Novos Caminhos, Velhos Trilhos

junho 16, 2010

“NÃO JULGUEIS PARA QUE NÃO SEJAIS JULGADOS” (Mt.7:1-5) – parte 1

Filed under: Estudos — sdusilek @ 1:08 am

Taí uma das mais incompreendidas frases de Jesus. Citada para justificar os erros por aqueles que andam enlameados, bem como para evitar o aprofundamento de uma discussão para os mais superficiais, o verso primeiro de Mateus 7 caiu na graça da cultur popular. Por isso, sendo super conhecido e citado, muito pouca gente sabe o que relamente ele quer dizer. Inclusive há pessoas que na honestidade de seu coração tentam não elaborar nenhuma síntese, nenhum juízo, como se isso fosse possível. Mas será que Jesus pediria ou mesmo requeriria de nós algo impossível? Estaria Jesus tencionando que seus servos, filhos e amigos se tornassem uma espécie de “tábula rasa”?

Particulamente não é esse Jesus que conheço e que vejo ser apresentado nos evangelhos. Por isso quero sugerir a você 5 cuidados que Jesus queria ensinar para cada um de nós nessa passagem do sermão do monte:

1) Cuidado com a EXPRESSÃO do Juízo (v.4) – se é inevitável formular um juízo é perfeitamente possível não expressá-lo. O verso 4 fala da expressão, de ir até o irmão e dizer o que você sintetizou. Expressão é para quem é íntimo, por isso não é todo mundo que pode ouvi-lo. Pessoas íntimas nos conhecem, nos compreendem e por isso dão aquele famoso “desconto”, por conseguirem ver as coisas sob nosso prisma. Se a conversa de clichê (aquela que mal sai da saudação) é para todos, a expressão de juízo é só para os íntimos. Aliás, entre os que são íntimos nem é necessário dizer, basta pensar.

Expressar o juízo revela nosso padrão e os valores que constituem nossa alma. A expressão de um juízo portanto é um desnudamento do ser. E ninguém deve ficar nú na frente de qualquer um… não acha? Mesmo porque nem toda nudez agrada. Há nudez que causa asco. E isso pode implicar numa solidão… Por essas e outras é que o juízo deve ficar debaixo do controle pessoal.

2) Cuidado com a FORMULAÇÃO do juízo (v.2) – Jesus estava além ensinando que além da expressão é preciso tomar cuidado com a formulação do juízo. Volte e meia somos precipitados em nossos julgamentos. Quer ver um exemplo? Você dirigindo o carro no trânsito passa por uma batida. Vê dois carros retirados (sem saber quem bateu em quem) e os motoristas falando com o policial. Um deles era mulher. E loira. Quem você pensa na hora que foi o culpado pelo acidente? E se te disser que foi o outro condutor?

Nossa formulação por vezes é precipitada porque não colhemos, nem ouvimos todos os detalhes. Emitimos um parecer com os poucos dados que possuímos. Ajuizar depende de saber de todas as nuâncias. Por isso, antes de fazê-lo, procure tomar ciência de todos os ângulos e fatos. Assim evitamos que nosso juízo adquira a coloração da palavra que Jesus usou (krínete), que significa um hábito de censura, uma crítica amarga e injusta.

E lembre-se que por mais dados e fatos que tenhamos sobre uma situação, o julgamento da intenção só o Juiz pode fazê-lo. E Deus o fará no último dia, revelando os “desígnios” dos corações (I Cor.4:5). Por isso Cristo falou que não há nada oculto que não venha a ser revelado (Mt.12).

3) O terceiro cuidado é com a PROJEÇÃO camuflada em juízo (v.2,3). Projetar é realçar no outro aquilo que não aceitamos em nós. Por isso a projeção é um sinal e atestado de hipocrisia, na medida em que queremos corrigir nos outros o que não é conseguimos consertar em nós mesmos. O fato é que Jesus contrasta no verso 3 os tipos de atenção que temos e a que deveríamos ter. Nossa atenção é “topográfica”, medindo os outros pelos detalhes (cisco/argueiro) que fazemos força para localizar em outrem. Mas nós deveríamos ter uma atenção “tomográfica”, isto é, um olhar para dentro de nós mesmos que nos permitisse enxergar nossas falhas e erros. Era para deixar Deus passar o scan em nós.

