Novos Caminhos, Velhos Trilhos

agosto 17, 2010

A PERDA DA JOANNA

Filed under: Teologia — sdusilek @ 12:13 am

Meu silêncio sobre o caso Joanna acaba de ser quebrado. Até agora achei que era importante concentrar energias não em outra coisa a não ser nas orações. Orar para que DEUS revertesse o irreversível. Mas aprouve ao Soberano tomá-la em Seus afetuosos braços. Aliás, as crianças desde há muito sabem (Mc.10) da gostosura que é estar nos braços de Jesus. E Joanna, como princesinha que era, foi para os braços do seu Rei. Sobre sua cabeça não há mais equipamentos, mas sim a mão abençoadora do Senhor. Jesus está agora mesmo (enquanto você lê) lhe fazendo um gostoso cafuné. Sua respiração não é mais feita por ventilação através de uma máquina, mas ela respira agora a plenitude do Espirito, a plenitude de Deus. Aliás o Espirito é o puro ar de Deus! No seu corpo aqui ficaram marcas horríveis oriundas da negligência ou da violência no período da guarda paterna (quem fez, e o que fez, só Deus, quem agiu e Joanna sabem). Agora no seu corpo espiritual já recebido do Senhor não há marca, nem debilidade alguma. O céu ganhou com a entrada de Joanna. Aliás esse é um dos motivos pelos quais o céu é maravilhoso – ele só ganha. Nós aqui é que perdemos ficando sem ela…

A perda dessa menina tão cheio de vida, tão altruisticamente cuidada pela sua mãe e tão comoventemente amada pelo seu padrasto (a ponto dela preferi-lo como pai, sem que ele ou a mãe induzissem a uma “alienação parental”) tem de mexer conosco. Tem de trazer indignação. Tem de nos fazer também chorar.

Estou indignado pelo fato do Judiciário ter sido instrumento da morte dessa criança. Que juízo é esse que arranca a criança da casa da mãe com quem ela tem uma relação simbiótica? Que decisão transloucada é essa que desvaloriza tudo o que aprendemos sobre família? Quer reverter provisoriamente a guarda, reverta! Mas proibir a mãe de ver? Suspeito que nem no regime dos aiatolás encontremos tamanha atrocidade!

Indignado fiquei com as demais decisões da juíza. Ora proibia o pai biológico de ver a criança (após saber que depois de sua visita a criança teve uma parada cardíaca), ora permitia a sua visitação. Tão decidida na hora de reverter provisoriamente a guarda… tão vacilante no processo de internação da menina… que tipo de juíza é essa? Tenho tanto medo de cair na mão de um falso ou ruim médico quanto o de cair nas mãos de um magistrado como essa juíza. De onde vem tamanha vacilação? É da personalidade dela? É por conta de uma possível influência? Há um fato emblemático nessa história toda: o pai biológico é sobrinho do Dep.Biscaia (sugiro a você nem pensar votar nele, nem no PT uma vez que o abriga em sua legenda) e sua tia é promotora de justiça. Será que a oscilação decisória, essa forma pendular de se portar como juíza tem haver com esse “fato”, com esse parentesco? Sinceramente espero que não.

Estupefato fiquei com o desrespeito a memória. Falo aqui da memória da Joanna quando a madrasta, na hora do culto fúnebre (!!!) resolve aparecer no cemitério. Só isso mostra que valor ela dava àquela menina e que espiritualidade realmente tem. Desrespeito também a memória vivencial e relacional do padrasto. Como pode gente que viu Ricardo trabalhando por inúmeros anos na mesma igreja, achar que ele é alvo de depreciação? Como podem acolherem alguma coisa de mal sobre ele, após se relacionarem com o mesmo, e depois irem ao velório? Como pode gente do coro dessa igreja chegar atrasado ao culto e importunar o andamento do velório? Que desrespeito a memória! Que assinte! Um lugar que não respeita a memória de gente íntegra como Ricardo, não merece respeito. Nem pode se chamar de lugar santo.

Indignação se deve às mentiras. Há mentiras nessa história. O pior é que há pessoas que mentem por hábito, por patologia ou ainda por diabólica filiação (João 8). Só para você ter uma idéia, vou destacar uma que  a imprensa noticiou. Os jornais e telejornais informaram que o pai biológico dissera que Joanna fora entregue como “um saco de batatas”. Mas ele mesmo vistou um documento judicial, na frente DAQUELA juíza, que atestava a entrega da Joanna em perfeito estado e com um mala com roupas… Bom, se mente por hábito não lhe deveria caber o papel de educador. Se mente por doença, jamais poderia ser encarado como protetor. E se é por aquela filiação… como deixar uma criança ser cuidada por alguém tão ligado ao Inferno? Que juiz daria a guarda de uma criança para alguém sabendo que, nesse caso, seria um agente ou encarnação do demônio?

