Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 3, 2016

O AMOR NÃO É PROPRIEDADE

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 11:04 am

Certas coisas não podem dar certo. Um psicólogo que não gosta de pessoas, muito menos tem paciência para ouvi-las dificilmente fará uma boa clínica. Um jovem que deseja ser cirurgião mas que desmaia toda vez que vê sangue, dificilmente conseguirá ser um bom cirurgião. Um administrador que não consiga organizar e planejar as coisas, do mesmo jeito tem tudo para dar errado na Administração.

Assim também o é com quem não sabe amar, nem experimentou o amor. Uma pessoa assim ao falar sobre o amor acaba se traindo nas palavras e dizendo exatamente o que não é o amor. Ao restringi-lo, classificá-lo, enquadrá-lo o amor deixa de ser amor, mesmo que numa abordagem conceitual.

O amor não é uma propriedade religiosa ou mesmo confessional. Nem tampouco restrito a uma relação, algo como se só aquele namoro ou casamento detivesse o que é o amor, como se só aquelas partes pudessem falar do amor. Não! O amor não está sujeito ao domínio de qualquer coisa ou pessoa. Se numa relação, num discurso, num ritual religioso (ainda que num culto) o domínio entrar por uma porta, o amor sai pela outra. Amor e poder só coadunam e coabitam quando é o poder para o outro, quando é doação, quando o poder se deixa diluir pelo Amor.

Por isso que amor não é propriedade religiosa. Dizer que uma pessoa só pode ver o amor pela perspectiva de um grupo religioso ou mesmo pelo viés de um texto sagrado (ainda que seja a Bíblia), é deformar o amor. Possivelmente quem assim o faz tenha também algum tipo de deformação. Mas não se pode reduzi-lo a um texto, ainda que considerado sagrado, mesmo considerando que a Bíblia tenha o maior registro de amor, que é o de Deus por nós revelado na vida e obra de Jesus Cristo. Até mesmo porque a própria Bíblia mostra que o amor faz parte da natureza divina e que é um dos valores do Reino de Deus. Em assim sendo, o amor é “inaprisionável”.

O amor não é propriedade. Nem pode ser. Quem assim o faz o deturpa. Quem assim o compra acaba compreendendo algo que não é o amor. Isso porque o amor não se sujeita a ser um mero objeto, algo que na relação de conhecimento está ali, sobre a mesa para simplesmente ser depurado, dissecado. O amor antes estaria mais para uma Supernova, para algo que por mais que olhemos, entendamos, há sempre uma faceta, um lado que ainda não observamos. Ele é maior que nossa observação, que nossa capacidade de apreensão. Por isso, volto a dizer, ele não pode ser propriedade de uma confissão, de um texto ou de uma relação.

Ao dizer que amamos identificamos algo que, mesmo sem entender, experimentamos, sentimos. Contudo não sabemos quando ou mesmo porque ele começou. Sabemos, isso sim, que está lá. E pronto. Misterioso porém doce; Denso, porém leve; Profundo mas que nos faz flutuar; vida que nos faz gostar de viver. Não sendo o amor propriedade, deve ele ser prioridade.

Pr.Sergio Dusilek

Sdusilek@gmail.com

1 Comentário »

  1. Amei o texto! Amo e continuo livre, pois amor me liberta! Parabéns Sérgio Dusilek pelo lindo texto!

    Comentário por Esther Mabel — fevereiro 10, 2016 @ 10:20 am | Responder


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