Novos Caminhos, Velhos Trilhos

maio 5, 2016

“O MELHOR DE DEUS ESTÁ POR VIR”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:51 pm

O MELHOR DE DEUS ESTÁ POR VIR! – Uma discussão sobre a esperança cristã

(Romanos 5:1-5)

O que mantém uma pessoa viva mesmo estando num CTI e sabendo que irá se submeter a diversas cirurgias? É sua expectativa, sua esperança de poder retomar sua vida, de redimensionar aquilo que ficou do lado de fora do hospital, que faz com que ela não se entregue. Expectativa é um sentimento humano, que pode em excesso, desencadear uma ansiedade. No entanto esperança é uma palavra essencialmente cristã, pois está atrelada a Jesus. É o “turbinamento” da expectativa.

Esperança no grego é elpis, sendo que no seu uso na antiguidade clássica possuía a conotação de aguardar/esperar algo. Já no Velho Testamento, o conceito de esperança estava ligado a Deus por uma preposição. Nesse sentido, esperar podia ser em Deus, por Deus, com Deus… Só que é justamente no nascedouro do cristianismo que esperança se forma de modo substantivo, adquirindo contorno da expectativa por algo bom. Só em Paulo aparece, como verbo ou substantivo cerca de 55 vezes no Novo Testamento.

Mas… e como o conceito de esperança é recebido hoje? No nosso entender ele vem revestido pelo jargão que intitula essa mensagem e que costumeiramente é usado como “xarope do consolo”. A esperança cristã foi reduzida a um bem-estar que um dia chegará… Por isso que escolhemos 4 problemas causados por esse jargão:

  • O 1º Problema é Conduzir uma pessoa à nostalgia: é quando a melhor fase da vida ficou para trás

A gravidade disso é enterrar a esperança. Isso porque a historicidade de alguém pode desmentir repetidas vezes os contínuos presentes da vida de uma pessoa. Nesse sentido a esperança é substituída pela nostalgia. A pessoa passa a viver do passado e no passado, o que acaba: 1.1) impedindo que ela tenha uma atitude positiva em relação a vida; 1.2) deixe de viver e perceber as boas novidades e surpresas que podemos encontrar na vida; 1.3) deixe de se relacionar com novas pessoas e de desenvolver/aprofundar seu relacionamento com Deus. Não espera nada de bom, e quando algo legal acontece, não nota, nem dá valor, pois o passado será, nesses casos, sempre melhor.

Normalmente essa prisão nostálgica está associada a memórias de pessoas e/ou lugares marcantes que não existem mais. E como nada se compara ao que foi perdido, a nostalgia passa a reinar. Outro fator é quando a expectativa é frustrada incessantemente pela historicidade, a qual aponta para uma perpetuação do estado de dificuldade.

  • O segundo problema é que costumeiramente o melhor de Deus não é igual ao melhor que desejamos para nós.

Um mártir, alguém que morre por Cristo, em seu martírio deixou de experimentar o melhor de Deus para sua vida? Pode a morte ser o melhor de Deus para alguém? Perceba que aqui reside o existencial conflito entre o meu desejo e o desejo de Deus, entre o meu querer e o querer de Deus, entre meus planos e os divinos propósitos.

O jargão traz um ideário por traz, e nesse caso, ligado ao consumismo. Já a esperança traz consigo uma certeza: a de que estar com Jesus é sempre melhor. Por isso que por vezes o melhor de Deus pode ser o que aparentemente é o pior para nós, algo como “é melhor um final horrível do que um horror sem fim”. Não são os padrões deste mundo, seus valores, nem as aparências dele que julgam o que é melhor da parte de Deus para nós.

Se liga, por vezes o melhor de Deus é ser aquecido, mas não queimado, numa fornalha de fogo ardente (Dn.3); em outras vezes é dividir o hotel com os leões (Dn.6); em outras ocasiões é o andar manco ao invés da corrida sã (Gen.32:22ss). O melhor de Deus não se deixa enquadrar no nosso conceito do que é bom.

