Novos Caminhos, Velhos Trilhos

abril 4, 2014

A Poesia… sempre ela…

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 2:10 pm

Ontem na TV ouvi uma profética poesia ser recitada pelo apresentador Salomão Schwartzman, da Band News. Como a poesia consegue dizer o indizível! De fato, é a arte na escrita. 
Hoje sai a campo para poder compartilhá-la.

A Implosão da Mentira
(ou o episódio do Riocentro)

Mentiram-me. Mentiram-me ontem 
e hoje mentem novamente. Mentem 
de corpo e alma, completamente. 
E mentem de maneira tão pungente 
que acho que mentem sinceramente.

Mentem, sobretudo, impune/mente. 
Não mentem tristes. Alegremente 
mentem. Mentem tão nacional/mente 
que acham que mentindo história afora 
vão enganar a morte eterna/mente.

Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases 
falam. E desfilam de tal modo nuas 
que mesmo um cego pode ver 
a verdade em trapos pelas ruas.

Sei que a verdade é difícil 
e para alguns é cara e escura. 
Mas não se chega à verdade 
pela mentira, nem à democracia 
pela ditadura.

Evidente/mente a crer 
nos que me mentem 
uma flor nasceu em Hiroshima 
e em Auschwitz havia um circo 
permanente.

Mentem. Mentem caricatural- 
mente. 
Mentem como a careca 
mente ao pente, 
mentem como a dentadura 
mente ao dente, 
mentem como a carroça 
à besta em frente, 
mentem como a doença 
ao doente, 
mentem clara/mente 
como o espelho transparente. 
Mentem deslavadamente, 
como nenhuma lavadeira mente 
ao ver a nódoa sobre o linho.Mentem 
com a cara limpa e nas mãos 
o sangue quente.Mentem 
ardente/mente como um doente 
em seus instantes de febre.Mentem 
fabulosa/mente como o caçador que quer passar 
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras 
a caça é que caça o caçador 
com a armadilha.

E assim cada qual 
mente industrial? mente, 
mente partidária? mente, 
mente incivil? mente, 
mente tropical?mente, 
mente incontinente?mente, 
mente hereditária?mente, 
mente, mente, mente. 
E de tanto mentir tão brava/mente 
constroem um país 
de mentira 
-diária/mente.

[Afonso Romano Sant’anna]

3 Comentários »

  1. E se não bastasse de profecia e poesia, vemos mentiras que não mais “arrupia” mesmo dentro da capela ou da abadia;
    Vivemos sorrisos falsos e idiossincrasias que ainda carregamos ao lado da cruz vazia.
    Deixando de chamar Cristo de Senhor e o considerandos um mordomo ou mesmo uma tia.
    E quando confrontados sem rubor no rosto ou mesmo taquicardia,
    Não assumimos a mentira proferida e simplesmente dizemos: Isso é pura afasia.

    Comentário por Gustavo de Paula — abril 5, 2014 @ 1:07 pm | Responder

    • meu querido! nao sabia que tinha se tornado esse grande trovador! nota 1000 pra vc. abracao.

      Comentário por sdusilek — abril 5, 2014 @ 7:15 pm | Responder

    • meu querido! que grande trovador voce se tornou! nota 1000 pra vc. abracao.

      Comentário por sdusilek — abril 5, 2014 @ 7:33 pm | Responder


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