Novos Caminhos, Velhos Trilhos

março 2, 2016

Pelo lado do avesso

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:30 am

Imagine você trabalhando num centro comercial, perto  (cerca de 1 km) de dois dos maiores shoppings da sua cidade. Imagine agora que nesse centro comercial tenha uma praça de alimentação, que com a crise do país, é afetada. Você ao caminhar pelo centro comercial na hora do almoço percebe que na mesma proporção que baixou os frequentadores da praça de alimentação, aumentou o número de pessoas fazendo uso das “quentinhas” que para serem boas, precisam ser “Tupperware”. Entretanto, outros potenciais clientes insistem em buscar a praça de alimentação daqueles dois shoppings fazendo uso do serviço de ônibus especiais  do condomínio, desprezando a do centro comercial.

Qual seria a solução mais rápida a ser pensada pelos empresários da praça de alimentação? Parece óbvio que a resposta seja uma pressão na administradora do centro comercial para proibir a circulação dos ônibus na hora do almoço, obrigando assim as pessoas a comerem naquela praça de alimentação.

Isso dá certo? Claro que não. É uma medida que não atinge a raiz do problema, o qual pode estar atrelado desde a ausência de determinado tipo de comida, passando pelo preço, ou mesmo pela qualidade do que é servido. Ao invés de encarar o problema é mais fácil pensar numa “solução” restritiva. Só que facilidade e solução de uma questão normalmente não andam de mãos dadas na mesma “praça”, nem na mesma oração.

Por que usei esse exemplo? Porque é exatamente isso que acontece em muitas denominações. Ao invés de procurar o motivo da dor, entope-se de analgésico. Não sei quantificar, mas percebo que por vezes processos denominacionais vão na contra-mão da história, do real equacionamento do problema, e do próprio bom senso.

Penso que um dos casos mais recentes que exemplificam essa realidade seja a da Convenção Batista Brasileira (CBB) e de sua organização chamada ABIBET (Associação Brasileira de Instituições Batistas de Educação Teológica), em sua interface com a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB). Trata-se da exigência, para ingresso na Ordem (alguns querem ir mais além, obrigando a observância na instalação do concílio!!!), da conclusão do bacharel em teologia por um dos seminários filiados a ABIBET. Atacam um problema: a quantidade de alunos não é suficiente para manter todos os cursos (e os que se arvoram como curso) de teologia abertos. O modo: a restrição, que nada resolve. A mensagem que passa? Que os cursos oferecidos no âmbito da ABIBET são tão ruins que para ter aluno só mesmo com cláusula restritiva que proíba sua entrada na OPBB.

A alegação que conduz a aprovação de medidas tão descabidas como essa é desprovida de uma leitura mínima dos fatos. Senão vejamos:

  1. Há uma preocupação com a formação doutrinária dos futuros pastores. Busca-se evitar futuros rachas de igrejas por pentecostalização [bons tempos aqueles em que desvio pastoral no meio batista era oriundo da “chama” pentecostal]. Só esquecem que a maior parte de problemas assim causados foram de egressos dos seminários da ABIBET. O “patriarca” brasileiro, Rene Terra Nova é um caso clássico.
  2. A identidade batista não se faz no Seminário. Ela se faz na Igreja. Se o vocacionado ao ministério não assentiu em ser batista, não é um curso de teologia que o fará ser. Se a pessoa não foi doutrinada na igreja (esse é um problema para aqueles que optaram por “classes de comunhão”, pois endossam e engrossam a falta de fidelidade doutrinária), não vai ser o Seminário que irá fazê-lo.
  3. Se tem curso da ABIBET e o vocacionado escolhe um outro, não cabe a punição. Cabe o olhar auto-crítico para buscar compreender o porquê nossos vocacionados preferem o “pasto” alheio. Cá entre nós, suspeito que seja por conta da “alma” do curso que é seu corpo docente… essa colcha de retalhos e de acomodações não muito publicáveis…
  4. Por fim nessa pequena lista para início da reflexão, é preciso lembrar que o aluno faz o curso. Bons alunos excedem a mediocridade reinante. Bons alunos desafiam a mediocridade instituída, simplesmente por serem bons. Bons alunos mantém sua linha, mesmo em organizações desalinhadas.

Termino dizendo que se hoje fosse ingressar num curso de teologia e soubesse dessa regra coercitiva ou mesmo da possibilidade dela existir, dificilmente optaria por um curso de Instituição filiada à ABIBET. Como expus anteriormente, para mim tal medida é um atestado da debilidade e, por mais paradoxal que seja, da falta de visão (que não consegue ver a raiz do problema) das casas de profetas. Além disso mostra igualmente a falta de força para lidar com os problemas.

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

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