Novos Caminhos, Velhos Trilhos

dezembro 7, 2010

QUANDO A VIDA ROUBA O QUE TEMOS DE MELHOR

Filed under: Teologia — sdusilek @ 3:25 pm

(I Samuel 30; Lc.24:1-12; Joao 20)

 

O que fazer quando a vida rouba o que temos de melhor? Muitos tentam dar respostas bem intencionadas, mas simplistas a esse dilema. Uns acham que precisam esconder as emoções. Outros defendem a idéia de sublimá-las, beirando o ponto da negação. Pessoas há que propagam o desespero como resposta as tragédias da vida. Mas qual seria a orientação bíblica para um momento no qual a vida nos priva do melhor?

Há horas que a agenda de pregação de um pastor é mudada. Ia pregar domingo de manha sobre o Vau de Jaboque (Gen.32), mas diante da perda da Milena e também da dona Marly (mãe de uma irmã muito querida de nossa igreja), fui conduzido pelo Espírito a pregar algo que consolasse o coração de todos, inclusive o meu.

O que fazer então quando a vida rouba o que temos de melhor?

1)      Chorar até escangalhar (I Sm.30:4; Joao 11:35)
Interessante a forma como Davi lhe dava com seus sentimentos. Numa época inteiramente machista, num mundo bem mais rude que o nosso, com gente cuja profissão era ser guerreiro, Davi não tinha receio de abrir a boca a chorar. Ele não escondia suas emoções. Ele não as sublimava.

Assim aprendemos com Jesus. Ao ver o pranto de Maria e de seus amigos pela morte de Lázaro (João 11), Jesus se comoveu tanto que chorou (11:35). O Senhor dos céus e da terra chorou diante do sofrimento, da dor, da perda de um irmão.

Quando a vida rouba o que temos de melhor devemos chorar. Chorar até escangalhar. Chorar até não ter mais forças, nem lágrimas para tanto. Jamais reprima o choro na hora da dor.

2)      Troque a revolta pela submissão ao Pai

Numa hora em que a vida subtrai seu maior valor, não se revolte. Normalmente a revolta é filha da incompreensão. Ficamos sem entender o porquê. Mas quem disse que a vida é feita de “porquês”? Questionamos a Deus, quando alguém como a Mi, que possuía o otimismo da mãe e a força do seu pai, sendo uma pessoa boa como era não é curada. E por vezes esse questionamento atrapalha nossa comunhão com Ele porque queremos compreender o Senhor e seus desígnios.

Tenho aprendido que Deus não é para se compreender (Is.55:8-9; Rm.11:33-36) e sim para se amar. Confesso que se Deus fosse alvo de toda minha compreensão, passaria a achá-lo tão pequeno que provavelmente me desinteressaria por ele. Deus é muito maior do que podemos imaginar (Ef.3:20). E quando contemplamos a grandiosidade de Deus (Is.6:1), temos de nos curvar a Sua Soberania. Nessas horas precisamos professar a letra da música que diz:

“Eu creio em Ti, nos teus Milagres;
Eu creio em ti Deus de amor, Na tua provisão;
Nunca faltou, nem faltará; Nunca deixou de abençoar;”

Por isso, conquanto seja pertinente o questionamento, ele não pode se transformar em revolta. Isso porque a revolta impede a chegada do pleno CONSOLO do Espírito, uma vez que ela fecha o coração para receber o bálsamo, a provisão que precisamos do Alto dos Céus.

Na hora em que a vida rouba o que temos de melhor creia na fidelidade de Deus. Se curve ante a sua Soberania. E receba sua doce PAZ como Consolo num momento como esse.

3)      Devemos RECICLAR o entulho (II Cronicas 16)

Numa época de reino dividido, Baasa rei Israel, ímpio como era, resolveu impedir a imigração do seu povo para Judá, onde reinava, até aquele momento, o justo Asa. O que ele faz então? Ajunta pedras, madeiras e amarras para construir um muro em Ramá, cidade fronteiriça. Os planos mudaram (vejam o texto) e aquele entulho ficou lá, largado. Não é assim que acontece conosco? Gente que despeja entulho perto de nós e que não pedimos para recebê-lo?

