Novos Caminhos, Velhos Trilhos

agosto 13, 2016

ALGUMAS DAS MUITAS LIÇÕES DE UMA OLIMPÍADA

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 12:09 am

Quero propor aqui sete pequenas e rápidas lições a partir do “convívio” com as Olimpíadas, sabendo do caráter restrito desta lista:

  1. É possível viver uma fraternidade universal na condição humana e calcada em valores que nos convidam a transcender nossas limitações e referências geográfica e étnicas. O valor da misericórdia, num momento de tragédia é um exemplo, assim como o universal convite ao amor, ao respeito e a tolerância. O esporte é outro bom exemplo, que mesmo sob a égide da competição, traz no seu bojo a cooperação e a convivência, bem exemplificado na premiação da medalha de prata de Michael Phelps nos 100 metros borboleta, em cuja premiação subiu de mão dada com o húngaro e o sul-africano. De fato, depois de Babel, nosso encontro como humanidade cheia de dialetos está no esporte.
  2. O convite a superação que cada atleta nos faz em suas competições. Alguns se superam, embora passem longe das marcas mundiais, pela ausência de condições mínimas de treino. Outros, como a notável Katie Ledecky, pelas vitórias e recordes batidos. Sim, é possível nos superarmos; sim, é possível superar outras marcas;
  3. A lembrança que é possível recomeçar e que é desejável viver a emoção das conquistas. Como explicar o ressurgimento de atletas de ponta, e como ainda contemplar lágrimas em gente que já  ganhou tantas medalhas? Sim, a sensibilidade não está ligada a frequência com que fazemos ou ganhamos algo, mas em como percebemos a vida. Do mesmo modo o recomeço está a disposição de todos (Jonas 2 e João 11). Phelps recomeçou; Edwin recomeçou, você pode recomeçar.
  4. A certeza de que não se ganha medalhas investindo em concreto, ferro e alumínio. Pode-se ganhar dinheiro (para quem faz a obra, intermedia o contrato e vende o material de consumo), pode-se distribuir medalhas, mas infra-estrutura não traz medalhas. É o modelo Brasil. Ao invés de investir na educação, nos profissionais da educação, os governantes com seus projetos personalistas, investem em edifícios. O que adianta um hospital todo equipado, sem médicos e enfermeiros (tinha isso aqui no Rio…)? O que adianta uma escola de ultima geração em sua infraestrutura com professores que não recebem um centavo para atualização? Pois há muita gente achando que prédio novo, sala equipada é sinônimo de bom ensino… quando a história é pródiga nos exemplos de que relevante para o ensino é o MESTRE (veja a escola peripatética de Sócrates, ou mesmo o modelo de ensino de Jesus).
  5. Nem tudo são flores nas olimpíadas. Há atletas que esquecem do ideal maior a que estão ligados (como foi o caso do egípcio que não cumprimentou o israelense que o derrotou no judô). Há nativos que esquecem de tratar bem o estrangeiro, como foi o caso da menina que zombou de um turista ao negar dar a informação a ele (que bombou no face). Há intercorrências advindas de uma cidade violenta, como a triste morte do soldado de Roraima. Há o misto de sentimentos de ver, por um lado, a beleza do que foi construído e hoje é usufruído; por outro, a tristeza de saber que a saúde, a educação e os salários do funcionalismo foram colocados na berlinda por conta das 5 argolas. Sim, as Olimpíadas trazem seus espinhos também.
  6. As Olimpíadas anunciam as oportunidades. Conquanto no mundo extra-olímpico, nem sempre se veja igualdade de condições para disputar a mesma vaga, pelo menos as Olimpíadas nos lembram de que a igualdade de condições (pelo menos nas provas) pode e deveria existir. E que mesmo sendo injusto, o mundo ainda oferece oportunidades. Não seria essa a principal mensagem da vitória do singapurês Schooling nos 100 metros nado borboleta? Olhe e aproveite as suas oportunidades.
  7. A esperança que vem do clima dos jogos. Quando a humanidade se encontra para celebrar a vida e sua potencialidade através do esporte e não para fazer guerra e demarcar suas diferenças, um fio de esperança nasce. É possível conviver com o diferente. É possível conviver com línguas diferentes, quando o ideal que reúne diferentes povos é nobre. Sim, há esperança para nós, desde que os bons (moralmente bons) nos liderem.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

 

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