Novos Caminhos, Velhos Trilhos

janeiro 29, 2012

ACERTO DE CONTAS – LUCAS 12:35-48

Filed under: Estudos,Teologia — sdusilek @ 11:59 pm

Quando o Mundo vai acabar? Ninguém que aqui anda sabe. O que sabemos é que quando uma data é estipulada, nesse dia o mundo não acabará. Aliás uma das marcas do fim dos tempos é a presença de falsos (e não de verdadeiros) profetas, os quais tentam prever a hora e a localização do fim (Mt.24:23-28). Pode acabar um dia antes, um dia depois; um ano antes ou um ano depois; um século, um milênio antes ou depois. Mas nesse dia apregoado com certeza não acabará, porque esse dia não é conhecido por homens, mas por Deus (Mc.13:32; At.1:6-7). Esse papo de que o calendário Maia acaba em 21 de dezembro de 2012 nada tem haver com o fim dos tempos. Talvez um espanhol tenha matado o responsável pela a agenda, ou mesmo ele tenha se enfadado de fazê-la.

Interessante é que para fazer a ponte da parábola do servo vigilante, Jesus afirma que uma pessoa preocupada demais com a vida que vai levar aqui nesse mundo dificilmente vai pensar na eternidade (v.33-34). E quando não nos lembramos da eternidade, dificilmente acatamos a recomendação do profeta Amós (Am.4:12). O Mestre queria reforçar que a vida é muito mais do que ter as coisas (v.23). E somente com uma visão na eternidade é que apreendemos esse conceito. Ele não queria nenhum afixionado no tema, porque isso não produz resultado. Jesus queria somente que nós estivéssemos prontos para esse acerto de contas. E para tanto ele conjuga 3 parábolas com o mesmo “fio da meada”, com o mesmo fio condutor: a parábola do servo vigilante (v.36-38); a parábola do pai de família e do ladrão (v.39-41); e ainda a parábola do mordomo infiel (v.42-48). Sendo assim, vamos aos principais ensinamentos dessa parábola.

1) O acerto de contas se dará numa hora não marcada. Quem sabe a hora de sua morte, hora essa em que se dará um acerto de contas com o Senhor? Quem sabe a hora da “morte do mundo”? Absolutamente ninguém. Interessante que Cristo reforça esse ensino na parábola entre os versos 36-37. Em que dia o senhor voltará do casamento? E em qual hora? A ausência da resposta traz a responsabilidade da prontidão de cada servo daquele senhor. A questão é que muitos por não saberem a hora e muitos por acharem que essa hora está demorando demais para acontecer acabam relaxando. Sabem como o Senhor quer encontrar as coisas, conhecem a vontade dEle, porém postergam o cumprimento desse querer. Ao invés da prontidão vivem a procrastinação, achando que no último instante dá para resolver todas as coisas, limpar todos os ambientes daquela casa. Para os relaxados, os descansados, o acerto de contas vai resultar em vergonha.

 Outro grupo que vai se envergonhar diante do Senhor é o dos embaraçados. A parábola fala em encontrar os servos cingidos, isto é, tendo o cinto preso na cintura, junto aos lombos. Esse detalhe da vestimenta oriental é de suma importância para o que Jesus quer dizer aqui. Toda túnica presa com cinto permitia a pessoa ter movimentos rápidos. Já uma túnica sem a amarra da cintura… era um convite ao tropeço, ao se enrolar com a própria roupa. E isso invariavelmente resultava em queda. Embaraçado então era a pessoa que estava sem cinto. O que Jesus quer dizer? Que a mobilidade e a leveza fazem parte do Reino de Deus. Que os tropeços (Mt.18) não devem ser encontrados no Reino. E toda vez que alguém se envolve demais com coisas dessa vida acaba tropeçando, se enrolando. Cria laços e cipós que o prende, quando na verdade o que Deus quer é que você crie laços no céu, onde as amarras nos libertam.

Cingido também era o que sempre estava pronto. Tal servo era extremamente vigilante. O Mestre quer dizer aqui que não é bom que para alguém ficar em estado de prontidão, receba uma ordem para tal. Seja dessa maneira você alguém que está pronto sem precisar ouvir qualquer clarinada. Aos que estão prontos tanto faz se Cristo voltará amanhã ou daqui há 15 anos, ou mesmo 3 milênios. Eles anseiam pela vinda gloriosa dEle (Ap.22:17,20) e já estão perfilados para quando isso acontecer seja Servos cingidos também reagem melhor as vicissitudes da vida. Quando sofre um baque ele enverga, contudo dificilmente quebra ou cai. Você está cingido? Pronto para a volta do Senhor?

