Novos Caminhos, Velhos Trilhos

janeiro 19, 2012

VOCÊ FOI FEITO PARA BRILHAR! – LUCAS 11:33-36

Arquivado em: Estudos — sdusilek @ 9:52 am

A uma geração que pedia um sinal (v.29) e aos fariseus que queriam atrelar Jesus a Belzebu (v.19), o Mestre fala da candeia. A candeia era o mais comum instrumento de iluminação na Palestina daquele tempo, normalmente mantida com um pavio formado de um pedaço de pano e azeite.
Conquanto esse trecho não possa ser qualificado de modo estrito como uma parábola, ele foi selecionado para nosso estudo devido a importância que ele tem e também a sua linguagem “parabólica”. É nessa passagem que convido você para tirar preciosas lições.
1)    Num contexto imediato, quem era a candeia?
Jesus proferiu essas palavras para tipificar e contrastar aqueles que deveriam ter sido candeias (os fariseus) com aquele que era a própria candeia, a saber, o próprio Mestre. Para Jesus a candeia era todo aquele que detinha a Palavra de Deus, que a conhecia com profundidade e que procurava vivê-la com integridade de coração. Por isso em algum momento os fariseus tiveram a oportunidade de serem candeias. Eles conheciam e se gabavam de deter a Palavra. Mas infelizmente não a viviam (Mt.23).
É especialmente para eles que Cristo assevera que a “luz se torna trevas” (v.35). Na vida daqueles homens, a Palavra tinha perdido vida, fulgor, brilho. A religiosidade, os preceitos inúmeros (v.38-44) não cumpridos, mas sempre do outro exigido, acabaram obnubilando suas vidas. De uma vocação para serem luz, candeia, acabaram se tornando em trevas. Ao invés de oferecerem a proximidade de um Deus amoroso e misericordioso, afastavam as pessoas do Senhor pela punição.
Conhecimento bíblico extremo sem um coração amoroso, sem vida com Deus, ao invés de fazer alguém brilhar, acaba escurecendo a vida e o ministério que Deus confiou a essa pessoa. Bíblia sem piedade (pode crer: alguns conseguem conjugar esse binômio!) produz farisaísmo e legalismo. E onde sobra regras falta Espírito (II Cor.3:17). Ordem, ausência de confusão (I Cor.14:32), não vem de regras, mas de intimidade com Deus. Quem é íntimo do Senhor vai ser da turma da Paz, com ou sem regras.
A candeia também tipificava nesse contexto a própria Luz do Reino de Deus. Essa Luz chamava-se Jesus de Nazaré. O Pai havia enviado o Filho para que as pessoas pudessem ser orientadas para a Luz (Jo.1:4-5). Jesus é essa candeia que foi erguida quando crucificado no Calvário, sendo colocado no velador (Jo.3:14-15 e Lc.11:33). De uma forma maravilhosa Deus fez assim para que outros vejam a luz (v.33b).
Sendo Jesus a pura candeia de Deus, cabe a nós pô-la no velador. Isso implica em glorificá-lo com a nossa vida. Resulta num crescimento da vida de Cristo em nós (Gl.2:20) e uma diminuição do nosso ego (Jo.3:30). É dedicar de modo simples e honesto toda honra ao Senhor. É não ser “ladrão da Glória”, gente que se propala para receber louvor (Mt.6:5). Tá afim de ter um espírito humilde? Aos humildes está reservado o Reino (Mt.5:3) porque suas vidas apontam e focam sempre o Rei da Glória, a Candeia celestial (Ap.21:23).

