Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 19, 2016

DEUS NÃO ESTÁ MAIS AQUI!

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:01 pm

DEUS NÃO ESTÁ MAIS AQUI

Não fique bravo comigo pois essa palavra não é minha. Ela está na Bíblia e foi proferida pela viúva de Finéias enquanto agonizava (I Sm.5:19-21). Sua compreensão, como a do povo, era de um Deus encaixotado, que restringia sua Glória, Sua presença à uma arca. Sendo assim, ao colocarem Deus no meio de uma guerra particular (4:1), sem que O trouxessem para a singularidade de sua vida, Israel deixou que o Senhor “fosse embora”.

Longe de questionar a Onipresença (seja ela econômica ou não) do Senhor, essa narrativa me faz pensar na formação dos filhos, até mesmo porque o texto (I Sm.1-5) tem essa tônica como pano de fundo. De um lado uma jovem senhora temente a Deus e que ensina seu pequenino Samuel a amar o Senhor. De outro um experiente sacerdote (Eli) que tem dois filhos complicados. É os filhos de pastores problemáticos não são fruto do século XX. Eles já existiam na Bíblia (até os de Samuel eram assim I Sm.8:5), só que nos dias atuais, dos que são problemáticos muitos o são por conta da própria crueldade da igreja.

Fato é que a Bíblia chama os filhos de Eli (Hofni e Finéias) de filhos de Belial (2:12), gente ímpia, que não conhecia o Senhor, embora fossem sacerdotes em Seu nome. De fato os legítimos pastores jamais serão os que os homens ou alguma linhagem étnica fizeram; os legítimos assim foram feitos pelo coração, num cumprimento ao chamamento divino. Por conta da interferência nefasta de gente como Hofni e Finéias, Deus que já não estava presente na vida do povo agora tinha ido embora de vez. E eles eram filhos do sacerdote…

Isso me faz pensar nos lares das pessoas, muitas das quais assíduas na Igreja. Por que estes lares que tinham a presença de Deus tão palpável hoje o percebem tão rarefeito? Por que Deus não está mais aqui? O que leva uma mãe a dizer com agonia, Icabô (I Sm.5:21)? É olhando para Hofni e Finéias que vamos pensar em alguns elementos que contribuem para isso.

1) Eles não se importavam com o Senhor (2:12; 3:13; 4:15);

Na vida daqueles dois não havia qualquer constrangimento ou mesmo consciência da presença de Deus. Viviam como se Deus não existisse, apesar de fazer uso dEle. Mas por que ninguém os impediu? Na verdade a cegueira de Eli veio antes da idade. Ao não ver (ou não querer ver) o comportamento dos filhos a ponto de não repreendê-los, Eli assume uma postura de cegueira.

A consequência? É que quando a liderança é perniciosa, os valores de Deus são desprezados. O povo passou a desprezar a oferta do Senhor (2:17) por pura ausência de referenciais. As pessoas passam a não se importar com Deus.

  • SEJA VOCÊ PAI A REPREENDER O SEU FILHO, QUANDO PRECISAR. NÃO SEJA CEGO, NEM SE FAÇA DE CEGO.

2) Eles introduzem elementos estranhos (2:13)

É no mínimo simbólico que eles tenham usado para subtrair a oferta do Senhor um garfo de 3 dentes, instrumental este normalmente atribuído ao Diabo. Aqueles dois tinham instituído o desconto de Imposto de Renda na fonte para Deus. Normalmente quando um líder faz isso implica numa melhora pessoal do líder religioso em detrimento da saúde espiritual do resto da comunidade. Mas o fato que queremos destacar aqui é que filhos criados no tabernáculo introduziram elementos estranhos ao culto.

Esses elementos podem ser desde uma compreensão não bíblica sobre Deus, até mesmo a adesão a outros rituais religiosos ou mesmo a importância maior dada à outras coisas. Exemplo disso podem ser os estudos, a carreira estudantil como algo maior do que Deus.

