Novos Caminhos, Velhos Trilhos

novembro 11, 2013

É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:16 am

É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ

(I COR.13:1-13 – Introdução da série)

O que chama nossa atenção é o que está “fora da curva”. Exemplos de extrema crueldade assim como exemplos de enorme bondade ganham espaço na mídia e acabam merecendo nossa atenção. Assim, acabamos dando a mesma deferência no HD mental a um psicopata e a uma Madre Tereza de Calcutá… injusto não? Assim como injusto também é o mundo gastar anualmente Bilhões de dólares com a indústria do pecado sabendo que cerca de 10% desse valor seria suficiente para resolver, num curto espaço de tempo, o problema da fome e da habitação que temos… o que falta? Amor!

A série que hoje começamos fala sobre a ausência mais notada no mundo. Ela se dá na produção cultural, uma vez que se fala muito de amor mas não desse amor que Paulo descreve. Essa ausência também é notada na família, na religião, na igreja, e na relação com Deus. Sim porque muitos ainda se relacionam com Deus por medo, por obrigação, por pavor, mas não se “achegam” (Heb.12:22) pela única estrada possível que é o amor. Voce percebe falta de amor em todo canto… é como diria outro grupo de música popular “miséria, miséria em qualquer canto, riquezas são diferentes; índio, pobre, preto, branco, miséria, miséria em qualquer canto”. Sempre sobrará miséria onde falta o genuíno amor.

E aqui nós temos uma dupla dificuldade. A primeira é a do termo. Enquanto no grego existem 4 palavras para expressa a idéia do amor, em português há somente uma. Sendo assim no grego há as palavras eros = amor de profundo desejo, anseio sexual, a qual não aparece no NT; storge = amor carinho, amor familiar que na sua forma adjetiva aparece em Rm.12:10; philia = amor amizade. Como verbo aparece 33x no NT e como substantivo 29x; e ágape=amor altruísta, sacrificial, cujo termo pouco aparece entre os gregos, mas que se torna preferido no NT (130x como verbo no NT e 120x como substantivo). Houve uma apropriação e resignificação do termo no cristianismo. E essa redefinição aparece em Jesus, que expressou o amor espontâneo, criativo e doador que manifesta a natureza de Deus. Tanto assim é que Karl Barth sugere trocar o termo amor por Jesus Cristo. Nesse magistral texto paulino de I Coríntios 13 há a expressão da totalidade da ação de Deus na História.

A segunda dificuldade reside no contexto. A Igreja de Corinto era uma comunidade de fé que refletia a cultura onde estava inserida. A extrema sensualidade da cidade se traduzia na carnalidade dos membros. Ao invés de serem espirituais (pneumatikós) eram carnais (sarkikós). Promoviam categorizações de crentes pelo DNA espiritual (“sou de Apolo”, “sou de Paulo”) e pelos dons, dando maior valor ao dom de menor valor (o de línguas). Queriam o sobrenatural sem a espiritualidade cristã, sem o amor. Estavam se tornando uma comunidade com muitas marcas, menos as de Cristo. Era uma igreja então que se apegava aos efeitos externos, a mostra da religião, mas não a essência. Jonathan Swift, autor satírico das Viagens de Gulliver dizia: “nós temos bastante religião para nos fazer odiar, mas não temos o suficiente para fazer com que nos amemos”. Voltaire em sua Sexta Carta Inglesa falava da harmonia dos diferentes credos dentro da Bolsa de Londres, e da beligerância dos mesmos em seus ambientes religiosos.

Por que então sentimos essa ausência, a falta do amor?

1)   Porque o amor faz a inclusão(v.1).

Nós precisamos de aceitação. Nós precisamos de pertença. E aqui é interessante que Paulo fale de ter as mais variadas línguas. Porque na integração a comunicação lingüística exerce um papel preponderante. Uma comunidade que tem abuso de línguas “estranhas”, onde cada um fala algo diferente, dificilmente vai conseguir viver em amor, uma vez que não se estabelece comunicação entre as pessoas. Sem comunicação, sem compartilhamento. O amor não reside na comunicação, mas tampouco prescinde dela.

Uma comunidade de fé que fala em línguas ininteligíveis pode ser fruto de gente que vive debaixo de um severo autoritarismo. A única forma de falar era aquela. A única forma de se incluir se torna a veia da espiritualização.

O amor cristão implica em inclusão. Enquanto o ódio faz círculos excludentes, o amor elabora invólucros de inclusão. Para os gregos o amor era justificado pelo merecimento. Os melhores devia ser amados. Mas Cristo revela um outro parâmetro: o amor pelo pior, pelos indignos, por aqueles que não merecem.

  • VOCÊ TEM EXCLUÍDO ALGUEM DO SEU CONVÍVIO? VOCE TEM SE EXCLUÍDO DO CONVIVIO DO POVO DE DEUS?

 

2)   Porque o amor nos renova (v.2).

Conhecimento é bom, mas cansa. Saber das coisas, antecipar as possibilidades, tudo isso cansa… e como! Interessante que Paulo está falando aqui da profecia que é conhecimento pleno, inteireza e que traz esperança para o cansado, quando aponta para uma nova perspectiva. Mas Paulo está falando aqui que o grande renovo está no amor. Assim como o sistema circulatório possibilita a oxigenação, no Corpo de Cristo somos renovados pelo amor. Ele é o verdadeiro sistema Circulatório da Igreja. Não dá para ser espiritual sem ter amor. Isso é aberração.

  • VOCÊ JÁ FOI RENOVADO POR UMA PALAVRA DE APOIO, ESTIMULO DE UM AMIGO, OU DE ALGUEM DA FAMÍLIA? 

 

3)   Porque o amor nos recolhe (v.3).

A palavra no grego para distribuição é psômísô= reduzir a zero, quebrar em migalhas, dividir as posses em pedaços. Interessante que o judaísmo proibia a disposição de todos os bens de uma vez. O máximo permitido era 20% ao ano. Atualmente Bill Gates e Warren Buffett tentam pela Given Pledge levantar US$600 bilhões  em fundos para fins de filantropia. A quantia pode ser altíssima, mas o valor, sendo feito sem amor, continua sendo baixo.

Há horas em que a redução em migalhas não é do dinheiro. É da nossa vida mesmo. Há momentos que somos dilacerados na vida e pela vida. O que fazer? O que reconstitui esses caquinhos? É o AMOR! Ele nos recolhe. Sem o amor somos varridos!

Paulo usa outra imagem forte do que a religião pode produzir. Ter o corpo queimado. Aqui pode ser literalmente isso mesmo, visto que em 20 dC um hindu chamado Zarmamochegas deixou-se queimar até a morte. Recentemente aconteceu isto com pacifistas durante a Guerra do Vietnã.

Queimar pode significar também ter o corpo queimado/marcado como escravo, após ser vendido e distribuir esse valor aos pobres. Lembre-se que nem todo altruísmo é sinal de amor.

  • Reconstituição é para quem Ama! Refazimento é para quem ama!

 

Conclusão:

A religião pode produzir coisas impressionantes. Algumas delas até certo ponto benéficas. Mas nada se compara ao amor. A.Ben Oliver dizia que o “amor cristão é aquela coisa sem a qual tudo o mais é nada, e a qual seria suficiente por si só, ainda que sozinha”.

E como estamos distantes desse amor! Quanto precisamos mais dele!

 

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