Novos Caminhos, Velhos Trilhos

setembro 2, 2018

LO-DEBAR – O LUGAR DOS DESALENTADOS.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 6:39 pm
Se há algo que dilacera o coração divino é a injustiça social. Sodoma e Gomorra não foram subvertidas por conta de sua pecaminosidade sexual, e sim por causa da sua pecaminosidade social (Ez.16:49). Por isso que ao ouvir sobre o gigantesco número de desempregados (quase 14 milhões) e mais ainda sobre os DESALENTADOS (mais de 5 milhões) fiquei em choque. Desalentado é aquele que não tem alento, que não tem ânimo porque não tem esperança de que nada mais vá mudar. É gente que de tanto ouvir não, já nem lembra quando foi o último sim. Gente cujas pernas funcionam, mas cuja alma está paralisada.
Há um personagem bíblico (pelo menos um), que residiu na cidade dos desalentados chamada LO-DEBAR (que significa lugar nenhum, lugar algum – II Samuel 9:4). O nome dele é Mefibosete (filho da vergonha, semeador da vergonha – também chamado em I Cronicas 8:34 como Meribe-Baal = Baal é meu advogado). Mefibosete era filho de Jônatas, o grande amigo do rei Davi e filho de Saul. Como filho de príncipe e neto de rei, nasce na corte, vivendo no “palácio”. Só que com a morte de Saul e Jônatas (I Samuel 31:6), e a traição e assassinato do seu tio Isbosete (II Samuel 4), sua ama o abraça e foge com ele correndo com medo de que algo pior acontecesse a ele também. Mas ao fugir com Mefibosete no colo, uma tragédia acontece: ela cai e ele quebra as duas pernas, ficando aleijado, coxo, até o fim da vida.
Nesse momento ela o conduz para LO-DEBAR, local do esquecimento social, visando preservar sua vida. Bruscas trocas de poder vitimizam e paralisam os mais fracos. Não foi diferente com aquela criança. Em LO-DEBAR viviam os desalentados, que mesmo sendo lembrados que eram parte do povo de Deus (Amiel = povo de Deus – II Sm.9:4), não eram tratados como tal, uma vez que ali estavam os doentes, os tidos como incapazes, não produtivos. Os esquecidos pela sociedade, pela família, pelo poder público, pelo rei. Seu objetivo era o de preservar a vida de Mefibosete; mas que vida há em meio a tanta amnésia social?
Ao que parece o esquecimento social se torna um esquecimento individual. Mefibosete nem se vê mais como gente. Ao falar com o rei se anuncia como “cão morto” (II Sm.9:8). O desalento é cruel, pois já não bastasse o esquecimento social, ele acaba sendo introjetado gerando um auto-esquecimento ao longo do tempo. E quem já nem sabe mais quem ou o que é, não pode mesmo lutar para ser lembrado.
A história de Mefibosete, se terminasse aqui seria trágica, um convite ao suicídio. Contudo há uma reversão. Se todos esqueceram dele e os que dele lembravam (como Ziba, por exemplo – II Sm.9:2-3) preferiam mantê-lo no esquecimento, o Rei, lembra (II Sm.9:1) do pacto que havia feito com seu amigo Jônatas. Quando muitos, como foi o caso dos assassinos de Isbosete (II Sm.4:9-10), queriam proximidade com o rei, estando dispostos a tudo para conquistar esse espaço, Mefibosete ganhou assento na mesa do rei por meio de uma SINGELA lembrança. A mesa do rei é a celebração da esperança de sermos lembrados (II Sm.9:13); a esperança de sermos restituídos (II Sm.9:9); a esperança de sermos aceitos (II Sm.9:13), mesmo sabendo que carregamos a vergonha conosco.
Se você se sente desalentado, esquecido pelos amigos, funcionários, familiares, saiba que você não foi esquecido pelo Rei. Sim, a história de Mefibosete aponta para relação do Rei Jesus conosco (Mateus 22:1-13). Para aquilo que chamo de “Memória da Graça”: que lembra dos excluídos, daqueles que não possuem apoio, dos desalentados e os convida para sentar na mesa do Rei dos Reis. Só que na mesa de Jesus não há diferenciação pois além de todos estarmos vestidos com as vestes de salvação dadas por Ele (Is.61:10; Mt.22:12; Ap.3:5a e 7:9) e termos sidos recolhidos nas “encruzilhadas” e “vielas” da vida (Mt.22:8), não haverá diferenciação por proximidade (como na pintura da santa ceia). Jesus não ocupa, no banquete, a cabeceira da mesa, mas sim o seu centro, pois que colocado como a figura do prato principal: Ele é o CORDEIRO.
Força meu querido e minha querida. A memória da Graça de Jesus, a qual nunca esquece de nós, em algum momento se mostrará (fará lembrar) na História e na sua história.
 Com carinho,
Pr.Sérgio Dusilek
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