Outra coisa que não me desce é a postura dos pais do pai, isto é, dos avós paternos de Joanna. Até onde sei parece que eles tinham carinho e cuidado pela criança. Agora, uma vez que sempre SE apresentaram como idôneos, por que não pressionaram seu filho a falar a verdade como na situação acima? Por que não o forçaram a se retratar pelo menos daquilo que já tem comprovação que é mentira? Por que não aceitaram a recomendação paulina de II Cor.13:8, na qual o apóstolo dizia que “nada podemos contra a verdade, senão pela verdade”? Quando era criança aprendi com meu pai a não mentir. Ele me deu uma pedagógica lição, contando uma estorinha. Dali pra frente errei outras vezes. Mas ele sempre me apoiou pois dizia a verdade, mesmo que com prejuízo pessoal. Apoiem, ladeiem seu filho NA VERDADE, SEJA ELA QUAL FOR.  Até entendia (embora não aceitava) essa postura quando havia uma “imagem” a ser preservada. Mas e agora que as vísceras já foram expostas?

Indignação de como um Hospital como o RIO MAR, onde fui atendido algumas vezes (aliás tinha um médico plantonista lá chamado Dr.Renato que é bom!),  deixa um acadêmico cuidar de pessoas. Mesmo que o setor seja terceirizado, não acompanhar quem está ali… é como se contratasse uma empresa para ter uma babá mas não procurasse saber quem seria essa pessoa que cuidaria da minha filha. Mas que fique claro: esse rapaz não matou a menina. Possivelmente ele não a salvou, devido a sua deficiência técnica.  Contudo, não foi ele que causou as convulsões. Talvez se tivesse ali um médico de verdade e bom ela pudesse ser curada. Volto a dizer: ele não a matou, ele não a salvou.

Diante de tanta indignação só posso sugerir a você fazer o que o rei Davi fez. Falei isso no velório da Joanninha.  Quando amalequitas subtraem de nossa casa nosso maior valor (I Samuel 30), sim porque para retirar o maior valor de uma família não pode ser “israelita”, tem de ser “amalequita”, temos de chorar, mas além disso, nos agarrar em Deus (v.6). Nossa revolta só conduz a amargura de coração. E em coração amargurado (c0mo o dos homens de Davi) não há espaço para o CONSOLO do Espírito. E verdade é que nossa revolta não opera a JUSTIÇA DE DEUS.

Se agarre em Deus. Deixe Ele consolar sua alma. E para você que fez algo com essa menina, quero dizer que você não afrontou a mãe, ao pastor, aos tios, aos avós: você afrontou a Deus. As crianças são paradigma do Reino. São preciosidades, verdadeiras jóias do Senhor. Aliás tomo a liberdade de pensar que as jóias que cobrem as ruas da Nova Jerusalém, não são inanimadas pedras. Mas inúmeras crianças abrigadas pelo Pai. Quer visão mais linda do que essa?

Reitero portanto,  sobre você que sabe o que aconteceu (seja lá quem for) que PESA agora a Mão do Senhor, pois “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Heb.10). Arrependa-se enquanto há lugar para arrependimento. Fale a verdade para que experimente o bálsamo e a presença de Deus, uma vez que o trono de Deus está estabelecido sobre a VERDADE. Fazendo isso, creio que Ele mesmo susterá você na hora de arcar com as conseqüências. Em outras palavras: ou você passa por isso na vereda da justiça e com Deus, ou passará pelo “caminho largo” atormentado pelos demônios. Mas se você for um como eles, talvez isso não tenha peso. Afinal os anjos de Satanás seriam seus legítimos irmãos… Nessa circunstância, uma lástima!

Com saudade daquele alegre jeito da Joanna de encher o ambiente,

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com 

10 Comentários »

  1. Sérgio e Liliana,

    Obrigada por estas palavras… saber dos fatos como realmente são nos ajuda a entender um pouco essa triste situação. Cada vez que ouvia as reportagens me sentia indignada, confusa – as coisas não “batiam”. Pensava comigo – tem alguma coisa muito errada com esse caso… informação de mais ou de menos…
    Lendo agora seu relato entendi melhor, mas fiquei ainda mais chocada com essa verdade sobre a situação, demonstrou toda a gravidade moral, ética e profissional das pessoas envolvidas:pai, aprendiz de médico, juiza…
    Obrigada por ser um porta voz do coração de todos nós!
    Que vc continue com seu coração pastoral bem atento, e sua mente muito perspicaz para dizer o que sente e o que pensa com clareza e sensibilidade.
    Com amor e + + + + + oração,
    Talita
    PS – Vc conhece os 50 motivos para orar por seus filhos, usado pelo Desperta Débora???? Talvez fosse uma boa coisa para ajudar os pais e mães de sua igreja a intercederem por seus filhos e pelos filhos de outras famílias de um modo eficiente e eficaz.

