Novos Caminhos, Velhos Trilhos

maio 26, 2015

IGREJA E VOLUNTARIADO

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:12 pm

Igreja e Voluntariado.
Num tempo de crescente profissionalização, muitos líderes se ressentem de não poderem contar com os voluntários que ao que tudo indica, antes existiam nas igrejas. Penso que essa dificuldade hodierna se dá por alguns fatores, os quais passo a enumerá-los numa lista não esgotável em si mesma:
a) além da profissionalização, o perfil de parte das igrejas batistas (para ficar num exemplo) mudou. Sua membresia ascendeu socialmente, muito talvez fruto do próprio evangelho que fez casais priorizarem a formação de seus filhos ao invés de gastar os parcos recursos em outras coisas (bar, mulher, jogo, etc). Esse perfil de membresia acostumou-se a pagar, até mesmo porque pode, pelos serviços. E tal visão foi transferida para a Igreja;
b) a ausência de abordagem nos púlpitos de ensino sobre dons espirituais e sobre o valor do serviço no Reino, o que normalmente vem acompanhado de falta de sincera busca do Senhor;
c) a importação de modelos americanos de gestão eclesiástica, país no qual a cultura de se pagar para se ter as coisas é uma realidade. É interessante que líderes importam o modelo até mesmo nas suas expressões vestuais e não querem “pagar a conta” pelo modelo escolhido… ora, o pacote da parafernália eclesiástica, ainda mais de um país que preza pelos modelos organizacionais é completo;
d) a ausência de inspiração dos líderes, em especial de pastores. Há alguns que servem ao Senhor sem alegria, e sem ela não há contágio voluntário. Você pode ser até sisudo, mas exale prazer, alegria no ministério que exerce;
e) a inabilidade de líderes que “surram” suas ovelhas quando elas estão em pleno serviço a Deus. Só para ilustrar ouvi certa vez de um pastor que desfez das senhoras da igreja reunidas como MCA. Ora, você pode até não gostar desse tipo de reunião, mas desfazer da mesma? Depois as pessoas não querem mais ajudar e o líder ainda pergunta como conseguir que elas se envolvam…
f) a importação do modelo IURDiano de sucesso pastoral, baseado nos números, tanto de membros como de receita, e na ostentação dos benefícios pastorais. Ora, quando um membro de igreja percebe que seu pastor não está tendo um sustento digno ou mesmo qualificado no âmbito do merecimento, mas sim que ele está usando o ministério para “se dar bem”, é inevitável que alguns se sintam como que “usados” no voluntariado. Tal sentimento de abuso moral/espiritual tem feito com que grandes valores voltem para dentro da terra, ao invés de serem multiplicados sobre ela (parábola dos talentos);
g) a falta de exemplo dos líderes. Há líderes que mentem, e ao fazerem isso perdem uma das molas propulsoras da voluntariedade que é o respeito e a fidedignidade daquilo que fazem. Veja só essa expressão que Dostoievski escreveu nos Irmãos Karamazov: “Aquele que mente a si mesmo e escuta sua própria mentira chega ao ponto de não mais distinguir a verdade, nem em si, nem em torno de si; perde, portanto, o respeito de si e dos outros.”
Seria bom se houvesse uma nova efervescência do mais puro significado de Col.3:23; Hebreus 6:10; I Cor.15:57-58 entre tantos outros textos da Bíblia que apontam para o voluntariado.
Que Deus nos abençoe!
Pr.Sérgio Dusilek
[sdusilek@gmail.com]

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