2) Nesse acerto de contas importará mais o que você faz do que o que você deixou de fazer (v.39-40) Um dos grandes erros dos servos do Senhor é concentrar a postura na volta de Cristo, a um niilismo comportamental. Um bando de gente sem fazer nada de errado. Como se a contemplação do céu (At.1:10-11) fosse uma postura aprovada por Deus… pelo menos, na cabeça de muitos, não está se fazendo nada errado. É como se por um erro feito na pior hora do mundo (a volta de Jesus), uma pessoa pudesse perder a salvação. Nós não somos daqueles que crêem que a salvação é obra de Deus? E em assim sendo, que não podemos perdê-la? Como então um pecado poderia anular a Graça e a Cruz de Cristo? Há muitas pessoas que não vivem uma fé em Deus, mas um medo do retorno do Cristo. Para essas, a volta não será as bodas do Cordeiro, mas o dia do choro. Acabam tendo o comportamento certo (não a intenção – vide I Cor.4:1-5) ao viverem uma vida neurotizante, mais com medo do inferno do que com alegria de servir a Deus. Ao invés de procurarem agradar ao Senhor (I Tess.4:1) vivem tentando não desagradá-lo. O resultado no comportamento pode parecer o mesmo, mas a intenção e a forma como é alcançado é completamente diferente. Por isso, que tal pensar em ser achado fazendo algo certo? Mais pronto não é aquele que vive com medo de errar. Mais pronto é aquele que vive tentando acertar. Deus nos convida a agirmos e a deixarmos que Ele nos use até o fim. Interessante é que para reforçar esse contraste, Jesus usa a figura do ladrão. Ele não destaca o erro do ladrão, mas o fator surpresa que ele tem. E isso funciona como uma advertência para a prontidão em relação a 2ª vinda de Cristo (I Tess.5:2-4; II Pe.3:10; Ap.3:3; 16:15; Mt.24:38,39). Prontidão essa que precisa ser traduzida como serviço ao Mestre.

3) No acerto de contas, o peso está sobre quem muito é dado (V.48) Quanto Deus tem investido em você? O que você tem feito com aquilo que Ele tem lhe dado? Os servos costumeiramente erram quando, após conhecerem a vontade e o caráter do Senhor, não cumprem com sua parte (v.47). Alguns chegam a se apropriar daquilo que lhe foi confiado. E isso gera um sentimento de posse e de independência do Senhor. Sabe como isso se manifesta? Em lideranças tirânicas dentro de igrejas, por exemplo. Para você que maltrata os servos do Senhor e que acha que os conservos são seus, há um duro juízo esperando você (v.46). A palavra no grego para castigar é a palavra que indica a segunda pior forma de morte naquele tempo: ser cortado ao meio. Talvez como uma forma de mostrar na morte, no castigo, o tipo de vida dispare e paradoxal que esse servo tinha: ser do seu Senhor, mas se conduzindo segundo os parâmetros de outro senhorio. Sim, porque a tirania e o maltrato pertencem ao Diabo. Por vezes se manifesta também em gente que é dotada de enorme capacidade para o serviço, mas que se recusa a dedicar os talentos e dons que recebeu do Espírito na obra do Senhor. A você foi confiado o sustento dos conservos (v.42). E isso não pode ser adiado. O que você tem feito com tudo o que o Senhor tem lhe dado? Recursos, estudo… você tem retribuído a Deus? Muitos esquecem que o Senhor confiou uma tarefa de destaque que é a de ser mordomo (v.42). Mordomo no grego é oikonomos, aquele que faz as leis de uma casa ou que vela por essas leis. Alguém como um administrador ou mesmo a figura de uma governanta (hoje em desuso). Lembra de José na casa de Potifar ou mesmo no tempo que passou na prisão? Essa é a imagem que Deus quer passar sobre mordomia. Deus sempre está com os mordomos que se portam com lealdade e zelo. Como esteve com José no Egito, Ele estará contigo. Isso aumenta ainda mais o peso. Deus não só é o Senhor que nos confere capacidade (Fil.2:13), mas é aquele que nos acompanha o tempo todo no desempenhar de nossa mordomia. Tá sentindo um incômodo, um peso sobre os ombros? Seja então bem-vindo ao âmago da parábola do servo vigilante.

CONCLUSAO

O mundo não vai acabar em 21/12/2012. Mas pode acabar em 2010, 2350, 5180… Fato é que a prontidão e vigilância que são as tônicas do ensino de Jesus nessa parábola não são para o futuro. São para o presente. Prontidão que se propõe a ficar preparada daqui há um tempo não é prontidão. Vigilância que não leva a cingir os lombos tampouco é vigilância. Por isso ouse se envolver na obra do Senhor. Seja um bom mordomo, um bom despenseiro de tudo quanto Ele lhe deu. Que haja no seu coração uma oração constante dizendo “Deus, torna-me cada vez mais pronto para a volta do meu Senhor Jesus!”. E que no dia do acerto de contas, você então ouça do Senhor: bem-aventurado servo bom e fiel (v.43).

 

Pr.Sergio Dusilek

[Estudo publicado na revista Palavra e Vida, da Convenção Batista Fluminense, quarto trimestre de 2010]

Deixe um comentário »

Nenhum comentário ainda.

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: