Novos Caminhos, Velhos Trilhos

outubro 22, 2014

Planeta Água

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 3:32 pm

Uma das músicas mais vívidas de Guilherme Arantes (quem tem mais de 40 lembra dele) tinha por tema “Terra, Planeta Água”. Uma preciosidade, uma ode a esse componente vital para a vida. Para nós brasileiros ela representava de maneira simples a nossa mais pura realidade, afinal nosso país sempre foi conhecido e reconhecido pela sua potência hídrica. Dubai pode ter opções luxuosas e modernas, mas água boa, pura e farta temos (ou tínhamos?) aqui. E justamente isso é que tanto preocupa. Essa semana noticiou-se que a SABESP (por exemplo) já cogita em extrair água do lodo do volume morto… pode isso Silvio???

Eu mesmo fiquei chocado semana passada. Ao voltar das aulas do Mestrado saindo de Juiz de Fora em direção ao Rio de Janeiro, vi algo que nunca tinha visto antes nesse trajeto. E olha que o faço há mais de 30 anos, sendo nesses dois últimos de modo mais regular. O que vi foi uma terra seca, cheirando aridez e com aquela névoa de fumaça no ar, focos de incendio na região de Itaipava… assustador.

Mais do que culpar um governo ou um partido, a seca tem uma ligação primeira com a violência humana. Joelmir Betting já dizia que nossos erros Deus perdoa, mas a natureza se vinga. É nesse sentido que Leonardo Boff fala da visão que temos do “fim de um tipo de mundo”. Esse mundo da natural que tudo sempre proveu para nosso uso está em declínio. O mesmo Boff destaca que “o cuidado somente surge quando a existência” daquilo que nos importa encontra-se ameaçada. Nós não prevenimos o foco do incêndio, nós tentamos apagar o fogo. Em outras palavras podemos afirmar que nossa postura é reativa e não proativa, especialmente quando se fala em sustentabilidade.

O segundo aspecto dessa seca tem ligação com o espiritual. Água é usada na Bíblia como símbolo da benção do Senhor. Para quem vivia numa terra árida, a chuva sempre foi vista com uma benção celestial. Juízo então estava ligado a terra seca… não foi assim com a oração de Elias (I Reis 17)? Jesus mesmo ao falar da rica e inesgotável vida que Deus nos dá, usou a figura dos “veios de água”, das águas que brotam do coração (João 4)… Água era sinal da aprovação de Deus sobre seu povo. Era sinal da vida dEle fluindo pelos recantos da terra em que seu povo pisava.

Estaríamos debaixo de juízo divino? Sinceramente não sei… pode ser que sim, pode ser que não. Mas caso estejamos não é por culpa da corrupção do PT, nem da incompetência do PSDB. Juízo de Deus está ligado especialmente ao Seu Povo. Lembra de Paulo quando convoca a Igreja de Corinto ao juízo, falando que deveríamos julgar primeiro os de dentro (I Coríntios 5)? E aqui mais do que pensar no “irmão vacilão” é voltar o olhar para dentro de nós. Aliás essa é uma das poucas vezes que o Evangelho estimula o olhar para dentro… Caberia a nós, a cada um de nós, promover uma sincera e rendida auto-avaliação, que produzisse confissão e arrependimento para que Deus abra os céus sobre nossa terra. Não é o cacique cobra-coral que manda no tempo, nem sua pajelança que faz chover. Quem tem o controle dos céus é o Senhor Deus. Ele pode trazer uma doce chuva para a terra. Ele pode trazer uma esplêndida chuva de bênçãos sobre cada um de nós. Oremos então a Deus. E concomitante a isso tornemo-nos, ainda que tardiamente, preocupados com a ecologia, com a vida e sobrevivência do nosso planeta. Boff bem lembrou que “a casa humana não é mais o estado-nação, mas a Terra como pátria/mátria comum da humanidade.” Porque sem água, definitivamente não dá.

Pr.Sergio Dusilek
sdusilek@gmail.com

[BOFF, Leonardo. Saber Cuidar. Petrópolis: Vozes. p.17,91 e 27 (na ordem do seu aparecimento)]

1 Comentário »

  1. “Mais do que culpar um governo ou um partido, a seca tem uma ligação primeira com a violência humana. Joelmir Betting já dizia que nossos erros Deus perdoa, mas a natureza se vinga. É nesse sentido que Leonardo Boff fala da visão que temos do “fim de um tipo de mundo”. Esse mundo da natural que tudo sempre proveu para nosso uso está em declínio. O mesmo Boff destaca que “o cuidado somente surge quando a existência” daquilo que nos importa encontra-se ameaçada. Nós não prevenimos o foco do incêndio, nós tentamos apagar o fogo. Em outras palavras podemos afirmar que nossa postura é reativa e não proativa, especialmente quando se fala em sustentabilidade.”
    Como é bom encontrar textos que nos tiram do “foco deformado” e nos remete à reflexão sobre a contribuição individual para a qualificação do mundo em que vivemos!
    Parabéns!

    Comentário por RICARDO FERRAZ — outubro 22, 2014 @ 6:21 pm | Responder


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