Novos Caminhos, Velhos Trilhos

maio 18, 2015

“INAMALDIÇOÁVEIS”

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:41 pm

Uma erva daninha cresce no meio dos evangélicos, mas que nada tem do Evangelho. Trata-se do praguejamento, do amaldiçoar o outro. Num tempo de crescente violência na espiritualidade, como bem asseverou o Pr.Grellert, é de se esperar que tais coisas aconteçam. Vai do crente comum (terminologia horrível essa, confesso), aos líderes de grupos, de departamentos, de ministérios, de células, passando por pastores, bispos e preferencialmente os “apóstolos” contemporâneos.

Na origem desse recrudescimento estão alguns fatores. Primeiro a própria aproximação dos chamados evangélicos com o judaísmo e com a territorialidade nele existente. Tudo se torna conquista, avanço. Escoram-se em alguns Salmos (ex.137:9), mas não no Espírito dos Salmos. Por isso suas palavras mortificam ao invés de vivificar. Na verdade quase tudo nesse tipo de pensamento é preocupante: porque o movimento é para fora, numa sacralização do mundo, e não para dentro. Dessa maneira, cada vez mais bandeiras (símbolo da territorialidade) são erguidas, menos transformação acontece. A coisa é tão gritante que se antes tínhamos gente que não conhecia a profundidade do evangelho pois não o conseguia viver, hoje nem o conteúdo, a teoria, conhecem. Daí amaldiçoar os outros, sejam em palavras, seja em atitudes. Sim, porque nem toda maldição é escancarada; há o tipo que a propaga na sutileza como achar que algo só dá certo porque determinado líder está “por detrás” daquele grupo… uma espécie de maldição com 50 tons do mais puro narcisismo. Há aquelas que escoradas em interpretações mal intencionadas do texto bíblico, como as que afirmam que o joio são as pessoas que deixam “aquela” comunidade local… A questão não é se “pega ou não pega”, mas sim que é desgastante passar por isso.

Um segundo fator é a composição da espiritualidade do brasileiro, povo miscigenado não só nas raças, mas também nas tradições religiosas. Para esse povo que somos nós é normal aceitar que numa religião possa se invocar o mal e o bem, o “trabalho” para ajudar e o para prejudicar. Faz parte do nosso ethos cultural-religioso. Em assim sendo, as pessoas convertem a Jesus, e ao invés de serem convidadas a aprofundarem sua experiência com Deus, são mantidas na superficialidade. Talvez porque a superficialidade produza consciências fragilizadas, impressionadas e manipuladas, ao passo que a profundidade gera avaliação, crítica. Uma vez sendo rasos na fé, misturam as estações das tradições religiosas que compõem o Areópago (At.17) brasileiro, e permanecem desconhecendo que Cristo na Cruz do Calvário se fez maldição por todos nós, de uma vez por todas (Gl.3:13-14). E mais: não são instruídas que no Evangelho somos chamados a bendizer e não a maldizer.

O terceiro fator é a falta de amor. Suspeito que o crescimento de igrejas e denominações esteja mais ligado ao sentimento de dominação do que ao amor. Não é “paixão” pelos perdidos… é a perdição dos apaixonados mesmo. A feição empresarial de muitas igrejas faz com que se veja o mundo ao redor como concorrente, num “mercado” competitivo. Definitivamente competição e concorrência não são vocativos da conciliação, mas sim da disputa e da dissensão. Ora onde há amor há benfazejo. E em comunidades de fé que vivem o amor a tônica é o compartilhar e não o binômio ter/reter. Mas na construção de um sistema político-religioso (que na minha avaliação é muito mais perverso que o político-partidário) o que se estabelece não são os laços da ternura, da compaixão, do amor; e sim os traços de seita. Por isso que quando um sai desse sistema (lembra do divergente?) ele é amaldiçoado ou visto como alguém que caminha para a maldição ou ainda para um lugar maldito, ainda que esse lugar (por exemplo) seja uma outra comunidade da mesma fé e ordem. Esse pensamento é o de qualquer seita no mundo. O que essa idéia faz no meio da Igreja de Deus?

Por fim destaco que você sendo de Jesus, é parte do povo de Deus, o que o (a) torna inamaldiçoável (Nm.22:12, 23:8, 24:9). Aliás, o amaldiçoar é qualidade do injusto e não do justo (Rm.3:9-18). Cristo pagou um alto preço por cada um de nós (I Cor.6:17,22), para que nEle recebêssemos toda sorte de bênçãos espirituais (Ef.1:3)! Você é abençoado por Deus pois a maior benção do céu repousa no seu coração. Não se deixe aprisionar por essas “sutilezas”.

Por isso, desejo que voce tenha uma semana abençoada!

Pr.Sérgio Dusilek
sdusilek@gmail.com

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