Novos Caminhos, Velhos Trilhos

fevereiro 2, 2016

Você é realmente livre?

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:08 pm

O que é a liberdade? Somos de fatos livres? Estas perguntas normalmente são respondidas pelo senso comum. Nesse sentido, liberdade é tida como o direito de se fazer o que quiser e costuma-se encarar, por exemplo como um país livre. Nada tão fora do prumo quanto o senso comum (o mesmo que diz que a voz do povo é a voz de Deus). De trás para frente: não, o Brasil não foi um país livre e agora com a globalização me parece que não há mais essa categoria de nação livre. Nem tampouco você pode fazer o que quiser. Mesmo a liberdade sendo tida como um direito inalienável do indivíduo (LOCKE), ela é vivida sob uma tensão, que no caso de um Estado Democrático de Direito pode ser vista pelas suas leis. Daí o Contrato Social, que é menos mal do que “o homem como lobo do próprio homem” de Thomas Hobbes em “O Leviatã”.

Essa dificuldade também se mostra no campo da experiência religiosa, na relação com Deus. O mesmo Paulo que diz que fomos tirados de uma escravidão e que no Evangelho não há escravidão (Gl.3:28), da morte até (Ef.2:1-4) é o mesmo que se qualifica como escravo de Cristo (Fil.1:1; I Cor.9:27), de um escravo de um ideal maior (I Cor.9:19). Soma-se a isso a dificuldade histórica com a introdução de um moralismo no meio cristão que distorceu a liberdade cristã, tanto na sua observância quanto na discordância. O que seria então a liberdade, e a liberdade cristã?
1) A Liberdade é decorrente da conversão (Gal.5:1a e 13a)
Fomos chamados à liberdade. Isso implica:
a) numa não sujeição as artimanhas religiosas: oferecimento de cursos de jejum (dukan de Jesus), de dom de línguas (“Yázigi espiritual”), regras de vestimenta. No caso de Paulo a luta era com os judaizantes que queriam impor regras para agradar a Deus. Não se torne escravos de homens ou mulheres que tentam agregar elementos a fé (normalmente com interesse pecuniário) mas que nada tem a ver com o Evangelho.
b) que podemos dizer “não” ao pecado. Uma pessoa moralmente boa pode dizer não ao pecado, à sua fraqueza (concupiscência) que leva ao pecado de estimação? Não. O crente pode dizer não? Em tese sim, porque nele está o Espírito. Mas ele nem sempre conseguirá (Rom.7). Eu arriscaria dizer que na maioria das vezes não conseguirá. Contudo nele reside a possibilidade e mais, a tensão, o conflito para que não erre na escolha.
2) A Liberdade cristã traz apego ao Espirito e não à carne. (Gl.5:13)
Deus não nos libertou para que tornemos a nos escravizar. E a escravidão espiritual é quando colocamos o que Deus nos deu abaixo do que queremos fazer. A liberdade cristã é um convite a ver a vida pelo prisma daquilo que nos outorgou sentido. É por isso que mesmo todas as coisas sendo lícitas, nem todas convém (I Cor.10:23). Há associações (quando nos juntamos a algo) e ações que não nos edificarão.
3) A Liberdade cristã traz um convite a responsabilidade.
Fomos libertos para que afinal? Para testemunhar dessa liberdade. Mas como damos testemunho dessa liberdade, é fazendo o que todo mundo faz? Não. Por vezes o maior atestado de liberdade vai ser sinalizar uma direção contrária a todos.
Temos uma responsabilidade com aqueles que não são crentes (ainda). Temos uma responsabilidade com aqueles que são novos crentes (Rm.14). Há coisas que posso fazer pois a Bíblia não condena. Mas ao trair a consciência de um “pequenino da fé” naquele momento eu me torno condenável, pois amei mais a mim mesmo do que ao meu próximo.
Ao vivermos a nossa liberdade lembremos que ela é instrumento de auferimento da santificação. Sim, a santidade só se torna possível e plausível por causa da liberdade. É quando Jesus se torna maior em nós que usamos da nossa liberdade para andar no Espírito (Gl.5:25; Rm.8:5, 8,11). E sem o uso da liberdade para agradar a Deus (Rm.8:8; I Tess.4:1), e com isso produzir o SIM de Deus e para Deus em nós (que é a santidade), o que nos sobra do religioso é a comunhão. Porém, DEFINITIVAMENTE, não estamos aqui só para isso. Sendo assim, lhe convido:
a) a parar de chamar de normal o que não é normal;
b) a parar de querer ser o relações públicas do divino, dizendo que tudo tá certo. O correto não precisa de acomodação. Ele se acomoda por si, com o seu próprio peso.
c) a parar de dar ocasião a carne e a viver no Espírito. O Caminho do Espírito é vida e paz.
d) a jamais optar por algo que não seja pela fé, pois tudo que “não provém da fé, é pecado” (Rm.14;23b).
Use o carnaval para descansar, para dar testemunho, para ter comunhão com sua família. Mas não use esse período para dar lugar à carne (aos valores do mundo, ao pecado).

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