadeira que vejo na Universal depois de muito tempo. De fato, o Deus da IURD é diferente do que adoramos.

O Deus da IURD é veterotestamentário. Todas as campanhas são “justificadas” por textos do Velho Testamento. A exposição a respeito de Deus é uma exposição “sombreada” (Heb.10:1, Ex.33:23), porque se pauta nos contornos da Lei e não na revelação da Graça, que está em Jesus. Aliás, Jesus é um nome só presente nas fachadas. Ele não é citado (ou quase não citado), não é adorado, nem tampouco buscado. Também pudera: toda aproximação de Jesus torna caótica essa visão incompleta do plano espiritual, porque pautada está no Velho Testamento.

O Deus da IURD é o senhor dos shoppings. Pois é: assim como tem “o senhor dos anéis” há também o senhor do consumo. E Jesus revelou o nome dele: MAMOM (Mt.6:24). Aliás essa é a única entidade espiritual citada por Jesus nos evangelhos. Sabe por que Mamom está mais presente na Universal do que em outros lugares? Porque toda mudança de vida que é falada e apregoada é a do bolso, da capacidade de comprar. As conquistas, a prosperidade são as traduções da ação divina. E as derrotas, também não seriam? E o que dizer da mudança de vida, do Fruto do Espírito… Não há celebração de um caráter renovado. Isso porque Mamom não transforma vidas, somente se agrada com enriquecimento.

Fica claro também que o Deus daquela igreja é realmente singular. Isso porque um Deus que não possa ser adorado com nuâncias doutrinárias diferentes, celebrado na sua multiforme Graça (I Pe.4), realmente não é o Senhor da Palavra. É uma projeção bispal. Algo que sai das entranhas de alguém para alcançar a projeção nas “paredes espirituais” de outros.

Finalizo dizendo a voce que não estou “malhando” aqui a IURD. Pelo contrário! Pela primeira vez em muito tempo, estou concordando com o que ela vem dizendo. Pensei que isso nunca aconteceria, mas chegou a minha vez de concordar com a fala da Universal: o deus de lá é realmente diferente, singular e único. Já o meu é plural, multiforme em sua expressão/comunicação e absoluto!

Ao Rei dos reis e Senhor dos Senhores; à Cara da Graça e ao rosto de Deus; ao Leão da Tribo de Judá, seja para sempre o meu louvor e minha rendida adoração!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

dezembro 4, 2008

ONDE TUDO COMEÇOU…

Filed under: 1 — sdusilek @ 1:26 pm

Voce conhece a historia do Natal? Sabe onde ele começou? E sabe para que existiu um primeiro e especial Natal? Ou voce é daqueles que não dão muito valor ao Natal? Tudo bem, não se martirize tanto, até alguns dos evangelistas da Bíblia acharam por bem não dar tanta importância ao nascimento de Jesus, e sim, ao seu ministério já como adulto.

Lucas é o mais natalino dos evangelistas. Se fosse hoje, ele seria uma dessas pessoas que curtiria colocar enfeites na porta de casa, pendurar luzes (alguns na verdade penduram “tarrafas luminosas” na varanda, montar um presépio na sala, arrumar um belo pinheiro (legítimo, não de plástico como o nosso) e abarrotá-lo de presentes. Ele curtiria o Natal como poucos. Como sei disso? É só ler o início do Evangelho que leva seu nome. Ele curtiu escrever sobre o Natal – o nascimento de Jesus.

Segundo Lucas, o primeiro Natal foi sem pompa nem circunstância. Conquanto achemos que Jesus merecia nascer no principal palácio do seu tempo, na cidade mais badalada da sua época, ele nasceu cumprindo a profecia de Miquéias (Mq.5:2) num pequeno vilarejo chamado Belém. Seu nascimento não teve holofotes nem neons. Na verdade muito pouca gente soube que o Senhor havia nascido. Isso ensina-nos que o importante do Natal não é o periférico (as luzes, os presentes, a reunião das pessoas), mas a mensagem central e simples de que o Salvador nasceu. É por isso que podemos dizer que melhor do que o clima de harmonia do Natal, é a paz absoluta que vem de Jesus e que alcança todos os períodos do ano. Melhor do que receber presentes, é reconhecer que Deus quis nos presentear quando enviou Jesus. Jesus é o maior presente que Deus poderia dar a você. Voce já o recebeu?

Lucas também registra algo interessante, diria ecológico até. A natureza estava pronta para acolher Jesus. Aliás, a natureza sempre anda em compasso perfeito com Deus. José e Maria tentaram conseguir lugar em hospedagens, mas não tiveram sucesso. “Engraçado” é que enquanto Jesus veio proclamar que no céu de Deus “ainda há lugar”(Lc.14:22), ele antes mesmo de nascer ouviu que para ele “não havia lugar”(Lc.2:7b). Quem acolheu aquela família? A criação de Deus. Jesus nasceu numa estrebaria, local onde os animais ficavam repousando e sendo alimentados. Os primeiros “convivas” que presenciaram esse feito foram os cavalos, os bois, etc. Isso porque a criação sempre está pronta para a redenção (Rm.8:19-21), embora a mais elaborada das criaturas, o ser humano, infelizmente não esteja no mesmo compasso. E pode ter certeza, pois a Bíblia assim atesta, que a criação está se preparando e pronta estará para a volta triunfal de Jesus. E quando isso acontecer, voce estará preparado para se encontrar com Deus?

