Novos Caminhos, Velhos Trilhos

outubro 3, 2016

Princípios não se negociam

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 1:03 am

Nesse tempo de eleição, de escolha dos mandatários dos cargos públicos, o poder, aquele que fica tão distante de nós durante 3 anos, reaparece numa proximidade inquietante. É a turma querendo voto; é a turma pedindo novamente nosso voto. Fato é que o poder deixa os palácios e as secretarias, as salas de reuniões e ganha as ruas… infelizmente para depois se trancafiar de novo por mais 3 anos…

Para alguns a proximidade com o poder é um sonho. Algo como que um meio de atingir alguns objetivos, de obter algumas facilidades. Mas para outros essa experiência é incômoda e pode vir a ser dolorosa. Foi assim com Nabote (I Reis 21). Por um acidente geográfico sua casa, sua vinha estava do lado do palácio do rei Acabe em Jizreel. Se muitos desejavam essa proximidade, para alguém de princípios como Nabote isso não só era indiferente como extremamente incômodo. Ainda mais quando seu vizinho além de poderoso, tipifica a abertura que alguém pode dar ao mal. Pois é dessa experiência que quero tirar algumas lições para sua reflexão:

  1. Princípios não se negociam porque trazem a alegria (v.1).

O texto fala que Nabote tinha uma vinha. Perceba: a vinha não estava no centro do poder, mas ao lado dele, separado dele. E vinha é símbolo de uma alegria que pelo jeito, era bem vistosa na vida e na casa de Nabote. A tal ponto que despertou a cobiça de um rei.

Essa verdade bíblica é chocante, principalmente no contexto em que vemos políticos usufruindo de uma vida nababesca. Para muitos a alegria está nas fotos de jantares regados a bebidas caríssimas, em locais com preços proibitivos, nos quais nossos mandatários costumam se deixar enquadrar. Contudo, segundo Nabote, a alegria de uma casa está não nas suas festas, mas na vivência dos seus princípios. Há alegria, não embalada, numa vida pautada em princípios.

2. Princípios não se negociam nem se deixam contaminar

Princípio não se deixa contaminar porque ele é resultado de uma longa observação e semeadura, de um longo processo educacional fomentado pelo exemplo. É aquilo que não vemos, mas que nos sustenta e que explica boa parte do nosso comportamento em diferentes situações.

A proximidade de Nabote com o poder não resultou na perda de sua identidade, dos seus valores, dos seus princípios. Enquanto Acabe havia se perdido no exercício do poder, Nabote permanecia isento da corrupção que parece dele emanar. Possivelmente o que mais incomodou Acabe aponto dele ter perdido o humor e a fome foi a declaração de Nabote de que não venderia, não desfaria da herança dos pais a qual havia guardado e preservado com tanto carinho. Enquanto a herança dos pais de Acabe (os reis de Israel que o precederam, tomando por exemplo Davi) havia sido facilmente diluído pelo rei, especialmente após sua espúria união com Jezabel, Nabote perseverava grato a Deus e aos seus pais por tudo aquilo que ele recebera. Guarde bem uma coisa: NÃO SE DESFAZ DAQUILO QUE RECEBEMOS. A herança dos pais não é para ser dada, nem tampouco vendida.

Acabe costumava projetar nos outros sua frustração. Ao invés de encará-la e digeri-la, ele se vitimizava e culpava os outros. Foi assim quando chamou Elias de “perturbador de Israel” (I Reis 18); foi assim também com Nabote.

Não negocie aquilo que você recebeu. Não deixe seus princípios serem contaminados.

3. Princípios que não se negociam são aqueles pelos quais se vale a pena viver e morrer.

O que acontece com Nabote? O texto bíblico diz que Jezabel arma uma cilada para ele. Convoca asseclas (v.8-9;13); inventa e combina uma mentira/versão (v.10); estabelece uma  hipocrisia ritual, convocando um jejum que não era resultado de humilhação diante de Deus, de busca por Ele, mas sim de pretensa legitimação da mentira e da perversidade (nada muito diferente do que acontece por aí); compra o favor da liderança (anciãos), cujos nobres nada tinham de nobreza; e depois apedreja Nabote até a morte. Após, convida Acabe para tomar posse da herança de Nabote.

Jezabel/Acabe tipificam uma liderança que exige uma obediência cega. Gente que por estar no poder acha que não tem limites a serem respeitados. Exigem cumprimento das ordens mais absurdas, buscando uma fidelização doentia. Gente assim não lidera por princípios; o faz por medo e pelo terror. Nesse sentido, é gente que ou não tem Deus ou que não o mostra em suas atitudes e liderança.

Aqui duas coisas precisam ser destacadas. A primeira delas é que não se mata princípios. No máximo você pode desencarná-los, na medida em que continuam a existir, inclusive pela memória de quem tanto os exemplificou com a vida. No entanto, por serem imateriais, eles não se deixam contaminar, envelhecer, ou mesmo morrer. Jezabel achava que a morte de Nabote era a morte daquilo que ele encarnava. Se enganou totalmente.

A segunda é que você não pode usurpar os princípios dos outros. Princípios são absorvidos em processos conscientes e inconscientes, mas não são incorporados, introjetados pela violência, ou pelo uso da força. Nesse sentido é que reaparece o profeta Elias, pois Deus defende a memória daqueles que vivem por princípios.

E aí vem as profecias que são cumpridas na unção de Jeú, um perfeito psicopata, como rei. Se governantes tentam extirpar os princípios da terra (Sl.11:3), Deus se manifesta pela sua perpetuação.  O fim de gente sem princípios santos é com os cães.

Termino convidando(a) a viver por princípios. Pare de ser sacolejado de um lado para o outro com os oferecimentos externos, com as tentativas de contaminar aquilo que deve ser guardado de modo puro. Pare de viver sendo guiado pelas circunstâncias. Crie raízes espirituais: viva por princípios.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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