Ao usar o jargão, as pessoas tendem a desconsiderar o fato de que em Deus e com Deus, tudo pode melhorar piorando. Entende?

  • O 3º problema é o sentimento de abandono quando não se experimenta o melhor.

A questão nesses casos é: por que nada de bom acontece comigo? E sua culpabilização: onde falhei? Ou a culpabilização divina: Por que Deus só falha comigo? Enfim: pode a esperança falhar?

Na verdade há dois fatores que fazem com que a esperança “falhe” e então o fiel se sinta abandonado. O primeiro reside onde a esperança está calcada. O segundo na ambigüidade humana.

A esperança falha quase toda vez em que depositamos nossa confiança futura em pessoas, coisas, ideologias e não em Jesus. É o emprego prometido pelo “amigo”, a bolsa de estudos requerida pelo coordenador, a vaga disposta… a noiva que desiste do casório, ou a enfermidade que era para melhorar contudo não regride… e o sentimento de abandono chega.

A esperança por vezes falha antes desses acontecimentos externos. Falha lá dentro, na alma. É quando fraquejamos, quando tiramos o foco de Jesus, quando deixamos a vida terreal tomar um espaço maior que a vida eternal na nossa alma. Nessas horas, até o prometido rei Davi se sente abandonado por Deus (Sl.22), tanto que vai para os filisteus (I Sm.27). Nós fraquejaremos ao esperarmos, há não ser que façamos como disse Karl Barth, o alicerce de nossa esperança em Jesus Cristo, pois mesmo quando fraquejamos Ele não falha.

  • O quarto problema é a redução do papel de Jesus no uso desse jargão.

Ao identificar a esperança com conceitos culturais pós-modernos de bem estar, esse jargão sobre o qual estamos refletindo diminui a importância de Jesus. Jesus pode tornar algo insosso em algo extremamente saboroso (Joao 2)? Claro que sim. Contudo o conceito de esperança não está ligado essencialmente ao que Jesus pode fazer, mas a quem Ele é. Jesus é a razão e a essência da esperança cristã; justamente por isso, não pode ficar em segundo plano. Isso porque o Melhor de Deus já veio: JESUS.

Para você ter uma idéia, o Velho Testamento fala de uma esperança messiânica. No entanto, a literatura bíblica ao ser retomada no Novo Testamento pelos Evangelhos quase não fala de esperança. Para ser mais preciso aparece 1 vez em Mateus, 1 em João e 3 em Lucas. Por que razão? No nosso entendimento é porque a esperança é Jesus. Ora, uma vez que os apóstolos estavam com Ele, conviviam com Cristo, não havia razão para se falar em esperança. A esperança se torna, primeiramente então, na certeza cristã de um reencontro com Cristo, algo como a certeza da presença na ausência (Rm.5:5). Fruto de uma união indissolúvel com Cristo, que por estar vivo a torna tão viva quanto Ele (I Pe.1:3). Esperança que embora divina na sua concepção e humana na sua apropriação, é mundana na sua duração. Tanto a fé, quanto a esperança (I Cor.13:13) passarão, pois no céu de Deus não haverá necessidade delas. Só permanecerá o amor, sendo este um dos motivos pelos quais ele é maior do que os outros dois.

 

Concluímos essa breve reflexão recomendando a você que não use esse jargão como “xarope consolo”. Ao fazê-lo de modo indiscriminado você pode causar mais estragos (sentimentos nostálgicos e de abandono) do que trazer cura e real esperança para alguém. Não sabe o que dizer? Não diga nada; ou ainda ofereça o seu silêncio em forma de companhia à essa pessoa em dificuldade. No máximo, quem sabe, peça para ela se agarrar a Jesus, focar nEle para que a esperança brote naquele coração. Faça isso na certeza de que Jesus é o Melhor de Deus que veio para todos.

 Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

1 Comentário »

  1. Amém.

    >

    Comentário por Arlecio Junior — maio 5, 2016 @ 4:09 pm | Responder


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