Novos Caminhos, Velhos Trilhos

agosto 14, 2011

O Reino é Expansão – Lc.13:18-20

Filed under: Teologia — sdusilek @ 1:34 am

À infrutilidade de Israel Jesus vai comparar a capacidade de expansão e de produção que a mensagem do Reino tem por si só. Grão de mostarda e fermento sinalizam para pequenas coisas que têm o poder de fazerem toda a diferença. Pequenas coisas que têm um grande efeito multiplicador. Assim é com o Reino de Deus. Ele pode ter um início pequeno, desprezível, mas crescerá e ficará grande.

Digno de nota é a particularidade dada por Jesus a cada um dos elementos comparativos com o Reino e presentes nas parábolas. O grão da mostarda é provavelmente a sinapis nigra (mostarda negra) que vinha a ser a menor das sementes da mostarda. Já o fermento é colocada numa boa quantidade de farinha (3 medidas=36Kg), a qual produziria pão para cerca de 162 pessoas. Alimentar a fome do mundo é uma das vocações do Reino, seja na propagação do evangelho que anuncia que Jesus é o Pão da Vida (Jo.6) (o mesmo que nasceu em Belém = casa de pão), seja na propagação de valores como Justiça e Paz social que visam mudar a estrutura economico-social corrompida pelo pecado. E isso é expansão!

1)    Mexendo no vespeiro…

Uma das tônicas ministeriais que mais tomam o tempo de líderes eclesiásticos é a questão do crescimento. Saber quantos se converteram, quantos foram batizados, qual a taxa anual de crescimento de uma igreja; volume financeiro das entradas… tudo isso e algo mais se tornou assunto preferencial para muitos. Mas algumas questões surgem: pode o Reino de Deus crescer ou seria ele já definido? Será que é possível uma igreja, corretamente tida como uma agência do Reino, não crescer? E por fim: todo crescimento de uma igreja significa crescimento do Reino? Hummm, não falei que era um vespeiro?

Para começar, quero dizer a você que num certo sentido o Reino não pode nem crescer, nem diminuir. Lembre-se, antes de apedrejar o escritor, que o Reino de Deus é maior que a Igreja. O sentido em que isso se dá é o sentido supra-histórico. Dr.Ladd bem destaca isso ao observar a cena relatada no livro de Apocalipse da adoração ao Cordeiro (AP.4). Nessa cena, os apóstolos estavam lá (inclusive João que estava tendo a visão), Lutero, Calvino, Wesley, Billy Graham, você, eu, todos estávamos lá. Como isso foi possível? Pelo fato do céu estar fora da limitação tempo/espaço. Deus habita numa realidade atemporal, sem passado, presente e futuro (Ap.13:8). Por isso nessa realidade ulterior onde a vontade do Pai é realizada no seu todo, sem qualquer impedimento ou barreira (Mt.6:10), o Reino de Deus já é.

Contudo, para nós que aqui estamos ele é um Reino que “está sendo”. Nesse sentido, o Reino precisa crescer para dentro e para fora. Para dentro assim como o fermento com a massa, que mesmo sem ninguém ver, vai mudando os corações humanos pela influência de Cristo (mensagem central do Reino). Mesmo sendo “invisível”, conforme Deus vai trabalhando no coração, as pessoas à volta percebem o efeito.

Para fora porque o Reino não só está crescendo em nós, mas também ao redor de nós. A mostardeira é visível e acaba abrigando aves do céu, figura na Bíblia usada também para tipificar os povos da Terra (Dn.4:12,20-22; Ez.17:23;31:6).

É aqui, mais precisamente na figura do grão de mostarda que gera nosso maior problema. É possível uma igreja não crescer? A resposta é infelizmente sim. Isso não se dá só por conta de problemas de migração populacional, ou mesmo da ausência de uma veia evangelística no pastor (coitado… tudo é culpa dele!), entre outros fatores. Mas sendo o Reino expansão, uma igreja que não viva os valores e ideais do Reino está fadada a não crescer, ou a não ser biblicamente falando, uma igreja (vamos ver isso daqui há pouco). Igrejas que se identificam com uma tradição histórica acima do que diz a Palavra; igrejas cujos valores maiores não são os do Reino, mas sim os que foram construídos ao longo de sua trajetória; igrejas que não ousam mudar uma vez compreendido o que a Bíblia diz; igrejas que preferem o engessamento à mobilidade são igrejas fadadas a não crescer. E isso não é coisa de pastor. É coisa da igreja toda. Chega a ser cruel e até mais uma prova da ausência do Reino na vida de uma igreja, culpar o líder por uma deficiência que é de todo um povo.

