Novos Caminhos, Velhos Trilhos

junho 5, 2012

O que fazer quando não se há nada para fazer

Filed under: Sem categoria — sdusilek @ 4:09 pm

Poucas coisas são tão difíceis quanto a contemplação da limitação. Ora ela vem por um elevado estágio de autoconhecimento que faz com que compreendamos até onde vai nosso potencial; ora essa limitação vem do ambiente onde estamos inseridos. Se você já foi assaltado (rendido como eu) sabe quão frustrante é o sentimento de humilhação e limitação que se vivencia a partir de um contexto (o do roubo). Há culturas organizacionais, valores (?) comunitários que tolhem nossa capacidade. Resultado disso: frustração, questionamento da vocação, perplexidade, revolta e em alguns casos, renúncia.

 Os idealistas são os que mais sofrem com isso. Tantos planos e sonhos… mas as coisas não acontecem. A resistência é brutal, principalmente em organizações de cultura familiar ou de ausência de identificação do dono (exemplo clássico desse caso são as de cunho religioso). Por vezes não sobra outra alternativa senão a auto-violência ou a saída “do barco”. Não poucas vezes culpa e perplexidade invadem o coração de quem assim se percebe. Contudo, sinceramente falando, isso deveria ser a última coisa a permear o coração de um idealista.

Para você que vive essa tensão que dilacera a alma trago à baila um certo dia em que Jesus lançou um lamento sobre três cidades que não mudavam por nada (Mt.11:20-24). Tantos milagres, tantas palavras majestosas proferidas pelo Mestre, mas não houve arrependimento. Não houve mudança. Parece que há situações, culturas, ambientes tão enclausurados sobre si mesmos que nem Deus dá jeito… Uma tristeza! De certa forma isso traz algum consolo para nós: nem tudo que precisa de reparo vai ser consertado. Foi assim com Jesus, será assim conosco.

Sendo assim cabe-nos, das alternativas, a menos pior (por vezes a vida nos coloca entre o ruim e o pior…):

A)     Não fazer nada. Literalmente cumprir tabela/horário/papéis e ir embora. Só registro que é assim que se produzem os mentecaptos.

B)      Aceitar o convite do pragmatismo e acomodar nossos valores por baixo. Convencer-se de que a vida é assim mesmo e abrir mão de ideais. Lembro tão somente que esse ato de abrir mão de ideais se traduz numa morte lenta;

C)    Fazer a oração da serenidade “Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras”. E viver, ou aprender a conviver com essa realidade bem diferente do que era para ser. Nesse caso não se aceita, não se rebaixa os valores, mas aprende-se a “engolir os Zagalos”;

D)    Lamentar a realidade existente e procurar centrar forças num microcosmo que seja alvo de sua influência. Mesmo tendo a visão macro é se contentar com alterações no microcosmo;

E)      Manter a identidade, os ideais e pular fora desse contexto contrário. Nenhum ideal, nenhuma organização vale a nossa saúde. Se você não consegue evitar esse nível de afetação o caminho é a porta. Saia com vida porque somente com ela é possível passar por outras portas.

Que Deus lhe dê sabedoria e discernimento para as escolhas que precisam ser feitas. Sempre lembrando, como bem assinalou Irvin Yalom, que toda decisão envolve uma morte, uma renúncia. Que suas decisões, além da morte intrínseca ao processo da escolha tragam cada vez mais vida para você. Essa é a minha oração.

Com Carinho,

Pr.Sergio Dusilek

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