    Comentário por Talita Antunes de Oliveira — agosto 17, 2010 @ 9:36 am | Responder

  2. O difícil não é a morte, mas o sofrimento até que ela chegue. Essa menina sofreu muito até encontrar paz. E uma juíza dar guarda ao pai nas circunstância que foi o caso da Joana, deve no mínimo, não ser mãe e nem ter o instinto materno. Ou certamente é uma outra na vida de algum macho que também tem filhos com a mulher e descontou seu recalque nesta decisão. Desculpe a revolta, mas é inevitável. Que Deus tenha Joana agora, protegida na palma de Sua mão.

    Comentário por Nara — agosto 17, 2010 @ 11:58 am | Responder

  3. Sergio,
    Me fez muito bem ler suas palavras, agradeço a Deus pela sua instrumentalidade.

    Enluto,

    Chedid

    Comentário por Raphael Chedid — agosto 17, 2010 @ 11:16 pm | Responder

  4. Corrigindo.

    Em luto,

    Chedid

    Comentário por Chedid — agosto 19, 2010 @ 3:47 pm | Responder

  5. Quero dizer que esse Homem íntegro, Amigo chegado e verdadeiro, Pastor de ovelhas que tem nos pastoreado diante de Deus. Tem autoridade de dizer o que disse sobre a Joanninha.

    Meu comentário é para assinar o texto, pois é verdadeiro e digno de aceitação!

    Minha casa NUNCA pagará a dívida de amor que tem com a sua família.

    Comentário por Ricardo Ferraz — agosto 20, 2010 @ 10:43 pm | Responder

  6. Tio Sergio e tia Lili ,pais de Lelê, diria a Joanna ,muito obrigada por cuidar da minha mae,pai e irmãos,porque quando você ora Deus escuta!!!!!!!
    Nós te amamos!!!Mamae Cristiane.

    Comentário por Ricardo Ferraz — agosto 20, 2010 @ 11:20 pm | Responder

  7. Realmente,

    preciso deixar a revolta pra Deus consolar o coração. Porque tá difícil!!

    Lindo o texto,pastor.

    Comentário por Rosana — agosto 21, 2010 @ 12:16 pm | Responder

  8. Pastor Sérgio, conheci a Cris quando eu tinha 8 anos, numa Igreja Batista em que me converti, fui batizada e casei, isso tem mais de 20 anos. Hoje em dia não frequento mais Igreja nenhuma, aliás, tem mais de 8 anos, mas vi o seu perfil no orkut da Cris e tive a curiosidade de olhar e quando vi no seu status o seu blog, logo vi a mão de Deus, não era à toa!
    Maravilhoso o que o Senhor escreveu tanto sobre a Joanna, quanto sobre os pais dela (digo a Cris e o Ricardo), pq o biológico, qeu simplesmente não considero como nada.
    Infelizmente nada trará a princesa Joanna de volta, não sei se há consolo pra um coração de uma mãe que perde sua filha, ainda mais nessa situação, NÃO CONFIO NA JUSTIÇA, pq se houveram tantos absurdos desde o início, quem me garante que agora irão existir gente de bem que tenha a consciêmcia de julgar de forma justa, mas eu confio plenamente no que o Senhor escreveu:
    “E para você que fez algo com essa menina, quero dizer que você não afrontou a mãe, ao pastor, aos tios, aos avós: você afrontou a Deus. As crianças são paradigma do Reino. São preciosidades, verdadeiras jóias do Senhor.”
    Sinceramente, eu não tenho piedade, e desejo (pode ser um sentimento ruim), que eles sejam atormentados até o dia de prestarem contas com Deus! Que seja um fardo pesado de carregar, tão pesado que eles desejem ter morrido junto!
    Estou organizando com umas amigas, uma blogagem coletiva pedindo justiça, e se o Senhor quiser participar, ou mandar algum texto para que possamos postar, eu agradeço, é só entrar em contato comigo, ou no blog ou e-mail.

    Obrigada.

    Comentário por Aline Mello — agosto 22, 2010 @ 12:13 pm | Responder

  9. Sr. José Ferreira, uma parte do seu texto me chamou bastante atenção, e sugiro que o Senhor coloque em prática aquilo que sugere aos outros:

    “Cuidai pois de vós mesmos ..”

    Quanto ao exemplo do Pai do Pastor Sérgio (que é uma pessoa que eu nem conheço), cada um vai dar conta das palavras e das ovelhas que pastoreou!

    E se o Senhor não demonstrou de que lado está à favor, imagina se demonstrasse, pq se estivesse tão imparcial na história, não estaria aqui acusando ninguém, estaria lendo a bíblia ou evangelizando!

    Sabe o que me veio à lembrança ao ler seu comentário? Os fariseus!

    Comentário por Aline Mello — agosto 27, 2010 @ 9:48 pm | Responder

  10. “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos;porque as suas misercórdias não tem fim.Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade.”(Lamentações: 3,22-23).
    Só isso.

    Comentário por Leda Costa — agosto 30, 2010 @ 4:38 pm | Responder


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