Mas também é possível uma igreja crescer sem ter uma ligação com o Reino. Nem todo crescimento de igreja é crescimento do Reino. Se a vida das pessoas que ali congregam não são transformadas; se elas não experimentam do fermento de Deus crescendo a cada dia em seus corações e melhorando a sua forma de ser; se a igreja não exerce uma profícua influência na localidade onde está; se os valores do Reino (tais como verdade, amor, perdão, graça, sinceridade, honestidade, justiça) não são vividos pela sua liderança e pelo seu povo, lamento em lhe dizer: biblicamente falando o que está crescendo é uma espécie de clube (o número de sócios tá aumentando!), mas não uma Igreja. Uma igreja pode sim crescer muito inclusive contando com fenômenos migratórios da população, mas ter muito pouco haver com o Reino. Não foi isso que Jesus quis dizer em Mt.7:15-23?

Bom é quando o crescimento de uma igreja está tão alicerçado com os valores do Reino, que há uma expansão do domínio do Senhor no coração do Seu povo e também ao redor dele.

2)    O Modo da expansão do Reino

Será que há um modo, um padrão estabelecido para a expansão do Reino de Deus? De fato um processo metódico não há. Mas estas duas parábolas, objetos de nossa análise, trazem alguns princípios interessantes para nossa observação.

O primeiro refere-se ao anonimato. Um homem plantou o grão, uma mulher colocou o fermento. Jesus não atribuiu nem a judeu esses feitos. Isso quer dizer que pessoas podem encarnar valores do Reino e serem instrumentos de sua expansão mesmo não fazendo parte dele. Quando Bill Gates, que ao que tudo indica não é do Reino (não é crente), pega parte de sua fortuna e aplica em filantropia na África ele está encarnando um valor do Reino chamado Misericórdia. Quando ele convida outros a participarem ou mesmo influencia pessoas pelo exemplo a se engajarem, ele está contribuindo com a expansão do Reino. Isso é chocante para você? Para mim também é. Mas essa é a verdade da Palavra (Mc.9:38-41). O Reino cresce independentemente de nós.

Sem dúvida o melhor é quando a Igreja encarna esses valores e puxa a sociedade para uma ação coerente. A questão é que nosso pensamento hoje é muito mais de retaguarda do que de vanguarda, ao contrário da Igreja Primitiva em Atos. Fato é que os valores do Reino independem da igreja para serem vistos ou vividos. Mas sem dúvida alguma eles ganham sua melhor expressão quando o Corpo de Cristo os vive integralmente!

O segundo tem haver com o tempo. Nem tudo que acontece pelo Reino tem efeito imediato. A mostardeira demorou a crescer. O fermento demorou a levedar. Isso equivale a dizer que há um tempo de plantio, de iniciativas (Ec.11:1-6; Gl.6:7-9) e há um tempo de colheita, de expansão. A implantação do domínio do Senhor, dos valores do Reino na vida de uma pessoa, de uma comunidade de fé, de uma cidade, de um país pode demorar um pouco para acontecer. No entanto, há uma certeza de que isso ocorrerá.

O terceiro está conectado com a simplicidade. Assim como fermento e grão de mostarda eram coisas usuais e simples de se terem naquele tempo, assim é o Reino. Ser alvo da influência do Reino é para todos, dos mais simples aos mais “complexos”. A própria expansão do Reino se dá de forma simples. Você pode usar de instrumentos midiáticos para divulgar valores. Mas não é a mídia que vai fazer o Reino crescer. Quem dá o crescimento é Deus (I Cor.3:6b). Numa época em que não havia rádio, nem televisão, a Igreja foi chamada de cristã em Antioquia (At.11:26) e reconhecida na vida de Paulo e Silas como os caras que “transtornaram o mundo” (At.17:6). O que não dizer de Jesus Cristo que dividiu a História em duas, antes e depois? Fermento e mostarda… expansão do Reino.

CONCLUSAO

Sendo o Reino expansão, há duas questões que precisam perseguir você nesse momento:

a)      Quanto do Reino cresce em você? Você hoje é mais do Senhor do que era antes? Ou ainda há alguma área da sua vida que não Lhe pertence? Esse é o princípio do fermento… crescendo dentro de nós!

b)      Quanto do Reino cresce à sua volta? Nem todas as aves do céu, isto é, nem todas as etnias foram abrigadas na árvore do Reino (Mt.24:15). O que você tem feito sobre isso?

1 Comentário »

  1. Estava pensando sobre crescimento e encontrei no material desenvolvido pelo pessoal da DNI uma pergunta muito pertinente!

    Por que todos pensam somente em crescer?

    Jesus, colocando-se como a cabeça da igreja, disse que somos o corpo!

    Pensando em corpo devemos cuidar do crescimento, mas igualmente em educação, amadurecimento, preparo e formação específica e etc…

    Qual o homem que você conhece que nunca para de crescer?

    Comentário por Ricardo — agosto 17, 2011 @ 2:06 am | Responder


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