2)    O propósito da candeia
De fato Jesus é essa candeia maior. Contudo de uma forma mais abrangente, podemos entender que cada um de nós, os que cremos nEle, somos transformados em candeias nesse mundo. Isso porque, assim como a candeia brilha uma luz que não é dela, mas que está nela, assim reluzimos a luz de Cristo em nós (Ct.2:10; Fl.2:15 – Foster no grego – luminares; astros celestiais que espelham luz e iluminam o mundo, tal como a lua).
A candeia foi feita para brilhar. Não era para escondê-la. Assim também eu e você, uma vez “acesos” pelo Espírito fomos feitos para brilhar. Em outras palavras, Cristo é a luz que deve brilhar no cristão nesse mundo tenebroso (Ef.6:12). Uma vez nosso “órgão de percepção espiritual” chamado coração iluminado por Cristo, irradiamos dessa luz para aqueles que nos cercam. Daí a necessidade de cuidado com o “enganoso coração” para que não se tornem trevas. Aliás, só há dois lugares no universo criado capazes de transformar luz em trevas: o buraco negro no espaço sideral, cuja densidade/massa é tão grande que “engole” até a luz e o coração do homem que, uma vez em pecado, apaga o Espírito (I Tess.5:19).
Se somos candeia devemos resplandecer (v.36). A palavra no grego é a mesma para raio/relâmpago. Algo que é notado por muitos devido a luz que irradia. Seremos notados quando houver em nós ousadia, intrepidez (At.1:8; 4:29-31). Na verdade quando vivenciarmos a ousadia que nos foi dada pelo Espírito Santo (II Tm.1:7).
Você tem ousadia ao anunciar a Candeia do Céu? Ou o faz cheio de medo, de receio?

3)    Como fazer a candeia brilhar
Jesus coloca todo o segredo nos olhos. A palavra no grego usada é aplous que denota uma visão clara, em contraste com uma visão distorcida ou turva que muitos podem ter. No momento em que perdemos a clareza de consciência e do discernimento do que é certo ou errado, em que passamos a ter uma visão dupla das coisas, é sinal de que trevas se instalaram no coração.
Para que a candeia brilhe e ilumine é preciso que haja comunhão íntima com o Espirito. Para que sua vida resplandeça, é preciso que você fique sob influência dessa fonte própria de luz chamada DEUS (I Jo.1:5). Não foi isso que aconteceu com Moisés quando o povo não podia vê-lo porque sua face resplandecia após subir no monte (Ex.34:29-30 e II Cor.3:7-16)? Somente andando com o Senhor (I Jo.2:6) é que vamos resplandecer.
Andar com o Senhor implica em olhar as coisas de modo diferente. É ver as situações e provações sob a ótica divina. É transmitir com o olhar a luz e a verdade que estão na alma. É olhar tendo a motivação correta nesse olhar. É saber o que olhar e quando olhar. Muitas das trevas que alcançam o coração humano vêm através de um olhar. Os olhos e os ouvidos inundam o coração com coisas que prestam e com aquilo que é imprestável. Cabe  a nós, se queremos ser de fato candeia, ter cuidado com aquilo que olhamos, isto é, com aquilo que importamos para a nossa alma.

CONCLUSAO
Nosso alvo foi apresentado por Jesus: ser “como a candeia quando ilumina em plena luz” (v.36). Mas quando mesmo é que temos luz fraca?
a)    Quando o conhecimento da Palavra vem desatrelado de piedade, de devoção a Cristo. Nessa hora a Luz que é a Palavra (Sl.119:105) se torna em trevas. Você deixa de brilhar e apaga o brilho de Deus em você, assim como os fariseus. Será que você se tornou assim? As pessoas têm vontade de estar perto de você e quando se aproximam, sentem também vontade de estar mais perto de Deus, de orar (por exemplo)? Ou não? Se você inspira medo ao invés de vontade de se aproximar a Deus, é porque provavelmente a candeia está apagando ou, como os mestres da Lei, já se apagou;
b)    Percebemos nossa luz enfraquecida quando falta ousadia no brilhar, no testemunhar. Quando você como candeia prefere ficar debaixo do alqueire (v.33) ao invés de estar no velador é porque o pavio tá sem “azeite”, sem presença do Espírito Santo.
Como anda seu testemunho? Apagado ou brilhando?
c)    Quando importamos com os olhos aquilo que não presta para o nosso coração. Isso fará que tenhamos dúvidas até mesmo do que é certo ou errado. Será que você já está nesse dilema ético? Trevas escurecendo a luz que há em você?
Reaproxime agora do Senhor! Vença, domestique sua carne (Rm.7)! E sinta o prazer de ser usado pelo Senhor como luminar nesse mundo tenebroso.

Pr.Sergio Dusilek

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