Pois Asa dá uma lição de sabedoria e modernidade. Ele pega aquele entulho e usa para a construção e edificação de algo bom, abençoador. Aí está a sabedoria: pegar o que é ruim e transformar em algo bom; pegar algo imprestável e tratá-lo para servir a outros num processo abençoador.

No instante em que a vida rouba o que temos de melhor, cabe a nós reciclar o entulho deixado pela perda. A Milena era um exemplo de pessoa que reciclava. Mesmo com o diagnóstico de sua enfermidade, ela procurava olhar para o cuidado de Deus em meio a toda essa travessia turbulenta. Por isso ela não murmurava. Antes, sorria. Milena reciclou sua debilidade em força; sua ansiedade em confiança; seu questionamento em gratidão; seu prognóstico em esperança.

Deixe Deus transformar sua dor em testemunho de Consolo; sua perda em certeza da presença do Espírito; seu questionamento em submissão a Sua vontade; sua incredulidade em fé; sua falta de norte, de rumo, num futuro totalmente guiado por Deus.

4)      Devemos responder a vida com o que temos de melhor;

Cada um dá o que tem. Se a vida rouba de nós o que temos de melhor, podemos dar a ela não o que temos de pior, mas sim o nosso melhor. E o nosso melhor é a nossa esperança. Com Cristo há sempre uma boa expectativa sobre o futuro. Com Cristo não estamos fadados a um aprisionamento pelo passado, por mais lindo, significativo e marcante que tenha sido. Com Jesus podemos olhar pra frente. Se a vida nos rouba o melhor, se a vida nos encurva (Lc.13) tirando de nós a visão e perspectiva de futuro, Jesus nos endireita fazendo-nos ver novamente o horizonte e pela fé ter a capacidade para enxergar além da visão (horizonalidade).

5)      Podemos aprofundar nosso relacionamento com Jesus (I.Sm.30:6)

Qual foi o diferencial de Jó, quando recebeu notícias trágicas e em cascata? Ele permaneceu firme com Deus. E isso manteve sua sanidade. Qual foi o diferencial de Davi quando soube que a vida (amalequitas) havia roubado o que ele tinha de melhor? Ele se agarrou em Deus.

A palavra normalmente traduzida como “fortaleceu” tem no hebraico sua força como “agarrar”. Davi, mesmo doído, mesmo sem entender, mesmo magoado por aquela perda, se agarrou no Senhor. E isso fez toda a diferença, pois a partir dali ele recebeu Consolo e restituição (não de tudo, mas daquilo que era possível ser restituído).

Tenho aprendido que não há intimidade com Cristo sem custo, assim como não há óleo sem prensa. Quando a vida roubar o que você tem de melhor, mergulhe para um nível mais profundo de intimidade com o Senhor. Se agarre nEle!
 
Termino lembrando os relatos da ressurreição de Jesus. Diante da morte de alguém querido, amado, respeitado e BOM, só restou ao círculo mais íntimo a “perplexidade” (Lc.24:4). Desorientação, ausência de foco, dor imensa no coração, lágrimas nos olhos embaçando a visão, é o que sentimos quando perdemos nosso melhor. Mas aí vem uma palavra de Deus para nós: “Por que procuramos dentre os mortos aquele(a) que vive?”(Lc.24:5)

Sim, Milena, Dona Marly entre outros estão com Jesus. E por isso sustentamos a alegria de um futuro e aí sim, perene reencontro. Tenho pensado no céu como um bom lugar também pela sua capacidade aditiva. Ele nunca subtrai. Só soma. Que lugar maravilhoso é esse! Para lá um dia iremos. E lá nos reencontraremos!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

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