Novos Caminhos, Velhos Trilhos

março 24, 2016

Integridade e Verdade a serviço do púlpito.

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:01 pm

O sonho de todo pregador é ser ouvido. Para isso ele se prepara. Com esse legítimo desejo se preocupa com a localização da igreja que pastoreia, buscando facilitar o acesso a todos. Preocupa-se com endereços mais vistosos que possam despertar o interesse alheio. Gosta de ver a “casa cheia”.

Mesmo com esses cuidados no preparo do sermão, na busca por uma localização fácil, na unção que Deus derramou sobre ele na forma de dom, na condução de um povo amável e hospitaleiro, teria algo mais que o pregador fizesse e que redundasse em interesse para ouvi-lo? Haveria algo mais que pudesse açambarcar essa atenção?

Interessante que alguns dos grandes pregadores do Novo Testamento fizeram fama na contramão do que um pregador sensato julgaria razoável. Jesus por vezes pregou para multidões no deserto (numa delas multiplicou 5 pães e 2 peixes). Filipe largou um concorridíssimo púlpito em Samaria para pregar ao mordomo de Candace no deserto (At.8). Mas sem dúvida alguma a figura mais intrigante que emerge das primeiras páginas do novo testamento é a de João Batista.

João desdiz tudo o que se aprende num seminário sobre a apresentação do pregador. Figura estranha que era, usava uma roupa diferente das dos demais (Mt.3:4), tinha uma dieta esquisita (comia gafanhotos e mel – 3:4b), mas um poder de atração inigualável. Ao contrário da facilitação de muitos pregadores, sua mensagem era duríssima. João não colocava curativos nos seus ouvintes. Ele abria feridas (Mt.3:7) as quais somente o bálsamo celestial podia curar.  Seu lugar de pregação era o deserto (Mt.3:3,5). Mas as pessoas acorriam para ouvi-lo. O que ele tinha que todo pregador pode buscar? Um misto de integridade, verdade e persuasão. Se sua aparência provocava repulsa inicial para alguns, sua essência efetuava enorme atração sobre todos. Sua pregação foi tão conhecida que chegou ao palácio dos governantes do seu tempo.

 

  • O Elo Perdido Ministerial – a Integridade

Integridade é o contorno bem delineado de um caráter aprovado. É a característica pela qual uma pessoa é inteira. Uma pessoa bem resolvida costuma possuir integridade. Ela não é garantia de erros, mas a certeza de que não se convive neles. Uma pessoa íntegra é limpa de alma e pura de coração.

A integridade pode ser cultivada pela opção prévia pela retidão. Tomar a decisão de jamais negociar valores eternos e pessoais antes de acontecer qualquer convite contrário. Integridade se aprimora com uma vida de devoção. É cuidando da essência que ela floresce. E aqui reside o grande problema.

Numa cultura que valoriza a aparência e o estético há pouco tempo para se investir no essencial, no ético. Essa ausência de tempo para abastecer o mundo interior se manifesta na diminuição do tempo de influência do pregador. Valores são ultrajados levando o pregador perder seu coração, sua alma. E no momento em que o coração deixa de ser altar e passa a ser balcão, isso se refletirá na mensagem.

João possuía uma integralidade na mensagem. Falava o que estava em seu coração. Certa vez, ao ouvir sobre o ministério de Jesus, ele indagou o Mestre se porventura era ele mesmo o Cristo (Mt.11). Pra fazer isso é preciso uma dose extra de integridade, concorda?

Essa integridade de João Batista fazia com que ele dissesse o que poucos falavam. Definitivamente com ele não havia essa de “mais do mesmo”. Perceba que muito da eficácia da pregação se deve a coerência do pregador. Quando o povo percebe que o pregador não vive (ou tenta viver) o que prega, a mensagem é desprezada. João condenou a hipocrisia do seu tempo não só denunciando-a, mas sobretudo vivendo de modo coerente.

A integridade de João fez com que ele vivesse o que poucos viviam. E onde reside coerência, sinceridade, num mundo de tanta falsidade, sempre despertará a curiosidade alheia. As pessoas procuram pessoas inteiras com as quais desejam se achegar. Quando os moradores de Jerusalém e da Judéia ouviram que em algum ponto perto do Jordão havia um homem íntegro, eles foram vê-lo e ouvi-lo. Não há distância que separe um ouvinte de um bom pregador que possui uma vida ilibada.

Nessa relação de observação entre ouvinte-pregador a integridade corrobora para dar forma a um dos principais papéis daquele que fala: dar uma leitura espiritual, bíblica, às vicissitudes que a todos acometem. O orador não está isento de problemas. Porém ele precisa ser capaz de dar uma leitura espiritual aos que enfrenta. A integridade permite ao pregador superar os “trancos” da vida com “lascas”, pedaços tirados, mas sem desfazimento do seu ser interior. E assim, mesmo sentindo dor na alma, pode fazer uma leitura espiritual da sua vida.

 

2- O Papel da Verdade

Não falamos aqui de uma verdade filosófica ou mesmo de uma verdade circunstancial (que nada mais é que a percepção de um fato por diferentes pessoas). Falamos da verdade sem adjetivações. A verdade é; a mentira não é. Verdade tem peso por si só.

A verdade tem importância para nossa vida e para aqueles que nos cercam. Verdade é alicerce do caráter. Desnecessário dizer que é impossível ser íntegro sem que haja verdade.

A verdade precisa ser dita para que o erro seja corrigido e o pecado abandonado. Não era isso que acontecia às margens do rio Jordão? João Batista falava a verdade e havia arrependimento nos seus ouvintes (Mt.3:6). Sua integridade era o anteparo que confirmava cada verdadeira palavra que dizia.

O pregador é anunciador da verdade. Toda verdade tem morada em Jesus (Jo.14.6), sendo Cristo a verdade maior que une todas as demais. É pelo fato de ser A verdade que o nome de Jesus tem tanto poder de convencimento e de “conversionamento”. Não cabe ao pregador anunciar uma verdade vivendo ele uma mentira. É preciso que haja inteireza de ser.

A verdade se manifesta pela via da sinceridade. Ser sincero é ser sem cera. No mundo antigo, comerciantes costumavam passar um pouco de cera em vasos trincados, para que o comprador, sem perceber, pudesse levá-lo para casa. A única forma de não levar um produto defeituoso era colocando o vaso contra o sol, pois este revelava todos os contornos deste. Inclusive se havia recebido uma dose de cera ou não. Vaso bom então era o sem cera.

Sinceridade é o que falta nesse mundo de conveniências. E onde há conveniência sempre florescerá a hipocrisia. E hipocrisia é erva daninha que sufoca a verdade.

Cabe ao pregador procurar ter uma vida sincera, deixando que a verdade transpire não só no púlpito, mas em todos os lugares.

 

3- Conclusão;

Interessante notar que os evangelhos retiram do pregador o peso do sucesso da pregação. O convencimento cabe ao Espírito Santo. Mais interessante ainda é que em Atos (18:4,13; 19:26; 26:28), o resultado da ação do Espírito na vida de pregadores íntegros que falavam a “palavra da verdade” é chamado de persuasão. Persuasão não é então, na linguagem bíblica especialmente em Atos, uma ferramenta a disposição do pregador. É o impacto que uma vida íntegra, com uma boca cheia da verdade, debaixo da instrumentalidade do Espírito, promove no coração daqueles que ouvem.

Não importa o lugar onde você está. Importa sim estar onde Deus quer que voce esteje. Porque o Senhor o usará mesmo que esteja no deserto.

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