A mensagem de Jesus é clara: antes de querer consertar o outro, temos que acertar nossas pendências. Por isso antes de querer pontuar seu conjuge, acerte voce sua passada. Antes de corrigir seu colega de trabalho, deixe Deus trabalhar o seu coração.

Interessante é que não vemos nossa “trave”. A palavra usada por Cristo é dokoi = vigas pesadíssimas como aquelas usadas na construção do Templo. Em época de copa do mundo e no país do futebol é preciso destacar que a “trave” é bem maior do que se imagina… E sabe por que não as vemos? Porque as vigas são estruturas, ficam na parte interna, constituem a estrutura (inclusive a de nossa personalidade). Por isso é difícil de ver. Também é por isso que muitos não se enxergam… Para ver a trave tem que mergulhar fundo para ver.

Se você não se conhece bem, nunca mergulhou para dentro, cuidado com a projeção…

4) Cuidado com o PADRÃO (v.2) – lembre-se sempre, e isso Jesus queria ressaltar, que a medida com a qual avaliamos será a mesma com que nos avaliarão. Tem gente que não aguenta o rebote, a ressaca do juízo, que é quando os outros nos pegam cometendo os erros que condenamos. A isso chama-se incoerência. E os maiores detetives de nossas incoerências são os adolescentes. Por isso é que para muitos conviver com eles é difícil…

Se você não quer ser julgado por um padrão maior, cuidado com o juízo que você faz e publica. Em outras palavras, olhe para o Padrão.

5) Cuidado com a FALTA DE GRAÇA (v.2, Mt.6,12; 18:35, Gl.6:1-2). Por fim o Mestre fala de um último cuidado que é com a implacabilidade na hora do juízo. Não cabe a nós sermos intolerantes e implacáveis com quem peca ou mesmo com quem falha. Jesus ensinou isso quando teve comunhão com Zaqueu (Lc.19) ou mesmo quando perdoou a adúltera (Jo.8). Implacável o Senhor foi com os cínicos e hipócritas (Mt.23).  Infelizmente em muitas igrejas percebemos uma implacabilidade com os pecadores (ainda mais com os confessos!!)  e uma tolerância com os cínicos e hipócritas… tem algo errado conosco, não acha?

Não podemos ser implacáveis com aqueles que estão já quebrados pelo pecado. Implacabilidade é para o Juiz do Universo. E haverá um tempo em que a misericórdia do Senhor acabará, assim como Esaú procurou um dia um lugar de arrependimento com lágrimas mas não o achou. Há um tempo para que haja arrependimento. E esse tempo para você é agora!

Jesus queria que ajudássemos aqueles que foram excluídos da vida pelo pecado. Daí o apelo de Paulo para que cumpramos a lei de Cristo que não é outra a não ser a lei do amor. Por isso nossa missão é levar as cargas uns dos outros. E isso é agir com Graça.

Qual desses cuidados tem faltado a você?

O próximo texto que postarei é a conclusão dessa mensagem que preguei na CB RIO2 no domingo 13/06. E ela vai para além dos cuidados que Cristo quis ensinar. Exporei, como já o fiz, alguns razões pelas quais penso que Deus nos deu a capacidade de julgar. Mas isso é para o texto que vem!

Beijao!

Pr.Sergio Dusilek

sdusilek@gmail.com

 

 

 

 

 

 

 

1 Comentário »

  1. Muito bem meditado, preencheu ao que eu buscava, só queria ressaltar a questão da medida com que julgares serás julgado: a misericórdia. Usar da misericórdia é essencial.

    Comentário por Sirlene — junho 25, 2012 @ 9:23 pm | Responder


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