Por fim, Lucas fala do primeiro berço de Jesus. Não foi da Abracadabra, nem de nenhuma outra loja especializada do ramo. Jesus teve como seu primeiro berço uma manjedoura, local onde se colocava a ração para alimentação dos animais. Mais simples do que isso, impossível. Mais significativo do que isso, igualmente impossível. Isso porque Jesus só pode ser recebido e acolhido por recipientes, por berços que sejam humildes. Se seu coração não for humilde, não terá espaço para acolher Jesus. E aí o Senhor fica sem berço…

Tudo começou, em termos natalinos, em Belém há cerca de 2008 anos atrás. Mas Natal só ganha o fulgor especial quando ele deixa de ser um marco da História e passa a ser um marco na sua história de vida pessoal. Sim, porque Jesus continua procurando lugar. Jesus continua buscando um berço, uma manjedoura, um coração. E no seu, há lugar para Jesus?

Que na época do Natal seja o tempo do nascimento e acolhida de Jesus em seu coração!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

dezembro 2, 2008

PERDENDO A PROPRIA VIDA!

Filed under: 1 — sdusilek @ 2:17 pm

PERDENDO A PROPRIA VIDA!

Você já deu seu “sangue” por alguma coisa ou por alguém e depois teve a nítida sensação que foi uma perda de tempo e, porque não dizer, de vida? Por vezes investimos nosso melhor, nossa vida, nosso “sangue”, naquilo que somente nos suga. E de alguma forma perdemos o que de melhor nós tínhamos. O que lhe faz sangrar?

A Palavra fala da experiência de uma mulher que viveu um longo processo de perdas por 12 anos. Uma hemorragia fez com que seu sangue, o melhor da sua vida, esvaísse do seu corpo. E com ele foram também os recursos (gastos com médicos), as perdas afetivas (provavelmente ela vivia numa solidão, pois homem algum agüentaria conviver com uma mulher com fluxo sangüíneo intermitente), e de também o convívio social devido ao preconceito que se existia tanto no plano espiritual (alusão ao pecado) como também no físico devido a rotulação de que ela era impura. Quero convidar você a ler Lucas 8:42b-48.

Fato é que o texto mostra uma mulher completamente destruída, que teve a ousadia (fé) para tocar e Jesus, embora não tivesse um pingo de auto-estima para se mostrar perante ele. A prova de que lhe faltava coragem foi a abordagem por trás que ela teve. Uma vida que se esvaia precisava de uma solução! E ela estava passando por ali – JESUS de Nazaré! Quero compartilhar contigo algumas lições desse texto:

1) Que quando a vida se esvai, os médicos serão paliativos (v.43). Médicos podem ser todos aqueles que vão nos ajudar a superar essa dificuldade. Conselhos de amigos, familiares, palavras de profissionais, tudo será paliativo enquanto nós estivermos perdendo VIDA. O máximo que eles vão fazer por nós, é nos ajudar a conviver com aquilo que tem sugado nosso “sangue”, nossa vida. Só o Senhor da Vida pode fazer-nos encher novamente!!!

2) Que por mais indignos e imundos que nos sintamos, a nossa imundícia não impede que Deus receba o nosso toque. Isso porque cada toque é valorizado por Deus. Aquela mulher achou que não poderia tocar em Jesus, devido a sua “impureza ritual”. Daí o toque na orla/borda do manto. Guarde bem uma coisa: não é o nosso pecado que nos impede de tocá-lo, mas sim nossa incredulidade. Já se perguntou por que, com tanta gente comprimindo e tocando em Jesus, somente haja o relato da cura dessa mulher? Creio que isso aconteceu porque somente ela viu Jesus como Deus (veja o paralelo de Lc.8:44 e Is.6:1). Ela creu. Às vezes nossa indignidade é importante para vermos o DEUS ALTISSIMO que está perto de nós!

Quantas vezes voce perdeu a chance de receber a cura divina, simplesmente porque se sentiu indigno(a) de tocar no Senhor? Toque nEle!

3) Que “Deus não tem costas” (Caio Fabio). Não há coisa alguma atrás do Trono do Senhor. E aqui há uma revolução teológica. Na era da Graça descobrimos que Moisés ficou “na saudade” (Ex.33:23). Porque a cara de Deus é Jesus! Aleluia! E isso é importante para nós porque não passamos despercebidos por Deus! Tudo está patente diante dEle! E aí só nos cabe nos prostrar rendidos diante do nosso remidor e Senhor Jesus Cristo (v.47)!

Toque em Jesus! Com fé, com ousadia, e do jeito que voce estiver! Receba a salvação de Jesus que irradia vida para quem está a volta!

Pr.Sergio Dusilek

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