Novos Caminhos, Velhos Trilhos

março 26, 2016

AS COISAS NÃO SÃO TÃO SIMPLES

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 8:46 pm

Recentemente  tomei conhecimento da decisão da Igreja Batista do Pinheiro (AL) que em Assembléia e após um longo período de oração e reflexão resolveu acolher em seu rol de membros pessoas homo-afetivas. Também tomei conhecimento que a liderança denominacional quer com certa celeridade resolver essa questão.

Não estou aqui, nesse texto, à defender à Igreja nem a causa que ela abraça. Acho estranho a necessidade de sua liderança em dar publicidade ao fato, como que querendo protagonizar a história. Desnecessário, na minha visão.

Meu objetivo aqui é levantar algumas questões que denunciam a dificuldade no trato desse assunto. Para você perceber a complexidade disso, o que a Convenção vai fazer? Excluir a Igreja que dentro da observância eclesiológica batista tomou tal decisão? E as Igrejas que sofrem com lideranças e determinações autocráticas e que, portanto, ferem a eclesiologia (doutrina) batista… serão também excluídas? Ou ainda: seus líderes serão expurgados por não mais serem congregacionais no modo de governo?

Qual doutrina batista a IB Pinheiro feriu? Ela disse que Deus criou macho, fêmea e gay? Que a criação foi de Adão, Eva e Evo? Ela disse que vai promover a prática homo-afetiva ou “somente” estendeu a mão para o acolhimento? Alguém poderia alegar que a Igreja não pode conviver com o pecado. Ok, mas uma pergunta: com qual tipo de pecado que não pode? Uma espiritualidade agressiva como a de Pedro que corta a orelha de Malco é aceitável por ser símbolo da macheza? Uma espiritualidade policial como a de Tiago, irmão de Jesus, que só reconhece a existência de uma Igreja (Atos 15) quando ele chancela é a que se quer promover? Quem é Tiago diante da ação do Espírito? Perceba que desde sempre tem líderes que querem controlar e conduzir o Espírito, e não o contrário.

Por acaso houve algum estudo sério, com notáveis teólogos e pensadores batistas sobre esse assunto para balizar essa questão? Aliás temos um formalmente composto? Ou um grupo de líderes que nunca sequer ouviu falar da existência de uma teologia queer, é que foi auscultar a Igreja que tomou aquela decisão, revelando total despreparo?

Outra linha de questões… vai começar uma limpa no rol de igrejas cooperantes com a Convenção Batista? Esta limpa vai começar pela quebra doutrinária ou moral? Igrejas com nomenclatura Batista que há muito deixaram de ser, vão ser excluídas também? É um novo racha (sempre no rastro de um “golpe” político) pelo prisma do expurgo? E as igrejas com liderança nefasta (pastores mostrados em jornais televisivos envolvidos em escandalos de corrupção política, com prostituição, com desfalque, etc.)… vão ser excluídas também? Ah! Aqui a coisa fica mais difícil não é mesmo? E as comunidades batistas que possuem na sua membresia gente dada ao vinho, mentirosos, adúlteros,… como por exemplo era a Igreja de Éfeso (leia os caps. 4 e 5) e que lá permanecem porque são da elite eclesial ou porque possuem um poder “dizimal” sem igual… vão ser excluídas também? Uma pergunta: quem vai ficar no final? Será que sobra uma igreja no rol da Convenção? Ou os demais pecados podem e somente a questão homossexual é que agride? E agride porquê? Por conta de preconceito e homofobia? Mas excluir uma igreja que aceita homo-afetivos e manter as demais que aceitam, por exemplo (aproveitando o foco do momento) autoridades corruptas não seria uma hipocrisia denominacional? E o que Jesus mais detestou não foi o fermento dos fariseus? Não corremos o risco de assinar um atestado de farisaísmo tardiamente moderno com uma decisão como essa? Queremos ser uma denominação legalista, farisaica, ou com a cara de Jesus? Será que Jesus rejeitaria uma comunidade porque ela foi aberta para abraçar pecadores? As coisas não são tão simples…

E por que discutir isso agora? Num momento em que o país pega fogo, em que uma nação é dividida pela espada política; momento no qual há densa tensão no ar? Momento muito parecido com o contexto do golpe de 1964… Marinha americana no Brasil… campanha de oração entre os batistas (por exemplo (alguém sabe se isso está ocorrendo em alguma outra denominação também?) marcada para o dia 31/03… Novamente as pedras clamando e os batistas voltados para questões intestinas de menor importância… Sim meu querido, isso é de menor importância. Pode esperar, até mesmo porque a decisão da Igreja já foi tomada e acho muito difícil que ela retroceda.

Eu só lamento e às vezes me permito pensar que tais assuntos são premeditadamente trazidos à tona em determinados contextos político-sociais. E espero que os batistas não assinem o atestado de farisaísmo. Pelo menos não agora.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

5 Comentários »

  1. Quando a Graça de Deus se esvai, o que sobra é isso.

    Comentário por gustavo — março 28, 2016 @ 9:17 am | Responder

  2. Obrigado por expressar de forma tão clara o seu pensamento que vai plenamente de encontro ao meu e de tantas outras pessoas nessa “denominação”.

    Comentário por Fabricio — abril 12, 2016 @ 5:03 pm | Responder

  3. Obrigada por expressar de forma clara e objetiva o farisaismo escrachado dos batistas. O “pensar” batistão tá precisando de reforma urgente!

    Comentário por Poliana — abril 15, 2016 @ 8:56 am | Responder

  4. Bem gosto do fato das igrejas batistas da Cbb serem autônomas. Quando é trará concordamram com a declaração doutrinária e tudo o Mais. Se num determinado momento percebe que já não se identifica porque não se desliga, porque procurar contenda, só por isso Já perderam a razão. Marcos e limites devem ser Preservados. Assuntos assim devem ser resolvidos e salvo engano em 2012 a denominação numa carta aberta se posicionou a respeito do tema.
    E a tarefa e proclamar Jesus amar ao próxima e combater o pecado sim, se estamos falhando como foi exposto acima, não quer dizer que temos que escancarar as portas.

    Comentário por Lucy — julho 12, 2016 @ 3:00 pm | Responder

    • Prezada Lucy
      Ao ler seu comentário só pude reconhecer minha limitação em me fazer entender para a irmã. Nesse sentido me perdoe. Isso porque a igreja do Pinheiro não procurou contenda, nem tampouco uma carta aberta feita as pressas deva ser a forma de tratar o assunto.
      Por isso, me perdoe. Espero ser mais feliz num próximo texto.
      PR.Sérgio

      Comentário por sdusilek — julho 12, 2016 @ 5:18 pm | Responder


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