 

3) Eles se valem da religião para levar pessoas ao erro (2:22).

Quantos exemplos assim existem? Lembro-me da experiência relatada pelo Pr.Caio Fábio num livreto de sua autoria sobre namoro que falava da indução ao erro de uma liderança de uma determinada igreja. O texto diz que Eli sabia que seus filhos eram adúlteros e que usavam da posição religiosa para terem sucesso nos voos extraconjugais.

O que isso reflete? Suas escolhas e decisões eram as piores possíveis. Em nenhum momento eles levavam Deus em consideração. Deus nem na balança era colocado (possivelmente porque soubessem para que lado ela penderia, lado este que eles não queriam atentar).

 

4) Eles são pretensiosos (2:16, 23-25);

Não ouvem os avisos do Senhor. E Deus estava dizendo a eles que aquela trilha não era de vida e sim de morte! Quantas vezes pessoas não se deixam orientar? Isso é pretensão. Maturidade é outra coisa.

 

5) Por fim eles transformam Deus num amuleto (4:1, 3-5)

Não tem vida com Deus mas na hora de inventar e entrar numa guerra até lembra de Ebenézer (4:1) – até aqui nos ajudou o Senhor. Faz acampamento pensando em Deus porque sabe que a luta vai ser renhida.

Para completar invocam a presença de Deus nas lutas para as quais Ele não foi consultado. Acham que algo que simboliza sua presença, colocado no meio da luta vai trazer algum resultado benéfico. Guarde uma coisa: Deus não se deixa apequenar, não se deixa ser transformado num amuleto.

  • QUEM TRANSFORMA DEUS EM AMULETO É QUEM SÓ LEMBRA DELE NA HORA DO APERTO. ESSE É O SEU CASO?

Deus quer relacionamento e não acionamento. Ora um Deus que é só amuleto já não está na vida de uma família, de um povo há muito tempo.

FINALIZO dizendo:

  1. A) que TEMOR se ensina as crianças (Dt.6). E isso fazemos pelo exemplo de comportamento com nossa vida. Também fazemos ao ensinar as crianças a amarem as obras de Deus e as identificarem como sendo dEle. Por fim, o temor e a importância do Senhor é passada para outra geração pelas narrativas bíblicas, pelas histórias da Bíblia.
  2. B) Temor também se ensina pela convivência com a Igreja. A Igreja é um valor para Deus (Ef.5:25). Deveria ser para todos nós também. Se não for para você, dificilmente o será para seu filho.

Infelizmente há pais que não discernem a precariedade dos filhos (eles estão em formação). Alguns acham que já não precisam mais da Igreja. Esquecem-se de duas coisas: b1) primeiro que nesse caso a igreja pode muito precisar de alguém tão gabaritado como você; b2) segundo que as crianças não fazem o movimento de trás para frente, pois estão começando. Nesse sentido pai/mãe, você mesmo que não quer e não precisa mais ir à igreja: se não fosse ela lá atrás, você estaria onde está hoje?

C) por fim quero fazer um paralelo não mencionado no texto, mas inferido entre os capítulos 1-5 de Samuel. Esse texto não é só uma amostra de que Deus rompe com linhagens sacerdotais para restaurar a devoção confiando a liderança espiritual de um povo a um novo sacerdote, chamando alguém de fora, como foi o caso de Samuel. Ele é também um apontamento de uma grande verdade: a de que Ana desejava muito ter um filho e que talvez a mulher de Eli (omissa em todo texto) talvez não tivesse a mesma vontade, o que explicaria em parte a aberração na qual seus dois filhos se tornaram. Fica a lição: se não quer ter filhos, NÃO os tenha. Se não quer dar tempo (ainda que pouco devido a rotina de trabalho) à prole, se quer viver como se eles não existissem, não os tenha. Caso contrário correrão sério risco de se tornarem filhos de Belial também.

 

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